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Prêmio
América do Sul – Daniel Corsi, André Biselli Sauaia, Reinaldo
Sigueta Nishimura, Victor Paixão, Daniel Fonseca
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Vista
externa |
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A
Matéria do Espaço Habitado*
Nenhuma parede,
nenhum pilar, nenhum solo, nenhuma fronteira, nenhum limite… somente
puro espaço e a infinidade de possibilidades que o homem da natureza
unido à natureza do homem oferece ao mundo da experiência de habitar.
A Casa Global
revela-se como um ser vivo, relacionando-se com o homem através
da maneira mais fluida, onde nenhum deles é estranho ao outro
e novas formas de relações espaciais são geradas: uma casa como
uma interface que interage com as necessidades e os desejos –
físicos/mentais – humanos e também por sua própria condição de
organismo vivo.
Um espaço
sem dimensões limitadas, contendo todas as possíveis magnitudes
reduzidas a sua essência primária e aplicadas a uma arquitetura
consciente de uma contemporaneidade e de uma relação contextual.
Um espaço orientado a sua máxima potencialidade virtual, somente
possível pela presença de vida. Assim, a Casa Global é uma “casa
viva”, de modo que uma simples casa transforma-se em um completo
habitat.
Isso tudo
é fundamentado pela busca de uma universalidade. Devido a essa
propriedade, a casa é primeiramente concebida para um único usuário
– condição essencial de vida e situação cada vez mais habitual
nas circunstancias contemporâneas – mas facilmente adaptável para
outras diferentes estruturas. É capaz de adaptar-se a todos os
tipos de contexto, primeiro por causa da versatilidade de sua
superfície que pode ser acomodada em inúmeras condições de terreno
ou qualquer outra situação atípica de assentamento, e também pela
compacta área determinada pelas necessidades das atividades elementares.
Outro importante elemento universal é a forma, concebida no seu
desenho mais fundamental para ser facilmente identificada, reconhecida
e compreendida por diferentes homens e culturas. É assim que forma
e geometria se enlaçam em um único elemento síntese que não encerra
nenhum simbolismo específico, mas sim uma agradável e viva expressividade.
Essa universalidade
conduz a uma interpretação muito simples dos usos atuais e das
áreas funcionais, baseados na multiplicidade de espaços e de formas
de ocupação. O interior é dividido basicamente em três setores:
“A” (Espaço Público) é o maior e o mais importante, contendo as
áreas sociais, de lazer e de trabalho; “B” (Espaço Privado) contém
as áreas de repouso; e “C” (Espaço Semi-Público) contém
as áreas operativas e de serviço. Todos os espaços são concebidos
quase como setores não ocupados, indicando meramente onde cada
ação pode ser tomada. Isto torna possível uma infinidade de formas
de ocupação, em que o homem pode desenvolver qualquer tipo de
atividade.
Por fim, a
tecnologia é o componente mais expressivo da casa como instrumento
construtivo e midiático. É esse “tecido” envolvente que define
a forma, o espaço, a luz, a natureza e a matéria da Casa Global.
Atuando como um tecido inteligente, pode assumir as características
mais diversas: desde texturas e imagens até a transparência ou
a opacidade absoluta. É ele a “vida” da casa, contendo todas as
suas potencialidades. Três camadas compõem essa membrana viva
virtual: a exterior funciona como um protetor contra o calor e
consiste em dispositivos de milhões de partículas negras situadas
entre dois painéis de vidro (suspended particle devices)
que também absorvem energia solar transformando-a em energia elétrica
(photochromic panels). É também através dessa membrana
que respira a casa, ventilando seu interior através de sua porosa
textura. A camada intermediaria é a treliça metálica autoportante
que sustenta as outras duas e também dá forma à casa, sendo o
único elemento estrutural necessário. A camada interior é uma
membrana digital de cristal líquido que, parecendo ser um simples
vidro, carrega um potente instrumento midiático. A combinação
desses três elementos dá ao exterior e ao interior infinitas possibilidades
de aparência e funcionamento. A luz é levada a sua capacidade
mais expressiva, durante o dia e a noite. É totalmente controlada
pelo usuário, mas como um organismo reage automaticamente à luz
do dia, protegendo áreas de maior incidência e adaptando-se assim
aos dias e estações.
A Casa Global
é assim a união mais harmoniosa entre homem e morada. O espaço
habitável do homem torna-se vivo por suas duas naturezas: uma
da qual ele é parte e outra que ele mesmo criou. É tão simples
que é capaz de abrigar nada menos que todo o universo.
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Vista
interna |
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Camadas
da membrana de fechamento |
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Dispositivo
de partículas suspensas situadas entre dois painéis de vidro
que compõem a primeira camada da membrana de fechamento |
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Funcionamento
da membrana de fechamento |
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Térreo |
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Pavimento
superior |
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Corte |
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Vista
externa – detalhe |
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Vista
interna – detalhe |
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(*) O título
original deste texto “The Matter Of (Living) Space” expressa um
significado de difícil tradução pela variedade de interpretações
que a palavra matter assume na língua inglesa. Neste caso
específico, existe a intenção de expressar através dela primeiro
seu sentido mais literal de matéria ou substância de qual um objeto
físico é composto e que consiste o universo do que pode ser observado,
mas também engloba os sentidos de assunto, questão em consideração,
causa, e por fim, o de elemento que se submete à formação e à
alteração, substrato amorfo de todas as coisas que existem somente
em potencial e sobre o qual uma forma age para produzir realidades.
De semelhante dificuldade é a tradução da expressão Living
Space que no idioma original sintetiza tanto o espaço onde
se vive como um espaço vivo por si só, idéia principal desta proposta.
Ficha
técnica
Autores
Daniel Corsi
André Biselli Sauaia
Reinaldo Sigueta Nishimura
Victor Paixão
Daniel Fonseca
Área Terreno
225m2
Área Construída
100m2
Agradecimentos
Visualize Arquitetura Digital S/C Ltda
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