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Área: Praça Cívica
Equipe vencedora
Alexandre Brasil
André Luiz Oliveira
Carlos Alberto Maciel
Danilo Matoso Macedo
Avenida Goiás. Devolvendo a cidade
a seus habitantes
Memorial descritivo
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Vista
geral da proposta de revitalização da Praça Cívica. Recuperando seu
papel estruturador do tecido urbano original |
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O conjunto objeto desta proposta se constitui
de três partes de caráter notadamente diferenciadas: a primeira,
a praça Cívica, um espaço de permanência com
características marcantes de lugar; a segunda, a praça dos
Trabalhadores, que caracteriza um dos últimos e certamente o mais
importante vazio urbano do setor central, com grande potencial de articulação
das diversas conexões urbanas entre as partes da cidade; e a terceira,
o eixo da Avenida Goiás, com um acentuado sentido de percurso,
promovendo a ligação entre as duas praças. Todo o
conjunto se articula em torno de dois pontos focais que finalizam a perspectiva
da Goiás: de um lado, o Palácio das Esmeraldas, centro do
poder estadual erigido na praça Cívica, e de outro a Estação
Ferroviária, na praça dos Trabalhadores. Tais características
se confirmam pelo paisagismo existente: na praça Cívica,
as grandes árvores perimetrais – Ficus da implantação
inicial do núcleo urbano - conferem o necessário fechamento
ao lugar, enquanto as palmeiras do eixo da Goiás reforçam
sua vocação de caminho, e a grande abertura visual confere
à praça dos Trabalhadores características de esplanada.
Entendendo essa característica
de elemento de ligação entre as praças Cívica
e dos Trabalhadores que a Avenida Goiás configura, buscamos considerá-la
como parte integrante do grande conjunto urbano que reúne os três
objetos do concurso, evitando uma excessiva compartimentação
do objeto analisado e conseqüentemente do projeto proposto, o que
não contribuiria para reforçar a unidade que este importante
núcleo urbano inicial apresenta. O estudo para o redesenho da Avenida
Goiás se fundamenta na constatação da necessidade
de uma ampla requalificação dos espaços públicos
da cidade. Buscando recuperar a importância da cidade e de sua arquitetura
como instrumentos que contribuam para trazer qualidade de vida a seus
habitantes, nosso projeto para a Avenida Goiás se fundamenta nos
seguintes aspectos:
1. O cuidadoso redesenho urbano, que reforce
a importância do pedestre e minimize os conflitos pedestre x automóvel,
a definir os suportes necessários ao uso saudável e equilibrado
do espaço urbano;
2. A reproposição das possibilidades
de ocupação e uso do solo, de modo a ampliar a presença
de cidadãos durante todo o dia e especialmente à noite e
nos dias feriados, de modo a tornar o centro mais habitado e, portanto,
a propiciar maior segurança para os cidadãos;
3. A criação de equipamentos
urbanos que promovam o uso mais intenso do canteiro central da avenida
como um grande equipamento de lazer para os cidadãos. Tais equipamentos
são propostos de modo integrado aos equipamentos de apoio – estacionamentos,
sanitários públicos – e de transporte – o metrô, já
proposto pela administração estadual, e o transporte local
entre as praças Cívica e dos Trabalhadores.
4. A potencialização da ocupação
das quadras lindeiras à avenida Goiás, inclusive das vielas
e meios de quadra atualmente utilizadas como acessos de serviço,
com atividades que contribuam para o uso público. Essa estratégia
tem por objetivo o aumento da presença de pedestres especialmente
nos períodos de maior esvaziamento do setor central, através
de incentivos fiscais a atividades formais de lazer e cultura, associadas
a uma maior ocupação das plantas superiores dos edifícios
com o uso residencial.
5. A diferenciação clara de
três trechos com características relativas a uso e ocupação
do solo distintas, enfatizando aproveitamentos diferenciados do solo em
função da maior ou menor densidade que corresponde à
diferença entre a área próxima à praça
Cívica e junto ao Bairro Popular, respectivamente.
Esse projeto busca recuperar a relevância
do conjunto para a cidade a partir do redesenho urbano da área,
associando modificações no traçado viário
à redefinição de usos a partir da identificação
de atividades/acontecimentos na circunvizinhança que abram novas
possibilidades de apropriação do espaço público.
