| 1º
Prêmio
Autores: Daniel Corsi, Dani Hirano, Reinaldo S. Nishimura
Colaboradores:
Liana Perez Oliveira, Laura Paes Barretto Pardo
São Paulo, Brasil
 |
Vista
aérea da Avenida T-1 |
| |
As instituições
das cidades podem engrandecer-se graças ao poder de seus espaços
arquitetônicos (Louis I. Kahn)
Uma oportunidade
de inventar um lugar, sem fronteiras ou limites definidos, aberto
ao homem comum e à sociedade como um todo, onde somente com a
presença destes tornar-se-á plena de sentido: uma instituição,
cívica em sua excelência.
É assim que,
diante desta, revela-se incontestável e essencial a criação de
um espaço democrático: uma nova praça pública e um expressivo
marco urbano.
Partido
Arquitetônico
O projeto
é implantado a partir de duas condições principais definidas pelo
edital: a necessidade de execução da Etapa 1 na porção norte do
terreno e a preservação do edifício existente no outro extremo
do lote. Aliado a isso, a carência de espaços públicos na malha
urbana local, o fato da quadra estar inserida em uma região predominantemente
residencial e o caráter simbólico e institucional do complexo,
levaram a uma implantação idealizada em dois blocos integrados
por uma praça de proporções monumentais, qualificando assim o
espaço público e o seu entorno, possibilitando também a criação
de um conjunto arquitetônico imponente e representativo, condizente
com as atividades e os valores nele exercidos.
 |
|
Implantação
do projeto |
| |
|
|
Praça
Ordenadora
de todo o complexo, e de fácil acesso, sua implantação se acomoda
da maneira mais adequada, tirando partido do desnível existente
para articular-se com o entorno e também comunicar todas as edificações
onde foram distribuídas as etapas do programa, conforme edital.
Criada em dois níveis, é na cota +791.50 que se estabelece o principal
acesso ao Complexo do TRT conectando também a Avenida T-1 à Rua
T-29. Nessa mesma cota se encontra o acesso principal ao edifício
da Etapa 1, que além deste, conta também com um acesso secundário
pela rua T-51. Já o segundo nível da praça, estabelecido na cota
+793.00 comunica a praça à Rua Orestes Ribeiro e também os acesso
aos edifícios da Etapa 2, 3 e 4.
 |
Vista
da praça que ordena o complexo |
| |
Etapas-Funções
No volume
correspondente à Etapa 1, o programa é distribuído de modo a facilitar
ao máximo o funcionamento do edifício de maior público externo
do complexo. No primeiro nível da edificação, situado no segundo
pavimento inferior, localizam-se usos de caráter mais público
como bancos e posto de INSS, além de todos os espaços de serviço,
comunicados diretamente à Rua t-51. No (primeiro pavimento inferior
ao térreo, encontramos um amplo espaço cultural em área de maior
circulação, onde existe o acesso publico ao plenário e a conexão
subterrânea com os edifícios das outras Etapas. No nível térreo,
acesso principal, e mezanino, estão usos de caráter mais aberto,
como as associações e atendimento ao cidadão. São nos cinco pavimentos
seguintes que se distribuem as 20 varas, sendo 4 por andar, agrupadas
duas a duas, tendo cada uma funcionamento autônomo. No terraço,
está localizado apoio aos juízes e áreas de cursos.
 |
|
Vista
lateral, e squina Avenidas T-51 x R. T-29 |
| |
|
|
A edificação
destinada à Etapa 2, localizada ao lado esquerdo da ampla praça
cívica, divide-se em dois blocos volumetricamente integrados ao
edifício existente. Acessados pelo nível superior da praça, o
bloco principal abriga em quatro pavimentos os 16 gabinetes de
desembargadores, e no último as presidências, providas de terraço.
No bloco adjacente estão todas as secretarias diretamente conectadas
através de passarelas com o bloco principal.
A Etapa 3,
definida por usos secundários localiza-se num meio-nível subsolo,
contando com ambientes como consultórios e secretaria de informática;
providas de iluminação e ventilação naturais, além de estar estrategicamente
implantada levando em consideração sua conexão com todos os edifícios
do complexo.
