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Concurso Público de Arquitetura para a Sede do Sebrae em Brasília
Brasília, 15 de março de 2008

3° Lugar
Autor: Francisco Spadoni

Vista externa geral do conjunto

 

Memorial Descritivo

1. Diretrizes

A identidade do edifício institucional deve se dar pelo caráter da obra singular  ou por um conjunto edificado que reconstitua o lugar como uma referência para a cidade, sobretudo em Brasília,  em si uma instituição, pelo que representa como idéia e como cidade.

Assumimos como estratégia para a sede do Sebrae a adoção de um edifício principal como condensador da imagem institucional, cuja implantação favorecesse  sua visão perspectiva desde a rua, marca visível do urbanismo da cidade.  As determinantes:  legislação, topografia e programa definiram a solução em dois elementos construídos: um grande edifício horizontal, ocupando o limite total do lote com uma fachada plena para a via e um volume  frontal, sob uma lâmina d’água,  que recompõe a topografia no nível da rua e suporta visualmente o edifício. Uma praça rebaixada completa a geometria do conjunto. Os dois elementos edificados representam os programas de uso: Corpo Administrativo no grande edifício horizontal e Centro de Formação e complementos sob o volume  à frente.

Vista externa Setor de Embaixadas Sul

 

2. Descrição do Projeto

O projeto pode ser descrito a partir da intervenção topográfica. Explorando  o desnível entre as duas ruas e o gabarito máximo permitido a partir da soleira ( + 98.00 ), definimos um embasamento na cota mais baixa, 91,40, que permitiu solucionar o  edifício horizontal em quatro pavimentos. Sob o nível da rua, em dois pavimentos, locamos o Centro de Formação. O plano do embasamento, que chamamos de 2º subsolo, é o do uso coletivo. Nesse nível, uma praça verde alinhava as duas construções e transforma-se num espaço contemplativo protegido das ruas; para onde se abrem o Centro de Formação, Restaurantes, Café e a área sob pilotis do edifício Administrativo. O plano intermediário, na cota 99,00, estende a calçada com um espelho d`água sobre o bloco do Centro de Formação. Funcionalmente, os dois edifícios se articulam nos dois níveis abaixo, separados por uma rua de serviços interna, necessária para iluminação e ventilação dos andares.

Vista externa Via L-2 Sul

 

3. A interpretação do programa

Organizamos o programa em cinco grupos funcionais: o Corpo Administrativo, referente às Diretorias, Unidades e Apoios; os Serviços Gerais, onde incluímos os depósitos e manutenções; o Centro de Formação, ao qual agregamos o café e os restaurantes; os Compartimentos Técnicos; e o Estacionamento.  Cada um desses grupos foi tratado com autonomia dentro da organização espacial do conjunto, respeitando-se a interação necessária entre cada um deles.

Esses grupos funcionais foram distribuídos em três corpos construídos: um pavimento subterrâneo para o estacionamento e os Compartimentos Técnicos; um grande edifício horizontal, que  concentrou todo o programa administrativo e um embasamento frontal,  oculto para a rua, que concentrou as funções restantes em andares distintos: com o  Centro de Formação no nível da praça e os Serviços Gerais e os Restaurantes no andar superior.

 

Vista acesso principal

     

3.1 O edifício administrativo

O edifício que concentra as funções administrativas foi concebido a partir de um duplo alinhamento de colunas, com vão interno de 10 metros e balanços nas laterais,  que permite uma configuração  bastante  flexível para os arranjos espaciais. Pela sua grande extensão, 90 metros de desenvolvimento, definimos dois centros estruturais de circulação vertical e de serviços, secionando-o em três setores para  favorecer  a organização do programa e a redução das distancias percorridas. A largura de 18 metros  e a vidraça  contínua em toda a extensão nas duas faces induziu ao sistema de circulação central, reservando a todos os ambientes de trabalho a possibilidade de contato visual com o exterior. Ao mesmo tempo em que a planta dos pavimentos se propõe maleável na organização dos espaços,  a divisão em três setores facilita a distribuição específica de funções. A flexibilização dos espaços também realiza-se pela altura piso a piso de 3,80 metros, permitindo a adoção de piso elevado nos pavimentos e a otimização do sistema de condicionamento de ar e demais instalações sobre forro acústico.

 

Vista da rua interna

     

Funcionalmente o programa foi distribuído pelos quatro pavimentos de forma a manter a proximidade das  atividades afins. O 1º. Pavimento – superior -   concentra as atividades executivas: Diretorias e CDN, com as áreas destinadas às unidades distribuindo-se nos andares inferiores. O pavimento térreo, como chamamos o nível de acesso principal, recebe o grande saguão de entrada,  incrementado por parte da área excedente do programa. O último piso abaixo, recebe o acesso de autoridades e realiza todas as conexões com as áreas coletivas externas.