Sobre o redesenho do trecho em questão
O resgate da importância do pedestre
na cidade
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Escadaria
proposta junta ao Palácio das Esmeraldas, recuperando seu papel cívico |
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A proposta de redesenho busca visualizar
e potencializar características existentes no conjunto, enfatizando
as diferenças entre as três partes e, ao mesmo tempo, possibilitando
uma melhor articulação entre elas.
Um dos aspectos preponderantes na definição
do novo traçado urbano proposto foi a intensa valorização
do pedestre, através da criação de percursos que
permitam uma fruição integral do conjunto e de lugares de
descanso e permanência prolongada.
Para isso, buscamos diferenciar os nós
que os cruzamentos da Avenida Goiás com as demais ruas e avenidas
configuram, através da utilização de procedimentos
de "traffic calming", que modifica a percepção de quem passa
pela área através da alteração da pavimentação,
reduzindo a velocidade dos automóveis e minimizando os conflitos
desses com os pedestres.
A fim de permitir uma continuidade do percurso
do pedestre ao longo do eixo do passeio central, definimos duas estratégias
distintas: a primeira, de menor impacto e de implantação
mais imediata, faz uso de um outro recurso de "traffic calming", elevando
e diferenciando a pavimentação na interseção
do passeio com a via pública transversal, a enfatizar a prevalência
do trânsito de pedestres; a segunda, mais impactante e definidora
do grande percurso que o passeio central pode configurar, busca apartar
o espaço do pedestre do trânsito congestionado em três
diferentes pontos: nas interseções com a praça Cívica,
com a avenida Anhangüera e com a avenida Paranaíba. Nesses
trechos, em virtude da futura presença de estações
do Metrô, o passeio central promove uma suave descida em rampa que
mergulha por sob a via transversal, criando uma praça rebaixada
e coberta com comércio e serviços rápidos, que promove
as necessárias transições com os equipamentos urbanos
propostos: estações do metrô e estacionamentos. Esse
rebaixo do percurso nas interseções principais integra o
novo meio de transporte ao espaço público e reforça
a prevalência do pedestre no setor central.
Outro importante aspecto da intervenção
que parte do entendimento da estrutura urbana existente busca transformar
o uso das vielas e vazios nos meios das quadras, destinando parte de sua
área para acesso exclusivo de pedestres, e incentivando usos noturnos
de lazer, especialmente restaurantes diversos. Essa recuperação
do uso dos vazios internos das quadras busca reforçar sua caracterização
como um recinto independente do ruído e do ritmo apressado do grande
passeio da avenida, enfatizando sua escala diferenciada e sua característica
de lugar, em contraposição ao percurso que a avenida configura.
Tenta ainda integrar os diversos elementos que compõem o espaço
urbano da avenida e sua circunvizinhança em seqüências
expressivas de espaços, definindo ,através da pavimentação,
ligações, conexões e continuidades que potencializem
o uso público, variado e múltiplo do espaço urbano,
ao mesmo tempo em que diferenciam sutilmente as partes diversas que constituem
o todo.
Continuidade e integração:
os estacionamentos e estações do metrô
A valorização do pedestre e
a criação de espaços de uso público vinculados
a atividades de lazer, cívicas e culturais contribuem para a preservação
dos elementos de importância histórica e artística
do sítio. Uma atitude corriqueira em centros urbanos europeus é
o fechamento dos centros históricos ao tráfego de veículos.
O que propomos é uma atitude menos radical, que concilia o pedestre
e o veículo, a partir da diminuição da largura das
vias, permitida pela diminuição do tráfego de automóveis
e ônibus proposto pelo novo plano de vias, associada à criação
de estacionamentos ao nível do subsolo. A possibilidade da criação
do grande percurso no eixo existente repete um fato urbano notório
que é a Rambla de Barcelona: um grande passeio central em que o
pedestre é o principal personagem neste acontecimento urbano.
Nas passagens de pedestres por sob as vias
transversais de maior tráfego de veículos, associam pequenas
lojas para comércios e serviços rápidos, adequados
à característica de itinerância do passeio público,
aos acessos aos equipamentos complementares de infra-estrutura, como os
estacionamentos em subsolo e as estações do metrô
norte-sul proposto pelo Governo Estadual. A integração e
continuidade entre esses diversos equipamentos urbanos complementares
asseguram a diversidade da vida urbana, associando usos e acontecimentos
diversos que ampliam a segurança pública na medida em que
promovem uma ocupação mais heterogênea e mais permanente
do espaço urbano.