Por fim, a
Etapa 4 prevista no edifício existente, distribui-se de modo coerente,
aproveitando ao máximo as condições da construção existente.
 |
|
Vista
aérea, Rua Orestes Ribeiro com Rua T-29 |
| |
|
|
Etapas-Circulação
Já definido
pelo edital, as Etapas configuram-se como edifícios autônomos,
porém perfeitamente conectados e de fácil circulação entre si.
Além da existência da praça como espaço polarizador do complexo,
uma passagem no nível +788.70 conecta os dois blocos de maneira
direta e funcional, seja pelas circulações de juízes e servidores,
como de público e serviços. As circulações verticais e horizontais
de todos os edifícios também se fundamentam a partir da implantação,
seja através dos fluxos, ou mesmo das linhas desenhados no piso,
revelando os eixos de circulações que cruzam todos os edifícios,
intensificando a idéia de conjunto das várias Etapas do novo TRT.
As circulações
internas de cada etapa são também providas de diferentes graus
de privacidade, devidamente separadas em circulação exclusiva
de juízes, de servidores e de público externo. Cada um destes
também sempre providos de seus devidos banheiros.
Desse modo,
as Etapas 2,3 e 4, unem-se num único conjunto, compartilhando
dos mesmos níveis e acessos evidenciando a diferença de seu funcionamento
e significação com relação à Etapa 1.
 |
|
Diagramas |
| |
|
|
Etapas-Execução
O novo Complexo
Trabalhista do TRT 18ª Região divide sua execução em três fases
principais: a primeira, definida pela Etapa 1 do programa de necessidades,
implanta-se na porção do terreno hoje ocupada pelo edifício das
varas de trabalho de 07 a 13. A segunda, correspondente às Etapas
2 /3 divide-se em praça/plenário e em edifício localizado na porção
sul do terreno, sendo esta a maior das fases construtivas, podendo
ser dividida em sub-fases. A terceira e última fase destina-se
à adaptação do edifício existente às novas atividades destinadas.
Os estacionamentos
são divididos de maneira proporcional, já possuindo a Etapa-1
vagas suficientes para seu funcionamento adequado. Na execução
das demais etapas da arquitetura as vagas serão completadas, atingindo
o número de 500 vagas estabelecido no programa.
Estrutura
A estrutura
dos edifícios é definida por pilares, vigas e lajes de concreto
armado e concreto moldado “in loco”. Possível pelas dimensões
dos volumes e da distribuição dos núcleos de circulação vertical
e serviço, a quantidade de pilares é mínima, sendo necessários
quase somente os núcleos como elementos estruturais, representando
grande economia de recursos e também total flexibilidade funcional
nos pavimentos, conjuntamente com as lajes nervuradas protendidas.
 |
Vista
da Rua T-29 |
| |
Construção
/ Instalações
O processo
de construção de todo o complexo se define por tecnologias e materiais
de máxima industrialização, facilitando a execução e reduzindo
aspectos econômicos significativos frente à escala do projeto.
Além da estrutura principal em concreto, é utilizada nas coberturas
estrutura metálica mais leve e condizente com a função que se
destina. Os edifícios possuem o fechamento de caixilhos de alumínio
anodizado e vidros laminados além de superfícies metálicas perfuradas
nas fachadas que requerem maior proteção contra insolação. Todos
os materiais empregados visam um grau máximo de qualidade condizente
com o alto caráter do edifício, respeitando os limites orçamentários
que possam ser estabelecidos. O número de subsolos é bastante
reduzido devido à adequada implantação e ao aproveitamento do
desnível já existente, representando maior velocidade de execução.
Os edifícios
estão dimensionados para receber suas devidas instalações em forro,
piso e shafts verticais, já possuindo também salas técnicas em
todos pavimentos, não prejudicando de nenhum modo a boa qualidade
dos espaços.
