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Lugar
Autor: Francisco Spadoni
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Vista
externa geral do conjunto |
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Memorial
Descritivo
1. Diretrizes
A identidade
do edifício institucional deve se dar pelo caráter da obra singular
ou por um conjunto edificado que reconstitua o lugar como uma
referência para a cidade, sobretudo em Brasília, em si uma instituição,
pelo que representa como idéia e como cidade.
Assumimos
como estratégia para a sede do Sebrae a adoção de um edifício
principal como condensador da imagem institucional, cuja implantação
favorecesse sua visão perspectiva desde a rua, marca visível
do urbanismo da cidade. As determinantes: legislação, topografia
e programa definiram a solução em dois elementos construídos:
um grande edifício horizontal, ocupando o limite total do lote
com uma fachada plena para a via e um volume frontal, sob uma
lâmina d’água, que recompõe a topografia no nível da rua e suporta
visualmente o edifício. Uma praça rebaixada completa a geometria
do conjunto. Os dois elementos edificados representam os programas
de uso: Corpo Administrativo no grande edifício horizontal e Centro
de Formação e complementos sob o volume à frente.
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Vista
externa Setor de Embaixadas Sul |
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2. Descrição
do Projeto
O projeto
pode ser descrito a partir da intervenção topográfica. Explorando
o desnível entre as duas ruas e o gabarito máximo permitido a
partir da soleira ( + 98.00 ), definimos um embasamento na cota
mais baixa, 91,40, que permitiu solucionar o edifício horizontal
em quatro pavimentos. Sob o nível da rua, em dois pavimentos,
locamos o Centro de Formação. O plano do embasamento, que chamamos
de 2º subsolo, é o do uso coletivo. Nesse nível, uma praça verde
alinhava as duas construções e transforma-se num espaço contemplativo
protegido das ruas; para onde se abrem o Centro de Formação, Restaurantes,
Café e a área sob pilotis do edifício Administrativo. O plano
intermediário, na cota 99,00, estende a calçada com um espelho
d`água sobre o bloco do Centro de Formação. Funcionalmente, os
dois edifícios se articulam nos dois níveis abaixo, separados
por uma rua de serviços interna, necessária para iluminação e
ventilação dos andares.
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Vista
externa Via L-2 Sul |
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3. A interpretação
do programa
Organizamos
o programa em cinco grupos funcionais: o Corpo Administrativo,
referente às Diretorias, Unidades e Apoios; os Serviços Gerais,
onde incluímos os depósitos e manutenções; o Centro de Formação,
ao qual agregamos o café e os restaurantes; os Compartimentos
Técnicos; e o Estacionamento. Cada um desses grupos foi
tratado com autonomia dentro da organização espacial do conjunto,
respeitando-se a interação necessária entre cada um deles.
Esses grupos
funcionais foram distribuídos em três corpos construídos: um pavimento
subterrâneo para o estacionamento e os Compartimentos Técnicos;
um grande edifício horizontal, que concentrou todo o programa
administrativo e um embasamento frontal, oculto para a rua, que
concentrou as funções restantes em andares distintos: com o Centro
de Formação no nível da praça e os Serviços Gerais e os Restaurantes
no andar superior.
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Vista
acesso principal |
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3.1 O edifício
administrativo
O edifício
que concentra as funções administrativas foi concebido a partir
de um duplo alinhamento de colunas, com vão interno de 10 metros
e balanços nas laterais, que permite uma configuração bastante
flexível para os arranjos espaciais. Pela sua grande extensão,
90 metros de desenvolvimento, definimos dois centros estruturais
de circulação vertical e de serviços, secionando-o em três setores
para favorecer a organização do programa e a redução das distancias
percorridas. A largura de 18 metros e a vidraça contínua em
toda a extensão nas duas faces induziu ao sistema de circulação
central, reservando a todos os ambientes de trabalho a possibilidade
de contato visual com o exterior. Ao mesmo tempo em que a planta
dos pavimentos se propõe maleável na organização dos espaços,
a divisão em três setores facilita a distribuição específica de
funções. A flexibilização dos espaços também realiza-se pela altura
piso a piso de 3,80 metros, permitindo a adoção de piso elevado nos pavimentos
e a otimização do sistema de condicionamento de ar e demais instalações
sobre forro acústico.
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Vista
da rua interna |
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Funcionalmente
o programa foi distribuído pelos quatro pavimentos de forma a
manter a proximidade das atividades afins. O 1º. Pavimento –
superior - concentra as atividades executivas: Diretorias e
CDN, com as áreas destinadas às unidades distribuindo-se nos andares
inferiores. O pavimento térreo, como chamamos o nível de acesso
principal, recebe o grande saguão de entrada, incrementado por
parte da área excedente do programa. O último piso abaixo, recebe
o acesso de autoridades e realiza todas as conexões com as áreas
coletivas externas.