Sobre os equipamentos urbanos propostos
Os equipamentos propostos associam um novo
mobiliário urbano, coerente com os novos usos propostos – bancos,
lixeiras, iluminação baixa – a intervenções
de maior porte, que são integradas à infra-estrutura prevista
para o Metrô.
Quiosques metálicos de maior porte
localizados nas extremidades dos passeios nas travessias subterrâneas
servem para atividades de comércio que funcionem como apoio ao
lazer, como lanchonetes, bares típicos de cerveja e espetinho,
pamonharia, sorveteria, e outros. Esses quiosques incorporam em seu desenho
espaço destinado à instalação de telefones
públicos e lixeiras especiais, integrando equipamentos urbanos
de modo a minimizar interferências excessivas na paisagem urbana,
e ao mesmo tempo respondendo à maior demanda de recipientes para
o grande volume de resíduos que resulta da atividade dos próprios
quiosques.
Nas extremidades de calçada em que
a travessia acontece ao nível da rua, patamares elevados acontecem
dos dois lados do percurso principal de pedestres, com quiosques menores,
também metálicos, abrigando usos diversos que alternam costumes
próprios da cidade e da região a outros usos mais genéricos,
como bancas de revistas, flores e outros. Além de delimitar área
para mesas e cadeiras, apropriada pela sua localização em
sombra, esses patamares funcionam como bancos, e ainda definem em uma
de suas extremidades uma pequena plataforma elevada, que funciona como
palco para performances e apresentações de bandas e artistas
de rua.
Sobre o paisagismo
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Pavimentação
de toda a praça cívica restringindo o trânsito de veículos a pequenas
vias definidas por marcos intervalados em concreto |
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As seguintes premissas determinaram o paisagismo
proposto para a Avenida Goiás:
1. O entendimento do paisagismo como elemento
gerador de sombra, e portanto de espaços para permanência,
a responder ao rigor do clima quente da cidade e a permitir maior possibilidade
de apropriação do espaço público pelos transeuntes;
2. O respeito ao paisagismo original da avenida,
projetado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, revelando didaticamente
a influência das cidades-jardim inglesas na definição
paisagística da cidade de Goiânia. A fim de enfatizar a importância
da arborização como elemento definidor do caráter
da proposta urbanística inicial, buscamos preservar e recompor
os trechos danificados com as mesmas espécies e a partir do mesmo
princípio de composição;
3. O reconhecimento da prevalência
do pedestre, evitando o uso de canteiros com forrações baixas
ou vegetação de porte arbustivo, de difícil manutenção
em áreas com grande afluência de pessoas, e ao mesmo tempo,
liberando o passeio público para o grande afluxo de pedestres;
4. Por último, a adoção
de materiais para a pavimentação das calçadas que
sejam de fácil manutenção e grande resistência,
não derrapantes e de alta relação custo/benefício,
como o tijolo maciço assentado a cutelo e o concreto colorido,
com paginações em granito serrado, a fim de permitir um
uso sem restrições e barreiras, e ao mesmo tempo, contribuir
para a expressão do espaço urbano como definidor da imagem
da cidade.
Sobre a iluminação urbana
Para a iluminação, propomos
quatro diferentes sistemas, que, associados, contribuem para reforçar
as distintas características das partes. Por um lado, a proposta
de iluminação tem por objetivo a qualificação
dos espaços públicos para o uso, propiciando maior segurança
para os transeuntes. Por outro lado, contribui para ordenar a paisagem
urbana, destacando e valorizando elementos importantes na composição
da imagem urbana, como o paisagismo original da avenida e construções
de importância histórica e arquitetônica.
A iluminação pública
se fará, portanto, através dos seguintes elementos:
1. Postes altos nas calçadas laterais
com iluminação em vapor metálico, diferenciando-a
das demais avenidas, que utilizam lâmpadas de vapor de sódio,
amarela, com o objetivo de preservar a iluminação geral
da via pública, associada a iluminação mais baixa
direcionada para a calçada;
2. Iluminação baixa direcionada
para o piso em toda a grande calçada central, nas rampas e nas
praças cobertas, eliminando a insegurança que a penumbra
provocada pela arborização gera;
3. Instalação de projetores
embutidos no piso com lâmpadas de vapor metálico – que ressaltam
a cor verde da vegetação - direcionadas para as copas das
árvores e das palmeiras, o que amplia a iluminação
geral pelo rebatimento da luz nas árvores, a fim de ressaltar a
qualidade do paisagismo de porte arbóreo da avenida;
4. Por último, projetores especiais
com lâmpadas de vapor metálico instalados no piso ou em locais
específicos conforme o caso, iluminando edifícios e monumentos
significativos para a memória histórica da cidade, como
o coreto, o relógio e os edifícios tombados como patrimônio
histórico.
