| Menção
Honrosa - La fábrica de favelas
Autor: Daniel Wagner
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Favela
Vila Pinheiros - Complexo da Maré, Rio de Janeiro |
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A Fábrica
de favelas
Complexo
da Maré, Rio de Janeiro, Brasil
"A
informalidade, um potencial inexplorado e uma participação popular,
a ser resgatada pela democracia e a solidariedade."
Padre
Artola
O Complexo
de Maré é o maior do Rio de Janeiro com cerca de 130.000 habitantes.
Fruto de um aterro feito em 1979, a Vila Pinheiros é uma das 16
favelas que existem no Complexo da Maré. É um antigo conjunto
habitacional de baixa renda que se "favelizou". As ruas,
calçadas e alinhamentos são respeitados, mas as edificações são
feitas pelos próprios moradores sem nenhuma fiscalização oficial
como em todas as outras favelas do Rio. É uma favela de fachadas,
os moradores investem na fachada de suas casas a um nível de ostentação.
A auto-costrução é uma constante e um fato em que o poder público
ainda está longe de encontrar uma solução. Então a questão que
se coloca agora é, se os moradores das favelas estão fazendo suas
próprias casas e vão continuar fazendo, que as façam melhor! A
Fábrica de Favelas foi concebida para propiciar a melhoria construtiva
e arquitetônica da favela como um todo. Um local aglutinador de
todos os profissionais que trabalham com a construção na favela.
Um local em que possam trocar suas experiências e ainda ter uma
interface com o poder oficial, que pode promover cursos e oficinas
para os moradores, um local possível de fazer parcerias com a
Universidade estabelecendo uma troca de experiências. Longe da
pretensão piegas de se projetar uma favela, a Fabrica de Favelas
existe para que o atual promotor e construtor da favela, que é
em última instância o morador, tenha melhores condições
e facilidades na construção. Além de facilitar, a Fábrica de Favelas
pode inserir novos elementos espaciais e construtivos na lógica
de favela e que sejam coerentes com sua dinâmica. Desta maneira,
as construções podem dar um salto qualitativo através da relação
que essas construções e seus construtores podem ter com a fábrica.
Para isso foi feito um levantamento de todos os profissionais
que trabalham de alguma maneira com a construção civil na área.
No mesmo terreno da Fábrica de Favelas já havia 3 fabricantes
artesanais de lajes, os "lajeiros" e 2 serralheiros.
A idéia é dar suporte para uma atividade existente em abundância
e bastante precária. O programa do edifício estava no terreno
antes mesmo do próprio edifício.
Inserção
de nova tecnologia
A Vila Pinheiro
vive uma realidade construtiva muito rígida. Os materiais mais
comuns são o concreto e o tijolo de barro cozido, como em várias
outras favelas. Está sendo proposto aqui uma pequena subversão
desta lógica, introduzindo novos métodos que estejam dentro da
lógica de construção do local.O primeiro material escolhido é
o Pet. Largamente encontrado se acumulando nas ruas de toda cidade,
o Pet pode ser facilmente reciclado e moldado em laminadores nos
mais variados formatos, como por exemplo, uma telha ondulada.
O segundo é o tijolo de entulho. Restos de obras e demolições
se acumulam sem fim nos espaços livres da favela, que são cada
vez mais raros. O tijolo de entulho, pode resolver o problema
da alocação de restos de obras ao mesmo tempo que se torna um
material barato e competitivo. Apesar de estar propondo uma telha
de Pet, ela é ultilizada no fechamento exterior, em uma dupla
camada, aparafusada na estrutura. Esse espaço gera um colchão
de ar que garante o resfriamento natural no interior do edifício
quando o sol aquece o ar que está meio o forçando a sair por convecção.
Todas as instalações, elétricas e hidráulicas passam neste colchão
facilitando sua manutenção, mesmo as janelas são uma estrutura
independente, que pode ser instalada ou retirada apenas trocando
as telhas aparafusadas. É um edifício mutante, que pode
adequar-se as necessidades do utilizador, seguindo a lógica da
favela.
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Perspectiva
externa do edifício |
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Perspectiva
externa do edifício |
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Perspectiva
externa do edifício |
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Vista
geral da intervenção |
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Ilustração
dos processos de reciclagem |
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O meio
como fim
A própria
informalidade a qual ela esta sujeita confere à favela uma temporalidade
diferente de um prédio na "cidade formal". A Fábrica
de Favelas incentiva a mutação urbana e arquitetônica aonde for
inserida. Ela incentiva esta transformação, dialoga com ela, promove,
influencia, mas não a modifica na sua essência. Portanto se na
Vila Pinheiros prevalece a informalidade respeitosa, isso não
vai mudar. E se o ordenamento urbano seguir uma forma mais 'rizomática',
isso também será otimizado. Ao mesmo tempo que a Fábrica de Favelas
pode ser na escala urbana um elemento que tenha características
positivas, ela pode ser um marco visual e simbólico da Vila Pinheiros.
Implantada dando as costas a Linha Vermelha, uma via expressa
que bloqueou o acesso ao mar, o prédio terá grande visibilidade.
Ainda, ao deixar espaço no quarteirão vazio para urbanização,
A Fábrica de Favelas espera que construções se agreguem ao seu
corpo no decorrer do tempo. Ela produz o mesmo material de que
é feita. Desta maneira, pode estar sempre em expansão/mutação,
assim como a favela em volta.
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Ilustração
dos materiais |
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Vista
da intervenção |
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Vistas
aéreas - implantação |
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