| Terceiro
prêmio
Tomás Rosa Castejón - TRC Arquitectos (Espanha + Brasil)
 |
Vista
do prédio pórtico de entrada |
| |
Memorial
1. Objeto
de Concurso
Mairena del
Aljarafe é uma pequena cidade que nasce como povoado da Capital
Andaluz Sevilla, sul da Espanha. Esta proximidade de 9 km de Sevilla estabelece
um importante intercâmbio para Mairena, que hoje se configura
como uma área sólida e bem estruturada de 40.000 habitantes, funcionando
como uma extensão da própria capital, e cada vez mais atraindo
moradores Sevillanos para seu território.
A Prefeitura
de Mairena del Aljarafe está comprometida com o desenvolvimento
sustentável, e portanto,no processo da Agenda 21 local desde
o ano 2001, que se assina a adesão a Carta de Aalborg, Cidades
Européias para a Sustentabilidade.
 |
|
Vista
do edifício
cultural e conexão com o parque |
| |
|
|
Neste momento
se pretende por em prática atuações prioritárias que poderiam
concretizar na revitalização do desenvolvimento com critérios
sustentáveis, uso eficiente dos recursos, a gestão dos resíduos,
a participação e responsabilidade da cidadania e a educação para
os problemas do meio-ambiente que enfrenta nosso planeta.
Na mesma linha
da Agenda 21, a cidade se compromete com o Programa de Sustentabilidade
Ambiental Urbana Ciudad 21, do Conselho de Meio Ambiente do Governo
da Andalucía. Este programa tem os seguinte indicadores ambientais:
- A gestão
sustentável dos resíduos urbanos
- O ciclo
da água
- Uso racional
e eficiente da energia
- Paisagem
Urbana
- Zonas Verdes
e espaços livres
- Flora e
fauna urbanas
- A qualidade
do ar
- Mobilidade
Urbana
- Educação
ambiental e participação cidadã
 |
|
Vista
do restaurante mirante |
| |
|
|
Na estrutura
de organização desta Prefeitura, a Agência Municipal de Meio Ambiente
e Energia é responsável para impulsionar o processo da Agenda
21 local e, dentro deste marco, de gestionar a criação, o desenvolvimento
e as atividades dos parques públicos da cidade.
Na atualidade,
Mairena del Aljarafe conta com diversos parque “de Bairro”,
de dimensões médias, com uma importante extensão de zonas verdes,
e um Parque Central Urbano de 20 Ha .
2. Parque
Central
Objetivando
todas estas questões pertinentes inseridas dentro da atualidade
mundial, o Parque deve portanto se delinear não como uma estrutura
isolada, mas sim como uma continuidade da cidade, fazendo com
que naturalmente ocorra uma integração desta paisagem e sua estrutura
atendendo a cidade e seus moradores. Assim o tema escolhido e
como uma homenagem ao Brasil : Belo-Horizonte.
 |
Vista
da pista elevada e continuidade do parque |
| |
Um espaço
urbano que responda a um amplo programa de necessidades, relacionadas
com a regeneração ambiental e de acordo com o compromisso adquirido
a carta de Aalbord. A idéia Central é dar a população do município
e aos visitantes, um espaço natural cujo uso lúdico compreenda
atividades culturais, desportivas, educativas, de relaxamento
e descanso de acordo com critérios concretos de sustentabilidade.
Inserido em
região central do município, o Parque pretende melhorar as conexões
entre os tecidos urbanos adjacentes e preexistentes. A proposta pretende
potencializar este espaço como uma nova e não excluente centralidade
urbana, estruturada por circulações principais, e fazer recuperação
do Rio Porzuna que cruza todo o parque. Por meio destas circulações
estabelecer a conexão entre edifícios singulares ao longo do espaço
criado e sua acessibilidade dentro do conceito de mobilidade sustentável
a diferentes zonas da cidade.
 |
|
Vista
da praça plataforma |
| |
|
|
Este projeto
deve ser capaz de aglutinar espaços diversos, onde a convivência
e integração de todos os setores populacionais seja uma realidade.
