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Concurso Público de Arquitetura para a Sede do Sebrae em Brasília
Brasília, 15 de março de 2008

2ª Menção Honrosa
Autor: Carlos Dias

Vista aérea do conjunto

 

Brasília colabora para a construção de nossa idéia que a caminho do próprio e do adequado, intenta nos aproximar do belo e do edificável.

Três paredes diversas, funcionam como um extenso e primeiro anteparo ao sol, e sobretudo, configuram nosso habitat. A nordeste, vidro leitoso exposto aos primeiros raios solares, uma luz desejada e diáfana; a noroeste, uma parede de peças pré fabricadas de concreto branco, bruto e fino, com bicheiras propositais, onde pontos de luz filtrados pontuam o interior e a sudoeste, um pau a pique contemporâneo que aproveita pelos seus vazios recortados, de forma agradável a deliciosa luz do poente. Na esquina desta parede com a parede noroeste, numa fresta, o edifício olhará o dia-a-dia.

Vista da fachada

 

O vazio, aberto ao céu, entre as paredes externas e as lajes do edifício, nossa câmara de descompressão, que contribui sustentabilidade do conjunto, amenizando as condições internas de conforto ambiental. Nos pavimentos superiores temos um circuito periférico de circulação que chega às escadas e elevadores e também às copas e sanitários. Circuito, aberto e ao vento, mas protegido da chuva, com acesso aos departamentos e ofícios. Através de controle de acesso magnético, a distribuir na recepção, cada visitante terá seu acesso condicionado a pontos determinados, num sistema integrado de segurança.

 

Vista interna do saguão principal

     

Edifício luzidio, de concreto branco, pronto para o alarido e o convívio das atividades humanas, flexível e com infra-estrutura contemporânea para o serviço e o bem-estar. Nas varandas, memorandos transformar-se-ão em romances. Por todo o edifício, obras de arte, para maravilhar quem ajuda a construir os sonhos de tantos e se encanta com isso. Esta instituição que é nacional saberá expor nos seus ambientes a diversidade da arte brasileira, do particular ao universal, do erudito ao popular, incorporada ou não aos materiais de revestimento do edifício.

 

Vista do pátio interno - espelho d'água

     

A luz diurna penetra suavemente no recinto, permeando as aberturas em volta do prédio, nos três lados que possuem as fachadas lineares. No lado sudeste, voltado para o lago, a laje e a circulação protegem o interior da radiação direta. À noite a luz inverte, transbordando dos rasgos e buracos. A luz artificial utilizar-se-á dos recursos mais contemporâneos para a maior eficiência energética, sem no entanto, prescindir da qualidade. Os equipamentos previstos, em LED de alta performance, permitirão gerar efeitos e controles que realçarão o espaço arquitetônico.

 

Implantação

     

Um espelho d'água resgata a fisionomia do campo úmido de cerrado com peixes e vegetação nativa e contribui para amenização do microclima. Sendo uma área de contribuição para a permeabilidade, extravasores conduzem o excesso de água da chuva a poços de contenção no subsolo para aproveitamento futuro e previsível. O abastecimento de água será pressurizado e as tubulações hidráulicas serão aparentes. Na garagem, os reservatórios de água, estações primárias de tratamento de esgoto e a cabine primária. O condicionamento de ar acontecerá exclusivamente nas áreas de trabalho e terá repuxos para resfriamento no espelho d’água. O conjunto edificado absorve os ventos predominantes de tal modo a conseguir, sempre que possível, um conforto ambiental com consumo reduzido de energia. Numa malha estrutural em xadrez, com 11,25m de lado, temos pilares e vigas protendidas de concreto. Por economia, adotamos o sistema construtivo de lajes nervuradas. A materialidade se define por similitude e contraste mas privilegiando as pedras e as madeiras brasileiras. Ao recuperar a identidade da paisagem, projetamos um campo rupestre com suas espécies autóctones na parte frontal e nas laterais do lote.

Corte perspectivado

 

O programa funcional organiza-se de modo a que no primeiro pavimento tenhamos as atividades de maior acessibilidade e apelo público, como o Auditório, o Salão Multiuso, a Biblioteca, os Restaurantes e Café, em pleno contato com áreas abertas, numa paisagem naturalmente recriada. No segundo pavimento as unidades da DAF e da PRESI e no terceiro pavimento a unidade da DITEC, Diretorias, Presidência e Conselho Deliberativo Nacional. Para permitir novos arranjos temos piso elevado na área de trabalho. A garagem, com 200 vagas: Diretoria e convidados no mezanino e demais funcionários e serviços no piso geral. 

Corte A-A

 

A Sede Nacional do Sebrae tem a sudeste, lajes sinuosas que nos remetem a um tempo em que o concreto descobria sua plasticidade, de onde se vislumbra, de forma franca, a paisagem. No embasamento geral, pedra basáltica ciclópica. A tensa proximidade, variável, entre os dois blocos, embasamento e edifício, é desenhada durante o dia pela sombra e à noite pela luz. Pequenos vãos valorizam e reforçam a relação espacial do usuário com o edifício e a cidade.

A grande porta de entrada, rasgo frontal que interrompe a extensa parede branca, de forma generosa oferecerá guarida aos sonhos de todas as pessoas, como coisa séria.

Lá dentro, olhares ocasionais namoram os de lá ou escapadelas para o Paranoá.

Corte B-B

 

Elevação Noroeste

 

Elevação Nordeste

 

Elevação Sudoeste

 

Elevação Sudeste

 
 

Planta pavimento térreo - nível 97,50

     
 

Planta primeiro pavimento - nível 100,65

     
 

Planta segundo pavimento - nível 103,80

     
 

Planta segundo subsolo - nível 90,80

     

Ficha Técnica

Arquiteto Responsável
Carlos Dias

Arquitetos Colaboradores
Eliane Sasazawa
Guilherme Ortenblad
Gustavo Capecchi
Luiz Del Guerra
Marcela Aleotti

Estagiários
Carlos Eduardo Garcia / Marcus Vinicius Damon

Consultor de Estrutura
Mauro Rodrigues Pinto

Consultor de Conforto Ambiental e Luminotécnica
Sofia Luri Kubo

       
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  Data da notícia: 08/04/2008 – Fonte: Equipe premiada / Brasília DF