|
Área: Praça dos Trabalhadores
Equipe vencedora
Alexandre Brasil
André Luiz Oliveira
Carlos Alberto Maciel
Danilo Matoso Macedo
Praça dos Trabalhadores
Memorial descritivo
 |
|
Vista
geral da proposta de revitalização da Praça dos Trabalhadores. "[o]
essencial na arquitetura não é o grafismo que marca, mas a ambiência
que anima o espaço, que lhe dá alma (...)" Edgar Albuquerque Graeff |
| |
|
|
"[o] essencial na arquitetura não
é o grafismo que marca, mas a ambiência que anima o espaço,
que lhe dá alma (...)"
Edgar Albuquerque Graeff
Nosso projeto para a praça
dos Trabalhadores toma como princípios básicos os seguintes
aspectos:
1. A valorização do vazio,
a partir do entendimento da vocação da área como
um grande parque urbano, que incorpore usos diversificados, potencializando
sua apropriação pelos diversos agentes que compõem
a cidade;
2. A reproposição das possibilidades
de ocupação e uso do solo, de modo a viabilizar a estratégia
denominada Operação Urbana, já prevista na legislação
de Uso do Solo do Município. Através desse instrumento,
propomos a permuta da área anexa à praça que é
uma propriedade privada em troca da construção e exploração
de um complexo de torres para escritórios e/ou hotéis e
conjunto comercial ao nível térreo. Esse conjunto verticalizado
permitiria um maior aproveitamento do solo, criando um foco de movimento
que contribui para a vitalidade do espaço urbano, alimentando o
lugar com usos e acontecimentos diversos. Ainda evita, com a sua localização
deslocada do eixo da perspectiva da Avenida Goiás, a competição
com a verticalidade da torre do edifício da Estação,
preservando sua escala e monumentalidade como elemento final da perspectiva
da Avenida;
3. A integração das três
áreas físicas diferenciadas em um grande parque, desviando
a conexão entre os dois trechos da Avenida Goiás, que atualmente
corta a área ao meio, para a margem oeste do terreno;
4. A integração de sistemas
diversificados de transporte coletivo – o metrô subterrâneo
norte-sul, o metrô aéreo leste oeste sobre o leito desativado
da linha férrea, o sistema de ônibus urbanos e o transporte
rodoviário – em seus respectivos equipamentos que se interrelacionam
através de um grande espaço comercial, a Incubadora de Comércios
e Serviços, a tirar proveito do grande fluxo de pedestres gerado
pelos equipamentos de transporte coletivo para localizar o comércio
ambulante;
5. A requalificação do edifício
da antiga Estação Ferroviária, conferindo-lhe um
uso cultural e associando-lhe um complexo de cinemas e alimentação
que cria um foco de interesse para quem circula pela Goiás, e que
se estende transversalmente em direção ao complexo de torres
e lojas a leste;
6. A definição, através
do paisagismo, de espaços adequados para a feira, com arborização
generosa que contribua para ambientar o comércio informal que ali
se desenvolve tradicionalmente, e a previsão de equipamentos de
apoio – lanchonetes, sanitários, posto médico – que atendem
cotidianamente também aos ambulantes da Incubadora.
Sobre o redesenho do trecho em questão:
o parque
A proposta de redesenho busca visualizar
e potencializar características existentes no conjunto, enfatizando
a presença do edifício da Estação como um
dos pólos de atração de público. Associados
a ele, foram propostos alguns edifícios complementares de uso público
relacionados ao transporte coletivo – estações de metrô,
estação de transbordo de ônibus urbano, Incubadora/elemento
intermodal – e outros com destinação ao comércio
e serviços, a serem empreendidos e explorados pela iniciativa privada.
Entre os elementos construídos, grandes áreas verdes garantem
a necessária permeabilidade do solo, e configuram de modo efetivo
o parque, cuja arborização de médio porte qualifica
o espaço para a feira. Uma ciclovia permite a circulação
livre de ciclistas, e se integra à avenida Goiás, configurando
um grande percurso na cidade, com possibilidade de ligação
até o Bosque dos Buritis, passando pela Praça Cívica.
