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Concurso Nacional Centro Judiciário de Curitiba
Curitiba, 18 de abril de 2006

1° Lugar
Autores: Jorge Königsberger, Gianfranco Vannucchi, Mario Biselli e Artur Katchborian

Foto-montagem - implantação geral

 

Memorial descritivo

O pavilhão a ser preservado, por sua posição central e valor histórico, fornece todas as diretrizes e condições de implantação do complexo arquitetônico do Centro Judiciário de Curitiba, seja através de sua geometria ou das linhas visuais a partir do entorno próximo. A partir destas linhas, que se convertem em grandes eixos, o projeto se desenvolve como resposta direta aos limites físicos do território, determinações da legislação, orientações e demandas programáticas propostas no edital.

Partido Arquitetônico

O projeto desenha uma esplanada definida pelas linhas paralelas longitudinais do pavilhão. Esta decisão de projeto se destina a produzir um percurso integrador de todo o conjunto, bem como promover a permeabilidade urbana conectando as vias principais (Av. Anita Garibaldi e Rua dos funcionários) em nível na cota 925.00, com especial atenção ‘a acessibilidade. Ao longo deste percurso a esplanada assume configurações diversas: Junto a Av. Anita Garibaldi faz parte da Praça das Bandeiras para imediatamente intersectar-se ao pavilhão e converter-se em seu saguão. Deixando o pavilhão irá converter-se em esplanada / ponte sobre o rio Juvevê, em seguida se transforma no saguão do novo conjunto de edifícios e, por fim, em praça de entrada junto ‘a Rua dos Funcionários. Esta constituirá assim o grande espaço de acesso público a todos os espaços do Centro Judiciário. O eixo da esplanada também abre uma terceira visual ao pavilhão além das duas propostas pelo edital.

  Perspectiva externa
     

Todas as novas construções se implantam exclusivamente na Área 4, procurando a melhor articulação entre os edifícios e setores, reservando as áreas 1, 2 e 3 para generosos espaços públicos e áreas verdes e objetivando impacto ambiental mínimo dentro da realidade do empreendimento. Uma floresta de ‘Araucárias” é a proposta paisagística para a fronteira sul do sítio. Um acesso pedestrial no ponto de maior fluxo pela rua Chichorro Jr. e rua dos Passionistas foi projetado, observada a preservação da nascente próxima a este ponto.

Os novos edifícios se definem como um conjunto de blocos verticais e horizontais independentes e articulados conforme as funções. Em paralelo ao pavilhão existente desenha-se um edifício de 4 pavimentos com o mesmo gabarito destinado a abrigar os juizados. Este bloco goza de total independência de funcionamento e acessos. No sentido de garantir independência e promover qualidade ambiental, este edifício é acompanhado por um jardim em toda a sua extensão, passando de jardim externo na sua origem, a jardim interno quando se integra aos outros blocos novos.

O conjunto se completa com o desenho de 3 blocos verticais de 12 andares, reservando os 7 pavimentos superiores ‘as varas, e os 5 inferiores aos setores que necessitam acesso mais imediato a partir das cotas térreas (921.00 e 925.00) Os 3 edifícios setorizam as varas em 3 grupos:

– família, infância e juventude;
– cíveis;
– criminais.

  Vista do acesso à esplanada
     

Os pavimentos inferiores abrigam:

  • Cota 921.00: Tribunal do Júri, cujos plenários se destacam da volumetria geral sem obstruir as linhas de visuais do pavilhão. Também neste nível Auditoria Militar , setores administrativos. Este pavimento pode ser acessado externamente apenas pelo pessoal interno do Centro Judiciário, podendo o público acessá-lo internamente pelo saguão ‘as áreas do tribunal do júri.
  • Cota 925.00: Pavimento de acesso e recepção onde se localiza o saguão principal do conjunto de edifícios novos. Ainda neste pavimento: Central de Mandados e Defensoria Pública.
  • Cota 929.00: Ministério Público, Ofícios, OAB.
  • Cota 933.00: Exclusiva do Ministério Público.
  • Cota 937.00: Turma Recursal dos Juizados Especiais e Restaurante (Sala de Lanche). Este pavimento reserva uma generosa área de terraço.

O Pavilhão, uma vez restaurado ‘as suas características originais, está destinado a receber nobres setores do programa arquitetônico, fundamentalmente o Museu, Direção do Complexo, Corregedoria e Centro Médico. Ainda no pavilhão um café e livraria.

  Perspectiva do saguão central
     

Circulação

A arquitetura dos pavimentos típicos se define a partir da necessidade de prover circulações horizontais e verticais privativas e públicas. Desta maneira um conjunto de elevadores e escadas de segurança servem as regiões periféricas dos andares servindo as salas dos juizes e salas de audiência. As circulações públicas servem o vazio central com outro conjunto de elevadores e escadas, tanto de segurança como abertas. O vazio central interno tem a altura integral dos edifícios e a circulação pública percorre todo o seu perímetro.