Sobre as diretrizes para regulamentação
das interferências na paisagem urbana: anúncios publicitários
de fachadas, elementos de infra-estrutura, elementos de sinalização
viária, turística e informativa
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Boulevard
da rua Gercina Borges Teixeira que promove a ligação entre o conjunto
da Praça Cívica ao Bosque dos Buritis |
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A paisagem urbana é resultado das
diversas intervenções humanas no vazio das ruas, praças
e avenidas. A sobreposição descontrolada de informações
de naturezas diversas contribui apenas para amplificar o caos e a desordem
da imagem urbana e compromete a fruição e o uso saudável
do espaço público, pois os elementos que constituem a cidade
perdem sua capacidade de ordenar a vida urbana devido ao excesso de informação,
e a expressão arquitetônica dos edifícios deixa de
contribuir para a caracterização da paisagem urbana. Dentre
as diversas interferências que exigem normatização
e regulamentação, listamos as seguintes:
1. Padronização de dimensões
máximas de letreiros e anúncios publicitários, relacionados
com o comércio estabelecido no local, localizando-os sob as marquises
e sobre as portas dos estabelecimentos; quando necessária a utilização
do espaço sobre as marquises, as placas devem ser preferencialmente
de material vazado, que permita a visualização de eventuais
elementos que se encontrem no fundo, e não devem ter altura maior
do que 80 centímetros. Deve-se ainda evitar luminosos intermitentes,
tipo pisca-pisca.
2. No caso de sobreposição
de placas, letreiros ou anúncios em edifícios tombados legalmente
como patrimônio histórico ou considerados de interesse histórico,
deverá ser submetido projeto de comunicação visual
a órgão competente em patrimônio histórico
da Prefeitura Municipal a fim de harmonizá-los com as fachadas
dos edifícios que os suportam, evitando a sobreposição
de grandes fachadas publicitárias aos objetos arquitetônicos
de importância para a memória da cidade;
3. Proibição da instalação
de equipamentos publicitários tipo "outdoor’s" nas faces de quadra
da avenida Goiás;
4. Substituição de todas as
placas de informação geral e de trânsito por um padrão
de suporte e comunicação visual desenvolvido especialmente
para o conjunto urbano definido pelo Setor Central, acrescentando placas
com informações de natureza turística e que façam
referência à localização dos elementos de importância
para a memória histórica da cidade. A implantação
de todo o conjunto de sinalização deverá ser implementada
em harmonia com o desenho urbano proposto para a área.
5. Por último, todos os elementos
de infra-estrutura urbana – cabeamento de energia e seus transformadores,
cabeamento de telefonia, televisão, semáforos, e outros
– que modificam significativamente a caracterização da paisagem
urbana devem ser transferidos para galerias subterrâneas sob as
calçadas laterais da avenida.
Sobre a regulamentação do
comércio ambulante
Conflito típico da sociedade contemporânea
é a presença dos ambulantes e o conseqüente impacto
da sua atividade no congestionamento dos percursos públicos de
pedestre e no comércio varejista legal. As soluções
que procuravam exportar os ambulantes para locais confinados e distantes
se mostraram ineficientes, pois eles são atraídos exatamente
pelos locais de fluxo incessante de pedestres.
A solução do problema dos ambulantes
localizados na Avenida Goiás aponta para uma estratégia
que associa iniciativas do poder público e de entidades como a
Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia e a Associação
Centro Vivo. A fim de buscar a inserção gradativa do ambulante
no comércio formal, retirando-o da clandestinidade e respeitando
o comerciante legalmente instalado que cumpre com suas obrigações
sociais, propõe-se a implementação de uma incubadora
de comércio e serviços, que propiciará ao ambulante
a formação adequada e preparação para o comércio
legal, incentivando e apoiando o ambulante na sua profissão. Para
realizar a transição do comércio informal ao formal,
os ambulantes serão deslocados da avenida para a praça dos
Trabalhadores, tirando proveito do grande fluxo de transeuntes que seu
caráter de conexão intermodal apresentará, e ocuparão
um espaço específico, como um "camelódromo", acrescido
de espaços adequados para o ensino e formação profissional.
