|

Arquitetos responsáveis
Mario Biselli, José Paulo De Bem
Arquitetos
Renato Penna de Mendonça, Cristiana Gonçalves Pereira Rodrigues, Alfredo
del Bianco, Paula Maria Fontana Cavaggione, Luciana Camargo Ribeiro, Artur
Forte Katchborian
Estagiária
Ana Carolina Pudenzi
Estrutura
Jorge Zaven Kurkdjian, Julio Fruchtengarten
Consultor de urbanismo
Leonardo Pedro Lorenzo - Geométrica Engenharia de Projetos
Planejamento e
orçamento
Aluízio Amaral Monteiro Leite - Quantum Consultoria
1. Arquitetura

O ponto de partida para a estrutura da cobertura
que define a forma da Nova Estação São Cristóvão,
dentro de uma arquitetura que contemple volumetria plasticamente agradável
e que confira posição de destaque à estação
que hoje se encontra ocultada pela plataforma de acesso à Estação
São Cristóvão do Metrô, está nessa
citação do Edital do Concurso.
Outra consideração é
o amplo panorama que pode ser desfrutado do mezanino: as montanhas distantes,
o Maracanã, a Quinta da Boa Vista, que, em contrapartida, sugerem
uma volumetria para ser percebida nesta escala.

A estação e a linha do metrô,
mais a antiga Estação Ferroviária Quinta da Boa Vista
ou Estação Ferroviária São Cristóvão
constituem um acúmulo de elementos pelo lado sul e encaminham a
estrutura da cobertura a procurar apoio no eixo das plataformas de embarque.
Estes apoios são dois a cada plataforma, minimizando-se assim seus
impactos no leiaute destas plataformas, e apóiam a ampla cobertura
arqueada longitudinalmente, no sentido do deslocamento dos trens.
Temos assim a ampla cobertura característica
das estações ferroviárias, aqui aberta para o panorama
circundante, sobre um mezanino de estrutura independente, que segue as
lógicas de seu leiaute conjugado com o das plataformas de embarque.

A área comercial conjugada à
passagem de pedestres, uma rua 24 horas, fica organizada entorno de uma
praça no ponto mais baixo da cobertura, permitindo daí a
visão total do espaço da estação e da paisagem
distante.
A Estação São Cristóvão,
tombada como patrimônio histórico e encravada no conjunto,
é um sério obstáculo às conexões previstas.
Para que não se comprometa a integridade de suas formas, o acesso
à nova estação continua como hoje, pelo mezanino
do metrô.

A antiga estação permanece
como corpo autônomo e deve ter uma destinação de uso
futuramente melhor estudada. Fica destacada pela posição
que ocupa na composição, pelo desenho do novo espaço
público e pela grande tela metálica em chapa perfurada,
que permite também que se perceba sua relação com
o vai-e-vem dos trens que lhe conferem sentido. O desnível de sua
implantação com o entorno é compensado por um jardim
rebaixado.
2. Aspectos operacionais
2.1. Situação atual
2.1.1. Acessos à estação

No lado norte por duas rampas estreitas,
sem patamares de descanso, que não atendem às normas de
acessibilidade aos idosos e portadores de deficiência física.
No lado sul, por escada conectada ao saguão
da Estação São Cristóvão do Metrô,
que, por sua vez, tem acesso por duas rampas.
Esses acessos se conectam a uma passarela
que atravessa toda a faixa ferroviária, conectada na sua face oeste
a um pequeno saguão, onde se situam as bilheterias e linhas de
bloqueios, ligado por quatro escadas às extremidades das plataformas
que, da mesma forma que as rampas, não atendem às normas
de acessibilidade já citadas.
Perto da extremidade oeste das plataformas
existem quatro escadas que dão acesso à calçada do
viaduto.
2.1.2 Plataformas

