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Iniciativa Solvin – Arquitetura Sustentável
Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2005

Projeto 204: Centro de Educação Ambiental
Autora: Camila Ramondini do Val Teixeira

Perspectiva eletrônica do conjunto

 

Memorial

A Zona Leste foi uma das últimas vertentes de expansão da cidade de São Paulo. A partir de 1940, a região, que era composta por fazendas e chácaras, passou a receber grande parte da população que fora “expulsa” do centro da cidade pela especulação imobiliária. Como essa ocupação se deu de forma desordenada, a região rapidamente adquiriu características típicas de subúrbio-dormitório, com péssima infra-estrutura e graves problemas sócio-ambientais. Ao longo dos últimos 60 anos, 80% da cobertura vegetal da Região Leste foi dizimada. Uma das poucas áreas remanescentes é a Área de Proteção Ambiental do Carmo — APA, instituída em 1989. Porém, a imagem de satélite mostra que, mesmo após a criação da APA, a área ainda é ameaçada por constantes desmatamentos, causados principalmente por moradores do entorno próximo que promovem queimadas com o intuito de construir moradias clandestinas. A implantação do Centro de Educação Ambiental — CEA dentro da APA do Carmo visa justamente a devolver à população a auto-estima perdida após anos de descaso do poder público, estimulando-a a exercer plenamente seus direitos e deveres de cidadãos.

A proposta do CEA é que o projeto seja por si só pedagógico, mostrando aos visitantes que a natureza não deve ser vista como algo intocável, e sim como um meio com o qual devemos interagir com responsabilidade. Foi considerado que a edificação tem um ciclo de vida que engloba construção, uso e demolição e, portanto, os materiais selecionados deveriam ser ecologicamente corretos, optando-se principalmente pela madeira certificada pela Imaflora-FSC, pelo PVC e pelo aço, os quais, além de serem reaproveitáveis, são industrializados, diminuindo o impacto do canteiro de obras e tornando a construção mais rápida.

  Mapa de situação - área de intervenção assinalada em vermelho
     
Área de Preservação Ambiental do Carmo
 
Croqui de implantação
 

A implantação do CEA foi determinada pelo estudo da infra-estrutura existente, visando ao mínimo de impacto no Parque. Foi escolhida uma área em frente ao lago, adjacente ao Viveiro de Mudas existente (que será incorporado ao CEA) e próximo ao atualmente subutilizado estacionamento de veículos. Um estudo dos fluxos de pedestres apontou os principais percursos percorridos pelos visitantes e permitiu que, além de ser implantado na convergência de dois dos principais fluxos, o CEA fosse “atravessado” por uma via que os liga ao terceiro principal fluxo, integrando totalmente a escola com seu entorno.

A concepção do projeto partiu de um diagnóstico climático da área de intervenção para que, através da identificação das zonas bioclimáticas, fossem estabelecidas estratégias de condicionamento ambiental. Embora não seja a mais recomendada para regiões tropicais úmidas, a orientação do edifício (cuja principal fachada é voltada para o oeste) foi definida visando à contemplação do lago. A solução foi uma edificação “incrustada” no morro e o uso de vegetação na cobertura, além de uma parede de pedra protegendo a fachada norte. A fachada oeste é protegida por brises e treliças de madeira que evitam a incidência de luz solar direta. As árvores do entorno e os arbustos das jardineiras têm folhas caducas, respeitando a necessidade de captação de energia solar para aquecimento passivo durante uma parcela reduzida de 10% do período diurno de ocupação, durante o inverno. Um aspecto positivo da orientação escolhida é permitir que a brisa do lago permeie todo o edifício, resfriando os ambientes através da ventilação cruzada. Além das técnicas passivas também foram incorporadas técnicas ativas, como a captação de energia solar por meio de placas fotovoltaicas, para a produção de energia, e de coletores solares de PVC, para aquecimento de água.

Planta cota 772,00
 
Planta cota 776,45
 
  Esquema do telhado vede e captação de águas pluviais
     
  Estudos de ventilação e iluminação
     
 

Estudo de fontes de energia alternativas

     
  Estudo de incidência de radiação solar na fachada oeste
     

Ficha de projeto

Nome do Projeto
Centro de Educação Ambiental

Autora
Camila Ramondini do Val Teixeira

Instituição de Ensino
Universidade Presbiteriana Mackenzie - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Cidade
São Paulo SP

Professor Orientador
Ricardo L. Vasconcelos

       
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  Data da notícia:17/01/2006 – Fonte: Equipe premiada / São Paulo SP Brasil