3.2 O edifício Centro de Formação

O edifício destinado ao Centro de Formação, por receber público itinerante, está locado na frente do conjunto, permitindo total independência da administração.  Além deste programa recebe ainda todas as funções complementares: Serviços Gerais, Restaurantes e Café. O Centro de Formação, localizado no embasamento ao nível da Praça,  é quem define a escala do edificio. Seu espaço é definido por duas galerias que dão acesso às atividades entre elas: Cursos, Auditório, Biblioteca. Uma bateria técnica e de apoio, junto ao alinhamento frontal,  completa o programa. No andar superior, abrindo-se num terraço para a praça, estão locados os Restaurantes e o Café, um dos espaços nodais do projeto pelo uso e pela localização articuladora dos dois edifícios.   Complementam o pavimento os serviços gerais da área administrativa e parte da área excedente solicitada pelo edital.  A estrutura da planta superior repete a do Centro de Formação abaixo, alinhando toda a bateria técnica e de circulação. Pela profundidade da planta, criamos duas aberturas zenitais para complemento do sistema de ventilação e iluminação lateral.

 

Implantação

     

3.3 O estacionamento e os compartimentos técnicos

O estacionamento e os compartimentos técnicos ocupam o subsolo real, que nomeamos de 3º. subsolo. É acessível por entrada única de veículos e internamente conecta-se ao edifício administrativo e ao centro de Formação. Propomos que esses acessos sejam controlados por sistema magnético. Reservamos o espaço para uma controladoria com dois funcionários, para responderem pela organização e emergências.  Sua implantação  acompanha  o alinhamento do bloco do Centro de Formação, liberando um recorte lateral para a implantação da praça sobre solo firme.

3.4 A área excedente

Um dos desafios do projeto foi a reserva de área  excedente ao programa solicitada pelo edital. Concretamente definimos dois vazios, se assim podemos chamá-los, um no edifício administrativo, incorporado e diluído ao saguão de  entrada e outro junto ao setor de serviços gerais no bloco anexo.  Caso este trabalho seja o escolhido, entendemos  que a existência desses espaços possa  sugerir uma adequação do lay-out,  quando da ocupação real.

Corte A-A

 

3.5 A praça e as áreas abertas

As áreas abertas estão pensadas para terem a mesma densidade das construções, ou seja, que se estabeleçam sem  resíduos e sejam potencialmente utilizadas em todas suas dimensões. Falamos de quatro elementos: a praça,  o elemento mais significativo como espaço de uso,  a rua interna, que viabiliza o partido como o pulmão dos andares inferiores dos edifícios, a área de veículos e carga ao fundo,  realizando  todo o acesso de serviço e o espelho d’ água, elemento estruturador do projeto, atua duplamente  como agente de inserção urbana, espécie de jardim aquático  que recua o edifício principal   ao modo  clássico e moderno ao mesmo tempo – duas heranças visíveis de Brasília – além de resolver o volume frontal  a partir de  um atenuante climático.

Corte B-B

 

A praça é geometricamente definida pelas construções e pelo arrimo frontal, o que lhe confere escala de acolhimento  e uma possível idéia de continuidade dos espaços internos.  Tivemos o cuidado de não locá-la sobre o subsolo para permitir o plantio de árvores de sombreamento, reforçando seu caráter de estar. 

4. Acessos e fluxos

Acessos
O acesso geral, automóveis e pedestres se dá em entrada única na via paralela a L2 Sul. O acesso pedestre ao Edifício Administrativo  e  ao Centro de Formação no Pavimento Térreo, acontece em entradas distintas sob a marquise, com o  Centro de Formação em primeiro plano.   O acesso de autoridades  está resolvido no plano do embasamento, na área sob pilotis do edifício administrativo.  O grande volume de acesso de pessoas do estacionamento no subsolo aos edifícios será pelo conjunto de elevadores e escadas, que propomos sejam controlados por sistema magnético.

Corte C-C

 

Fluxos
Os automóveis tem seu fluxo em via única lateral  ao conjunto, evitando conflitos com a circulação pedestre. Tudo se resolve na área ao fundo: acesso ao subsolo, carga e descarga e estacionamento suplementar, de apoio ao centro de Formação. Os fluxos pedestres acontecem nos eixos de conexão entre os edifícios e internamente a eles em distancias sempre  intermediadas por conjuntos de circulação vertical.

5. Conforto ambiental

As soluções de conforto ambiental realizam-se na própria concepção do conjunto e dizem respeito aos sistemas de ventilação natural, proteção de insolação, trocas térmicas pela estrutura  e controle climático com a evaporação.