São quatro, ilhadas e quase todas
descobertas, com comprimento de 225m e larguras máximas aproximadas
de 5,07m (Plataforma A), 3,98m (Plataforma B), 5,28m (Plataforma C) e
4,50m (Plataforma D).
Essas larguras são inferiores ao mínimo
aceitável para uma operação com níveis de
conforto e segurança adequados.
Além disso, os equipamentos são
precários e não estão disponíveis em todas
elas, como é o caso dos sanitários, bar, abrigos, etc...
A plataforma A encontra-se em cota inferior
às demais, em função do perfil das vias 1 e 2 que
a ladeiam; o seu alteamento para a mesma cota das demais plataformas é
desejável, pois padronizará alturas de escadas simples e
rolantes.
2.1.3 Dependências operacionais
São absolutamente insuficientes, seja
em termos de salas operacionais (supervisão, segurança,
ambulatório para primeiros socorros, etc...) e sanitários.
Dessa forma, tanto os usuários quanto
o pessoal operacional, de segurança e limpeza convivem num ambiente
funcionalmente inadequado e nada acolhedor.
2.2. Conceituação proposta

De forma genérica, e sempre que as
condições geométricas e topográficas permitirem,
a estação ideal para o serviço de trens metropolitanos,
tanto do ponto de vista operacional, quanto da população
lindeira, usuária ou não, seria constituída por uma
única plataforma central (ilhada) ligada a um mezanino superior
por um conjunto de escadas rolantes (se a demanda exigir) e fixas, além
de equipamentos de transporte vertical para idosos e portadores de deficiências
físicas. O mezanino, por sua vez, deveria ser tangenciado por passarela
que lhe sirva de acesso, e também permita a travessia da faixa
ferroviária com segurança atendendo também às
necessidades dos deficientes físicos.
Essa configuração favorece
o pessoal de supervisão operacional e de segurança da estação,
que se ocupa com apenas uma linha de bloqueios e uma plataforma. Por outro
lado, proporciona tranqüilidade ao usuário, que não
corre o risco de estar na plataforma errada, mesmo que, por razões
de manutenção ou degradação de operação,
os trens tenham que utilizar via diferente da usual. Além disso,
torna mais simples a comunicação visual e evita a redundância
de vários equipamentos da estação.
No caso da Nova Estação São
Cristóvão, essa premissas podem ser aplicadas, com a diferença
que hoje existem quatro plataformas ilhadas.
2.2.1. Implantação

