Concurso
de Anteprojeto Arquitetônico da ESA – Escola Superior de Advocacia
do Rio Grande do Norte
Natal RN, novembro de 2002
2º
lugar: José Carlos de Souza, Faulkner de Oliveira Melo e José Gaudêncio
Torquato
Equipe
Consultores:
Eng. Civil e Sanitarista Ricardo Azevedo, Eng. Eletricista Jaime Azevedo
e Arquiteta Elizabeth Raulino
Colaboradores:
Arquiteta Vanessa Fernandes e João Paulo Kikumoto
Maquete
Eletrônica: Santiago Câmara
O conceito
Entre
o clássico e o contemporâneo, elementos consagrados do repertório
da arquitetura universal conferem um passeio histórico pelos momentos
consagradores das elaborações arquitetônicas. Das primeiras pedras
polidas, das pirâmides às pedras em cantaria, das conquistas tecnológicas,
dos conceitos de construir, dos materiais mais diversos, do sonho
e da consolidação das cidades, da grande indústria de transformação,
das grandes navegações, das aglomerações urbanas, do concreto armado,
do vidro laminado, do aço, dos metais compostos, do PVC, do policarbonato,
do titânio, das coberturas têxteis, da arquitetura moderna, da pós
moderna, vbdo deconstrutivismo, etc, o certo é que as funções influenciam
a forma e esta passa a exigir os materiais próprios e adequados, postos
à disposição do tempo,que define e determina os seus usos e aplicações.
O
arquiteto tendo, como matéria do seu mister, a intangibilidade do
universo e a grande angústia do homem, na incessante busca de novos
conhecimentos e técnicas que permitam a sua proteção das agressões
impostas pelos excessos causados pelos fenômenos naturais, muda a
Natureza das coisas, transformando a estrutura da Matéria.
O
homem inventa e constrói caixas de morar, cascas, casulos e casas
de viver, ou qualquer coisa parecida, para abrigar-se e abrigar as
suas necessidades vitais e primordiais, assim recria o espaço, molda
a forma, subjuga os materiais e enfim, compõe a Arquitetura.
A
proposta
Entender
a Arquitetura como quem reconhece no entorno a sua própria identidade,
identificando no repertório formal da cidade, enquanto massa edificada,
os elementos consubstanciadores das frases urbanas, e então, compor
um alfabeto formal, a ser soletrado com as palavras exatas que darão
sentido ao texto espacial, a ser riscado ou escrito no tecido urbano
e assim, definindo o projeto em resposta às indagações conceituais
que o programa exige e requer.
Então,
compreendemos o significado dos volumes no contexto dos vãos do bairro,
com vazios cheios de signos a serem preenchidos e completados com
as massas moldadas pela inventiva no ato projetual.
A
arquitetura a ressaltar a sabedoria das academias, a elegância imponente
dos palácios, os gestos espontâneos das gentes locais.
A
solução em si consiste na adoção de uma caixa prismática, vazada em
colunatas verticais, que configuram o ritmo estrutural do volume dominante
da composição, definidor da grande cobertura que abriga as funções
sub postas em nítidos e definidos blocos, delineadores dos espaços
específicos para as múltiplas atividades, estabelecidas pelo programa
de necessidades, para as quais denominamos, conceitualmente, como
a ESCOLA, a PRAÇA e o TEATRO.
A
escola
O
lugar onde se estabelece o exercício da conjugação entre teoria e
prática e promove-se a dissecação do conhecimento e sua aplicabilidade
no contexto de se contentar e viver sob o signo das liberdades de
expressão, de todas as formas, que definem e expressam o verdadeiro
Estado de Direito, por isso entendemos que, efetivamente, só se aprende
e se ensina, quando se apreende o saber pois entendemos as escolas
como praças propícias ao convívio e à conjugação dos verbos saber,
conceber, conversar, discutir, argumentar, defender, etc, sempre conjugados
em todas as suas dimensões e sentidos.
A
praça
Consubstanciada
como o lugar da convivência democrática por excelência, configura-se
como traço-de-união entre o formal e o representativo, a estabelecer-se
como elo de ligação entre as múltiplas e díspares funções a exigir
o cruzamento constante de vivências e relacionamentos possibilitando
um fluxo, constante e intermitente, de troca de informações e conhecimentos.
