Concurso
de Anteprojeto Arquitetônico da ESA – Escola Superior de Advocacia
do Rio Grande do Norte
Natal RN, novembro de 2002
1º
lugar: Nilberto Gomes e Isabel Amaral
Tema
O
nosso projeto para a Escola Superior de Advocacia é uma resposta à
análise dos diversos condicionantes pré-existentes e o atendimento
do programa arquitetônico exigido pelo edital sob a ótica de um tema:
Justiça um equilíbrio dinâmico.
Nesta
proposta buscamos soluções que reflitam este tema e que se atendam
às questões impostas pelo sítio e condicionantes climáticos locais,
pelos usos propostos e pela tecnologia da construção a ser empregada.
Nosso
projeto tenta expressar o equilíbrio do tema justiça na
forma de um equilíbrio de forças, movimentos e tensões, uma
expressão do dinamismo de um centro de educação continuada, um equipamento
cultural (teatro) e as novas formas de relação da justiça com o povo.
Este
projeto visa atender ao programa exigido pelo edital, a sede da Escola
Superior de Advocacia, atividades relacionadas com o sistema judiciário
e um equipamento cultural. Nosso desafio foi superar as dificuldades
impostas pelos condicionantes espaciais de um programa extenso e um
terreno de médio porte. Nosso objetivo foi desenvolver neste projeto
alguns conceitos de arquitetura que resultem numa edificação funcional
de alta qualidade.
Concepção
espacial
A
solução adotada no projeto divide o programa em dois elementos distintos:
o bloco da ESA, em forma “L”
e o teatro. A base da concepção espacial do projeto foi implantar
um edifício num lote irregular de modo a estabelecer relações equilibradas
com o espaço circundante, os condicionantes climáticos, liberando
as visuais da paisagem, numa arquitetura permeável e transparente,
e que estabelecerá novos padrões arquitetônicos no bairro.
A
transição entre as duas partes que compõem o conjunto é feita por
uma coberta leve, “foyer”
ao ar livre, que recebe os espectadores e prolonga o Centro de Convivência
até a entrada do teatro.
O
pilotis separa os volumes
dos ambientes do térreo da lâmina da edificação acima, a fim de conferir
mais leveza à edificação. A articulação dos dois braços do “L” é a
caixa de circulação vertical e banheiros, que constitui um volume
acoplado ao bloco.
A
forma em “L” resulta não só do domínio da forma/condicionantes do
terreno como também da intenção de posicionar a parte edificada mais
extensa longe das edificações residenciais de pequeno porte que circundam
nosso prédio. O lado maior do “L” é implantado bastante recuado do
limite do lote. Ao longo da Av. dos Xavantes o edifício é mais curto
e tem o térreo mais aberto o que contribui para amenizar sua relação
com o entorno, sem, no entanto, usurpar sua imponência respeitosa
e contida, garantia do simbolismo próprio às edificações do gênero.
O
conjunto Escola auditório/teatro lança mão para obter uma significativa
expressividade arquitetônica da utilização da luz natural, quando
reforça a utilização de elementos de proteção solar, aberturas e fendas
para criar camadas planares sucessivas que dão personalidade e originalidade
a edificação. Ressaltamos ainda a garantia de uma resposta noturna
proporcionada por estes elementos, de efeito singular.
Um
edifício inteligente
Nossa
proposta atende aos requisitos básicos indispensáveis a um edifício
inteligente, a saber: possui estrutura independente, flexibilidade
espacial (divisórias), fácil
manipulação de sistemas e serviços (piso elevado, etc). O projeto
já comporta espaço para a passagem de cabeamento de sistema elétrico
e rede de computadores. Acrescentamos ao programa o Núcleo de Controle
e Inteligência, um ambiente destinado à monitoração de sistemas (condicionamento
de ar, iluminação, elevador, rede de computação e segurança).
Relação
com o entorno e propostas urbanas
O
projeto foi concebido levando em consideração os acessos á edificação,
as visuais a partir do terreno e as visuais dos ambientes internos
para a paisagem circundante. O acesso de automóveis à garagem no subsolo
da escola ficou localizado na rua das Carnaúbas, uma via residencial
pouco movimentada, o que evita problemas de conflitos com o tráfego
da avenida dos Xavantes, importante via de penetração do bairro.
Para
facilitar o acesso do fluxo de automóveis ao estacionamento propomos
que no momento da execução ou da abertura da escola seja parcialmente
utilizado o espaço de duplicação da avenida dos Xavantes para acesso
a ESA conforme fig. 1. Sugerimos
ainda a transferência da quadra poliesportiva para o terreno vizinho,
podendo ser de maior porte do que a quadra exigida pelo edital, com
responsabilidade de manutenção da própria Escola, liberando internamente
mais área verde, reservando espaço para uma possível ampliação.
Conforto
ambiental
O
edifício é concebido de modo a oferecer o máximo de conforto ambiental nos níveis térmicos, luminícos
e acústicos. Sua implantação favorece
a entrada dos ventos dominantes nos ambientes de trabalho e salas
de aula. A circulação, na fachada oeste, serve como interface de amenização
protegendo estes ambientes do sol durante a tarde. As salas de aula
possuem janelas voltadas para leste e internamente para a circulação,
permitindo a ventilação cruzada e o uso opcional de condicionamento
de ar.