Interligando a estação e a
parte leste do terreno, ocupada pelas edificações destinadas
à iniciativa privada, um grande boulevard transversal à
Avenida Goiás continua o percurso itinerante de lazer que a avenida
Goiás pode configurar. Ao longo desse boulevard se localizam
diversos equipamentos de descanso, lazer, ginástica e recreação
infantil, a ocupar áreas sombreadas por árvores de grande
porte, definindo microclimas, bastante adequados ao clima quente da cidade,
que potencializam a sociabilização e o uso do espaço
urbano. Ao final de sua perspectiva, prevê-se a relocação
do Monumento às Três Raças, atualmente implantado
no centro da praça Cívica. Sua transferência para
a praça dos Trabalhadores se justifica por duas razões:
a primeira, por obstruir a visada principal que o eixo da Goiás
proporciona do Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica;
a segunda, por considerarmos que o valor simbólico do monumento,
que representa a união das três raças em um objetivo
comum de construção, se relaciona mais fortemente com a
importância dos trabalhadores para a construção da
cidade.
A estratégia geral de redesenho da
área da Praça dos Trabalhadores se fundamenta na busca da
integração dos seus diversos fragmentos em um grande parque,
diferenciando os diversos territórios através da implantação
desses dois grandes percursos que estruturam o todo: o boulevard
Leste-Oeste, de lazer, comércio e entretenimento, e o percurso
intermodal da Incubadora, Norte-Sul, de articulação entre
os diversos meios de transporte. Essa demarcação em cruz
para a organização do espaço do parque remete à
organização das cidades romanas, cujos eixos urbanos Cardo
(Norte-Sul) e Decumanus (Leste-Oeste) conferem legibilidade ao
traçado geral da cidade, e aceitam as diversas variações
locais que se sobrepõem ao seu princípio ordenador geral.
Essa sobreposição de princípios de organização
nos permite diferenciar os diversos territórios a fim de qualificá-los
para os usos mais comuns, e ao mesmo tempo garantem uma certa abertura
a abrigar usos diversos que confiram ao conjunto maior vitalidade e multiplicidade
de usos e usuários.
Sobre os equipamentos urbanos propostos
 |
|
Complexo
de lazer, abrigando seis salas de cinema e uma praça de alimentação
com cafés e restaurantes, articulados com o edifício existente da
antiga Estação Ferroviária |
| |
|
|
Diversos equipamentos urbanos complementam
o parque, definindo focos de movimento de pedestres que asseguram a vitalidade
do espaço urbano. Com esse objetivo, foram criados os seguintes
espaços públicos:
1. Complexo de lazer, abrigando seis salas
de cinema e uma praça de alimentação com cafés
e restaurantes, articulados com o edifício existente da antiga
Estação Ferroviária, a ser convertido em um espaço
para atividades culturais – exposições, pequenos eventos
e apresentações, seminários e cursos. Esse anexo,
semi-enterrado, evita a competição com o volume predominante
do edifício da Estação e sua torre, que marca a verticalidade
do conjunto. Sua cobertura configura uma extensão aberta das áreas
de exposição do Centro Cultural, e é gramada para
se integrar visualmente ao conjunto do parque.
2. Complexo de comércio e serviços,
a ser construído e explorado pela iniciativa privada, que associa
um centro de comércio aberto ao nível térreo e mezanino
– open mall – a quatro torres de 30 pavimentos de escritórios
que desenham o skyline de Goiânia, marcando a paisagem urbana
na medida em que se contrapõem à horizontalidade dominante
do parque e dos demais elementos construídos, existentes e propostos.
Esse conjunto define um centro ativo da vida econômica da cidade,
caracterizando como uma Rua 24 Horas o grande boulevard para pedestres
e ciclistas que percorre frontalmente todo o parque, conectando o conjunto
com a antiga Estação e o complexo de lazer acima citado.
