| Concurso
Público Nacional de Arquitetura e Urbanismo do Complexo de Desporto
e Lazer da Unisinos
Porto Alegre, março de 2004
1º
lugar: Cesar Dorfman (RS) – CDL 09
Co-autores: Arquitetos Andreoni da Silva Prudencio, Carlos Andre Soares
Fraga e Rodrigo Adonis Barbieri. Colaboradores: Arquitetos Ana Paola
Brugalli, Bernardo Generosi, Denise Gouveia e Marina Basso.
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| Perspectiva |
Concluída
a 1ª etapa do Concurso Público de Anteprojetos para o Complexo de Desporto
e Lazer da Unisinos e visto o teor da ata do júri decidimos ser nossa
meta, nesta 2ª etapa, reiterar os princípios já adotados e expostos,
aprofundar as resoluções e demonstrar ser possível a construção por
partes e, portanto, realizar numa primeira etapa o programa solicitado.
Fique
também claro que encaramos esta 2ª etapa como sendo em nível de estudo
preliminar pois julgamos que para avançar até o anteprojeto seria fundamental
o diálogo com o cliente pois decisões fundamentais teriam (e terão)
que ser tomadas em conjunto.
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Localização |
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Escolhas
que não mudam a essência do projeto tais como acabamentos, pisos, revestimentos,
equipamentos especiais, etc., têm variabilidade de custos muito grande.
Viabilizar construtivamente um projeto requer um diálogo intenso entre
cliente e arquiteto sendo conjuntas as decisões.
Reiterando
princípios
Um
desenho integrador, modelo para ações sobre o existente.
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Vista
aérea |
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Existe
infelizmente em nosso meio dificuldades de discussão de propostas arquitetônicas
de forma madura e profissional. Via de regra quando isto começa a acontecer
logo descamba para o terreno pessoal o que inviabiliza um resultado
positivo. Este fato é em parte culpado pelo não avanço da teorização
conseqüente e com resultados positivos sobre a produção arquitetônica.
Agora, no presente caso, temos de novo um caso típico. Existe um campus
universitário de porte, consolidado, e um plano de expansão do mesmo.
Como fazer esta expansão sem discutir o existente?
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| Implantação |
O
desenho proposto por nossa equipe evidentemente tenta propor algumas
normas que reencaminhem e redirecionem a forma do campus da Unisinos.
Sob nossa ótica existe um sítio com qualidades evidentes de topografia
e vegetação que foi ocupado através de um conjunto de prédios. Este
conjunto obedeceu a um traçado talvez mais adequado a um sítio plano,
com os prédios colocados dentro de um paralelismo indesejável. Ao mesmo
tempo os espaços abertos são apenas resultantes, residuais. Julgamos
de suma importância conscientizar o cliente das possibilidades abertas
através de análises e críticas deste teor, pois é possível por meio
de operações simples e de baixo custo requalificar o espaço aberto existente.
Nos
limites da presente proposta o desenho apresentado tem intenção de ser
exemplo para intervenções futuras. Pensamos também serem estas intervenções
ponto fundamental para o estabelecimento de condições onde possam frutificar
os objetivos de UNICIDADE expostos em texto anexo ao regulamento do
concurso.
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Vista
aérea |
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Ao
invés de ressaltar desenhos ímpares e exóticos para prédios isolados,
ênfase na noção do “todo” considerado como objeto passível de assim
ser visto por meio de um desenho unificador.
O
Centro Esportivo é um objeto –arena + piscinas + praça + edifício poliesportivo
– e este objeto se liga a outro, o Centro de Lazer junto ao lago, por
meio de trajeto peatonal e pequenas praças. Este conjunto, por sua vez,
se liga ao Campus.
A
idéia de trajetos peatonais protegidos – pisos, iluminação, vegetação,
pérgulas, mobiliário urbano – pontilhados por pontos de encontro e lazer,
pequenas praças. Valorização dos espaços abertos, hoje apenas colcha
de retalhos, espaços residuais.
O
modelo formal adotado para o Centro Esportivo prioriza a horizontalidade
e a curva. A horizontalidade reiterada pela grande esplanada fundindo
arena, piscinas, praça e poliesportivo. A curva como forma de concordância
com a topografia e com o desenho de perimetral existente.
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Vista
aérea explodida |
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Em
texto anexo ao regulamento do concurso encontra-se a idéia de explorar
o potencial plástico da cobertura da arena. Nossa análise indica que
o Centro Esportivo se encontra em ponto elevado do campus e que, em
conseqüência, a visibilidade desta cobertura é limitada e feita de pontos
em cota inferior. Centramos então nossa atenção nas visuais, a partir
do usuário do campus. Assim, por exemplo, do ponto de vista de quem
chega ao complexo vindo do centro do campus, a “cara” do conjunto é
dada pela plataforma e pelo prédio poliesportivo assim como quem chega
a partir do estacionamento de ônibus tem a forma arredondada da piscina
como primeiro plano.
