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235 – Rio de Janeiro
Autores: Karina de Macedo Soares Pires Condeixa, Graziela Vanzan,
Cristiane Aguiar, Paula Assumpção.
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Vista
da via pública para um dos acessos ao condomínio |
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O Lugar
O terreno
selecionado situa-se no Bairro de Campo Grande, zona oeste da
cidade do Rio de Janeiro. Apresenta as maiores temperaturas aferidas
na cidade e, por estar localizado num vale, possui baixa circulação
de ar e dificuldade de escoamento das águas pluviais.
O bairro é
de origem rural, entretanto a expansão da cidade nas últimas décadas
promoveu seu crescimento e resultou num lugar com estrutura urbana
essencialmente residencial. Como na maioria dos bairros residenciais
do subúrbio carioca, Campo Grande caracteriza-se pelo convívio
estreito entre moradores, que se apropriam da rua como o lugar
de encontro.
O terreno
localiza-se na Estrada Professor Daltro Santos, Lote 54; porém,
encontra-se parcialmente escondido atrás do Lote 53, impedindo
a visualização de toda sua extensão. O local não é cercado nem
possui pavimentação, e tem sido utilizado como via pública informal
por pedestres e veículos. Para garantir o acesso já existente,
optou-se por formalizar o uso público do terreno, considerando
o movimento espontâneo identificado. Este aspecto proporciona
uma maior interação entre o condomínio e seu entorno, diferenciando-se
dos projetos de condomínios atuais cuja interação com o ambiente
externo é a menor possível.
O Projeto
A implantação
resultou em uma via pública principal (rua externa), quatro ruas
com acessos independentes, e uma área de lazer que percorre toda
a extensão do terreno. Nas ruas internas distribuem-se vinte blocos
de três pavimentos, cada um com duas unidades residenciais.
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Implantação do projeto |
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O traçado
remete o transeunte à uma seqüência de vilas que garante ao condomínio
um ambiente propício ao convívio. Cada vila possui acesso independente
e as ruas têm seu ponto de fuga em praças - espaços comuns que
formam uma extensa área de lazer linear e conectam as vilas entre
si.
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Ponto de fuga – via interna |
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A proposta
para a implantação baseou-se principalmente nas características
climáticas do local, e, por conta disso, o percurso solar foi
imprescindível para determinar a forma e a funcionalidade do condomínio.
Desta maneira, os blocos cujas fachadas são dispostas em degrau,
promovem uma melhor ambientação das unidades por aproveitar a
insolação e ventilação local. A setorização dos ambientes também
foi definida com base no percurso solar, com as áreas de serviço
projetadas para o norte, recebendo maior incidência do sol e conseqüentemente
permitindo áreas sociais mais agradáveis.
O projeto
considerou dois aspectos em sua concepção: possibilitar a integração
entre as unidades com a proposta de áreas de serviço comuns; e
também atender a eventuais portadores de deficiência, otimizando
os espaços sem, no entanto, exceder a metragem definida pelo
programa.
Diretrizes
de Sustentabilidade
A grande maioria
das cidades se caracteriza por um quadro ambiental precário, no
qual o uso irresponsável dos recursos ambientais implica uma ameaça
gradativa à qualidade de vida tanto local quanto globalmente.
Apesar do
meio ambiente normalmente ser considerado na etapa do planejamento
urbano, de uma forma geral, o viés da sustentabilidade não é aplicado
nas propostas de edificação e infra-estrutura. Ou seja, o setor
da construção civil, além de ser extremamente poluente e intensivo
no consumo de recursos naturais, pouco tem se comprometido com
o uso de materiais de menor impacto ao meio ambiente ou o uso
racional de água e energia.
Entretanto,
algumas medidas simples poderiam ser adotadas para conciliar meio
ambiente, sustentabilidade e economia, os três
pilares que fundamentaram a elaboração e desenvolvimento do projeto
apresentado. De acordo com esta perspectiva, os seguintes aspectos
foram considerados: estudo solar do terreno; pavimentação semipermeável;
uso consciente da água (aproveitamento das águas pluviais e reciclagem
das águas cinzas); uso eficiente de energia (aquecedor solar e
iluminação natural); e uso de materiais de construção com baixo
impacto ambiental, como o tijolo de solo-cimento.
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Medidas de auto sustentabilidade e eficiência ambiental |
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Vale ressaltar
que as medidas de sustentabilidade adotadas visaram também às
reduções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas
ao projeto, o que se justifica pela relevância que este tema tem
assumido na agenda ambiental global, levando inclusive a criação
de um mercado mundial para comercialização de créditos de redução
de emissões: o mercado de carbono.
No cenário
atual de responsabilidade global para a redução de emissões de
GEE, o setor da construção civil pode contribuir com projetos
inovadores, como por exemplo, a implantação de soluções arquitetônicas
que privilegiem a eficiência energética e o uso de materiais menos
intensivos na emissão de carbono. Tais projetos, além de reduzirem
o impacto ambiental do setor, podem ser beneficiados pela comercialização
dos créditos de carbono.
Desta forma,
o proponente de um projeto como o que se apresenta pode se beneficiar
dos créditos de redução de emissão, tanto para a neutralização
das emissões associadas às suas atividades operacionais como para
a comercialização dos mesmos, atraindo recursos financeiros para
o projeto.
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Planta – térreo |
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Planta – 1º e 2º pavimentos |
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Corte AA |
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Fachada Sudeste – acesso às unidades |
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Ficha técnica
Autoras
do Projeto
Arq.
Cristiane Aguiar
Arq. Graziella Vanzan
Arq. Paula Assumpção
Arq. Karina Condeixa
Consultor
sobre Mercado de Carbono e Adaptação às Mudanças Climáticas
Marcelo
Aguiar
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