Contudo deve ser um lugar para experimentar a relação entre Urbanismo,
tecnologias e natureza.
Propomos um
espaço linear, um grande jardim totalmente permeável através dos
traçados da rede de circulações, que se adaptaram a topografia
natural do local, sem que as pendentes sejam empedimento para
seu uso pelos descapacitados. O objetivo geral de conseguir um
caráter urbano é enfatizado com os materiais usados, espécies
arbóreas plantadas e replantadas em alguns casos, e com a iluminação
do conjunto, e seus devidos equipamentos urbanos propostos.
 |
|
Vista
da praça plataforma sobre o rio e eixo longitudinal |
| |
|
|
A sustentabilidade
ambiental e de integração paisagística com o entorno, se consegue
seguindo recomendações específicas sobre paisagismo, com outras
premissas, como o uso da geometria como instrumento de paisagem,
adaptando-se ao mesmo tempo com diferentes aspectos lineares,
como a rede de circulação, e curvilíneos como espaços verdes e
estruturantes da margem do rio Porzuna. A estrutura funcional
é variada e flexível, convidando o cidadão a buscar seu lugar
de conforto, personalizado e próprio.
“...A
natureza é no fundo um símbolo de liberdade. As vezes inclusive
da origem e suporte a idéia de Liberdade. Ao fundamentar o projeto
na natureza, existe uma alta possibilidade de assegurar que caminho
se desenvolva no tempo...” Alvar Aalto.
 |
Vista
das pontes peatonais ao longo do projeto |
| |
3. Definição
Espacial
A definição
espacial do parque foi delineada a partir do que consideramos
o elemento principal de atuação: o Rio Porzuna.
Um elemento
que como base de projeto acaba por si só apresentando os indicadores
de desenvolvimento para o programa, estabelecendo a lógica do
desenho complementar do parque. Seguindo a linearidade do rio,
o Parque acompanha seu percurso, assim como a cidade. Uma rotatividade
e reaproveitamento de sua água, e o armazenamento da água pluvial
abastecem todas as necessidades programáticas. Propomos que uma
futura rua prevista no programa Urbanístico da cidade se eleve
sobre o parque e não o cruze, para que se faça sentido a continuidade
almejada para este espaço.
 |
|
Vista
interna do restaurante |
| |
|
|
A partir deste
princípio também nascem dois eixos perpendiculares estruturadores
de circulação, que conduzem o usuário para percorrer todo o território
do parque, amparado por circulações secundárias, espaços sombreados,
pequenas praças e atendendo um amplo programa desenvolvido concentrado
em sua estrutura.
Um eixo longitudinal
que margeia todo o Rio, aparece como elemento de contemplação
desta imagem, fazendo o papel ora de rua suspensa, ora de rua
que pousa sobre a superfície, se adaptando as curvas topográficas
do terreno. Na margem esquerda do Rio, um bosque mais denso dialoga
e contrasta com a solidez do eixo oposto.
Propomos como
base para toda a área um parcelamento vegetal do solo em faixas
distintas, orientadas a partir dos eixos principais e secundários,
que nascem a partir de indicadores de fluxo mais amplos relacionados
a cidade. Assim também delimitam caminhos e atividades para os
usuários, que em meio à diversidade vegetal implantada, encontram
a simetria fluida e organizadora dos eixos de circulação principais,
onde todo o programa está inserido e conectado à paisagem, facilitando
a acessibilidade do público.
 |
|
Vista
interna do edifício cultural: exposições |
| |
|
|
4. Programa
O programa
que desenvolvemos para o parque além do previsto na ata do concurso,
busca qualificá-lo como um grande espaço somatório para
as atividades de Mairena, que funcione como elemento diferencial
da cidade .
Ciclovia
Contornando
e marcando o conjunto delineamos uma ciclovia que age como primeiro
elemento esportivo, de lazer e de contemplação do complexo. Seu
trajeto propõe acessos alternativos adentrando o território do
parque, oferecendo todo seu espaço para ser explorado e contando
com áreas expecíficas destinadas a estes usuários, que também
podem utilizar dos eixos principais do projeto para cruzar o parque ou
chegar as distintas atividades distribuídas.
 |
Foto
aérea - implantação |
| |
Estacionamento
Estes
estão localizados em área onde o traçado viário oferece maior
acessibilidade, e estrategicamente amarrados ao eixo transversal
que cruza o parque e leva até o rio. Sua área também a identifica
como elemento do parque por sua continuidade paisagística.
