| Trabalho
229 – Rio de Janeiro
Autores: Alberto Bloch, Mônica Rocio Neves, Laura Vescina
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Perspectiva
Pedestre |
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Memória
O bairro do
Barreto, Niterói, foi um dos principais pólos industriais do município
e abrigava várias fábricas de maior ou menor porte: têxteis, saponáceos,
fósforos, formicidas, ladrilhos e olarias, além de um expressivo
centro comercial. Nas décadas de 30 a 60, o bairro era ocupado
em sua maioria por residências de operários que serviam a estas
fábricas e também à indústria naval, então um dos pilares mais
importantes da economia brasileira, mas abrigava também residências
e serviços da classe média que giravam em torno desta economia.
Com a falência ou migração da maioria das indústrias, provocada
principalmente pela reformulação do perfil industrial brasileiro,
que inviabilizou as pequenas e médias empresas, o bairro foi esvaziado,
sofrendo um êxodo urbano e cultural, que acarretou uma forte degradação
de sua paisagem urbana.
Hoje, o bairro
do Barreto abriga novos estabelecimentos industriais, que lá se
instalaram nas últimas décadas (refrigerantes, transporte, alimentação),
mas a população ainda recorre ao comércio de outras áreas. Como
atração, o bairro apresenta a quadra da escola de samba Unidos
do Viradouro, freqüentada não só pelos habitantes de Niterói como
pelos de outros municípios.
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Considerações
urbanas:
1. Relações do terreno com a paisagem: Perspectivas
amplas para a Baia de Guanabara e a pedreira do Morro do
Holofote, alta luminosidade e insolação; topografia acentuada.
2. Terreno e zoneamento: Área de recuperação ambiental
a partir da cota +50,00 parcialmente ocupada por favela
(Área de Especial Interesse Socio-Ambiental)
3. Relações do terreno com sistema viário: Perímetro
de grandes vias e malha interna fragmentada. |
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Encontramos
no bairro diferentes formas de ocupação residencial e diversos
tipos e portes de comércio, serviços e atividades industriais,
decorrentes, em grande parte, de sua proximidade das margens da
Baía de Guanabara e do entroncamento rodoviário na saída da Ponte
Rio- Niterói. A presença de diferentes padrões de ocupação, formal
e informal na região, além de refletir os diferentes momentos
da economia do bairro, demarca a necessidade de um maior planejamento
habitacional e urbano. Planejamento este que valorize a localização
privilegiada do bairro e seja capaz de impulsionar o seu crescimento,
e também, de provocar uma melhoria da paisagem urbana, proporcionando
assim, uma melhor qualidade de vida para seus habitantes.
O terreno
proposto para o projeto, com frente para a Rua Benjamin Constant,
está situado em uma área com formas de ocupação residenciais bastante
diversas. No entorno imediato, encontramos, em um dos lados, um
condomínio residencial, e do outro, uma rua que dá acesso a uma
ocupação espontânea (favela) que se desenvolve por esta lateral
até o topo do Morro do Holofote. Além disto, a parte frontal da
área do terreno já é ocupada por serviço público, o INSS, e, posterior
a este edifício, há a presença de ruínas históricas de uma antiga
fazenda.
Para a implantação
do projeto habitacional, objeto dessa proposta, desmembramos o
terreno em três áreas, definidas a partir da identificação das
suas características físicas, da legislação e do contexto urbanístico.
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Esquemas
de Projeto |
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Esquemas
de Projeto |
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Área de
Uso Institucional
A área de
frente para a Rua Benjamin Constant onde está situado o prédio
hoje sub-utilizado pelo INSS, o qual poderá ser recuperado para
abrigar também outras funções públicas, como, por exemplo.
