ENTRA NA LIVRARIA VITRUVIUS
     

 

 

Concurso de Arquitectura Centro Matucana - Museo de la Memoria
Santiago do Chile, 24 de agosto de 2007

1° Premio – Código 180
Autores: Carlos Dias, Lucas Fehr e Mario Figueroa
Equipo: Amanda Renz, Carlos Eduardo Garcia, Flávia Tenan, Josei Nagayassu, Juliana Baldocchi, Juliana Klein, Marcus Vinícius Damon e Marina Canhadas
Sao Paulo, Brasil

Vista externa geral do conjunto

 

Conceito

As memórias são figuras que vivem em um mundo inconcluso. São fragmentos de fatos que não se repetem que não poderão suceder duas vezes. Não entendemos a memória como um desejo juvenil de voltar atrás, de substituir o insubstituível, para nós a memória não é um arrependimento. É mirar o futuro, sabendo o passado.

Vista externa geral do conjunto

 

Um museu da Memória deveria ser pensado a partir do caráter não linear do tempo e de suas imagens. E também sobre como podemos armazenar e transmitir este conhecimento de maneira ampla e imparcial.

Um país singular, entre a cordilheira e o mar. Um museu que deseja ocupar esta franja, reverenciando através de uma mirada simbólica estes dois elementos determinantes da geografia chilena, marcados na alma do seu povo.

 

Vista externa geral do conjunto

     

A memória evidenciada, emergente, que flutua, suavemente elevada. Uma arca, onde se pode depositar todas as reminiscências da história chilena.

Projetada para criar lugares e marcos físicos ou mentais, onde se possa oferecer condições [entornos operativos] para que o conhecimento germine do interior de cada indivíduo. Somente aquilo que uma pessoa descobre por ela mesma pode acumular-se como memória ativa. Um espaço dedicado à memória pode não só transmitir informações, mas também provocar a reflexão sobre as recordações e os desejos.

Vista externa do conjunto

 

A ordem territorial do centro de Santiago, intimamente vinculado à cidade histórica, entende o espaço público como o não construído, configurado pela ocupação perimentral da manzana. Entendemos esta história e sua tradição, mas consideramos a possibilidade de avançar na construção de um novo território que tenha um claro comprometimento com a diversidade cidadã e os espaços democráticos.

O Centro Matucana será uma manzana aberta. Entende e se harmoniza com a cidade herdada, a incorpora e a transforma. O Museu da Memória não será um monumento isolado, solto e sem responsabilidade urbana [e humana]. Ao contrário, se constituirá em um elemento comprometido diretamente com a delimitação e caracterização deste novo espaço público da cidade de Santiago.

 

Vista externa do conjunto

     

Propõe-se um espaço generoso, amplo de possibilidades e percursos. Permite a transposição natural e cotidiana da quadra. Os elementos urbanos que compõem o Centro Matucana têm caráter cívico. A grande rampa do Museu, a Praça da Memória, o pátio jardim, constituem uma seqüência espacial que oferece uma hierarquia urbana necessária para um complexo metropolitano.

Vista externa

 

Os escritórios públicos e privados se organizam ao redor de um jardim, o “Pátio dos Desejos”. A massa construída recompõe a configuração urbana tradicional, mas permite, através de um térreo elevado, uma permeabilidade necessária e desejada. O ajuste dos gabaritos proposto na borda norte do projeto oferece, mais que uma transição entre os edifícios históricos e o Centro Matucana, a possibilidade de uma extensão aérea do pátio, através dos terraços-jardím.  

Vista externa noturna

 

A Técnica

A estrutura da barra é integra, una, e sem concessões evidencia a elevação da memória. Teremos uma materialidade etérea, qual pedra de Magritte. Assim, uma composição de treliças metálicas, um túnel, vence todo o vão, com a carga descarregando em quatro apoios nos limites. Nelas vinculadas, as caixas de exposição, translúcidas, que protegidas pelo afastamento das extremidades, garantem a controlada iluminação do Museu.