Corte D-D

 

Ventilação natural
Para o controle natural de temperatura destacamos no edifício administrativo a solução de abertura dos caixilhos altos nas duas faces, que possibilita a circulação cruzada do ar em todos os pavimentos. Propomos um sistema automatizado de abertura de todos os caixilhos à noite, que possibilita através da ventilação a regulação da temperatura, auxiliando no próprio resfriamento das lajes que acumulam calor durante o dia. Nos ambientes internos ao bloco do Centro de Formação, haverá a possibilidade de  ventilação natural em todos ambientes; seja diretamente pela face ou através de fossos específicos.

 

Corte típico - edifício administrativo

     

Controle solar
O controle da insolação nas áreas expostas será feito por um sistema de quebra sóis , calculados segundo a necessidade da exposição. O envelopamento do edifício foi pensado a partir de duas superfícies; uma interna no alinhamento da estrutura , totalmente em vidro caixilhado com aberturas estratégicas para a ventilação cruzada, e outra,  externa, espécie de segunda pele descolada 1,20 metros do edifício , que tem a função de controlar a luminosidade e a incidência da luz solar, minimizando o contraste de temperatura interno/externo.  Essa segunda pele assume duas configurações distintas para cada face. Para a face via L2 Sul, de orientação noroeste, desenvolvemos uma grelha contínua em toda a superfície, de 20 X 20 cm com lâminas horizontais de 30 cm e verticais com 10 cm, conforme detalhe. Para a face do lago Paranoá,  de orientação sudeste,  utilizamos apenas as lâminas horizontais, em faixas,  conforme solicitação do gráfico de insolação. As faixas elevadas,  1,80 metros do piso,  liberam as visuais para a paisagem ao fundo.

 

Detalhe brises

     

Completa as medidas de conforto natural a implantação do espelho d’água frontal, favorecendo pela evaporação as condições climáticas no entorno imediato.

Eficiência energética
Medidas sustentáveis referem-se ao baixo consumo energético, vinculadas  ao controle de conforto ambiental.  Propomos para o projeto soluções sustentáveis de eficiência energética e controle de consumo:

  • Sistema de reuso de águas pluviais, para limpeza e irrigação, através da implantação de cisternas no subsolo junto ao reservatório inferior.
  • Racionalização dos sistemas de infra-estrutura predial, com caminhamentos de circuitos em poços de inspeção (shafts).
  • Possibilidade de utilização da grande área de cobertura para a implantação de sistema de painéis de células fotovoltaicas.para captação de energia solar.
  • Implantação de sistemas de automação para abertura de caixilhos,  uso racional do condicionamento de ar e dimerização da iluminação, em função da luminosidade externa.

Elevação via de acesso

 

6. Paisagismo

As áreas verdes são dominadas pela praça central e completadas pelos canteiros que contornam os estacionamentos abertos e pisos permeáveis.  Pensamos para a praça, como emblema de um edifício público, a implantação de um jardim  de plantas nativas, originárias do cerrado, recuperando um processo em curso em Brasília de reconstituição da rica  flora da região em suas vias e em edifícios públicos.  As espécies que propomos são de médio porte, aproveitando-nos do rebaixo  da praça, o que favorece que o corpo das copas pouco se  projete além do nível da rua, permitindo a constante visibilidade do edifício.  Algumas espécies que sugerimos para o plantio, entre aquelas que têm sido utilizadas em Brasília são:  Ipê amarelo; Pombeiro; Cagaita e Pequi.

Elevação Setor de Embaixadas Sul

 

7. Materiais construtivos e acabamentos

A estrutura portante será em concreto armado que ficará aparente em todas as superfícies visíveis: vigas de borda, painéis de fechamento e lajes.  O fechamento dos dois blocos construídos será em vidro laminado incolor, encaixilhado em perfis de alumínio anodizado na cor natural.  As fachadas principais do edifício horizontal receberam painéis de controle da luz solar em lâminas de alumínio, ou grelhas, emolduradas por barras  de concreto protendido pré-aderente.

Elevação Via L-2 Sul

 
 

Planta pavimento térreo

     
 

Planta primeiro pavimento

     
 

Planta primeiro subsolo

     
 

Planta segundo subsolo

     
 

Planta terceiro subsolo

     

Ficha Técnica

Projeto de Arquitetura

Autor
Arquiteto Francisco Spadoni

Co-autores
Arquiteto Lauresto Couto Esher
Arquiteto Tiago de Oliveira Andrade

Colaboradores
Arquiteta Mayra Simone dos Santos
Carolina Mina Fukumoto – estagiária
Fabiana Jaqueta Benine – estagiária
Sabrina Chibani - estagiária

Maquete Eletrônica

Arquiteto Ricardo Canton
Arquiteto Luciano Magno Novais

Maquete

FredCarol Maquetaria

Projetos Complementares

Estrutura
Paulo Roberto do Lago Helene

Instalações Prediais
MBM Engenharia

Ar Condicionado
Ricardo S. Dias Gibrail

       
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  Data da notícia: 08/04/2008 – Fonte: Equipe premiada / Brasília DF