Posto de Saúde. Cursos profissionalizantes em parceria com escolas
técnicas ou com o SENAI. Espaço para exposições itinerantes e
permanente
(registro documental das ruínas da antiga fazenda que serão demolidas
e da história do próprio bairro)
Área Residencial
Nessa área
implantamos 137 unidades habitacionais, sendo 93 de dois quartos
e 44 de três quartos, com acesso e estacionamento para 84 automóveis
e um caminho alternativo de pedestres que atravessa o terreno
passando por pequenas praças e espaços de lazer ativo e passivo.
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Perspectiva
Pedestre |
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Área de
Recuperação Ambiental
Para a área
de terreno acima da cota 35 até a cota 50 projetamos terraços
que funcionarão como prevenção contra a erosão e serão utilizados
para agricultura urbana, dentro da proposta de implantação de
um curso profissionalizante de agricultura urbana e recuperação
paisagística que poderão ser instalados no prédio de uso público
(INSS). A área acima da cota 50 será destinada à recuperação ambiental
e paisagística devendo conter a expansão da favela já instalada.
A área ocupada pela favela deverá ser contemplada com projeto
específico de melhorias e inserção urbana. Sem pretender propor
uma solução fácil para a integração entre assentamentos de diferentes
níveis sociais, abrimos, através do projeto / escola de agricultura
urbana e de recuperação ambiental e paisagística, uma janela para
a utopia. A contenção da expansão da favela poderá ter como contrapartida
a utilização conjunta desses espaços produtivos, educacionais
e recreativos.
A implantação
da área residencial
A implantação
da área residencial objeto dessa proposta ocupa uma área de 14.000,00
m2, a ser desmembrada da área total, cujo acesso se dá através
da área de uso público.
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Perspectiva
Pedestre |
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O arruamento
projetado proporciona o acesso de veículos de serviço e dos moradores
e visitantes aos estacionamentos localizados de forma a atender
aos blocos de apartamentos.
Desenvolvemos
a circulação entre os diferentes blocos de forma a utilizar a
declividade do terreno para proporcionar um fácil acesso aos apartamentos,
ora pela rua, ora pelos caminhos de pedestres projetados. Ainda
visando melhorar a acessibilidade projetamos os blocos de dois
quartos com um apartamento no piso térreo e sobre ele dois apartamentos
tipo duplex, de forma que se possa chegar aos apartamentos subindo
apenas meio lance de escadas. Adotamos o mesmo conceito para os
blocos de apartamentos de três quartos, superpondo dois apartamentos
duplex, totalizando quatro pavimentos, cujo acesso se dá por apenas
dois lances de escadas desde o pavimento térreo e por passarelas
curtas que se abrem para a paisagem.
Considerando
a possibilidade de uma maior integração dos assentamentos vizinhos
projetamos o traçado das ruas de modo que possam vir a promover
a continuidade do sistema viário local, ou proporcionar essa integração
através da criação de amplas escadas de acordo com o perfil do
terreno.
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Corte
Esquemático |
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A orientação
da maioria das habitações privilegia a vista ampla da Baía de
Guanabara. Nessas fachadas projetamos esquadrias e balcões de
forma a reduzir a insolação nos ambientes internos. As plantas
dos apartamentos são auto explicativas, nelas procuramos dimensionar
os ambientes de estar proporcionais ao número de quartos das
habitações.
A escala dos
blocos de apartamentos projetados e as circulações independentes
conferem às unidades habitacionais projetadas uma tipologia entre
o apartamento e a casa individual.
As cozinhas
dos apartamentos permitem uma maior ou menor integração com a
sala de comer e estar, visando uma maior flexibilidade no atendimento
a forma de viver dos futuros moradores.
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Ubiquação
do terreno |
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Planta
Geral |
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Detalhe
planta sector |
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Plantas
Tipologia A: Simples 2q + Duplex 2q |
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Plantas
Tipologia B |
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Corte
Tipologia A |
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Fachadas
Tipologia A |
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Fachadas
Tipologia B |
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Ficha
Técnica
Localização
Rua Benjamim Constant, n.º 350 – Barreto, Niterói, RJ
Área terreno
36.357,00 m2 (a ser desmembrada)
Programa
adotado
PAR
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