A
arena é parte de um conjunto. O projeto existente e com parte de sua
estrutura concretada unia os prédios apenas por contigüidade, canchas
cobertas, arquibancada, arena, piscinas cada um com sua forma, independentes.
Partimos do oposto, um objeto formado por vários espaços complementares
e interdependentes e onde o elo formal é a curva.
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Foto
da maquete |
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A
grande esplanada, adaptada ao sítio, além de unificar é ponto de encontro,
local para eventos informais e grande foyer para os prédios ao redor.
A
criação de prédio poliesportivo resolve vários problemas. Primeiro,
afasta da arena um conjunto construído de porte e difícil de com ela
se coordenar. A proximidade é indesejável e a competição inevitável.
Segundo ,resolve o problema de estacionamentos cobertos colocados no
térreo deste prédio. Por fim e talvez o aspecto mais importante, permite
pensar a construção por etapas independentes. A arena, com as piscinas,
pode ser uma etapa, a plataforma outra e o poliesportivo, conforme desenhos,
em duas etapas.Como vantagem adicional esta conformação dá independência
de fluxo para a arena,permitindo sua locação para eventos.
O
Centro Esportivo, a Arena
Decisão
fundamental foi o estabelecimento de princípios norteadores para o desenho
da Arena:
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Foyer
da Arena |
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Encarar
o volume gerado como parte do todo, integrado, mimetizado;
Tentar
manter com o mínimo de alterações as arquibancadas já concretadas.
Um
grupo de pilares, independentes da estrutura existente e apoiada sobre
estes pilares uma cúpula composta por treliças metálicas concêntricas;
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Interior
da Arena |
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Esta
cúpula com sua forma pura está de acordo com o princípio de um todo
composto por formas puras;
Vistas
as diversas funções que o espaço deve abrigar optamos pela tradicional
forma foyer-platéia-palco. A conformação existente das arquibancadas
permitia este arranjo e foi possível inserir dois blocos nos extremos
– foyer e palco – com dimensões adequadas. As vantagens desta decisão
são, por um lado, ter um palco fixo com toda a infra-estrutura necessária:
coxias, camarins, doca, e por outro lado, um foyer com dimensões adequadas
a eventos sócio-culturais, shows, formaturas, festivais, ainda aumentado
pela aba da grande marquise.


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Cortes
da Arena |
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Parece-nos
obvia a adequabilidade desta solução à necessidade de eventos simultâneos.
Poder-se-á, sem maiores problemas, ter uma competição esportiva à tarde,
por exemplo, e um show à noite, com palco pronto, equipado, independente
da cancha.
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Plantas
da Arena |
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Equipe
especializada – arquitetos Carlos Nicolini e Clarice Bleil de Souza
– fez aprofundada análise (ver caderno A3) com vistas à otimização de
iluminação e ventilação naturais assim como de acústica.Esta decisão
de avançar no processo em relação a estes tópicos deve-se aos problemas
normalmente encontrados em ginásios esportivos, notadamente em Porto
Alegre, e nossa intenção de não repetir estes erros.Algumas soluções
indicadas por estes estudos já foram incorporadas ao desenho arquitetônico
como, por exemplo, as placas (forro) sob a cobertura, com função de
refletir a luz e de absorção sonora assim como a cumeeira da abóbada
com função de ventilação natural e iluminação.
O
prédio poliesportivo
Dimensionalmente
este prédio foi pensado como um rebatimento (em comprimento e altura)
da arquibancada existente. Esta ação permite a criação de espaço aberto
entre os dois lados, seqüência da grande praça de acesso, ao mesmo tempo
em que através de ligações/passarelas interconecta o novo prédio às
dependências sob a arquibancada.
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| Edifício
Poliesportivo - Vista |
A
curva da fachada fronteira à perimetral concorda com a geometria geral
do conjunto e atenua a percepção do comprimento do prédio para quem
circula pela rua.
A
execução em duas etapas é facilitada pela posição das canchas cobertas
(2ª etapa).
Os
brises, além de sua função protetora acentuam a horizontalidade.
