Concurso
de Anteprojeto de Arquitetura para Sede do CREA Maringá
Maringá, 05 de março de 2003
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| Implantação |
1º Lugar
Trabalho nº 06
Equipe: Emerson José Vidigal, Fábio Domingos Batista e Ricardo Polucha
A
concepção do projeto para a sede do CREA Maringá desenvolveu-se em
torno de uma determinada relação entre espaço e usuário. Buscou-se
estabelecer uma relação na qual o espaço instigasse o usuário a apreendê-lo.
O principal elemento empregado para alcançar este objetivo foi a permeabilidade
visual do edifício.
A
preocupação com a relação entre espaço e usuário inicia-se na escala
urbana. O entorno apresenta uma paisagem homogênea, caracterizada
principalmente pelo traçado planejado e pela arborização do sistema viário da cidade de Maringá. Para desenvolver uma transição adequada entre
essa escala urbana e a escala arquitetônica criou-se um espaço vazio
entre a rua e a construção, que permite ao usuário compreender o edifício
à medida que se aproxima dele.
A
partir do ponto de entrada do terreno o edifício configura-se como
uma caixa sólida porém aberta em sua parte frontal, que corresponde
ao Ambiente Administrativo, apoiada sobre planos verticais. A articulação
entre estes planos, alguns transparentes e outros opacos, confere
leveza ao volume da caixa, oferece ao usuário variados níveis de permeabilidade
visual, e configura os espaços necessários.
No
pavimento térreo encontram-se dispostos transversalmente os ambientes
do Auditório, Sala de Exposição e Atendimento. Enquanto no foyer do
Auditório e no Atendimento planos verticais opacos transversais delimitam
o espaço, na Sala de Exposição, exatamente no eixo de entrada do edifício,
a visão não encontra barreiras.
Através
dessa variação de transparência, que ocorre em diferentes direções,
o edifício estabelece relações dinâmicas com seu usuário, organizando
o espaço de maneira instigante.
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| Perspectiva
aérea |
Solução
estrutural
Estruturalmente,
o edifício também organiza-se em blocos. O Ambiente Administrativo
possui estrutura de concreto independente do piso inferior. A solução
adotada utiliza-se dos balanços nas vigas e busca relações favoráveis
entre balanços e vãos que resultam em valores mínimos de momentos
na viga. Essas relações são econômicas, por apresentarem momentos
negativos iguais aos positivos, portanto mínimos. A laje de piso utiliza
estrutura nervurada que permite um melhor aproveitamento espacial,
garantindo uma melhor relação entre os pés direitos e a edificação.
O
pavimento inferior possui uma estrutura convencional de concreto,
sendo que em alguns pontos as vigas foram invertidas para garantir
a continuidade visual do espaço.
No
auditório, Devido aos vãos livres de maior extensão e necessidade
de visibilidade, adotou-se uma solução em estrutura metálica composta
de vigas vagão cruzadas nos dois sentidos e apoiadas na estrutura
de concreto.
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| Elevação |
Materias
empregados
Além
das estruturas em concreto, os materiais empregados foram as vedações
em alvenaria de tijolos, que em alguns casos são duplas, com revestimento
em argamassa comum branca e outros com revestimento em arenito.
A
escolha do arenito como revestimento foi uma opção estética por um
material que se destacasse por sua textura e coloração, e ao mesmo
tempo protegesse as paredes externas das intempéries e dos efeitos
provocados pela poeira.
As
aberturas foram pensadas em esquadrias de alumínio com vidro comum
no pavimento superior e vidro temperado no pavimento inferior nos
espaços onde se buscava uma transparência maior.
Instalações
Os
pés direitos permitem a passagem de instalações embutidas no forro
ou no piso do edifício.
O
reservatório de água localiza-se no eixo da estrutura de concreto,
acima do pavimento superior. As
prumadas hidráulicas distribuem-se a partir do reservatório para instalações
sanitárias mais utilizadas nos pavimentos inferiores.
O
escoamento das águas pluviais é feito por calhas de 50 cm. Na cobertura
do pavimento superior as calhas conduzem a água para tubos de queda
embutidos nos pilares. Na cobertura do pavimento inferior as calhas
se prolongam para fora da platibanda, escoando a água para caixas
de drenagem no solo.
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Perspectiva
do acesso |
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Paisagismo
A
idéia de espacialidade existente no partido busca, na implantação,
reservar espaços abertos entre a rua e o edifício. Este espaço existe
como uma transição de onde se pode visualizar a construção e a transparência
de seus espaços internos. Para isso o paisagismo será executado com
vegetação arbustiva e rasteira utilizando espécies da região e exóticas
adaptadas ao clima. A iluminação será direcionada ao nível do piso.
As
grandes áreas de estacionamento foram tratadas com piso em blocos
de concreto intertravados para possibilitar a permeabilidade do solo.
Eficiência
energética
A
eficiência energética foi levada em conta desde a concepção do projeto.
O posicionamento do Auditório, um bloco fechado com as paredes laterais
duplas, na lateral oeste do terreno proporciona o isolamento térmico
do restante da construção no pavimento térreo. Outros elementos do
projeto que contribuem para o conforto térmico são as marquises e
o balanço do pavimento superior, que protegem as superfícies envidraçadas
existentes na fachada frontal.
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| Perspectiva
noturna |
As
aberturas do bloco do Ambiente Administrativo, mais exposto a insolação,
foram orientados no sentido norte-sul, diminuindo a incidência de
radiação solar e proporcionando uma iluminação adequada. Para proteção
no sentido leste – oeste as paredes laterais foram projetadas com
espessura dupla. As lajes de cobertura receberão camadas de impermeabilização
e isolamento térmico.
Todas
estas medidas visam minimizar as trocas de calor com o ambiente externo.
Entretanto, caso seja necessário a utilização de equipamento de condicionamento
de ar, poderia ser adotado o sistema “split – system” sobre a laje
de cobertura.
Impacto
ambiental
Atendendo
às exigências do programa e da legislação municipal uma grande área
do terreno foi reservada para estacionamento de veículos. Isto resultou
em um impacto ambiental significativo em relação à cobertura vegetal
existente. Mesmo assim procurou-se preservar as árvores principais
( araucárias ) e outras existentes quando possível.
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Perspectiva
interna |
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Acessibilidade
O
projeto privilegiou a entrada de pedestres e criou dois acessos para
veículos, possibilitando acesso independente para funcionários e para
clientes, separando as áreas dos dois estacionamentos.
Conforme
a exigência do CREA, a entrada de pedestres permite acesso diferenciado
aos setores de eventos e administrativo.
Os
estacionamentos, circulações, auditório e instalações sanitárias do
pavimento térreo permitem acessibilidade para pessoas portadoras de
deficiência. A possibilidade
de acessibilidade ao pavimento superior, se necessária, seria garantida
com a instalação de elevador hidráulico. Esta solução é mais viável
economicamente do que a construção de um sistema de rampas.
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Perspectiva
interna |
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Estimativa
de custos
Diversas
medidas foram adotadas para tornar a construção mais econômica. A
racionalidade do sistema estrutural resulta em economia de material.
A preocupação com detalhes construtivos que minimizem as trocas de
calor diminuem os gastos com condicionamento de ar. Dessa maneira
os custos não excederão o limite estipulado pelo regulamento do concurso
(R$ 600,00 / m2). A área construída, incluído o estacionamento coberto
é de 1275,54m2 correspondendo a um custo de R$ 765.324,00.