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223 – Minas Gerais
Autores: Marcelo Palhares Santiago, Maria Eliza Baptista, Gabriel
Velloso da Rocha Pereira, Luiz Felipe de Farias, Matheus Marques
Ferreira de Melo.
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Vista aérea
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O Lugar
Palmas, capital
de Tocantins, localiza-se no centro do Estado, à margem direita
do Rio Tocantins, cercada pelas serras do Carmo e do Lajeado.
Totalmente planejada com desenho urbano moderno, a cidade apresenta
uma ocupação extremamente horizontal e pouco adensada.
O terreno
em questão, com área de 3384m², é bastante peculiar. Localizado
no miolo de um quarteirão, é contornado por lotes residenciais
uni-familiares, com ocupação praticamente definitiva, de padrão
médio e altimetria média de 2 pavimentos.
Devido ao
relevo bastante suave da cidade, as principais formas de transporte
em Palmas são motos e bicicletas, essa a mais viável, principalmente
para as comunidades mais pobres. A entrada do terreno é feita
por um lote perpendicular, que funciona como rua de acesso particular.
A região do terreno conta com toda infra-estrutura básica (água,
esgoto, energia, coleta de lixo, pavimentação) além de equipamentos
públicos e comerciais.
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Perspectivas |
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A Ocupação
O plano diretor
de Palmas encontra-se em fase de revisão com participação popular
e incentiva o adensamento maior nas áreas já parceladas, evitando
a ampliação da ocupação urbana do território e o surgimento de
periferias desorganizadas. Acompanhando essas diretrizes de ocupação,
surge a proposta de um edifício com perfil volumétrico de alturas
variáveis, equilíbrio entre a paisagem e a função social da terra,
com adensamento ao mesmo tempo alto e criterioso, permitindo a
liberação de áreas livres comunitárias no nível do solo e no topo
do prédio.
A variação
de volumes cria interseções e vazios, em pilotis, terraços, passarelas
e escadas abertas que, além da diminuição da massa do edifício,
privilegiam o espaço público, proporcionam visadas para a paisagem
e ampliam a circulação do ar e o controle da insolação.
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Vista
do patio central e pilotis |
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O Edifício
O edifício,
resolvido em 3 blocos (3 eixos), abriga 58 apartamentos, conectados
por 5 escadas e 6 passarelas, e conforma um amplo pátio central,
vazado no pilotis no eixo de acesso e aberto na extremidade para
a área arborizada existente. O pátio, protegido em seu uso pela
visibilidade garantida pelas janelas de todos os apartamentos
que ali se abrem, é também espaço de estacionamento arborizado.
O terraço
coletivo, acessado pelas escadas e passarelas dos diversos blocos,
suaviza a altura do edifício e se abre em direção à vista do rio.
As extremidades dos blocos são resolvidas em apartamentos duplex,
otimizando o aproveitamento das dimensões do terreno.
As Unidades
O programa
arquitetônico é o mesmo em todas as unidades: 2 quartos, banheiro,
sala, cozinha e área de serviço. As dimensões e o arranjo espacial,
no entanto, buscam atender modos de morar variados, permitindo
flexibilidade de uso e modificações futuras. No total são 4 tipos
de apartamento. Em todos, a cozinha é integrada à sala, ampliando
o espaço e economizando alvenaria, mas podendo ser fechada futuramente,
dependendo do desejo de cada morador. A área de serviço, normalmente
sub-valorizada em projetos habitacionais, funciona como extensão
da cozinha e também como varanda, podendo se articular à sala.
A possibilidade de ser usada como espaço para atividades de geração
de renda é, assim, ampliada.
Eliminaram-se
os corredores internos entre áreas íntimas e sociais, otimizando
a distribuição de espaço. A ventilação cruzada nos ambientes e
as janelas verticais auxiliam no controle da temperatura, normalmente
elevada na região. Os apartamentos térreos compensam sua menor
privacidade com o ganho dos quintais privativos ao longo das divisas,
que também contribuem para um melhor micro clima.
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Vista
da rua de acesso e pilotis |
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O Sistema
Construtivo
O sistema
construtivo adotado é a alvenaria estrutural, com vãos modulados
e paginados para o padrão de blocos de concreto da “família de
30” (14 x 29 cm e altura de 19 cm), tanto nas paredes externas
como nas internas, e lajes pré-moldadas, utilizando cintamento
em blocos canaleta tipo J.
A opção por
este sistema considera seu alto padrão tecnológico e uniformização,
fatores que facilitam a obra e diminuem os custos. A mão de obra
especializada necessária para este sistema é tratada como um fator
positivo: o conjunto poderá ser construído em regime de mutirão,
em equilíbrio entre os diversos tipos de trabalho - o trabalho
desenvolvido pelo mutirante, a frente de trabalho remunerada do
mutirão, o trabalho das empreiteiras e a contratação de serviços
de natureza diversa - criando possibilidades de capacitação profissional,
geração de renda e desenvolvimento da organização social.
Para viabilizar
este sistema, mesclando a participação da comunidade organizada
e de construtora, deve ser utilizado o sistema de financiamento
“Imóvel na Planta – Associativo – Recursos FGTS. O resultado do
projeto demonstra a associação entre o baixo orçamento disponível,
simplicidade construtiva e de materiais, soluções espaciais inovadoras
e qualidade arquitetônica.
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Vista
do terraço privativo e área de serviço |
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Vista
da caixa de escada e da área arborizada |
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Planta 1° pavimento |
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Ficha Técnica
Área do
terreno
3.384,00m²
Área construída
2.843,40m²
Área terraços
e pilotis
513,60m²
N° de
unidades
58
Área média
por unidade
49m²
Custo
estimado Total
R$ 1.476.550,00
Custo
estimado por unidade
R$ 25.458,00
Custo
por m²
R$ 439,00 (incluindo áreas comuns)
Autores
Gabriel
Velloso da Rocha Pereira
Luiz Felipe de Farias
Marcelo Palhares
Maria Eliza Baptista
Matheus Marques Ferreira de Melo
Colaboradores
Carlos
Gómez Sós
Rafaela Ferreira
Thiago Vieira
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