Dessa
maneira a Praça se transmuta em palco de convívio e permanência, em
contraposição a qualquer coisa que possa parecer com uma área pública,
a insurgir-se contra a sonolência da cidade mal concebida, onde espaços
de não convivência, baldios de afetos e percursos, na paisagem suburbana,
prestam-se ao abrigo de infinitas solidões.
O
teatro
O
lugar das representações simbólicas de todo o conjunto e ápice da
composição plástica do edifício.
A
entidade assiste a comunidade que assiste o espetáculo promovido pela
sociedade, enquanto promotora de eventos cíveis.
A
grande arquibancada do bairro para as disputas das grandes discussões,
das palestras e conferências, dos embates culturais, das apresentações
folclóricas, dos concertos clássicos e populares, da encenação de
peças teatrais e das manifestações artísticas mais variadas.
O
edifício
Posto
assim na paisagem de conjuntos de casas simples, qualquer prédio mais
amplo pode parecer altivo, não quando um prisma de alvenaria, concreto
e madeira, guarda a pretensão do saber e a intenção de descortinar
recônditos conhecimentos, legando ao futuro o justo exemplo, repassado
pelas civilizações, de suas mais simples e espetaculares conquistas
materiais e espirituais.
Então
o prédio aprende com a paisagem circundante e a gente do lugar apreende
o predicado da função primordial que o edifício insinua, uma quase
gaiola estrutural, que se preste a aprisionar saberes para ensinar liberdades,
com a determinação explícita de abrigar a brisa para o necessário
arejamento do corpo e da mente, da alma e da consciência de homens
que sonham com a matéria prima da Justiças, divina e terrena, em seu
estado de graça – o Direito.
O
projeto
A
volumetria
A
volumetria endireita-se no espaço propenso a repensar a proporção
requerida, na dimensão exata delimitada pelas possibilidades do terreno,
como uma folha urbana à espera do desenho, em todas as suas possíveis
dimensões e escalas. A do transeunte, a perceber, com o olhar da proximidade
tátil, que o seu passo determina, a delinear, como um investigador
atento e especulativo, as estáticas e vincadas arestas de pilares,
paredes e painéis; a da rua, que a efemeridade dos lances de vista,
dá-se a perceber, quando do automóvel em velocidade, vislumbra a presença
de elementos construtivos em espaços rítmicos a marcar o compasso
dos planos verticais na paisagem; a do quarteirão, a estabelecer referências
plásticas no entorno, com massas volumétricas equiparáveis; a do bairro,
com o seu perfil entremeado por dunas que ondulam por seus vazios,
ainda extensos e recobertos de alguma vegetação, que empresta o verde
ainda perceptível nos horizontes da cidade.
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A
imagem, da planta baixa no papel, que se liberta do plano, ao rés
do chão, e eleva-se em firula de lânguida curva, a traçar graciosa
e incontida evolução pelas esquinas das ruas delimitadoras da área
de implantação, em nítido respeito ao entorno de casario singelo,
volteia pelas rampas, assim marcando e definindo a dinâmica dos percursos
em perfeita concordância com os semi planos das lajes em meios níveis,
que quebram a rígida placidez rítmica das robustas colunas, em pórticos
altivos e elegantemente clássicos.
O
percurso que a volumetria interna sugere, permite um passeio em curva
sinuosa e ascendente que o complexo de rampas conjuga em diálogo com
o maciço auditório/teatro, palco das atividades comuns, já então liberto
da grande cobertura que o abrigava, para lançar-se, incontido, no
espaço restrito que o terreno permite e concede, em busca da proporção
almejada.
A
espacialidade
A
edifício-escola, literalmente, abre-se para o exterior na medida em
que os espaços se interpenetram a vislumbrar o dentro e o fora, o
interno e o externo, estabelecendo uma saudável parceria, um verdadeiro
namoro com a comunidade. Nesse amigável flerte, o exercício da conversa
franca convence e conduz ao aprendizado, ao ensinamento, ao entendimento
constante que os espaços propícios convidam.