Contribuindo para a caracterização desse espaço de
funcionamento 24 horas, propõe-se o incentivo à reciclagem
de usos dos imóveis situados na quadra adjacente, que delimita
lateralmente parte do boulevard.
3. Estação de transbordo para
o sistema de ônibus urbano, entre a rodoviária e o complexo
das torres, permite a interrelação de até 70 diferentes
linhas de ônibus, articulando o sistema tronco-alimentador de modo
a minimizar o impacto do transporte coletivo sobre o setor central como
um todo. Sua localização neste complexo é privilegiada,
primeiramente, pelo seu fácil acesso proporcionado pela avenida
independência; em segundo lugar, pela possibilidade de integração
dos diversos sistemas de transporte – metrô norte-sul, e metrô
leste-oeste, além do Terminal Rodoviário.
4. Estações de metrô,
para as linhas norte-sul, proposta pelo Governo Estadual, e leste-oeste,
a ser implantada no leito remanescente da linha de trem. Para esta última,
propõe-se a utilização de sistema aéreo que
no trecho do parque mergulha para o subsolo e define a estação
final subterrânea.
Sobre o mecanismo de operação
urbana: torres e centro comercial e de lazer para exploração
privada
 |
|
Torres
e Centro Comercial e de Lazer para exploração privada |
| |
|
|
A fim de promover a transformação
da propriedade privada localizada atrás da estação
ferroviária em espaço público, evitando com isso
a sua ocupação com qualquer tipo de edificação
que se constitua em fundo para a figura da estação, comprometendo
seu caráter de monumento, como aconteceu com o Palácio das
Esmeraldas, tratamos este espaço como um parque arborizado que
abrigará a grande feira. Como os mecanismos de desapropriação
são extremamente onerosos para o poder público, propomos
a utilização do mecanismo denominado Operação
Urbana, que, em comum acordo com os proprietários do terreno, transfere
todo o seu potencial construtivo para outro trecho da área, que
será regido por diretrizes especiais, permitindo um maior aproveitamento
do solo pela verticalização das torres, ao mesmo tempo em
que preserva o nível do térreo para o uso público.
É importante ressaltar a importância
desse mecanismo: por um lado, permite a realização de uma
iniciativa urbana de porte sem onerar o poder público; por outro
lado, por promover legislações especiais de uso e ocupação
do solo para o trecho específico a ser concedido à exploração
da iniciativa privada, permite uma maior exploração do terreno,
com possibilidade de verticalização única na cidade,
que a um só tempo torna o empreendimento atrativo para a iniciativa
privada, como cria um marco referencial para esse espaço urbano
devido à singularidade da intervenção.
Sobre as modificações na
estrutura viária e os estacionamentos
A estrutura viária, além de
permitir o movimento das pessoas no tecido urbano, pode reforçar
ou minimizar as características do traçado da cidade, enfatizando
eixos, perspectivas e demarcando lugares. Buscando repropor a estrutura
viária incluindo essa considerações que vão
além da sua mera funcionalidade, o desenho de trânsito apresentado
busca recuperar a importância do nó que marca o encontro
da Goiás com Independência, enfatizando ainda a presença
do importante ponto focal que é a Estação. Para isso,
separamos o intenso trânsito de automóveis da Independência,
rebaixando-o em uma passagem de nível que configura também
um dos acessos ao estacionamento subterrâneo sob a praça
frontal à estação. Por sobre a passagem, uma grande
praça circular articula as conexões entre as avenidas, e
evita conflitos entre pedestres e o trânsito intenso da Independência.
A opção pelo grande anel de circulação recupera
na praça dos Trabalhadores a estratégia de organização
viária que caracteriza o traçado da cidade, que utiliza
o elemento radiocêntrico da praça como articulador dos diversos
fluxos viários provenientes de diversas direções.
