Resultado do
Concurso do Teatro Laboratório de Artes Cênicas e Corporais da Unicamp
Campinas, 24 de maio de 2002
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| Perspectiva
Geral do Edifício |
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2º Prêmio
Projeto nº 49
Arquitetos Lilian de Almeida Dal Pian e Renato Dal Pian
Colaboradores: Pablo Chakur, Carlos Henrique Nagano
Consultor de estruturas: Engenheiro
Enio Canavello Barbosa
São Paulo – SP
Considerações
O edifício para
o Teatro Laboratório e os Departamentos de Artes Cênicas e Artes Corporais
da UNICAMP deve, no seu projeto, respeitar os requisitos do programa,
as necessidades específicas de suas atividades variadas e complementares,
assim como, os parâmetros legais de ocupação e construção estabelecidos.
Abrigando atividades
acadêmicas, artísticas e de pesquisa, é um edifício institucional e
público. Dentro de um campus universitário, também é urbano. Assim,
ao tempo que requer o resguardo e o acesso controlado de seus ambientes,
deve se abrir e se conectar fluidamente com os espaços da cidade.
Implantação
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| Implantação |
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A
extensão do programa e o limite imposto de dois pavimentos conduziram
a uma grande ocupação da área do lote.
O edifício, disposto
ao longo da Rua Bertrand Russel tem seu acesso principal junto à esquina
da Rua Carlos Gomes. Nivelado à mesma cota média do passeio, esse ingresso
permite a transposição direta e fluída entre os espaços externos e internos.
Ao fundo do lote,
dois ingressos conduzem aos estacionamentos e ao pátio de carga e descarga
do Teatro Laboratório. Acessos secundários são criados para que desses
estacionamentos se possa entrar às alas onde se dispõem os departamentos.
Procurando respeitar
a topografia do terreno, o edifício tem seu pavimento térreo disposto
em duas cotas de nível. Através de controlados cortes e aterros, sua
implantação proporciona um reduzido trabalho de terraplenagem.
Edifício
Propomos quatro
Grandes Caixas maciças, conectadas por um Corpo Longitudinal transparente
e permeável que conduz os fluxos, distribui as atividades, estabelece
a unidade do conjunto e define o alinhamento junto às ruas do acesso
principal.
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Perspectiva
aérea do edifício |
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As Grandes Caixas
abrigam o Teatro, as Salas e os Laboratórios que requerem grandes áreas
e alturas. O peso tectônico de seus volumes é contraposto pela transparência
do Corpo Longitudinal que, em dois pavimentos, comporta no térreo, o
espaço de convivência, os serviços, os sanitários e os vestiários dos
departamentos de Artes Cênicas e Artes Corporais, assim como, parte
dos Laboratórios do Teatro. No pavimento superior são distribuídas,
setorialmente, as demais Salas dos Departamentos e Laboratórios.
Toda circulação
e distribuição interna do complexo é acompanhada por iluminação zenital
que permite à luz conformar os espaços cheios, vazios e permeáveis do
edifício.
Modulação
Ordenado por rígida
malha modulada 1.20 x 1.20m, o edifício expressa uma técnica estrutural
que possibilita a otimização e a flexibilidade dos espaços. Os eixos
estruturais acompanham essa malha modular com espaçamentos de 7.20 x
8.40m. no Corpo Longitudinal e 10.80 x 10.80m/10.80 x 12.00m nas Salas
e Laboratórios contidos nas Grandes Caixas. O Teatro Laboratório tem
sua caixa estruturada em 21.60 x 38.40m.
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| Elevação
Rua Carlos Gomes |
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Espaço transformável
O Teatro Laboratório,
apresentado como um Grande Espaço Transformável, é o maior volume do
complexo. Sua caixa cênica, revestida extenamente em placas de aço
corten, se destaca como referência do conjunto.
Mantendo a modulação
primária de 1.20 x 1.20m, seus pisos e forros móveis possibilitam que
seu volume, ao variar em todas suas dimensões, ofereça diversas configurações
de platéia e cena. Uma parede divisória móvel junto à caixa cênica também
permite a redução ou mesmo a subdivisão da sala em duas outras autônomas.