A nova estação tem seu "centro
de gravidade" ligeiramente a oeste da situação atual,
ficando as plataformas mantidas na mesma posição quilométrica,
alterando-se, contudo suas dimensões de forma a atender adequadamente
as demandas. Tais alterações demandam pequenos deslocamentos
da via permanente e rede aérea, não mudando substancialmente
sua configuração em termos de plano de vias, com exceção
da via 3, que hoje não serve à estação. Essa
via é remanejada, cedendo espaço para a nova via 2, remanejando-se
também as vias 4, 5, 6, 7 e 8, e possibilitando uma compatibilização
entre a adequação das plataformas e a localização
dos pilares do viaduto existente, que necessitam ficar aproximadamente
no meio das plataformas para minimizar o prejuízo ao fluxo dos
usuários.
Esta é a melhor configuração,
pois pode ser implantada em forma seqüencial, com alguma degradação
na operação ou, se for de interesse da SUPERVIA, com interdição
total da estação, o que diminui o prazo e o custo dos remanejamentos.
A combinação entre minimização
de intervenções no plano de vias existente, flexibilidade
operacional e atendimento às necessidades de conforto e segurança
dos usuários no embarque e desembarque, mantendo-se o mesmo número
de plataformas, exige uma largura de faixa ferroviária de cerca
de 65m, o que só é conseguido com desapropriações
e sacrifício do viário que ladeia a ferrovia, principalmente
pelo lado norte, implicando em demolição de viadutos, prédios,
etc.
Desta forma, decidiu-se pela eliminação
de uma plataforma, eliminando-se a necessidade de desapropriações
cabendo a cada uma delas o atendimento dos fluxos que se seguem:
Plataforma A (vias 1 e 2) atende o ramal
de Deodoro;
Plataforma B (vias 3 e 4) atende os ramais
de Santa Cruz e Japeri (serviço semi-expresso);
Plataforma C (vias 5 e 6) atende os ramais
de Belfort Roxo, Gramacho e Saracuruna.
Essa nova configuração faz
com que os trens que atualmente atingem a Estação Barão
de Mauá passem a ter como terminal a Estação D. Pedro
II, mais central, e possibilita que as atuais vias 6, 7 e 8 sejam substituídas
por uma única via em bitola mista não eletrificada, que
serve à movimentação dos trens de carga e, eventualmente,
trens de passageiros de longo percurso. Essa via singela permite cruzamento
em nível, desde que adequadamente sinalizado, criando novas alternativas
de circulação, pela continuidade da Rua Ceará.
Assim, com as plataformas tendo sua largura
ampliada para 8,50m, é possível implantar escadas fixas
e rolantes em posição mais favorável (prevê-se
duas escadas fixas e uma escada rolante por plataforma), proporcionando
uma melhor distribuição dos usuários ao longo das
plataformas e, dessa forma, atendendo as exigências contidas no
Termo de Referência quanto a esse aspecto.
Deve-se ressalvar, contudo, que a padronização
de uma única solução de layout de plataformas para
todas as estações de uma determinada linha acaba levando
a uma distribuição indesejável dos usuários
dentro das composições, pois eles tendem a se concentrar
apenas nos carros que param junto às escadas.
As escadas existentes na extremidade oeste
das plataformas e que dão acesso ao viaduto deixam de ser necessárias,
sob o ponto de vista de dimensionamento e não são abordadas
nesta proposta, podendo, no entanto serem reimplantadas apenas como saídas,
para não obrigar a multiplicação de pontos de controle
e venda de bilhetes.
Quanto ao mezanino, prevê-se que será
implantado em cota que obedeça às recomendações
do termo de referência e dos esclarecimentos complementares no que
tange à altura livre com relação ao boleto do trilho,
sendo que, em função da frota em operação,
séries 700 e 900, bem como a provável frota futura, de trens
que tem pantógrafos que podem trabalhar a cerca de 4,50m acima
do boleto, essa cota pode ser rebaixada, o que propicia passarelas e escadas
fixas com menor desenvolvimento, escadas rolantes e elevadores com menor
curso e, consequentemente, mais baratos e convenientes para os usuários.
2.2.2. Programa de utilização
das áreas da Nova Estação São Cristóvão

Conceitualmente, o mezanino é dividido
em duas partes pela passarela de acesso, ficando a oeste as áreas
operacionais pagas e não pagas e no lado leste as áreas
destinadas a comercio e serviços.
Quanto às áreas operacionais,
deve ser levado em consideração que, embora o termo de referência
faça menção ao futuro emprego de bloqueios automáticos,
a Estação São Cristóvão está
sendo tratada como uma estação de integração,
em que o usuário se desloca entre vários modos de transporte
(trem, metrô, ônibus) com tarifas diferenciadas.
Pelo fato das operadoras dos diferentes modos
não estarem subordinadas a uma única entidade, a hipótese
de tarifa unificada para todos eles é muito remota. Assim, não
haverá ligação entre eles através de suas
áreas pagas. Se, viabilizando uma integração tarifária,
será suficiente que os bilhetes sejam programados para ter uma
determinada duração e serem reutilizáveis.
Por outro lado, a demanda indicada de 15.000
passageiros/hora no pico coloca a estação numa situação
limítrofe entre uma estação de médio porte,
classe B, e uma estação de grande porte, classe A.
Como as diferenças de dimensões
entre as dependências operacionais para as duas classes não
são grandes e o mezanino, por ter largura suficiente para cobrir
3 plataformas largas, não tem problemas de escassez de espaço,
são adotadas dimensões compatíveis com estações
classe A.
Dessa forma, a estação é
concebida para um quadro de empregados de 83 pessoas, da ferrovia ou terceirizados,
em 3 turnos, o que equivale à cerca de 28 empregados por turno.
Assim, no lado oeste, entre a passarela e
alinha de bloqueios, ficam as bilheterias, com um total de 10 guichês,
suficientes para atender com folga a demanda prevista, principalmente
se for levado em consideração que a introdução
de bloqueios eletrônicos induz a utilização de bilhetes
múltiplos, que representam economia para os usuários. Os
guichês do lado norte só são utilizados em horários
de extrema demanda e não necessitam estar acoplados a salas de
contagem de renda.
As áreas de circulação
e de acumulação, as filas, são superiores aos valores
mínimos exigidos no termo de referência.
Intercalados com a linha de bloqueios, ficam
os 3 elevadores hidráulicos para deficientes físicos que
dão acesso às plataformas: suas casas de máquinas
ficarão instaladas no nível das plataformas sob as escadas
rolantes, de forma a minimizar problemas de circulação dos
usuários.
Atravessando a linha de bloqueios ficam os
conjuntos de escadas fixas e rolantes que ligam o mezanino às 3
plataformas.
2.2.2.1. Salas operacionais e de serviço