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Edifício
Poliesportivo |
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Decisões
contrutivas
A
concepção do projeto, propositadamente, evita o uso de tecnologias inovadoras
ou não encontráveis facilmente em nossa região. A proposta se sustenta
pelo desenho do conjunto e não utiliza recursos tecnológicos como ponto
de apoio;
Esta
decisão deverá implicar obrigatoriamente em economia de custos; a cobertura
da arena é tecnicamente trivial e utiliza treliças em aço a partir da
constatação de que no sul do Brasil é grande o número de indústrias
capazes de executá-la e comparativamente à outras tecnologias é mais
econômica;
A
cobertura da arena é pensada em telhas de alumínio pré-pintadas, branco,
do tipo sanduíche com funções de refletir o calor e abafar o provável
ruído da chuva. A ventilação natural por meio de aberturas neste telhado
é feita por módulos que compõem o desenho geral;
A
grande plataforma é feita por meio de laje de cerca de 25cm de espessura,
sem vigas, apoiada sobre pilares com capitel e com vãos aproximados
de 10m;
A
passagem de nível ligando o campus ao centro esportivo por baixo da
perimetral, em função dos custos pode ser executada a posteriori.
Diretrizes
de Sustentabilidade
1.
Captação e utilização de água da chuva
Os
estudos feitos indicam que a utilização de água da chuva para consumo
requer equipamentos de tratamento que tornam economicamente inviável
o sistema.É, porém eficaz para outros usos, em nosso caso nas descargas
dos vasos sanitários, na recarga das piscinas e nas torneiras de jardim.
Embora
a análise do índice pluviométrico local, aproximadamente 105,9 mm/mês,
e a capacidade de captação feita pelas calhas da arena e do edifício
poliesportivo, em torno de 1.000.000 m3/mês,é recomendada a ligação,por
segurança,à rede de água potável.
Uma
estimativa inicial, a ser melhor estudada, feita levando em conta o
custo e benefício levou a um pré-dimensionamento do reservatório de
aproximadamente 500.000 litros para uma demanda mensal em torno de 800m3.
Usa-se, pois a reservação para compensar a irregularidade das chuvas.
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Vista
das piscinas |
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2.
Escolha de materiais
Alguns
parâmetros ligados ao conceito de “pegada ecológica” foram levados em
consideração;
localidade:
visto o alto custo energético agregado ao material pelo transporte os
materiais escolhidos são usuais no sul do Brasil.
desperdício:
o desenho final, de execução deverá ser pensado com vistas a este tópico;
potencial
de reciclabilidade: as escolhas levaram em conta tabelas existentes
indicando esta capacidade dos materiais.
algumas
escolhas já feitas baseiam-se nestes princípios;o uso de pisos externos
que evitem a impermeabilização do solo,pedra portuguesa,basalto, blocrete,etc.,e
o uso de grama na cobertura da grande plataforma com reflexos no índice
de conforto térmico e de retenção de águas da chuva auxiliando a evitar
alagamentos.
3.
Energia
A
questão energética em edifícios diz respeito à fase de utilização dos
mesmos.
Energia
para climatização
O
Partido Geral adotado levou em conta, com ênfase, os dados relativos
à climatização natural. O prédio poliesportivo em sua fachada para a
via existente é protegido por um sistema de quebra-sois que, ao mesmo
tempo, marca a horizontalidade desejada e conforma o edifício. A cobertura
da Arena é feita por meio de sanduíche de chapas de alumínio mais isolante
térmico e um sistema de “furos” nesta cobertura faz a retirada do ar
quente ascendente interno ao mesmo tempo em que ilumina. Pensa-se que
na fase de viabilização do projeto a escolha de vidros espessos ou duplos,
a boa vedação das esquadrias, paredes duplas com isolamento em chapas
de off-set usadas (a R$ 1,00/ m2 fornecidos pela CORAG) são algumas
das medidas possíveis e necessárias para uma boa conservação de energia.
Energia
para aquecimento de piscinas e chuveiros
O
sistema de captação de energia solar, embora o custo inicial mais elevado,
vai resultar em economia à médio e longo prazo. O necessário sistema
complementar deverá ter estudo econômico para a escolha – gás natural,
biomassa ou GLP. O detalhamento deverá levar em conta o bom isolamento
– paredes, esquadrias, cobertura – para conservação da energia.
Energia
elétrica
Não
sendo a energia elétrica usada para aquecimento de água e tendo em vista
o cuidado com os fechamentos e as proteções solares o que resulta em
economia com condicionamento artificial é de se estimar razoável economia
que pode ser a aumentada com a cuidadosa especificação de luminotécnica.
Ficha
técnica
Autores
Arquitetos Cesar Dorfman; Andreoni Prudencio; Carlos André Soares
Fraga e Rodrigo Adonis Barbieri
Colaboradores
Acadêmicos Bernardo Generosi e Marina Basso
Estrutura
Projetak / Engenheiro José Júlio A. Tavares
Condicionamento Natural (Iluminação/Ventilação) e Acústica
Arquitetos Carlos Nicolini e Clarice Bleil de Souza
Sustentabilidade
Arq. Cristiano Viegas Centeno
Orçamento
Engetak / Engenheiro Clovis Araújo
Maquete
Casa Concreta / Arquitetos Cristian Illanez e Hilton Fagundes
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