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Lugar
Autores: Braulio Mattana Carollo, Orlando Pinto Ribeiro
e Luis Salvador Petrucci Gnoato
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Perspectiva
noturna |
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Premissas
projetuais
A concepção
do Centro Judiciário de Curitiba partiu dos seguintes pressupostos:
requalificação da paisagem urbana da região; respeito pelo patrimônio
cultural e ambiental, e acessibilidade e funcionalidade.
Além da preocupação
com a paisagem cultural do entorno, o projeto também considerou
seu patrimônio ambiental, respeitando as vegetações importantes
existentes no lote, a manutenção do canal do Rio Juvevê, da faixa
de drenagem, do poço e da nascente d’água.
A presença
por mais de um século, de uma penitenciaria localizada neste terreno,
estigmatizou esta região da cidade, impedindo seu desenvolvimento
mais intenso. A execução de um Centro Judiciário neste local deverá
romper este “obstáculo” e se tornar paradigma de transformação
para a região.
Os altos muros
de isolamento do presídio criaram barreiras visuais que também
impediram o desenvolvimento deste setor urbano. A execução do
novo conjunto irá permitir uma relação mais intensa entre as edificações
e as ruas. Dentro deste enfoque o complexo foi projetado com edifícios
de arquitetura despojada, com aberturas para todas as ruas.
O projeto
re-interpreta a clássica tipologia do edifício lâmina, característico
da arquitetura brasileira, oriunda da sede do MES no Rio de Janeiro,
sem utilizar as faces laterais cegas.
A disposição
de diversas lâminas implantadas de acordo com os alinhamentos
das ruas cria novas perspectivas e espaços de convívio para o
conjunto arquitetônico. O espaço formado pelos Edifícios I, II
e III compõe um Grande Átrio, que integra todos os espaços do
conjunto arquitetônico.
Novas visuais
para a paisagem urbana
O contraste
da arquitetura eclética do Pavilhão, com a pele de vidro do Edifício
I transversal ao conjunto, é o principal elemento compositivo
do novo complexo arquitetônico. Os quatro edifícios em lâmina
emolduram e valorizam o Pavilhão Ahú.
A visual da
Avenida Anita Garibaldi, ganha ênfase com a rigorosa configuração
de uma “praça seca”, tendo como ponto focal a perspectiva do Pavilhão
Ahú, que tem sua simetria valorizada pela supressão de anexo na
fachada esquerda. Em contrapartida, a fachada de vidro neutra
do Edifício IV contrasta com a fachada eclética do Pavilhão, cujo
portal faz acesso para o Museu Judiciário.
A Praça dos
Pinheiros preserva a vegetação de porte existente, cria outra
visual de destaque, e tem como ponto focal o eixo do prolongamento
da Rua Vitória.
Em sua perspectiva
urbana, o Pavilhão fica implantado sobre um grande piano nobile,
que une o antigo e o novo. A disposição do Pavilhão Ahú neste
piano nobile, valoriza sua arquitetura, como se fosse um
palácio disposto em uma acrópole visto a distancia.
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Fachada
frontal – Pavilhão |
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Vista
frontal |
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Pavilhão
Ahú e Museu Judiciário
O Pavilhão
Ahú, como é conhecida a antiga Prisão Provisória de Curitiba,
foi construído em 1903, inicialmente para abrigar o Hospital Nossa
Senhora da Luz, destinado à pacientes alienados. Em 1905 o governo
do Estado firmou acordo para transferir o hospital para o bairro
do Prado Velho, transformando a edificação em Prisão Provisória.
O volume da
edificação do Pavilhão recompõe os elementos de sua arquitetura
eclética original, cuja execução será possível através do estudo
dos registros fotográficos de época e com criteriosa prospecção
local no edifício. Em sua fisionomia externa o Pavilhão deverá
retomar os vãos das esquadrias originais mantendo, porém, o aspecto
visual de dois pavimentos.
Internamente
a edificação terá três pavimentos, mas executados com novas lajes
de pés-direitos mais altos, de modo a permitir sua utilização
para novos espaços administrativos. Os pilares metálicos terão
a dupla função de estruturar as novas lajes e manter consolidadas
as paredes originais do Pavilhão.
O claustro
será mantido com as atuais aberturas, mas receberá uma cobertura
de vidro, cuja altura não concorre com o telhado de barro do Pavilhão
Ahú. A execução de passarelas, escadas e elevadores no claustro,
valorizam seu espaço interno e permitem mais flexibilidade de
uso para as áreas de trabalho do Pavilhão.
O Museu Judiciário
tem acesso independente que permite sua utilização em horários
e dias diferentes do Centro Judiciário, transformando-se em novo
ponto de lazer para a cidade.
Uma pequena
seção do edifício ficará mantido em seu aspecto atual como presídio,
transformado em objeto de interesse de visitas, preservando sua
ocupação de um século e mantendo desta forma sua memória para
gerações futuras.