Na lateral sul do mezanino ficam as salas
operacionais e de serviço, a saber:
a) Sala operacional: Destina-se aos empregados
da área operacional, estando dimensionada para comportar mesas,
cadeiras e armários.
b) Salas de contagem de renda: Destinam-se
ao fechamento de caixa das bilheterias, contagem e acondicionamento de
numerário e de bilhetes; devem estar localizadas no limite entre
as áreas pagas e não pagas, adjacente às bilheterias,
comportando cofres, máquinas para contagem de moedas e cédulas,
além de cadeiras, mesas e armários.
c) Sala para arquivo: Destina-se à
guarda de documentos gerados que devem ficar em posse da estação,
como impressos e livros.
d) Sala de supervisão operacional
(SSO): Nesta sala são colocados os equipamentos de sonorização
e CFTV, como mesa de som e central de monitores; abriga também
a cronometria e os quadros de comando de energia da estação
e sua localização é próxima à linha
de bloqueios de forma a possibilitar a visualização do saguão
e das escadas, devendo ter pontos de telefone interno, externo e ponto
a ponto com o Centro de Controle Operacional (CCO).
e) Depósito de materiais para a estação:
Comporta os diversos materiais de consumo da estação, bem
como materiais apreendidos.
f) Depósito de material de limpeza
e área de serviço: Será utilizado pela empresa contratada
para limpeza e é dividido em duas áreas, uma para guarda
de produtos químicos, vassouras, panos, etc., outra comporta a
instalação de tanques destinados ao uso da estação
e ponto para instalação de torneira de jardim.
g) Sala de auxílio ao usuário:
Destina-se ao atendimento ao usuário e comporta armários,
mesa e cadeiras, maca e materiais de primeiros socorros. Em muitos casos
essa instalação se dá na plataforma, mas, como no
caso existem três plataformas é preferível centralizar
o atendimento ao usuário no mezanino.
h) Sanitário e vestiário masculino
e feminino para o pessoal da estação: a estação
tem 1 sanitário masculino e 1 feminino, com número de box
compatível com o quadro de empregados. O vestiário deverá
comportar 1 armário por empregado e ser dotado de bancos.
i) Sanitários e vestiários
masculino e feminino para empresas terceirizadas: a estação
tem 1 sanitário masculino e 1 feminino para a empresa encarregada
da segurança e 1 sanitário feminino para a empresa encarregada
da limpeza. De forma análoga aos correspondentes do pessoal operacional,
cada vestiário comporta 1 armário por empregado e é
dotado de bancos.
j) Refeitórios: Há 2 refeitórios,
para pessoal da ferrovia e para os empregados das empresas terceirizadas,
devendo cada qual comportar uma pia, local para instalação
de geladeira, pontos de tomada para instalação de cafeteira,
microondas e bancada dimensionada conforme o número de empregados
que prestam serviço à estação.
Não foi prevista sala para maquinistas/operadores
de TUE’s por não se tratar de estação terminal.
2.2.2.2. Ala comercial e de serviços