Praças
escalonadas
Se adaptando
a topografia ao longo do eixo transversal, praças de convívio
oferecem distintos pontos de observação do parque, criando um
movimento contínuo neste escalonamento que oferece sombra e prepara
o usuário para a chegada ao rio.
Praça
Central
Uma
grande praça suspensa sobre o Rio, surge amarrada ao eixo longitudinal
e fucionando também como “praça ponte”. Forte espaço
de convívio e encontro do parque, a praça oferece por estar em
ponto alto da paisagem uma interessante panorâmica orientada pelo
Rio, aleatóriamente sombreada por árvores que parecem brotar do
Rio e furar a praça para servir e somar a este espaço.
 |
|
O
parque e a cidade |
| |
|
|
Pista
de Caminhada e Área esportiva
A pista
de caminhada aparece permeando a diversidade verde do parque,
oferecendo um ar de qualidade para esta atividade dentro da cidade.
Uma área com equipamentos infantis e uma para idosos também completam
as atividades de esportes e lazer. Compondo a outra extremidade,
uma grande área esportiva com quadras e pista de Skate .
Está área
está agrupada nesta extremidade próxima à brisa de um grande lago,
onde também ocorrem atividades aquáticas, como o remo, aproveitando
esta água presente e atraente a todos, principalmente no verão,
em que nesta região a temperatura é uma das mais altas da europa.
 |
|
Esquema:
pilares estruturadores
1. O Rio
2. Eixos ordenadores e de conexão
3. Permeabilidade: redes de conexões
4. Estrutura verde |
| |
|
|
5. Arquitetura
de conexão
Edifício
pórtico
Uma
forma de singularizar os diversos acessos ao recinto do parque
é com a conformação de edifícios que passam a assumir a característica
de edifício pórtico de entrada. O uso deste “módulo porta”
é de informação e de sugestão para entrada ao interior do complexo,
devido ao seus ângulos que realizam esta identificação e convite.
Restaurante
Mirante
A própria
topografia já delineava o partido para o projeto do restaurante.
No ponto mais alto do terreno, o restaurante serve a cidade e
enquadra a paisagem de todo o parque: o mirante. Com linhas neutras,
bem definidas e simplicidade de materiais, surge como plataforma
entre a cidade e o parque, resolvendo a partir de sua plataforma
o desnível existente entre a rua e o parque.
 |
|
Implantação |
| |
|
|
Edifício
Cultural
O Edifício
cultural completa a diversidade do parque central, com seu programa
variado e conector. Ele fica localizado junto à um grande lago,
onde a água se renova e abastece o conjunto. Um edifício que esconde
um pouco seu interior, de maneira a pousar com respeito e integração
ao verde circundante. No nível da rua, uma grande praça para exposições
leva à distintos volumes leves de vidro, onde se encontram usos
admnisitrativos e de gestão do parque Ao mesmo tempo, estes volumes
organizam o espaço e direcionam quem por ali passa a diferentes
vistas e orientações de fluxo pelo trajeto ao parque.
Em seu nível
inferior, o percurso passa por uma área expositiva interna que
conduz ao foyer e auditório. Localizado no nível do lago, sugerindo
transparências e reflexos, que mesmo dentro deste espaço, a natureza,
objeto principal do projeto, aparece marcante e presente.
 |
Corte
transversal |
| |
Ficha técnica
TRC Arquitectos
Associados (Espanha)
Arq
.Tomaz Rosa Castejón e Arq. Javier González Jiménez
Projeto
e apresentação
Lucas
Almeida Padovani (Brasil) – Puccamp / Universidad d´ Sevilla
Consultoria
Agência
do Meio Ambiente – Junta da Andalucia
Data
Outubro 2007
Local
Mairena
del Aljarafe, Sevilla - Espanha
|