A preservação
destas celas do antigo presídio inclui também a manutenção das
aberturas de esquadrias. Em seu aspecto externo a diferença de
tratamento é sutil, de modo que o testemunho do uso como presídio
não interfira na percepção geral do pavilhão.
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Isométrica
conjunto |
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Implantação |
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Acessibilidade
e segurança
O piano
nobile composto pela Esplanada do Centro Judiciário, principal
espaço de circulação e uso de pedestres, encontra-se propositadamente
em nível elevado e independente da circulação de veículos.
Para os usuários
do transporte coletivo, o acesso se dá pela Rua Chichorro Junior,
no mesmo nível do estacionamento de veículos. A Praça das Bandeiras
organiza e separa os fluxos de pedestres e veículos, enquanto
que a Loggia do Tribunal de Pequenas Causas permite acesso coberto
para desembarque dos usuários que utilizam veículos particulares
ou de táxi.
O Centro Judiciário
está inserido no Sistema Viário do Eixo Estrutural Norte e nos
novos binários propostos pelo IPPUC. Foi criada uma Rua Interna
de veículos que faz a ligação entre a Rua Chichorro Junior e o
prolongamento da Rua Benjamim Zilli.
O maior fluxo
de pedestres acontece pelo Terminal do Cabral, que utiliza os
ônibus da Rede Integrada de Transporte, e o sistema de tarifa
única para a Região Metropolitana de Curitiba.
As três mil
vagas previstas pelo edital estão distribuídas em quatro níveis
de estacionamento, de acordo com a legislação municipal. O acesso
principal acontece pela Rua Benjamim Zilli. Na mesma rua existe
outro acesso restrito para funcionários e detentos.
O conjunto
arquitetônico do Centro Judiciário foi projetado para atender
os mais atualizados quesitos de acessibilidade universal.
Todos os espaços
do Centro Judiciário contam com sprinklers que além dos
sistemas tradicionais de prevenção de incêndio, como hidrantes
e extintores, aumentam a segurança do complexo, permitindo um
maior distanciamento das circulações verticais, para o espaço
máximo percorrido entre as mesmas.
O projeto
prevê um sistema de segurança, desenvolvido de modo a permitir
controle de acesso e de fluxos de usuários e de veículos, para
o público externo e interno, composto por juizes, advogados, funcionários
e detentos.
Funcionalidade
e construtividade
Os edifícios
do Centro Judiciário foram projetados para se obter o máximo de
funcionalidade e maneabilidade na utilização dos seus espaços
internos, com a disposição de plantas livres e uso de paredes
divisórias tipo dry wall.
Todos os edifícios,
incluindo o Pavilhão Ahú, podem dispor de instalações sanitárias,
com dutos de ventilação forçada, em múltiplos lugares, utilizando
sistema pressurizado de água e esgoto, que possibilita dimensionamento
reduzido de encanamento.
Os edifícios
foram planejados para serem executados em prazo reduzido, com
materiais facilmente encontrados no mercado. As soluções de estrutura
e de esquadrias foram racionalizadas, por serem os principais
elementos construtivos das edificações, e os materiais empregados
também foram pensados em proporcionar fácil manutenção e durabilidade.
Optou-se por
um sistema eficiente e econômico para grandes vãos, que melhor
se compatibilizam com as exigências da arquitetura. Utilizaram-se
lajes nervuradas com duas linhas de pilares com vãos de 8 e 16
m, e balanços laterais de 4.5 m. O contraventamento foi obtido
através de núcleos rígidos centralizados, que correspondem às
circulações verticais.
Para garantir
conforto ambiental para os usuários do Centro Judiciário, foram
previstos sistemas de proteção solar junto às esquadrias de vidro.
O sistema de ar condicionado, inevitável para este tipo de construção,
está otimizado pela disposição dos edifícios e pelas características
das esquadrias. Completando as propostas de construtividade, adequadas
aos exigentes padrões de uma edificação sustentável, também foi
prevista a reutilização de águas pluviais e servidas.
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Vista
aérea |
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Corte
perspectivado – planta |
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Corte
perspectivado –
átrio |
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Corte
perspectivado –
pavilhão |
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Corte
perspectivado –
claustro |
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Ficha
técnica
Autores
Arq. Bráulio Carollo
Arq. Luís Salvador Gnoato
Arq. Orlando Ribeiro
Colaboradores
Arq. Carlos Eduardo Botelho
Arq. Carina Zamberlan Flores
Arq. Rosana Paciornik Nathan
Consultores
Arq. Carlos Garmatter Neto – acessibilidade e segurança
Eng. Ricardo Henrique Dias – cálculo de estrutura de concreto
armado
Eng. Rosângela Zamberlan – orçamento de obra e tecnologia
Estagiários
de arquitetura
Anna Cristina Zim
Daniel Arantes
Rafael Mulinari |