Situa-se na extremidade leste do mezanino
e comporta os sanitários públicos masculino e feminino,
dimensionados de acordo com a Norma 9050/1994 para permitir sua utilização
por portadores de deficiências.
Nesta ala estão também localizadas
a cafeteria, sorveteria, lanchonete, choperia, sanduicheria, farmácia,
banca, tabacaria, bomboniere, casa lotérica, loja de bijuterias,
de presentes, de revelação e foto automática.
Essas instalações estão
agrupadas em dois blocos, separadas por uma praça de alimentação.
2.2.2.3. Áreas externas
Estão previstas externamente as seguintes
dependências:
a) Salas técnicas: Ficam num bloco
único, com cerca de 100m2, comportando a sala do sistema de fornecimento
de energia emergencial (grupo gerador), sala de baterias, casa de bombas
e reservatório inferior e a sala de baixa tensão.
b) Portaria e estacionamento: A portaria
destina-se ao controle de acesso de veículos dos funcionários
da estação e de manutenção da ferrovia e veículos
de porte médio para abastecimento das lojas do mezanino. O estacionamento
tem 10 vagas, sendo 2 delas privativas para ambulância e viatura
policial.
Juntamente com essas instalações
ficam o depósito de lixo e uma torre com monta-cargas que acessa
a passarela e permite o transporte tanto de materiais para a estação
quanto suprimento das lojas e o transporte vertical do lixo.
3. Estrutura
A estrutura da cobertura
se organiza no sentido longitudinal da edificação, com três
linhas de apoio no centro das plataformas, num intercolúneo de
51m. Cada um desses apoios em concreto armado se ramifica em quatro apoios
metálicos, contraventando dessa forma o entramado de vigas e reduzindo
o vão principal para 40 m com balanços de 14m nas extremidades.
Nos encontros dos pilares
metálicos, dois lugares geométricos com a mesma situação
de apoio determinam os pontos aonde vem se apoiar a estrutura principal
da cobertura, duas treliças de secção triangular.

Um conjunto de treliças
metálicas se distribui no sentido longitudinal e transversal compondo
uma estrutura secundária.
Um conjunto de terças se distribui
transversalmente apoiando as telhas metálicas, interrompidas por
linhas de clarabóias sob as treliças da estrutura principal.
A estrutura do mezanino é mista. Pilares,
também em estrutura mista, e vigas metálicas suportando
lajes de concreto. O desenho dos pilares segue o mesmo princípio
da estrutura da cobertura, concreto com ramificações metálicas
no sentido longitudinal, resultando intercolúneos de 15m e vãos
principais de 10m para as vigas metálicas.
4. Novo terminal de ônibus