O
conjunto
Sol
e vento filtrados por brise soleils, em madeira de lei, dispostos
como teclas de um piano a marcar o ritmo dos entre espaços das colunas
que sustêm a ampla cobertura que unifica e agrega os vários volumes
que compõem o programa de necessidades.
O
acesso principal se dá por passarelas, através dos vãos estruturais
dispostos na esquina norte do edifício, marcadas por marquises/brises,
componentes dos conjuntos de elementos plásticos que compõem a feição
arquitetônica do prédio. Os outros acessos foram localizados em função
das acessibilidades requeridas e distribuídos de forma a permitir
diversidade de acessos, formas variadas e equipamentos adequados.
A
grande escada, em caracol, conduz a interligação dos planos da praça
vertical, que desde o semi-subsolo aos mezaninos superiores, estabelece
o passeio giratório e circundante, como a girar em um grande carrossel
espacial, ressaltando a escala monumental do espaço que abrigará,
em seus níveis intermediários, térreo e mezanino, a galeria de exposições
permanentes da memória da Ordem.
A
praça estabelece, em seus vários níveis, as interações e articulações
com os outros dois blocos componentes do conjunto, quais sejam, o
das salas de aula e todos os ambientes de administração e apoio e
serviços necessários ao pleno funcionamento das atividades fundamentais
da escola, com o teatro/auditório e serviços correlatos, com o atendimento
judiciário, com a quadra esportiva, com os estacionamentos, etc.
Assim
o edifício apresenta-se elegantemente posto no terreno, respeitosamente
em harmonia com as construções da vizinhança e do seu entorno, portando-se
altivo porém discreto e mesmo sóbrio. Dessa forma, simbolicamente,
lança mão de um leque de palmeiras e coqueiros, como a se abanar ao
vento que varre, secularmente, o antigo tabuleiro das areias, que
arrumadas em ondulantes morros, inventaram as dunas a emoldurar os
horizontes, caracterizando a feição peculiar de nossa cidade.
Os
materiais
Definidos
conforme a sua natureza e de acordo com as suas utilizações, indicações
e aplicações específicas, construímos o conceito da materialidade
dos espaços, conferindo às texturas de cada superfície a ser tratada
ou revestida, conceitos diferenciados para cada componente volumétrico
do conjunto.
Assim
o volume prismático, dominante da composição e definidor da configuração
plástica resultante, assume a essência do elemento mineral, caracterizado
em pedra , estática e inflexível, a expressar a temporalidade da existência
humana e o seu imutável percurso pelos limites do planeta.
Em
contraposição, o volume curvilíneo como uma espiral volumétrica que
do chão se eleva, em movimento, para lançar-se no espaço na busca
das alturas espaciais e em direção às transposições das fronteiras
siderais do universo, representa a transformação da matéria, da terra
em mutação, do despertar da argila que sonha em ser cerâmica.
As
rochas
Como
pedras graníticas e ou marmóreas, para os passeios das calçadas e
como pele das colunas, platibandas e superfícies externas dos elementos
de sustentação estrutural da grande cobertura e das faces expostas
do volume principal.
Como
vidros, em lâminas, para as esquadrias de fechamento dos vãos de janelas
e portas.
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Corte |
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As
argilas
Em
forma de cerâmicas, para a vestimenta dos volumes internos, nas faces
das rampas, blocos da escola, teatro e torre de serviços, elevador
e caixa d’água.
Como
tapetes, em todos os pisos, tanto dos espaços mais nobres( praças,
átrio, mezanino, salas de aula, circulações internas, apoios administrativos
diversos, diretorias e secretarias, banheiros e sanitários, atendimentos
diversos e serviços gerais, condizentes com seus usos.
Os
metais
Far-se-ão
presentes nas esquadrias, nos guarda-corpos e corrimãos, nas coberturas
da praça e do teatro/auditório, na grelha de sustentação dos domos
superiores, nas telhas de todas as coberturas e nos suportes dos grandes
brises das fachadas nordeste e noroeste.
As
madeiras
Estas,
contribuirão com as marquises e os brise-soleils das fachadas, com
os degraus da escada em caracol da praça vertical, com o forro, painéis
verticais acústicos e palco do teatro/auditório e com as portas dos
ambientes internos.
