2003 Ecohouse
Design Competition
Oxford – Inglaterra, julho de 2003
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Maquete
do projeto. Alunas Anita De Domenico, Mirian Vaccari
e Mônica Marcondes |
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4º
prêmio (compartilhado)
Ecovila de papel
Anita
De Domenico, Mirian Vaccari e Mônica Marcondes
Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo (Brasil)
O
projeto
O
projeto da Ecovila de Papel partiu de Trabalhos Finais de Graduação
apresentados à FAUUSP, tendo como objetivo
a reestruturação da antiga Vila dos Ferroviários, localizada na Estação
Guanabara e pertencente à Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, em Campinas.
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| Área
de intervenção e implantação |
A
Ecovila faz parte, juntamente com o CETEA
– Centro de Tecnologia e Educação Ambiental –, de uma proposta de
intervenção que visa a requalificação e reintegração do local à cidade,
seguindo as proposições da Agenda 21 – comunidades sustentáveis ambiental,
econômica e socialmente. Para tanto, pretende-se que o CETEA seja
o catalisador desse processo, interagindo com a comunidade e conscientizando-a
de seu papel em relação ao meio ambiente, através da educação ambiental
e da vivência em uma área qualificada por uma arquitetura de baixo
impacto ambiental. Os edifícios propostos, ao mesmo tempo em que contrastam
com o conjunto histórico, respeitam e mantêm a sua memória.
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Implantação |
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Histórico
e Situação Atual
Desde
1999, o grupo de edifícios da Estação Guanabara (Edifício Principal
da Estação – Gare, a antiga Vila dos Ferroviários e o Estádio da Mogiana)
está em processo de tombamento pelo CONDEPACC – Conselho de Defesa
do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas.
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| Elevação |
Inaugurada
em 1883, a Estação da Guanabara foi um dos símbolos da economia cafeeira
na região de Campinas. A estação e seu conjunto impulsionaram a estruturação
do bairro Guanabara a partir da década de 1920, mas sua desativação
no início da década de 1980 levou ao seu progressivo abandono, resultando,
nos dias de hoje, em uma área abandonada e desarticulada do entorno.
A
Vila dos Ferroviários ainda hoje abriga cerca de 60 famílias de ferroviários
aposentados da Fepasa. Apesar de ainda manter alguns aspectos dos
vilarejos caipiras da década de 30, apresenta-se degradada e bastante
descaracterizada, pois algumas casas, originalmente de madeira, foram
sendo ampliadas por meio de cômodos em alvenaria
e outras foram invadidas, prejudicando todo o conjunto.
Ecovila de Papel - Projeto e Uso do Papelão na Construção
Civil
A
proposta para a Vila dos Ferroviários é baseada na sustentabilidade
ambiental do conjunto: opção por materiais construtivos de baixo impacto
ambiental, uso racional e otimizado dos recursos naturais, buscando
ao máximo o emprego de fontes de energia renováveis e não poluentes
e a redução de efluentes. Assim, propõe-se a coleta e a reutilização
de águas pluviais para usos não-nobres, o uso de banheiros secos e
o emprego de painéis fotovoltaicos instalados na cobertura de cada
unidade habitacional.
A
disposição das habitações no terreno forma caminhos e pátios públicos
e semipúblicos, permeados por jardins produtivos e canteiros coletivos.
Além disso, favorece a iluminação natural e a ventilação de cada unidade.
Decks de madeira associados a escadas e rampas fazem a transição entre
espaço público e privado, propiciando o acesso às unidades residenciais,
já que estas são elevadas do solo não só para proteger sua estrutura
de papelão da umidade, mas para adaptá-las ao relevo existente com
o mínimo de alterações e permitir a ventilação entre o piso e o terreno.
Sistema
Construtivo em Papelão
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Sistema
construtivo |
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O
sistema construtivo em papelão é utilizado na estrutura, cobertura
e vedação das casas. O papel/ papelão foi escolhido por ser um material
não convencional e de baixo impacto ambiental, viabilizando construções
rápidas e econômicas. É leve, barato e resistente para suportar as
cargas de uma construção, além de ser reciclado e reciclável e, portanto,
atrativo sob o ponto de vista da sustentabilidade ambiental.
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Elevação |
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A
partir da combinação entre montagem racional de elementos pré-fabricados
e técnicas construtivas tradicionais, busca-se, com esse sistema,
o desenvolvimento de uma habitação durável, provando que o papelão
pode ser usado em caráter permanente. O uso do papelão na construção
pode trazer benefícios a longo prazo, através
da redução do desperdício de energia e materiais, assim como oferecer
uma alternativa para reduzir os custos da construção de habitações.
O
papel é um material leve e de fácil manuseio, reduzindo não só o custo
com as fundações, como também o tempo de transporte e montagem de
sistemas construtivos que o utilizem como principal componente. Ainda
possibilita a ampliação ou reforma da edificação sem afetar sua estrutura,
já que o sistema estrutural é independente das vedações e modulado,
permitindo a combinação e a repetição dos elementos.
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Corte
A |
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Pilar, viga de
alma cheia e viga-vagão são feitos de tubos de papelão. Com o uso
da viga-vagão, foi possível vencer vãos maiores com diâmetros menores
de tubos de papelão, dimensionados de acordo com bitolas comerciais,
atualmente produzidos para a indústria têxtil.
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Corte
B |
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Painéis
compostos por sanduíches de papelão e colméias de papel são utilizados
como elementos de vedação. Nos painéis externos, é agregada, ainda,
uma placa de tetrapak reciclado moído, protegendo
o papelão da umidade. O mesmo material é usado na cobertura, associado
ao forro de embalagens longa-vida reutilizadas,
visando um melhor desempenho térmico da habitação, através da reflexão
de parte da radiação solar pela camada de alumínio. O conforto térmico
também é obtido pela própria composição dos painéis, já que cada 1
cm de espessura de papelão ondulado tem desempenho térmico equivalente
ao de uma parede de alvenaria de 10 cm (INO, Akemi,
Papelão Ondulado, Viabilidade de Utilização na Construção. São Carlos,
1984) e, sendo utilizadas 4 placas de papelão de 5 mm de espessura
para os painéis, obtém-se o equivalente a 20 cm de alvenaria.
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Corte
C |
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A alvenaria é
empregada somente no módulo hidráulico, possibilitando que as casas
sejam geminadas por essa área, além de contribuir para o contraventamento
da estrutura de papelão. Toda a estrutura deve ser protegida das chuvas,
fogo e mudanças de temperatura através do uso de tratamentos nas camadas
de papel dos tubos. Colas especiais resistentes à umidade e temperatura
devem ser utilizadas no processo de fabricação dos tubos. Nesse sentido,
materiais com baixo impacto ambiental devem ser
pesquisados para que o papelão seja melhor utilizado na construção.
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| Corte
geral |
É
importante observar que o uso do papelão na construção civil depende
da observação e análise de edifícios e protótipos existentes, para
que a durabilidade das construções seja determinada. Pesquisas multidisciplinares
ainda devem ser realizadas por arquitetos, engenheiros e químicos,
associados à própria indústria de papelão, para que se viabilize a
utilização do papelão na construção civil, aumentando a sua durabilidade
e reduzindo custos e o impacto ambiental ainda causado pelos produtos
químicos envolvidos no processo.