Implantamos o novo terminal de ônibus
na área da desativada Estação Ferroviária
Francisco Sá, sugerida pelo edital do concurso, por considerarmos
a área suficiente para este fim, pela possibilidade da Rua Ceará
se conectar a Rua São Cristóvão passando sobre a
nova via singela em bitola mista não eletrificada, pela facilidade
de conexão com a Estação São Cristóvão
do Metrô e Nova Estação da SUPERVIA, pela possibilidade
de reativar com novos usos um interessante espaço urbano, o da
Rua Ceará e suas edificações tombadas como patrimônio
histórico.
A idéia é se interiorizar o
terminal no miolo da quadra permitindo o agenciamento da frente para a
Rua Ceará como espaço público, ambientando a construção
tombada como patrimônio histórico. Esta situação
se repete para a outra frente, para a nova rua proposta ligando a Rua
Francisco Eugênio à Praça da Bandeira, onde são
propostas outras edificações.
São adicionadas duas construções,
uma de cada lado do bem tombado, em altura compatível com o mesmo.
Uma arremata a empena cega da construção lindeira na seqüência
das construções da Rua Ceará. Outra na quadra definida
pelas ruas de entrada e de saída do terminal. Estas construções
devem apresentar os mesmos acabamentos e tipologias, valorizando assim
a antiga estação.
Os usos podem ser melhor definidos futuramente,
mas, os novos edifícios provavelmente terão usos comerciais,
ficando o bem tombado para uma avaliação de seus espaços
originais e de suas potencialidades de usos. Para a nova rua, as edificações
podem atingir maior altura com espaços comerciais no térreo
e escritórios nos andares superiores.
Consideramos que o terminal proposto pode
abrigar 16 linhas com uma mangueira longitudinal para estacionamento de
5 ônibus.
Dentro do programa de revitalização
e valorização da região, que pela sua proximidade
do centro deve ter uma utilização mais nobre, não
consideramos conveniente a destinação de grandes áreas
como estacionamento de ônibus; assim, a área com essa utilização
é aquela estritamente necessária prevendo-se eventuais panes
ou picos de demanda.
O terminal se organiza em duas coberturas
paralelas de 100m de comprimento, com uma cobertura central capaz de abrigar
a rampa de acesso a Estação São Cristóvão
do Metrô e outros serviços do terminal. Lateralmente acrescentamos
estacionamentos de veículos e ponto de táxi.
Articulamos a passarela do terminal de ônibus
diretamente ao acesso leste do metrô, em similaridade ao acesso
à Nova Estação da SUPERVIA, pelo acesso oeste da
mesma estação.
Ligando por rampa o acesso leste à
calçada da Avenida Osvaldo Aranha, que precisa ser alargada, estamos
utilizando este espaço público para a conexão com
a nova estação da SUPERVIA. Minimizamos dessa forma o comprimento
de uma possível passarela que poderia ligar o terminal ao mezanino
da nova estação, que seria demasiado longa, desvinculada
do espaço público, com todos os problemas de segurança
daí decorrentes.
5. Urbanismo

