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| Ensino
de arte para a Arquitetura |
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Texto de Maria do Céu Diel de Oliveira Neste artigo, a autora procura abordar a importância de aproximar o conteúdo e a ementa dos currículos dos cursos de arquitetura e urbanismo com o imaginário artístico, possibilitando o surgimento de um universo sensível criador de memoráveis imagens agentes. O artigo foi apresentado recentemente em no Congresso sobre Ensino de Arte em Évora, Portugal, a convite da Profa.Dra. Célia Maria de Castro Almeida. Muitas vezes encamisada por um currículo avesso a questões de caráter artístico, a ementa de certas disciplinas dos cursos de arquitetura e urbanismo prescindem de uma abordagem que apresente Arte como expressão formal. As disciplinas que poderiam relacionar as questões teóricas e poéticas concorrem com a formação de seus professores. Uma formação artística é desejável, se se pretende abordar o imaginário , a história das imagens e o processo criativo. Minha formação artística e minha prática docente com projetos em sala de aula foi o que fomentou uma diferenciação no ensino de disciplinas de caráter formalista. Esta experiência deu-se durante meu trabalho como professora de plástica junto a um Curso de Arquitetura e Urbanismo, durante cinco anos como professora. Pensando em Plástica como UM DESEJO FORMAL DE ENTENDER O MUNDO, abri mão do convencionalismo nesta área – maquetes e demais construções relacionadas – e busquei diversificar a idéia de FORMA, ESPAÇO E INSERÇÃO DO CORPO NO MUNDO. A idéia do “corpo no mundo” surgiu da disciplina Desenho I, onde os alunos do primeiro período puderam ter contato com desenho de modelo, com a finalidade de relacionar a escala e a percepção , além de buscar UMA IMAGEM DE SI, UMA IDEIA DE DESENHO. Desenho, para nós, era tudo o que “ficava”. A permanência na memória de nossas experiências coletivas ou solitárias criava IMAGENS INDELEVEIS e provocava o olhar e o corpo para o mundo. Minha formação como artista plástica possibilitou esta inserção, uma vez que acreditava estar agregando aos valores de formação do arquiteto a visão de um universo peculiar as artes. Um projeto em Plástica muito revelador foi a Modelagem.
Trabalhando em equipe, o projeto Modelagem constitui-se de duas partes: conhecimento da matéria plástica e sua MEMÓRIA e poética expressiva, concebida a partir de UM DESEJO de mostrar ao mundo a inquietude, própria do estudante recém ingresso na universidade. Assim além do Corpo no mundo- seja este mundo o próprio lugar do estudante na Universidade- ou no seu entorno ou grupo. Este primeiro momento deflagrava o desejo de DESPREGAR-SE da terra e alçar vôo rumo a um local desejado e desconhecido. Corpos modelados em telas de arame e forrados com papel e cola foram instalados no pátio interno da Universidade, de forma a flutuarem, metaforicamente, pelas adversidades e inseguranças.
Um Ícaro leve e sem asas parecia querer pousar seguramente rumo a vida...sua estrutura aramada e recoberta de papel foi uma descoberta para outros trabalhos que se seguiram. O lugar do meu corpo no mundo Pouco tempo depois, abordando algumas questões relacionadas a arte contemporânea, voltamo-nos a instalação e a ocupação do espaço. Os alunos então percorreram o espaço destinado a eles na universidade e ressentiram-se de não ter este espaço claro e DEMARCADO. O CORPO deveria marcar seu lugar no mundo, concluíram. Corpos são diferentes e sonham diferentemente. Então, seus corpos seriam MARCOS de uma instalação que buscava a identidade com um espaço pouco acolhedor. Partindo então de seus próprios corpos como DESENHOS do mundo visível, a modelagem de tecido gessado pareceu a abordagem mais adequada. Além de proporcionar vivencias – o toque, a matéria dúctil, a realização e a visualização de um projeto em andamento – a modelagem em gesso deflagrou novas discussões sobre a formação artística de cada aluno.