Outro espaço destinado aos ambulantes
é o largo da avenida Paranaíba, que tem seu desenho alterado
de modo a concentrar o tráfego de automóveis no centro,
beneficiando o pedestre ao alargar a calçada lateral. Nesse novo
calçadão, uma grande marquise abriga os ambulantes, e pode
ser ainda apropriada por outros usos, na medida em que define uma cobertura
flexível que reforça a linearidade desse grande espaço
urbano.
A presença excessiva de ambulantes
ao longo da via pública compromete a segurança e o conforto
do transeunte, o que amplifica a degradação ambiental e
da paisagem urbana. Sua transferência para local com grande potencial
de venda e com infra-estrutura adequada tanto para seu trabalho como para
sua formação contribui por um lado para a melhoria da qualidade
de vida dos próprios ambulantes; por outro lado, permite a requalificação
ambiental do eixo urbano da avenida como espaço público,
de lazer e de cultura para toda a população.
Sobre diretrizes de uso e ocupação
do solo
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Memorial
de Goiânia - complexo cultural, abrigando objetos e registros da memória
da cidade |
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Quanto à ocupação dos
terrenos lindeiros à avenida Goiás, é desejável
preservar a ausência de afastamentos, construindo as novas edificações
no alinhamento das vias e unidas lateralmente às edificações
vizinhas, preservando as restrições específicas quanto
à habitabilidade – ventilação, iluminação,
conforto termo-acústico -, de modo a preservar a continuidade dos
volumes construídos e reforçar os limites que contribuem
a diferenciar o eixo urbano da Avenida Goiás. Além disso,
propõe-se a variação nas alturas do gabarito nas
faces de quadra voltadas para a avenida em três diferentes trechos,
a saber:
– o estímulo a construções
verticalizadas com até 12 pavimentos no trecho 1 (Praça
Cívica-Anhangüera), que permite a caracterização
efetiva do eixo urbano da avenida, e valoriza a perspectiva que tem seu
ponto focal no Palácio das Esmeraldas, recuperando a importância
do traçado original de Attílio Corrêa Lima.
– a regulamentação de uma altura
média de 8 pavimentos no trecho 2 (Anhangüera-Paranaíba),
que promove uma gradação entre as duas alturas distintas
nas extremidades da avenida, e ainda permite uma maior densidade.
– limitação de altura das novas
edificações no trecho 3 (Paranaíba-Trabalhadores)
em quinze metros (térreo + 3 pavimentos), garantindo a preservação
da densidade e da horizontalidade dominantes do tecido urbano adjacente,
e evitando a valorização excessiva do solo neste trecho.
Tal estratégia assegura a permanência dos atuais habitantes
do bairro Popular e imediações, e evita uma indesejável
transformação destes espaços pela atividade especulativa.
Em relação à ocupação
dos fundos das mesmas quadras, propõe-se altura e densidade menores,
igualmente variável conforme o trecho da avenida. Essa redução
do gabarito busca uma harmonização da maior altura dos edifícios
lindeiros à avenida em relação ao tecido urbano menos
denso das quadras adjacentes, e ao mesmo tempo reforça a presença
da Avenida Goiás como o eixo principal e dominante na estruturação
do tecido urbano do setor central. As alturas nos três trechos apontados
são as seguintes:
– trecho 1 e trecho 2 (praça Cívica/Anhangüera/Paranaíba):
limitação de altura das novas edificações
em quinze metros (térreo + 3 pavimentos).
No que concerne à legislação
de uso para todas as quadras indicadas, propõe-se restringir esse
aproveitamento do solo ao uso misto – térreo comercial, restante
residencial – para todas as quadras da área em questão.