3.2 O edifício
Centro de Formação
O edifício
destinado ao Centro de Formação, por receber público itinerante,
está locado na frente do conjunto, permitindo total independência
da administração. Além deste programa recebe ainda todas as funções
complementares: Serviços Gerais, Restaurantes e Café. O Centro
de Formação, localizado no embasamento ao nível da Praça, é quem
define a escala do edificio. Seu espaço é definido por duas galerias
que dão acesso às atividades entre elas: Cursos, Auditório, Biblioteca.
Uma bateria técnica e de apoio, junto ao alinhamento frontal,
completa o programa. No andar superior, abrindo-se num terraço
para a praça, estão locados os Restaurantes e o Café, um dos espaços
nodais do projeto pelo uso e pela localização articuladora dos
dois edifícios. Complementam o pavimento os serviços gerais
da área administrativa e parte da área excedente solicitada pelo
edital. A estrutura da planta superior repete a do Centro de
Formação abaixo, alinhando toda a bateria técnica e de circulação.
Pela profundidade da planta, criamos duas aberturas zenitais para
complemento do sistema de ventilação e iluminação lateral.
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Implantação |
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3.3 O estacionamento
e os compartimentos técnicos
O estacionamento
e os compartimentos técnicos ocupam o subsolo real, que nomeamos
de 3º. subsolo. É acessível por entrada única de veículos e internamente
conecta-se ao edifício administrativo e ao centro de Formação.
Propomos que esses acessos sejam controlados por sistema magnético.
Reservamos o espaço para uma controladoria com dois funcionários,
para responderem pela organização e emergências. Sua implantação
acompanha o alinhamento do bloco do Centro de Formação, liberando
um recorte lateral para a implantação da praça sobre solo firme.
3.4
A área excedente
Um dos desafios
do projeto foi a reserva de área excedente ao programa solicitada
pelo edital. Concretamente definimos dois vazios, se assim podemos
chamá-los, um no edifício administrativo, incorporado e diluído
ao saguão de entrada e outro junto ao setor de serviços gerais
no bloco anexo. Caso este trabalho seja o escolhido, entendemos
que a existência desses espaços possa sugerir uma adequação
do lay-out, quando da ocupação real.
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Corte
A-A |
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3.5 A praça
e as áreas abertas
As áreas abertas
estão pensadas para terem a mesma densidade das construções, ou
seja, que se estabeleçam sem resíduos e sejam potencialmente
utilizadas em todas suas dimensões. Falamos de quatro elementos:
a praça, o elemento mais significativo como espaço de uso, a
rua interna, que viabiliza o partido como o pulmão dos andares
inferiores dos edifícios, a área de veículos e carga ao fundo,
realizando todo o acesso de serviço e o espelho d’ água, elemento
estruturador do projeto, atua duplamente como agente de inserção
urbana, espécie de jardim aquático que recua o edifício principal
ao modo clássico e moderno ao mesmo tempo – duas heranças visíveis
de Brasília – além de resolver o volume frontal a partir de um
atenuante climático.
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Corte
B-B |
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A praça é
geometricamente definida pelas construções e pelo arrimo frontal,
o que lhe confere escala de acolhimento e uma possível idéia
de continuidade dos espaços internos. Tivemos o cuidado de não
locá-la sobre o subsolo para permitir o plantio de árvores de
sombreamento, reforçando seu caráter de estar.
4. Acessos
e fluxos
Acessos
O acesso geral, automóveis e pedestres se dá em entrada única
na via paralela a L2 Sul. O acesso pedestre ao Edifício Administrativo
e ao Centro de Formação no Pavimento Térreo, acontece em entradas
distintas sob a marquise, com o Centro de Formação em primeiro
plano. O acesso de autoridades está resolvido no plano do embasamento,
na área sob pilotis do edifício administrativo. O grande volume
de acesso de pessoas do estacionamento no subsolo aos edifícios
será pelo conjunto de elevadores e escadas, que propomos sejam
controlados por sistema magnético.
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Corte
C-C |
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Fluxos
Os automóveis tem seu fluxo em via única lateral ao conjunto,
evitando conflitos com a circulação pedestre. Tudo se resolve
na área ao fundo: acesso ao subsolo, carga e descarga e estacionamento
suplementar, de apoio ao centro de Formação. Os fluxos pedestres
acontecem nos eixos de conexão entre os edifícios e internamente
a eles em distancias sempre intermediadas por conjuntos de circulação
vertical.
5. Conforto
ambiental
As soluções
de conforto ambiental realizam-se na própria concepção do conjunto
e dizem respeito aos sistemas de ventilação natural, proteção
de insolação, trocas térmicas pela estrutura e controle climático
com a evaporação.