As peças realizadas foram as mais diversas possíveis. Versavam sobre o tempo, o espaço, o amor, a solidão, o desejo...para que as peças pudessem ter relação com nossas discussões em ateliê, sugerimos uma PALAVRA GERADORA, que, quando contemplada a peça, surgiria na narração o sentido dos fragmentos.
Após a modelagem, a instalação....os lugares foram escolhidos pelos alunos. O bosque de pinheiros em frente ao campus sugeriu peças semi enterradas, surgindo como aparições ou flutuando em árvores, iluminadas a noite por pequenos faroletes. Assim, sem ter apropriação narrativa do sentido – a fantasmata – ou o conhecimento pela imagem – os corpos ou DESNHOS de si ocuparam muitos lugares, ampliando o sentido de vivencia e ambiência.
A montagem também precedia de uma idealização...as peças eram frágeis em sua matéria. Por esta fragilidade inspirou que deveriam surgir como uma APARIÇÃO, uma IMAGEM AGENTE para outras imagens expressivas. Para visualizar a mostra, todas as peças foram colocadas juntas. Precisávamos saber como elas “conversariam”. As palavras geradoras seriam então. “ouvidas” por nós para montar a exposição.É importante ressaltar que nestes dias todos, ficaram sobre as bancadas do ateliê livros sobre RODIN, NICK SAINT PHALE, GIACOMETTI...
A
terceira experiência com ensino e pensamento de arte junto a um curso
de arquitetura deu-se ainda sob o signo da modelagem e do DESEJO.
Qual será o sonho do tijolo... Convidados a visitar uma olaria e nela trabalhar, os alunos buscaram na forma própria e característica dos tijolos furados modificar e subverter a circunscrição e o lugar que ele ocupa no espaço. Daí, com a massa fresca da argila, criar novos sonhos para externar o edifício, elevando, duplicando e desenhando possibilidades.
Os tijolos foram feitos na olaria...um ambiente diverso do ateliê,mas vívido de imagens, cheiros e ruídos de outra natureza. Impregnados de poeira,argila e barro, os tijolos novos foram surgindo. A forma informe(a)
Os tijolos, após cozidos, foram transportados ao campus, onde tomaram lugares abertos, formando locais de reflexão...a fotografia ofereceu outras leituras que mais tarde foram comentadas em desenho Brinquedos...ocupação da cor e do sonho
Este projeto foi finalizado depois de intensas discussões sobre as questões do material reciclável e de que como todo este esforço muitas vezes não resulta em objetos que nos sensibilizem esteticamente. Estava este grupo ligado a abordagem de Modelagem, também em Plástica. O grupo decidiu pelo uso de garrafas plásticas de refrigerante. Recolheram centenas e passaram a enfrentar o problema de fazê-las viverem fora de si. CORES, FORMAS, TEXTURAS E SONS....inspirados nos parquinhos infantis, imaginaram um brinquedo para os olhos e para a contemplação... "É a precariedade da obra que coloca o artista em posição heróica..." George Braque. Espaço de discussão não se coloca apenas no ateliê. A arte é uma escolha estética e portanto, política. As discussões sobre tempo, espaço, cinema, televisão, literatura, musica, e arquitetura, aliadas a formação do professor-artista podem conferir a algumas disciplinas nos cursos de Arquitetura uma “alma” e um lugar de reminiscência e memória afetiva. Maria do Céu Diel de Oliveira (ceudoceu@ig.com.br) é Professora Doutora do Departamento de Desenho da Escola de Belas Artes da UFMG. Também é docente do Programa de Mestrado em Artes Visuais da EBA-UFMG. Líder do Grupo de Pesquisa Linha- Grupo de Pesquisa sobre o desenho e a palavra. Artista plástica, professora e pesquisadora, lecionou por 5 anos (1997-2001) as disciplinas Desenho e Expressão e Plástica no Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas, campus Poços de Caldas.Duas das três experiências relatadas forma realizadas em parceria com o Prof. César Augusto Elias,UNICEP São Carlos. |
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| Data da notícia: 05/04/2004 Fonte: Autora / Belo Horizonte MG Brasil | ||||