Para a regulamentação dos usos térreos das edificações
novas e existentes, faz-se necessário estabelecer restrições
e incentivos a usos determinados. Em relação aos incentivos,
indicamos a necessidade da criação de isenções
totais e parciais do IPTU para os imóveis lindeiros à avenida
Goiás quando o usuário ou proprietário promover no
seu imóvel ao nível térreo um uso que reforce o caráter
público e de lazer do conjunto urbano. O incentivo proposto deve
ser concedido desde que o imóvel e a atividade atendam aos seguintes
requisitos:
– tenha destinação compatível
com as atividades listadas como potencialmente favoráveis, sendo
a isenção total ou parcial conforme o uso proposto;
– tenha horário de funcionamento diferenciado,
atendendo no horário noturno no mínimo até às
22:00 horas, inclusive fins de semana e dias feriados;
– tenha sua caracterização
formal e tratamento de fachadas coerente com as diretrizes para regulamentação
das interferências na paisagem urbana, no que se refere a anúncios
publicitários e tratamento das fachadas.
Consideram-se potencialmente favoráveis
as seguintes atividades:
– lazer e cultura - cinemas, pequenas salas
de espetáculo, museus, academias, galerias de arte: 100% de isenção
de IPTU;
– institucionais - postos telefônicos,
postos bancários, quiosques de apoio com funcionamento 24 horas:
70% de isenção de IPTU;
– comércio de pequeno porte - tabacaria,
joalheria, relojoaria, cine-foto-som, bombonière, livraria, brinquedos,
quitandas, artesanato, floricultura, presentes: 70% de isenção
de IPTU;
– serviços de alimentação
- cafés, bares, restaurantes, lanchonetes, sorveterias, pamonharias,
quiosques de alimentação: 100% de isenção
de IPTU.
Para os imóveis lindeiros aos demais
trechos de ruas que compõem a área objeto do concurso –
exceto aqueles que se localizam em esquina com a avenida Goiás
– acrescentam-se usos que representam comércio e serviços
de apoio à moradia, tais como: lavanderia, mercearias de pequeno
porte, salão de beleza, sacolão (hortifrutigranjeiros),
papelaria, locadoras de vídeo, farmácia e drogaria, padaria,
com possibilidade de isenção de IPTU de 70%, desde que atendam
aos requisitos apresentados acima.
As restrições visam a minimizar
o abandono noturno da área central, acarretado pela ocupação
estritamente comercial. Outro aspecto que compromete a habitabilidade
das áreas centrais é o progressivo isolamento dos espaços
internos em relação à rua, gerando uma autonomia
de funcionamento especialmente em grandes centros comerciais, que evitam
qualquer relação de continuidade com o tecido urbano adjacente.
Em virtude disso, consideramos desfavoráveis as seguintes atividades:
– institucionais de médio e grande
porte - órgãos de previdência, entidades sindicais,
entidades desportivas de grande porte, serviços de saúde,
serviços de educação, serviços públicos;
– comércio - atacadistas, varejistas
de médio e grande porte, depósitos, materiais de construção,
supermercados, armazéns, "shopping center’s";
– serviços - instituições
de crédito, bancos, hotéis de grande porte, boites, casas
noturnas e casas de espetáculo, oficinas, estacionamentos.
– indústrias de qualquer tipo.
Para os espaços comerciais a serem
implantados nas praças rebaixadas, indicamos usos que configurem
comércio e serviços rápidos, coerentes com o caráter
de itinerância que é próprio deste tipo de espaço:
1. alimentação: lanchonetes,
cafezinhos, sorveteria, pastelarias;
2. comércios: bancas de revistas,
livraria, farmácia, floricultura, drogaria, música (cd/cassete),
artesanato, casa lotérica;
3. serviços: chaveiro, sapateiro,
xerox, revelação de foto, banco 24 horas.
Para os vazios nos meios de quadras e as
vielas de acesso, indicamos usos nos pavimentos térreos dos edifícios
voltados para esses espaços públicos que configurem atividades
comerciais relacionados ao lazer, que promovam permanência prolongada
e ocupação noturna, a saber:
1. restaurantes típicos: pamonharia,
casas de caldos, comida mineira, comidas típicas goianas (arroz
com pequi, arroz de p. rica, empadão goiano);
2. cervejarias (cerveja e espetinho) e outros
bares de permanência prolongada e funcionamento noturno;
3. restaurantes diversos: comida italiana,
japonesa, espanhola, francesa, árabe, chinesa;
Outro aspecto que deverá receber incentivo
na forma de redução parcial de IPTU é a criação,
nos terrenos lindeiros aos vazios de centro de quadra, de galerias de
lojas que promovam uma conexão alternativa de pedestres entre a
avenida Goiás e o vazio, e/ou entre este e a rua paralela à
Goiás, ampliando as possibilidades de percurso no setor central.
