| Projeto
204: Centro de Educação Ambiental
Autora: Camila Ramondini do Val Teixeira
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Perspectiva
eletrônica do conjunto
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Memorial
A Zona Leste
foi uma das últimas vertentes de expansão da cidade de São Paulo.
A partir de 1940, a região, que era composta por fazendas e chácaras,
passou a receber grande parte da população que fora “expulsa”
do centro da cidade pela especulação imobiliária. Como essa ocupação
se deu de forma desordenada, a região rapidamente adquiriu características
típicas de subúrbio-dormitório, com péssima infra-estrutura e
graves problemas sócio-ambientais. Ao longo dos últimos 60 anos,
80% da cobertura vegetal da Região Leste foi dizimada. Uma das
poucas áreas remanescentes é a Área de Proteção Ambiental do Carmo
— APA, instituída em 1989. Porém, a imagem de satélite mostra
que, mesmo após a criação da APA, a área ainda é ameaçada por
constantes desmatamentos, causados principalmente por moradores
do entorno próximo que promovem queimadas com o intuito de construir
moradias clandestinas. A implantação do Centro de Educação Ambiental
— CEA dentro da APA do Carmo visa justamente a devolver à população
a auto-estima perdida após anos de descaso do poder público, estimulando-a
a exercer plenamente seus direitos e deveres de cidadãos.
A proposta
do CEA é que o projeto seja por si só pedagógico, mostrando aos
visitantes que a natureza não deve ser vista como algo intocável,
e sim como um meio com o qual devemos interagir com responsabilidade.
Foi considerado que a edificação tem um ciclo de vida que engloba
construção, uso e demolição e, portanto, os materiais selecionados
deveriam ser ecologicamente corretos, optando-se principalmente
pela madeira certificada pela Imaflora-FSC, pelo PVC e pelo aço,
os quais, além de serem reaproveitáveis, são industrializados,
diminuindo o impacto do canteiro de obras e tornando a construção
mais rápida.
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Mapa
de situação - área de intervenção
assinalada em vermelho |
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| Área
de Preservação Ambiental do Carmo |
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| Croqui
de implantação |
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A implantação
do CEA foi determinada pelo estudo da infra-estrutura existente,
visando ao mínimo de impacto no Parque. Foi escolhida uma área
em frente ao lago, adjacente ao Viveiro de Mudas existente (que
será incorporado ao CEA) e próximo ao atualmente subutilizado
estacionamento de veículos. Um estudo dos fluxos de pedestres
apontou os principais percursos percorridos pelos visitantes e
permitiu que, além de ser implantado na convergência de dois dos
principais fluxos, o CEA fosse “atravessado” por uma via que os
liga ao terceiro principal fluxo, integrando totalmente a escola
com seu entorno.
A concepção
do projeto partiu de um diagnóstico climático da área de intervenção
para que, através da identificação das zonas bioclimáticas, fossem
estabelecidas estratégias de condicionamento ambiental. Embora
não seja a mais recomendada para regiões tropicais úmidas, a orientação
do edifício (cuja principal fachada é voltada para o oeste) foi
definida visando à contemplação do lago. A solução foi uma edificação
“incrustada” no morro e o uso de vegetação na cobertura, além
de uma parede de pedra protegendo a fachada norte. A fachada oeste
é protegida por brises e treliças de madeira que evitam a incidência
de luz solar direta. As árvores do entorno e os arbustos das jardineiras
têm folhas caducas, respeitando a necessidade de captação de energia
solar para aquecimento passivo durante uma parcela reduzida de
10% do período diurno de ocupação, durante o inverno. Um aspecto
positivo da orientação escolhida é permitir que a brisa do lago
permeie todo o edifício, resfriando os ambientes através da ventilação
cruzada. Além das técnicas passivas também foram incorporadas
técnicas ativas, como a captação de energia solar por meio de
placas fotovoltaicas, para a produção de energia, e de coletores
solares de PVC, para aquecimento de água.
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| Planta
cota 772,00 |
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| Planta
cota 776,45 |
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Esquema
do telhado vede e captação de águas pluviais |
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Estudos
de ventilação e iluminação |
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Estudo
de fontes de energia alternativas
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Estudo
de incidência de radiação solar na fachada
oeste |
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Ficha
de projeto
Nome do
Projeto
Centro de Educação Ambiental
Autora
Camila Ramondini do Val Teixeira
Instituição
de Ensino
Universidade Presbiteriana Mackenzie - Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo
Cidade
São Paulo SP
Professor
Orientador
Ricardo L. Vasconcelos
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