Estrutura

A estrutura dos edifícios foi projetada como um sistema de pilares, vigas e lajes em concreto armado e concreto moldado “in loco”. A modulação básica da estrutura é de 10m X 10m. As lajes são nervuradas e protendidas para permitir bom espaço para instalações entre forro e laje. Sobre o pavimento 937.00 há uma viga de transição destinada a proporcionar os grandes vãos necessários ao saguão nos níveis inferiores e aos balanços nas extremidades dos edifícios. A estrutura da cobertura do vazio central está projetada em vigas tipo ‘Vagão” em aço com cobertura translúcida.

  Acesso à esplanada
     

Construção

Os edifícios foram projetados segundo os melhores conceitos de conforto ambiental, propondo espaços de trabalho e convivência providos de iluminação e ventilação naturais, e ar condicionado quando requerido. O projeto desenha estruturas de concreto em vãos econômicos e dimensionados para proporcionar espaços abertos e flexíveis.Todos os edifícios possuem aberturas generosas e proporcionam vistas panorâmicas da cidade de Curitiba.

O conjunto prevê 3 subsolos para estacionamentos com vagas hierarquizadas e privativas. Nos subsolos também se localiza o arquivo geral de varas e setores de segurança.

O projeto prevê caixilhos de alumínio anodizado, vidros laminados, brises e elementos de proteção solar em alumínio, telas de aço, além de um grande elenco de materiais de acabamento de padrão elevado.

Instalações

As instalações prediais foram dispostas de forma a serem sempre facilmente acessadas e mantidas, prevendo um conjunto de shafts horizontais e verticais.

  Perspectiva do jardim interno
     

Eco Eficiência e Conforto Ambiental

O projeto define iluminação e ventilação natural para o saguão/vazio central e climatização artificial dos espaços de trabalho através do uso de ar condicionado no verão e possibilidade de aproveitar o clima natural no inverno e nas épocas de transição e noturnas.

Pele hermética de vidro seletivo com transmissão baixa de calor para aumentar a eficiência energética do ar condicionado.

Possibilidade de abrir as janelas para aproveitar a ventilação favorecida pela orientação nas épocas mais temperadas do ano e/ ou do dia.

As superfícies diminuídas nas elevações laterais (oeste e leste) evitam indesejáveis ganhos de calor matinal e vespertino no verão e inverno.

Brises-soleis para proteção integral da fachada norte podem estar vinculados à geração de energia elétrica por painéis fotovoltaicos. Brises verticais refletivos para quebrar a radiação direita da manhã e tarde, e para direcionar luz difusa natural.

  Esquina Avenida dos Funcionários
     

Águas

Coleta, filtragem, tratamento UV (luz ultravioleta) e armazenamento de águas pluviais e condensadas (do Ar Condicionado). Uso de água pluvial e condensada como água cinza para irrigação automática dos jardins e vasos sanitários. As águas pluviais serão coletadas em todas as coberturas e áreas impermeabilizadas. Ao redor da edificação escoamento natural das águas pluviais.

Geração de energias renováveis

A fachada norte dos edifícios está ‘a disposição para os efeitos cinergéticos de sombreamento e geração de energia elétrica e/ou água quente com um só elemento arquitetônico, que são os elementos de sombreamento.

O projeto concebe o do Novo Centro Judiciário de Curitiba como um Complexo Arquitetônico de grande impacto visual e simbolismo no que se refere a uma instituição identificada com a justiça e a ética. Em todos os elementos, desde o partido arquitetônico até os pormenores construtivos mais elementares, o projeto se serve dos melhores conceitos de criatividade, funcionalidade, solução plástica, economia, construtividade e contribuições tecnológicas, fundamentais para a definição de uma arquitetura ao mesmo tempo moderna e atemporal.

  Plantas esquemáticas
     
  Processo construtivo
     

Implantação geral

 
  Vara - Lay-out base
     
  Estrutura
     
  Circulação Vertical / Horizontal
     

Planta nível 921,00 / Elevação Rua São Luiz

 

Planta nível 925,00 / Elevação Avenida Anita Garibaldi

 
  Planta nível 929,00 / Corte Longitudinal
     

Planta nível 933,00

 

Planta nível 937,00

 
  Planta nível 942,00
     
  Planta níveis 946,00 e 950,00
     
  Planta nível 954,00
     
  Planta nível 958,00
     
  Planta nível 962,00
     
  Planta nível 966,00
     
  Subsolo nível 917,50
     
  Subsolo níveis 914,00 e 910,50
     

Ficha técnica

Autores
Arquiteto Jorge Königsberger
Arquiteto Gianfranco Vannucchi
Arquiteto Mario Biselli
Arquiteto Artur Katchborian

       
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  Data da notícia: 22/05/2006 – Fonte: Equipe premiada / Curitiba PR Brasil