Concurso Nacional
de Idéias - Memorial à República
Piracicaba, 28 de agosto de 2002
1º Prêmio
Autores:
Eduardo Ferroni, Álvaro Puntoni, Ângelo Bucci, Ciro Miguel, Pablo Hereñú,
Paula Cardoso.
O Memorial que se
propõe procura resgatar a origem da palavra República [Do lat. republica
< lat. res publica, ‘coisa pública’.], reorganizando o chão
da cidade, enfatizando seu caráter primordialmente público e evidenciando
a cultura e a transmissão do conhecimento como seu mais representativo
monumento.

Ao destacar os programas
da creche-escola e da biblioteca, este Memorial assume uma postura diferente
do sentido convencional da palavra monumento [Do lat. monumentu.<
S. m. 1. Obra ou construção que se destina a transmitir à posteridade
a memória de fato ou pessoa notável],
extrapolando as atividades de registro da história republicana, insinua
uma idéia otimista de construção do seu próprio futuro.

A creche-escola
é assumida como parte importante do programa do memorial e ajuda a constituir
um conjunto coeso que preserva, no entanto, a autonomia necessária de
cada setor e suas atividades.
A topografia da
quadra, marcada pelo declive da colina em direção ao leito do rio Piracicaba
e a importante arborização existente determinam o partido do projeto.
Uma operação inicial, um corte no terreno no ponto médio da quadra,
paralelo ao eixo do rio, configura e organiza todos os setores do programa
e os espaços externos.

Essa operação cria
dois térreos de características bastante distintas. O térreo inferior,
no nível 492.00, concentra os acessos aos programas e abriga uma praça
seca e plana que sugere uma possível integração com o conjunto do Hotel
Beira Rio. No térreo superior, junto à Rua Tiradentes, situa-se o jardim
público, livre de qualquer elemento construído. A arborização existente
é preservada e mantém-se o papel que o lugar já desempenha na vizinhança.
Seu prolongamento natural em direção ao rio culmina em uma esplanada
de 90 metros de comprimento por 15 metros de largura no nível
495.50. Esta laje se presta como cobertura do pátio da creche-escola,
do café e dos espaços expositivos.

Os térreos se sobrepõem
e se coadunam através das calçadas laterais e de uma escadaria no centro
do conjunto. A passagem dessa conexão sob a laje da esplanada configura
o acesso dos visitantes ao memorial.

Uma segunda laje,
coberta por um espelho d’água, abriga todo programa da creche-escola,
organizada em torno de um vazio.

O elemento que se
destaca em todo o conjunto é o edifício da biblioteca, posicionado sobre
o eixo da ponte sobre o rio e da Rua Campos Salles. Trata-se de uma
torre de concreto que abriga todo acervo e apóia os serviços em estruturas
metálicas, envolvida por uma pele de vidro estrutural transparente.
Desta forma o acervo é visível de quase toda a praça. O acesso à biblioteca
se faz somente pelo nível 489,30, onde se encontram o espaço expositivo
e o anfiteatro aberto, além dos serviços de apoio.

Esta torre ilumina
a praça durante o dia e a noite. Ao seu silêncio, se associa o rumor
das águas do Piracicaba e o burburinho das crianças da creche-escola.
Monumento feito de espaços e sentidos, como um farol que aponta para
o futuro.