As intervenções
no edifício existente a preservar são mínimas: adaptação de seu
interior, mudança de sua cor externa e o recobrimento de suas
fachadas voltadas às ruas por uma pele de chapas perfuradas em
módulos verticais, de maneira a integrar compositivamente com
os novos edifícios do complexo. A necessidade desta pele justifica-se
também pela insolação, além de também já estar prevista alguma
proteção no projeto executivo.
 |
Hall
da Etapa1 |
| |
Conforto
Ambiental / Sustentabilidade
A proposta
leva em consideração todos os aspectos referentes aos temas mencionados,
desde a acessibilidade universal de todo o complexo até a economia
de recursos.
O projeto
privilegia claramente a qualidade do estar dos espaços de trabalho,
solucionando de modo bastante único, comparado a outros projetos
de programa similar, problemas de iluminação e ventilação natural.
O pé-direito livre de 2.70m, somado com praticamente todas as
salas dispostas diretamente nas fachadas, acarreta numa redução
significativa da utilização de energia devido ao alto aproveitamento
da luz natural.
A versátil
utilização do recurso da pele de vidro faz com que o edifício
mantenha sua força e sobriedade formal, aparentemente igual em
todas as fachadas, porém internamente solucionado de modo distinto
em cada caso. Enquanto nas fachadas sul e nas voltadas ao pátio
interno, utiliza-se uma única pele; nas fachadas norte soma-se,
internamente, uma segunda pele criando uma eficiente proteção
contra radiação solar, além do uso de brises interiores de desenho
inovador, também colaborando para a eficiência energética e imagem
da arquitetura. As fachadas leste e oeste, de dimensões reduzidas
compõem-se das duas soluções. Sendo assim, minimiza-se de modo
significativo o uso do ar condicionado.
A reutilização
de águas servidas é feita através de espelhos d'água na cobertura
dos edifícios e áreas impermeabilizadas, sendo providas de tecnologia
de tratamento e reserva para sua devida reutilização.
O projeto
contempla ainda a possibilidade de gênese de recursos de energia
renovável, seja através da cobertura ou até mesmo das próprias
fachadas.
 |
|
Hall
da Etapa 2 |
| |
|
|
Significado
Diante do
nobre grau de representatividade da instituição, a arquitetura
serve-se de símbolos e significados para sua comunicação com o
usuário e a cidade. Sua volumetria coesa, comum ao entorno predominantemente
horizontal, adequa-se a este e ao mesmo tempo se impõe como um
novo marco urbano necessário no contexto da cidade de Goiânia.
Surge uma arquitetura de grande força expressiva, uma volumetria
simples e de fácil leitura, porém de materialidade digna, e de
uma trabalhada composição de volumes na implantação, que integra
o edifício existente à nova arquitetura. A escala da praça e dos
edifícios se intensifica mutuamente, revelando a respeitável função
ali abrigada. Uma arquitetura imponente, mas de sutil diálogo.
Dois volumes que se deparam, se refletem e interagem de diferentes
maneiras, inclusive formais. A verticalidade das linhas, a força
da geometria pura. E como simbolismo, as cores falam autonomamente.
A neutralidade do branco e do preto, que a justiça carrega, unidos
pelo vermelho, presente nos elementos de proteção solar das fachadas,
mas, sobretudo como referência à cor que representa a instituição
do Direito. Além disso, o plenário é implantado no coração da
praça pública, revelando sua importância frente ao cidadão. Em
sua cobertura pequenas aberturas iluminam de maneira poética seu
interior, como uma constelação, sendo dispostas precisamente como
os Estados na bandeira nacional.
Uma arquitetura
que se comunica com o homem, que a ele oferece ao menos um instante
de emoção, de pausa. À cidade, revela-se única no contexto local.
Um novo símbolo de nobre instituição que só a arquitetura poderia
criar.
 |
Corte
A |
| |
 |
Corte
B |
| |
 |
|
Plantas
gerais |
| |
|
|
 |
|
Plantas
Etapa 1 |
| |
|
|
 |
|
Plantas
Etapa 2 |
| |
|
|
 |
|
Plantas
edifício existente |
| |
|
|
Ficha Técnica
Autores
Daniel Corsi, Dani Hirano, Reinaldo S. Nishimura
Colaboradores
Liana Perez Oliveira, Laura Paes Barretto Pardo |