Uma das principais influências que Attílio Corrêa Lima
absorve do urbanismo neoclássico é a organização
em asterisco, presente em Versailles, Karlsruhe e Washington. A recuperação
deste princípio, associando-o à proposição
moderna que busca a liberação do solo e sua destinação
ao uso público se complementa com a busca por uma independência
entre automóvel e pedestre, privilegiando o segundo e ampliando
as possibilidades de democratização do uso do espaço
urbano. Ainda outra premissa orientou o redesenho urbano da praça
dos Trabalhadores: a busca constante de uma multiplicidade e variedade
de usos, a assegurar a vitalidade que a ocupação permanente
e em horários alternados e diversos pode propiciar.
Outro aspecto relevante de modificação
do traçado viário é a conexão entre a Avenida
Goiás e sua continuação a norte. A opção
pela definição do traçado a oeste se deve a diversas
razões: primeiro, por permitir um uso mais integrado do parque,
evitando as rupturas e descontinuidades que o traçado atual provoca,
reintegrando a estação a todo o terreno; segundo, por possibilitar
a implantação do percurso intermodal que articula todos
os diferentes meios de transporte, apartado do trânsito pesado;
por último, por permitir um acesso contínuo de pedestres
e de ciclistas entre a avenida Goiás e o terreno, assegurando uma
continuidade de percurso até a rodoviária.
Para os acessos da Rodoviária, foram
preservados os fluxos existentes. Para a estação de transbordo
de ônibus urbano, propõe-se a utilização de
vias adjacentes de menor trânsito a fim de minimizar os conflitos
entre os acessos de ônibus e o forte trânsito da avenida Independência.
Sua implantação rebaixada no terreno permite a articulação
viária em dois níveis, diferenciando as áreas de
desembarque e embarque, novamente privilegiando os percursos de pedestres.
É importante ressaltar, contudo, que, devido ao intenso fluxo gerado,
a implantação de equipamento urbano desse porte necessariamente
exigirá estudo cuidadoso de impacto ambiental e urbano na circunvizinhança
imediata.
Para acesso aos equipamentos previstos para
a área – incubadora, áreas de carga e descarga, cinemas
e torres – foram previstas vias de trânsito local internas ao terreno
que articulam os diversos equipamentos, permitindo acessos mais imediatos,
e ainda demarcam o território da antiga estação,
reforçando sua centralidade com um anel circular que a contorna
e dá acesso ao complexo de lazer que o edifício configura.
Em relação aos estacionamentos,
diversas alternativas e modalidades de funcionamento foram propostas.
A primeira define um espaço subterrâneo sob o anexo da Estação,
atendendo de modo mais imediato aos usuários da feira, do cinema
e do Centro de Cultura. Outras duas alternativas de estacionamentos atendem
ao restante do complexo: o pátio existente do Terminal Rodoviário,
já arborizado, e outro grande estacionamento por sob as torres,
que atende a um só tempo aos usuários dos espaços
comerciais e de serviços propostos, e também às feiras
e outras atividades. Todos os espaços de estacionamento podem ter
sua exploração concedida à iniciativa privada. O
estacionamento por sob as torres deve ainda ter um número de vagas
destinada a seus usuários, e apresenta conexão direta com
o mall e com os edifícios de escritório.
Sobre a integração dos diversos
sistemas de transporte: a estação intermodal
 |
|
Estação
Intermodal - integração dos diversos sistemas de transporte |
| |
|
|
Um dos principais elementos estruturadores
do grande espaço que define a praça dos Trabalhadores, garantindo
a vitalidade e o movimento do espaço urbano, é o percurso
que a um só tempo abriga a Incubadora de Comércio e Serviços
e articula as trocas intermodais entre os diversos equipamentos e sistemas
de transporte que se encontram ali. Aproveitando a itinerância gerada
pelas baldeações entre os sistemas, uma grande cobertura
linear com infra-estrutura básica de apoio abriga o comércio
ambulante, associando espaços para cursos e formação,
que caracteriza a Incubadora de Comércios e Serviços. Podendo
ser coordenada pelo poder público municipal, e administrada por
associações privadas e não-governamentais, como a
Câmara de Dirigentes Lojistas e a Associação Centro
Vivo de Goiânia, a incubadora tem por objetivo a inserção
do ambulante no comércio formal, dando-lhe formação
e suporte necessários para seu estabelecimento definitivo em outro
local, e apoiando-o na transição entre a rua e a vida formal
nessa estrutura de permanência temporária para os ambulantes.