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| Elevação
Rua Elis Regina |
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Portas localizadas
nas quatro faces perimetrais da sala propiciam que os acessos se alternem
em função das distribuições da platéia e cena.
lém do forro em
painéis móveis, as paredes compostas por painéis ajustáveis controlam
a absorção e a reverberação do som, oferecendo variações acústicas necessárias
à multiplicidade e flexibilidade de uso do espaço.
Dos camarins, como
do depósito cenográfico, se pode entrar diretamente na caixa cênica,
estando o palco à mesma cota do piso externo, ou mesmo elevado 0.75m
em relação a esse piso – rampa e degraus no corredor ao fundo da caixa
permitem que esse desnível seja transposto.
Conforto ambiental
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| Elevação
Rua Bertrand Russel |
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O Corpo Longitudinal,
transparente e permeável, tem seus panos envidraçados protegidos da
incidência direta do sol. No térreo, a vedação é recuada dois módulos
(2.40m) em relação ao pavimento superior. Neste pavimento a proteção
se garante por um sistema contínuo de brises metálicos fixados em abas
horizontais engastadas na estrutura perimetral do edifício.
Dando leveza ao
Corpo Longitudinal, uma cobertura metálica encabeça todo seu perímetro
e, como uma lâmina que se desprende do edifício, conclui a proteção
solar.
O sombreamento adotado
para o Corpo Longitudinal através de recuos, brises e lâmina de cobertura,
permitirá que os ambientes internos dispensem o uso de qualquer sistema
de condicionamento artificial para garantir seu conforto.
A iluminação e ventilação
das Salas e Laboratórios das Grandes Caixas serão garantidas por “sheds”
com aberturas orientadas para a face sul do complexo. As salas localizadas
no perímetro externo dessas Grandes Caixas possuem, também, panos envidraçados
protegidos por brises, permitindo que o movimento interno seja contemplado
externamente.
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| Corte
Longitudinal - AA |
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As circulações e
distribuições, iluminadas zenitalmente, além de contarem com um sistema
de “louvres” de proteção, estarão quase sempre livres da incidência
solar direta graças às alturas da Grandes Caixas, que se comportarão
como barreiras de sombreamento. As iluminações zenitais sobre o vazio
que acompanha a circulação interna do Corpo Longitudinal contarão com
aberturas de ventilação permanente, o que possibilita que a carga térmica
não se acumule no interior do edifício.
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| Corte
Longitudinal - BB |
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O Espaço Transformável
será o único ambiente a exigir equipamentos de condicionamento climático.
Estruturas
O partido estrutural
adotado proporciona, no Corpo Longitudinal, sistema modular de pilares
e vigas em concreto armado suportando lajes convecionais, também em
concreto armado.
O Espaço Transformável,
pela grande dimensão de seus vãos, terá na cobertura uma estrutura
metálica composta por treliças de banzos paralelos. Para as Grandes
Caixas propõe-se cobertura estruturada sobre perfis “I” metálicos de
alma cheia.
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| Corte
Transversal - CC |
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Para a circulação
interna do pavimento superior do Corpo Longitudinal é prevista uma estrutura
metálica independente, fixada às vigas de concreto armado.
O sistema modular
de estruturas aliado a um também modulado sistema de caixilhos, permitirá
que as paredes internas de vedação possam ser facilmente retiradas,
reposicionadas ou acrescidas, flexibilizando, assim, o uso dos espaços.
Materiais
Concreto aparente,
painéis compostos de alumínio, chapas de aço em perfil trapezoidal e
massa raspada são os revestimentos externos empregados no edifício.
Compostos com a transparência dos panos de vidro e brises em alumínio
se propõe a uma limpeza compositiva e a uma baixa manutenção.
O aço corten, que
se transforma na sua cor dia após dia, reveste a caixa cênica do espaço
transformável, destacando e concluíndo o edifício.