A decisão de se construir a Nova Estação
São Cristóvão da Supervia junto à Estação
de Metrô São Cristóvão, mais um terminal de
ônibus na área da desativada Estação Ferroviária
Francisco Sá, abre um espaço de hipóteses urbanísticas
que se referem a várias escalas de abrangência.
A intervenção mínima
estaria na abertura da Rua Ceará para a Rua São Cristóvão.
Com isso viabilizamos o percurso dos ônibus vindos da zona sul ao
novo terminal, principalmente pela possibilidade do retorno pela Rua Francisco
Eugênio e seqüência pela Avenida Francisco Bicalho para
o acesso à Avenida Engenheiro Freyssinet e Tunel Rebouças.
Mas, para melhor aproveitarmos a implantação
de equipamentos de transporte desse porte para a requalificação
do entorno propomos:
a) Melhorar o acesso da Rua Francisco Eugênio
para a Rua General Herculano, pelo alargamento da Rua José Eugênio.
b) Conectar a Avenida Bartolomeu de Gusmão,
pelo primeiro trecho da Rua Francisco Eugênio e daí acompanhando
a estrada de ferro e sobre o Rio Maracanã, à Rua Francisco
Eugênio junto a abertura da Rua Ceará.
d) Conectar, com nova rua junto a estrada
de ferro, a Rua Ceará à Rua Francisco Eugênio em seu
primeiro trecho, próximo a Bartolomeu de Gusmão.
e) Aumentar a passagem sob a estrada de ferro
da Rua Ceará para comportar duas mãos de tráfego.
f) Promover a revalorização
da Praça da Bandeira, pelo rebaixamento do tráfego de passagem,
pela recuperação de seu papel de articulação
local da Tijuca com São Cristóvão, pela afirmação
do seu potencial como espaço simbólico de terminação
do grande eixo da Avenida Presidente Vargas.
Mas, as considerações sobre
os impactos em toda a área central do Rio de Janeiro começam
a se delinear, quando delimitamos um recorte da área percorrida
pela estrada de ferro balizada pelas duas grandes estações,
a Central do Brasil e a Nova São Cristóvão, e passamos
a relacionar esse recorte com os seus entornos, considerando as profundas
transformações atualmente em curso nas grandes cidades modernas.
O eixo da estrada de ferro, sentido Nova
Estação São Cristóvão da Supervia –
Estação Central do Brasil, apresenta à direita uma
cidade estruturada ao longo do eixo monumental da Avenida Presidente Vargas,
e à esquerda um imenso espaço desestruturado, um fundo da
frente portuária, atrás de uma seqüência de morros,
ocupados por habitação popular, que encontra seu limite
na barreira da estrada de ferro.
Parece que os grandes projetos urbanos em
curso no Rio de Janeiro, aos quais vem se juntar esse para a Nova Estação
São Cristóvão da Supervia, ao mesmo tempo que rodeiam,
também apontam para esse grande vazio central a ser reestruturado.
Propomos a criação de um novo
eixo longitudinal ao longo da estrada de ferro, na sua frente norte, da
Estação Central do Brasil, até a Nova Estação
da SUPERVIA em São Cristóvão.
Poderíamos imaginar que as áreas
desse eixo fossem assumindo cada vez mais a incorporação
de áreas verdes capazes de promover a valorização
desse miolo da cidade.
Identificamos no encontro dos eixos das Avenidas
Presidente Vargas, Radial Oeste e Engenheiro Freyssinet, a necessidade
de articular melhor a face norte, para onde há uma convergência
de linhas, definindo aí um ponto com grandes características
de centralidade, onde a Rua Francisco Eugênio assume um papel preponderante
na definição da nova articulação desse espaço
e reforça o papel da Praça da Bandeira conforme proposto.
Pelo porte das intervenções,
essas considerações só podem aqui comparecer como
preliminares, relativa às considerações mais gerais
sobre a estrutura dos espaços públicos, o "capital
fixo" das cidades, sem as considerações sobre uso do
solo, engenharia de tráfego e sistema de ônibus, conforme
referido no Edital do Concurso.
6. Orçamento
Estimativa de custos / Resumo
Cliente: Supervia
Obra: Estação de Transbordo - São Cristóvão
Data base: Setembro de 2000
| Item |
Descrição
do Grupo de Serviços |
Total
do item (R$) |
Incidência
(%) |
Custo
(R$/m2) |
| |
|
|
|
|
| 01 |
serviços
preliminares |
7.440,00 |
0,19 |
0,84 |
| 02 |
fundações
e infra-estrutura |
43.676,00 |
1,09 |
4,95 |
| 03 |
estrutura |
1.821.250,00 |
45,60 |
206,61 |
| 04 |
alvenarias
e divisórias |
60.665,00 |
1,52 |
6,88 |
| 05 |
coberturas |
381.360,00 |
9,55 |
43,26 |
| 06 |
tratamento |
20.270,00 |
0,51 |
2,30 |
| 07 |
instalações
elétricas |
350.000,00 |
8,76 |
39,71 |
| 08 |
instalações
hidráulicas |
160.000,00 |
4,01 |
18,15 |
| 09 |
elevadores
/ escadas rolantes / bloqueios |
501.000,00 |
12,54 |
56,83 |
| 10 |
esquadrias
de madeira |
7.420,00 |
0,19 |
0,84 |
| 11 |
esquadrias
metálicas |
141.750,00 |
3,55 |
16,08 |
| 12 |
revestimentos
internos / externos |
37.327,500,93 |
|
4,23 |
| 13 |
pisos |
288.560,00 |
7,23 |
32,74 |
| 14 |
vidros |
7.524,00 |
0,19 |
0,85 |
| 15 |
aparelhos
sanitários e metais |
15.699,00 |
0,39 |
1,78 |
| 16 |
pinturas |
119.704,00 |
3,00 |
13,58 |
| 17 |
serviços
complementares |
15.000,00 |
0,38 |
1,70 |
| 18 |
serviços
finais |
15.200,00 |
0,38 |
1,72 |
| |
|
|
|
|
| |
total
final |
3.993.845,50 |
|
453,07 |
| |
área
de construção (m2) |
8.815,00 |
|
|
|