A implantação da incubadora
nesse local se justifica por duas razões: em primeiro lugar, a
solução cria uma continuidade desejada de pedestres entre
equipamentos públicos complementares e que devem ser necessariamente
interligados, apartada do tráfego pesado automotivo. Em segundo
lugar, o grande fluxo de pedestres garante o interesse de localização
dos ambulantes. Além disso, a Incubadora reforça a importância
da praça como lugar de comércio, e fornece apoio e infra-estrutura
à tradicional feira que ali se desenvolve nos fins de semana.
Sobre o paisagismo e a feira
O paisagismo proposto para a praça
dos Trabalhadores parte dos seguintes princípios:
1. O entendimento das características
climáticas da região, que exigem a configuração
de microclimas em áreas de sombra, a permitir o necessário
conforto que propicia a apropriação humana do espaço
urbano;
2. O plantio de árvores típicas
do cerrado brasileiro com florações em diversas épocas
do ano, a definir variações cromáticas permanentes
que garantem uma heterogeneidade e uma variação constantes,
enriquecendo a percepção do espaço urbano; outro
importante aspecto é a boa adaptabilidade ao clima da região,
e a possibilidade de recuperação da importância da
flora local, enfatizando a relevância de Goiás como celeiro
de espécies de vegetação que alimenta todo o território
nacional. Essa opção paisagística define ainda um
contraponto com o paisagismo original das principais vias do setor central;
Nesse sentido, selecionamos as seguintes espécies, que apresentam
florações complementares:
– Ipê Branco – Tabebuia roseo-alba
– Quaresmeira – Tibouchina sp
– Ipê do Cerrado – Caesalpinea peltophoroides
– Pata de Vaca – Bauhinia forficata
As palmeiras indicadas para a área
da Praça dos Trabalhadores são exemplares da seguinte espécie:
– Licuri ou Gerivá – Syagrus romanzoffiana
As mudas devem ter no mínimo 2,00
metros, plantadas com manilha para rebaixar influência de raíz,
e protetor metálico.
3. A utilização de pisos permeáveis
por sob o bosque arborizado, alternando saibro – tijolo moído -,
resíduo de pedra de Pirenópolis com assentamento em escama
e grama, a permitir a necessária drenagem e ao mesmo tempo contribuir
para a setorização dos espaços para a feira pelas
diferenças de cores dos diversos pisos;
4. A caracterização, através
da arborização, dos dois principais espaços de permanência
de público ao ar livre citados acima, e sua diferenciação
em relação às esplanadas gramadas que conferem maior
monumentalidade aos edifícios, especialmente à Estação
Ferroviária, e também às torres e complexo comercial;
5. A diferenciação de lugares
e percursos com paisagismo de porte arbustivo e forrações
coloridas, que recuperam ali a importância do paisagismo ornamental
de cores e desenhos variados, tradicionalmente implantado nas principais
praças da cidade.
Sobre a gestão e viabilidade das
propostas
Algumas estratégias de gestão
permitem a viabilização das propostas apresentadas nesse
projeto, a saber:
1. Para viabilizar algumas das intervenções
edificadas na paisagem urbana, como o estacionamento subterrâneo
em frente à Estação e a própria restauração
e construção do anexo ao edifício da Estação,
propõe-se a utilização do instrumento de concessão
do direito de uso do espaço público à iniciativa
privada, autorizando a construção do equipamento conforme
as normas e o projeto executivo aprovado pelo Poder Público. O
imóvel resultante do investimento será propriedade da Prefeitura,
que permite ao concessionário sua exploração por
um período a ser negociado conforme a relação custo
de implantação x retorno do investimento imobilizado. Após
o período de concessão, o direito de exploração
retorna à Prefeitura, que pode renegociar nova concessão.