Sobre a gestão e viabilidade das
propostas
Algumas estratégias de gestão
permitem a viabilização das propostas apresentadas nesse
projeto, a saber:
1. Para viabilizar as intervenções
edificadas na paisagem urbana, como os estacionamentos subterrâneos,
os quiosques ao longo da avenida e as praças de comércio
nas interseções, propõe-se a utilização
do instrumento de concessão do espaço público à
iniciativa privada, autorizando a construção do equipamento
conforme as normas e o projeto executivo aprovado pelo Poder Público.
O imóvel resultante do investimento será propriedade da
Prefeitura, que permite ao concessionário sua exploração
por um período a ser negociado conforme a relação
custo de implantação x retorno do investimento imobilizado.
Após o período de concessão, o direito de exploração
retorna à Prefeitura, que pode renegociar nova concessão.
As praças rebaixadas são comercialmente atraentes, por apresentarem
uma organização do espaço que reproduz a estratégia
dos shopping center’s, ao alternarem uma alimentação
diversificada de público – promovida pelas rampas que continuam
o percurso de pedestre – à criação de elementos atratores
de público, denominados "âncoras" – o metrô e os estacionamentos.
2. Para essas praças rebaixadas nas
interseções, cabe ainda a parceria com o Governo Estadual,
em virtude da integração de tais praças com as estações
do Metrô planejado para a cidade.
3. Para a requalificação da
paisagem urbana no que diz respeito à normatização
de publicidade e recuperação das fachadas das faces das
quadras lindeiras à avenida Goiás, propõe-se o instrumento
de parceria com a iniciativa privada, como, por exemplo, o patrocínio
de fabricantes de tintas e revestimentos.
4. Para a requalificação das
vielas e vazios internos de quadras, propõe-se também a
parceria com a iniciativa privada, incentivando os próprios comerciantes
que decidissem pela instalação de restaurantes e equipamentos
nessas áreas com isenção integral de IPTU por período
a ser negociado, em contrapartida à reforma do trecho adjacente
da viela de acordo com projeto designado pela Prefeitura Municipal. Este
espaço, convertido ao uso de pedestre, passaria a ser utilizado
como extensão aberta dos espaços internos dos restaurantes,
funcionando como pequenas praças de alimentação e
lazer;
5. Por último, a requalificação
urbana das calçadas e do passeio central da avenida deve ser realizada
em parceria com grandes empresas goianas, que, firmando contrato de adoção
dos espaços públicos da cidade, promoverão a reforma
e a posterior manutenção dos trechos da avenida adotados,
garantindo sua limpeza e conservação. Em contrapartida,
as empresas terão espaços para divulgação
publicitária desse gesto de gentileza para a cidade, e ainda poderão
fazer uso de Leis de Incentivo à Cultura em todos os âmbitos
- municipal, estadual e federal -, na medida em que estabeleçam
um projeto de implementação e gestão de atividades
culturais nessa área para a população da cidade.
Conclusão
A busca constante de uma unidade na estruturação
do espaço urbano é elemento norteador do projeto. A visualização
de uma estrutura existente e a preservação e valorização
de elementos históricos de valor simbólico para a população,
associadas a um desenho urbano de natureza inovadora no contexto da cidade,
garantem a necessária coerência da proposta com relação
à cidade, seu povo e sua memória. Muito relevante é
a preocupação constante com a viabilidade técnico-econômica,
evitando propostas onerosas e inviáveis e priorizando interferências
cuja execução apresente sempre uma adequada relação
custo/benefício, ora devido à simplicidade da intervenção,
ora pela sua associação a infra-estruturas a serem instaladas,
complementando-as e potencializando seus usos diversos, como é
o caso do metrô.
Enfim, o projeto repropõe o existente,
conferindo novos significados aos espaços, em todos os níveis
- do macro ao micro -, ou seja, ao traçado urbano original, recuperando
seu papel estruturante de toda a área do setor central, aos diversos
lugares e percursos existentes, e até aos ícones presentes
no conjunto, como as palmeiras, o coreto, o relógio e, principalmente,
os dois elementos que finalizam a perspectiva da avenida: o Palácio
das Esmeraldas e o edifício da antiga Estação Ferroviária.
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