A
utilização de brises nas janelas e na circulação protege os ambientes
da radiação solar segundo estudo realizado. A fachada leste está protegida
da entrada direta de luz solar a partir das 8:30h. As fachadas leste
e oeste recebem predominantemente o mesmo tipo de brises (ver Detalhe
01).
A
fachada norte recebeu um elemento de proteção na forma de um telão
composto de brises horizontais, em fibra de vidro, de diferentes profundidades,
mas com o mesmo grau de proteção
solar. Isto faz com que esta fachada esteja protegida das 9:00 as
17:00h. Estes elementos de
proteção solar reduzem a carga
térmica nos ambientes a serem climatizados e contribuem para diminuir
o consumo energético total da edificação. O Detalhe 02 demostra o
sistema construtivo deste tipo de elemento de proteção solar, onde
caixilhos contendo os brises, são fixados à estrutura primária de
suporte, um sistema a ser fabricado em partes, o que facilita sua
montagem.
A
cobertura de ligação entre a Escola e o teatro e a marquise de entrada
recebem vidro com película interna para filtragem dos raios ultravioleta
e infravermelhos, além de jateamento na face externa.
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| Fachada
Leste |
Para as paredes de
vedação propomos os painéis de concreto do tipo TECLEVE, compostos de
concreto de espuma de poliestireno expandido e com núcleo de espuma
de estireno expandido. Alem do isolamento térmico e acústico, o referido
painel permite uma maior rapidez na execução, não necessita de chapisco
e reboco externo, tem desperdício zero, é 50% mais leve do que a alvenaria
comum, não requerendo mão-de-obra especializada para sua execução.
O
sistema MULTISPLIT de condicionamento de ar que propomos nesta obra
é dividido em dois subsistemas independentes: um para o auditório
e outro para o bloco da Escola. Este sistema adequa-se melhor a execução
em fases prevista para a obra por oferecer múltiplas posições de montagem.
Esta opção resulta ainda mais vantajosa economicamente do que a instalação
de uma central única de condicionamento de ar para a configuração
final da edificação que permaneceria por um tempo indeterminado sub-utilizada.
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| Fachada
Norte |
As
unidades externas do sistema estão localizadas de acordo com a figura
01. A passagem dos dutos se dá entre o forro e a laje de cada pavimento.
Acessibilidade
O
edifício da ESA é desde já pensado em termos de acessibilidade universal.
É adaptado em todos seus ambientes ao acesso de portadores de deficiência
física, possuindo rampas de
acesso, vagas de estacionamento reservadas, banheiros e elevador adaptados,
inclusive rampa articulada de acesso ao palco do teatro.
Teatro
/ Auditório
Nosso
projeto compreendeu esta parte do programa de necessidades contido
no edital como um equipamento cultural a ser oferecido à cidade. Tivemos
a intenção de ir além de simplesmente responder à demanda por um equipamento
de lazer, e aproveitamos a oportunidade para oferecer um equipamento
que pode vir a ser importante para a cidade como um todo. A transformação
do auditório exigido em um teatro propriamente dito, responde à necessidade que OAB tem em atender
a comunidade e às reais necessidades da população local por equipamentos
culturais.
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| Fachada
Oeste |
A
base da concepção espacial do teatro foi distribuir a platéia no térreo
e no balcão, e assim liberar espaço no terreno, reduzindo sua ocupação.
A distribuição da planta se dá de acordo com o angulo de visibilidade,
tanto no plano quanto na vertical. Aproveitamos o desnível do terreno
para evitar uma altura excessiva na parte externa do seu volume. Encontra-se
neste momento já previsto o espaço para o tratamento acústico (forro
e painéis refletores), locais para iluminação cênica, espaço de coxias
e urdimento (caixa cênica) e sistema de condicionamento de ar.
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| Implantação |
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O
acesso ao ao teatro é feito pela área do centro de convivência, podendo
ter acesso independente. As saídas de emergência do teatro, platéia
e do balcão superam dimensionamento
exigido pelo corpo de bombeiros. O total de assentos do teatro
é de 402 lugares, sendo 2 para portadores de deficiência física, distribuídos
em 244 assentos no térreo e 158 no balcão.
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| Térreo |
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A
concepção o volumétrica do teatro é o resultado do trabalho de manipulação
dos volumes e planos que compõem o volume da platéia, a caixa cênica
e os camarins.
Sinalização
Prevemos
no projeto locais específicos para sinalização, a exemplo: Painel
contendo informação e lista dos ambientes presentes em cada pavimento
localizada nos painéis de fechamento do shaft e placas de sinalização
dos ambientes localizada nas portas de acordo com a figura. A sinalização
ainda inclui outros itens como placas de acesso ao estacionamento
sinalização de tráfego de altos e de emergência inclusas em projeto
específico de incêndio a ser desenvolvido.
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| Pavimento
2 |
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