2. Para as estações de transporte
– a de ônibus urbano e as de metrô - será necessário
buscar recursos de financiamento para infra-estrutura, sendo desejável
a parceria com o Governo Estadual, em virtude da possibilidade de integração
de ambas as iniciativas do Metrô: as linhas norte-sul e leste-oeste.
Uma outra estratégia para viabilização desses equipamentos
é a concessão de sua exploração à iniciativa
privada, ou ainda a concessão dos espaços publicitários
nesses equipamentos, que, devido ao alto fluxo de transeuntes, têm
grande potencial de exploração, o que pode ser revertido
em financiamento antecipado para sua construção pela iniciativa
privada.
3. Para a viabilização da área
de parque, com arborização para a feira, será necessário,
como já apresentado, utilizar o mecanismo "Operação
Urbana", incentivando a construção na área específica
definida pelo projeto das torres, permitindo maior potencial construtivo
do que o terreno a ser permutado.
Por último, a requalificação
urbana das calçadas, pavimentações, paisagismo e
equipamentos urbanos da praça e do parque proposto deve ser realizada
em parceria com grandes empresas goianas, que, firmando contrato de adoção
dos espaços públicos da cidade, promoverão a reforma
e a posterior manutenção dos trechos da avenida adotados,
garantindo sua limpeza e conservação. Em contrapartida,
as empresas terão espaços para divulgação
publicitária desse gesto de gentileza para a cidade e ainda poderão
fazer uso de Leis de Incentivo à Cultura em todos os âmbitos
- municipal, estadual e federal -, na medida em que estabeleçam
um projeto de implementação e gestão das feiras e
das atividades culturais que terão lugar nessas áreas.
Conclusão
O projeto para a Praça dos Trabalhadores
busca recuperar a importância do vazio urbano, repropondo sua destinação
e implementando usos diversificados e heterogêneos, a buscar sempre
a vitalidade deste amplo espaço urbano. Nesse sentido, a implementação
dos diversos equipamentos é fundamental para assegurar a multiplicidade
e a variedade de usos e acontecimentos que tornarão o espaço
urbano habitado, seguro e atrativo para o cidadão.
Embora o projeto busque uma unidade do espaço
urbano, as três diferentes áreas solicitadas no termo de
referência do concurso podem ser visualizadas: a primeira, dos equipamentos
de transporte diversos e sua interrelação em um espaço
intermodal, reforça a importância dos espaços abertos,
abriga o espaço para o comércio e a formação
de ambulantes, e assegura a necessária vertebração
dos espaços edificados, promovendo a itinerância ao longo
da praça; a segunda, das torres e "open mall", concentra as atividades
de comércio e lazer, associadas ao boulevard que promove a conexão
com a estação e abriga áreas de repouso, zonas verdes
e atividades de ócio ao ar livre; a terceira, da estação,
da sua praça gramada frontal e do parque arborizado que abriga
a feira, abriga equipamentos de lazer e cultura, marca o limite do centro
fundacional e reforça a polarização da avenida Goiás
com foco no edifício da antiga Estação Ferroviária.
Assim fizemos este trabalho, com o intuito
explícito de apresentar idéias provocativas para a cidade
que, além de propiciarem uma melhoria na qualidade de vida de seus
habitantes, faça com que cada cidadão reflita sobre a importância
do lugar público e o valor da cidade como o espaço onde
a vida acontece, espaço de lutas e conflitos, mas também
de respeito, trocas e encontros entre os diversos sistemas e grupos que
produzem, fruem e usufruem a nossa cidade.
|