 

Vista externa

     

A materialidade também é conseguida com as lembranças da expressão matérica dos territórios que compõem o Chile. O piso da Barra é um mosaico das terras chilenas, coberto com vidro, memória dos lugares, nuances multicoloridas. Limalhas de cobre e ferro, sob ele, por efeitos magnéticos, marcam o percurso dos visitantes, guardando uma efêmera memória das vontades, do ir e vir, nas direções dos olhares. No revestimento externo, o cobre e o carvão marcam toda a história dos mineradores chilenos como uma das memórias da economia, do fazer e do viver. O Museu, essa pedra de cristal tem no carvão o carbono essencial no ser humano e na constituição da natureza. Simbolicamente, o carvão, é o registro daquilo que já foi. É a memória do que poderia ter sido.

 

Vista externa

     

A preocupação persiste com o nosso futuro, com a preservação e o ambiente. A energia do sol é captada na cobertura, por placas fotovoltaicas. A luz natural ilumina por várias situações e modos o interior do espaço, desenhando e vivendo novos lugares num trajeto de efeitos sempre tão inesperado. Os rasgos na cobertura da Barra a ilumina. O desenho do piso da praça leva-a ao interior da Base.

Vista externa

 

Os elementos da natureza num caleidoscópio de efeitos sobre o homem somam-se à sua memória qual manifestação da construção humana, delineiam o chão e memória da terra como manifestações da cultura e da apropriação do espaço que é a vida, absolutamente, incluída neste projeto.

 

Vista interna

     

O Programa

Um volume absorve os usos comerciais e de serviços; organizam-se em torno de um jardim franqueado à praça, que contém o comércio, bares e restaurantes, delícias da natureza humana à espera dos encontros, do acaso e dos sorrisos.

 

Corte perspectivado

     

O Museu se organiza em dois momentos conceituais: a Barra e a Base. Na primeira, elevada, a história, as exposições, as informações, o viver da memória aberta nas duas extremidades como quem deixa a vida passar. Na outra, a base, primeiro a mais profunda, mineira, a produção, os estudos, a invenção, os seminários, os conhecimentos da terra e do território e em outro momento o necessário apoio dos setores administrativos. A Barra como espaço museológico específico e os eventos na Base, área que complementa o programa usual de um Museu no subsolo que poderá funcionar com cinemas de arte e espaços para cursos sobre direitos humanos e a memória, sobre a cultura e o território chileno.

 

Vista interna

     

Corridas, nas duas laterais da barra, a circulação, sanitários, apoios, iluminados desde o céu. A luz desce zenitalmente, e penetra em toda a barra através dos vidros laterais que divisam a circulação e a fazem, também, luz. 

 

Vista interna

     

A manifestação, o florescimento deste conhecimento é objetivo contemporâneo de um museu. Ele surge através de raízes profundas e bem plantadas, em um subsolo [A base], onde o potencial, energético, produtivo, mineral, a solidez têm a oportunidade de se manifestar.

Vista interna

 

Em seu interior, as caixas de vidro, a transparência necessária, a vivacidade; a memória que vivida em fragmentos, mas que formam, em conjunto, o repertório de uma nação. A massa e o cristal.

 

Vista interna

     
 

Esquema fechamentos em perspectiva

     

Vista superior - implantação

 

Corte A-A

 

Corte B-B

 

Corte C-C

 

Elevação

 
 

Planta nível 0,00

     
 

Planta nível - 6,00

     
 

Planta nível - 12,00

     
 

Planta nível + 6,00

     
 

Planta nível + 9,00

     
 

Plantas museu

     

Ficha Técnica

Autores
Carlos Dias, Lucas Fehr e Mario Figueroa

Equipe
Amanda Renz, Carlos Eduardo Garcia, Flávia Tenan, Juliana Baldocchi, Juliana Klein, Marcus Vinícius Damon e Marina Canhadas

Vídeo
Josei Nagayassu

       
  ENTRA NA LIVRARIA VITRUVIUS  
  Data da notícia: 15/06/2007 – Fonte: Equipe premiada / Brasília DF