A
construção
Etapas
de implantação
A
implantação da obra por etapas, exigência constante do edital, e os
conseqüentes remanejamentos de espaços resultantes delas, levou à
adoção da planta livre, como forma de minimizar os transtornos inerentes
à implementação de uma nova etapa.
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Fachada
Oeste |
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A quase totalidade
das alvenarias de divisão interna foram retiradas, preservando-se
somente as paredes de contorno e aquelas que delimitam ambientes com
instalações de maior complexidade, como banheiros, cozinha e casa
de força, e por isto de difícil remoção.
A
adoção de painéis divisórios (tipo BP Plus ou gesso acartonado) que
atendam a especificidade de usos dos diversos ambientes (ex.: painéis
com proteção acústica nas salas de aula) viabiliza plenamente a flexibilidade
exigida quando do remanejamento dos espaços. Além disso, estes materiais
representam eficiência, limpeza e agilidade na execução da obra.
A
solução apresentada procurou adequar-se ao máximo às etapas sem prejuízo
de nenhum aspecto importante exigido pelo edital do concurso. Nesse
sentido, algumas soluções diversas do edital merecem justificativas:
Assim
entendemos ser a implantação mais lógica e coerente com o nosso projeto
sem prejuízo com a conformação plástica do conjunto.
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Subsolo |
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Sistemas
de instalações
Climatização
Será
projetado observando-se o conforto térmico dos usuários bem como o
consumo energético. Para tal , as salas de aula e administrativas
terão sistemas individualizados tipo air-split , gerenciados por controle
remoto.
As
unidades condensadoras serão dispostas em locais estratégicos de modo
a harmonizar com a plástica da edificação observando-se a facilidade
de manutenção periódica dos equipamentos.
O
projeto arquitetônico prevê o aproveitamento dos recursos naturais,
bem como a implementação de barreiras à transmissão de calor , evitando
desperdícios e elevado consumo , possibilitando o aumento da vida
útil dos equipamentos.
O
auditório, devido ao seu elevado espaço físico , será dotado de uma
pequena central de climatização que distribuirá uniformemente, por
dutos, a climatização em todos os espaços internos do ambiente.
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Térreo |
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Combate
a incêndio
A
solução proposta deverá atender, integralmente, as normas do Corpo
de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Norte, sendo, para tal, empregados
extintores portáteis, dispostos estrategicamente nos diversos ambientes
da edificação, além de redes de hidrantes e sprinkler's , detectores
de fumaça , portas anti-pânico, para saída e iluminação de emergência
e sistema de alarme.
Os
reservatórios foram projetados para garantir a reserva técnica d'água
exigível pelo sistema.
Água
O
projeto atenderá à edificação principal e respectivas áreas verdes
e estacionamentos.
As
instalações hidráulicas empregarão metais e louças economizadoras
de água. A alimentação de água do prédio será feita a partir da rede
pública da concessionária, que alimentará o reservatório inferior,
e abastecerá o reservatório superior, através de bombas de recalque.
Do reservatório superior partem através de barrilete geral, colunas
diversas que alimentam os sistemas de consumo.
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Segundo
pavimento |
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Toda
coluna possuirá seu próprio registro de seccionamento, facilitando
a operação e manutenção.
Todos
os reservatórios, inferior e superiores, terão tubulações para limpeza
e para esgotamento de toda água reservada.
Esgoto
Dos
diversos pontos de consumo, através de tubos de PVC e caixas, serão
coletadas as águas servidas, que à falta de sistema de coleta público,
serão enviadas à fossa séptica e sumidouros.
O
sistema coletor de esgoto será independente do sistema de águas pluviais.
Águas
pluviais
Serão
coletadas através de tubulações de PVC, passando através de caixas
de areia, e enviadas a poços absorventes, de acordo com as normas
municipais vigentes.
Nas
rampas de acesso à edificação, serão previstas grelhas que permitam
o perfeito recolhimento e evacuação das águas de chuva.
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Terceiro
pavimento |
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Os
tampões deverão ter a indicação “ESGOTO” e “ÁGUA PLUVIAL”, em alto
relevo, afim de possibilitar a imediata identificação da caixa .
Todas
as tubulações deverão ser fixadas por suportes metálicos sobre forro
falso removível , garantindo fácil acesso para manutenção.