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Corte
D-D |
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Ventilação
natural
Para o controle natural de temperatura destacamos no edifício
administrativo a solução de abertura dos caixilhos altos nas duas
faces, que possibilita a circulação cruzada do ar em todos os
pavimentos. Propomos um sistema automatizado de abertura de todos
os caixilhos à noite, que possibilita através da ventilação a
regulação da temperatura, auxiliando no próprio resfriamento das
lajes que acumulam calor durante o dia. Nos ambientes internos
ao bloco do Centro de Formação, haverá a possibilidade de ventilação
natural em todos ambientes; seja diretamente pela face ou através
de fossos específicos.
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Corte
típico - edifício administrativo |
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Controle solar
O controle da insolação nas áreas expostas será feito por um sistema
de quebra sóis , calculados segundo a necessidade da exposição.
O envelopamento do edifício foi pensado a partir de duas superfícies;
uma interna no alinhamento da estrutura , totalmente em vidro
caixilhado com aberturas estratégicas para a ventilação cruzada,
e outra, externa, espécie de segunda pele descolada 1,20
metros do edifício , que tem a função de controlar a luminosidade
e a incidência da luz solar, minimizando o contraste de temperatura
interno/externo. Essa segunda pele assume duas configurações
distintas para cada face. Para a face via L2 Sul, de orientação
noroeste, desenvolvemos uma grelha contínua em toda a superfície,
de 20 X 20 cm com lâminas horizontais de 30 cm e verticais com
10 cm, conforme detalhe. Para a face do lago Paranoá, de orientação
sudeste, utilizamos apenas as lâminas horizontais, em faixas,
conforme solicitação do gráfico de insolação. As faixas elevadas,
1,80 metros do piso,
liberam as visuais para a paisagem ao fundo.
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Detalhe
brises |
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Completa as
medidas de conforto natural a implantação do espelho d’água frontal,
favorecendo pela evaporação as condições climáticas no entorno
imediato.
Eficiência
energética
Medidas sustentáveis referem-se ao baixo consumo energético, vinculadas
ao controle de conforto ambiental. Propomos para o projeto soluções
sustentáveis de eficiência energética e controle de consumo:
- Sistema
de reuso de águas pluviais, para limpeza e irrigação, através
da implantação de cisternas no subsolo junto ao reservatório
inferior.
- Racionalização
dos sistemas de infra-estrutura predial, com caminhamentos de
circuitos em poços de inspeção (shafts).
- Possibilidade
de utilização da grande área de cobertura para a implantação
de sistema de painéis de células fotovoltaicas.para captação
de energia solar.
- Implantação
de sistemas de automação para abertura de caixilhos, uso racional
do condicionamento de ar e dimerização da iluminação, em função
da luminosidade externa.
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Elevação
via de acesso |
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6. Paisagismo
As áreas verdes
são dominadas pela praça central e completadas pelos canteiros
que contornam os estacionamentos abertos e pisos permeáveis.
Pensamos para a praça, como emblema de um edifício público, a
implantação de um jardim de plantas nativas, originárias do cerrado,
recuperando um processo em curso em Brasília de reconstituição
da rica flora da região em suas vias e em edifícios públicos.
As espécies que propomos são de médio porte, aproveitando-nos
do rebaixo da praça, o que favorece que o corpo das copas pouco
se projete além do nível da rua, permitindo a constante visibilidade
do edifício. Algumas espécies que sugerimos para o plantio, entre
aquelas que têm sido utilizadas em Brasília são: Ipê amarelo;
Pombeiro; Cagaita e Pequi.
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Elevação
Setor de Embaixadas Sul |
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7. Materiais
construtivos e acabamentos
A estrutura
portante será em concreto armado que ficará aparente em todas
as superfícies visíveis: vigas de borda, painéis de fechamento
e lajes. O fechamento dos dois blocos construídos será em vidro
laminado incolor, encaixilhado em perfis de alumínio anodizado
na cor natural. As fachadas principais do edifício horizontal
receberam painéis de controle da luz solar em lâminas de alumínio,
ou grelhas, emolduradas por barras de concreto protendido pré-aderente.
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Elevação
Via L-2 Sul |
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Planta
pavimento térreo |
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Planta
primeiro pavimento |
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Planta
primeiro subsolo |
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Planta
segundo subsolo |
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Planta
terceiro subsolo |
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Ficha
Técnica
Projeto
de Arquitetura
Autor
Arquiteto Francisco Spadoni
Co-autores
Arquiteto Lauresto Couto Esher
Arquiteto Tiago de Oliveira Andrade
Colaboradores
Arquiteta Mayra Simone dos Santos
Carolina Mina Fukumoto – estagiária
Fabiana Jaqueta Benine – estagiária
Sabrina Chibani - estagiária
Maquete
Eletrônica
Arquiteto
Ricardo Canton
Arquiteto Luciano Magno Novais
Maquete
FredCarol
Maquetaria
Projetos
Complementares
Estrutura
Paulo Roberto do Lago Helene
Instalações
Prediais
MBM Engenharia
Ar Condicionado
Ricardo S. Dias Gibrail
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