Concurso Nacional de Projeto Arquitetônico e Paisagístico para o Anexo do Museu do Ouro
Sabará, 21 de Maio de 2004

  Maquete
     

2° lugar – Proposta n° 10
Arquiteto Vitor Marcos Aguiar Moura – Belo Horizonte MG
Equipe: Luciana de Resende Alt

Ocupação do terreno e partido da edificação

A definição da área a ser ocupada pelo novo edifício foi governada por dois fatores básicos: o respeito às características patrimoniais do Museu do Ouro e ao ambiente do terreno destinado ao novo prédio.

  Perspectiva do Pátio posterior e Ateliê de Restauro
     

Isto gerou a necessidade de uma construção implantada com o máximo de afastamento possível em relação à Antiga Casa de Intendência, gerando um pátio de circulação entre a edificação oitocentista e o novo prédio. Este pátio é o elemento articulador principal do projeto.

  Perspectiva geral. Pátio das árvores e rampa
     

Desta forma o partido originado segue a divisa lateral direita do terreno, conformando uma edificação longilínea que deixa o espaço necessário para o citado pátio. A frente do anexo é um volume de vidro, visualmente leve, afastado do alinhamento mais de 5 metros, permitindo uma boa relação com a rua, com a vegetação e com o Museu do Ouro.

  Perspectiva do Teatro de Arena
     

A opção por uma edificação leve e térrea, seguindo em níveis o aclive do terreno respeita o gabarito do Museu e possibilita a adequação em relação às árvores existentes, indispensáveis para a ambientação do lote do anexo. Com esta opção é viável uma mínima movimentação de terra e fundação rasa tipo radier, que permitirá a construção na proximidade das árvores.

  Perspectiva interna da Sala Multi-Uso
     

Nenhuma árvore existente, de porte médio ou grande, será retirada para a construção do anexo. É o novo prédio que se adequa à vegetação existente, permitindo a livre interação.

Estas soluções possibilitam economia de recursos, boa ambientação e sobretudo respeito ao entorno e ao Museu do Ouro.

  Perspectiva interna. Café
     

Sistema construtivo

Construir hoje, em Sabará, ao lado de um prédio tão importante exige a escolha de um sistema construtivo atual, mas com reflexões sobre o passado e seus ensinamentos. Assim é possível que a nova edificação seja parte de uma dinâmica de educação patrimonial onde o antigo inspira criativamente o novo.

  Implantação e planta de cobertura
     

O sistema estrutural escolhido para nova edificação é metálico em aço cortén, pela sua praticidade e eficiência. Esse sistema, assim como o do Museu do Ouro, é uma estrutura autônoma: um engradamento que sustenta a cobertura e permite que as paredes em alvenaria sejam leves, somente para vedação. Em locais estratégicos esta vedação é de vidro permitindo a ligação com a ambientação do lote. No café paredes e teto de vidro permitem a ligação visual com as árvores, como parte de um típico quintal de Sabará.

As telhas de barro, tradicionais até hoje, se adequam bem ao clima e protegem a construção com grandes beirais, que em alguns lugares permitem a circulação abrigada entre os ambientes.

Elevações frontais
 

Logo na entrada um espesso muro de pedra recebe os visitantes, um elemento marcante e, novamente, um sistema tradicional usado de forma contemporânea, associado ao vidro e estrutura metálica.

O sistema estrutural e materiais propostos são diretamente inspirados no tradicional, utilizado no Museu e em incontáveis edificações coloniais. A estrutura autônoma de madeira e vedações em adobes e pau-a-pique dão origem a uma nova proposta com novos materiais.

Elevações laterais
 

Ambientes principais

Na entrada, o teatro de arena ocupa de forma discreta o início do pátio, um pórtico escultural em aço cortén serve de apoio para equipamentos e delimitação da boca de cena, podendo ter sua parte superior retirada em espetáculos especiais.

O muro de pedra limita o anexo à direita, definindo seu alinhamento e uma circulação de serviço para o café. Na parte frontal o muro forma um jardim e apóia a cobertura do café, parte telhado e parte uma caixa de vidro.

Corte
 

No café a lareira articula o balcão, sendo o centro deste espaço aconchegante, abrigado mas com ligação direta para o pátio das árvores, através das paredes e teto em vidro.

Seguindo a linha do café surge a loja, visualmente integrada e em espaço interligado, ambos permitindo acesso direto pelo pátio através de portas de vidro.

Um nivel acima surge o conjunto da sala multi-uso e sanitários. A sala possui uma parede de entrada que pode ser aberta para interligação direta com o pátio, tornando-se uma grande varanda, um espaço fluido com grande versatilidade para eventos variados. Os sanitários, juntamente com a cozinha, formam um núcleo hidráulico central, permitindo economia na construção.

Cortes
 

Subindo mais um nível o pátio se afunila, junto à circulação está o atelier de restauro, com janela rasgada que permite a visualização, pelo público, dos processos de restauro. Este espaço é equipado com bancadas, pias, mesas moduladas, sistema de exaustão forçada com trompas de sucção e eficiente iluminação/ ventilação natural. Dividindo a parede com este espaço está, ao fundo, a reserva técnica. Um ambiente com controle total de iluminação, temperatura e umidade.

Ao fundo parte do muro de divisa com o Museu foi retirado, conformando a área final das rampas do pátio, junto ao banco, feito sobre o baldrame de alvenaria de pedras do muro. O banco marca a divisão entre terrenos e permite a contemplação.

  Planta
     

Neste ponto as edificações se unem num mesmo nível, permitindo uma ligação ampla.

O anexo se integra de forma contemporânea e respeitosa com o Museu do Ouro, seu entorno urbano e à vegetação existente , permitindo uma ambiência agradável com espaço funcional.

 
Data da notícia: 19/06/2004 – Fonte: Equipe Premiada / Belo Horizonte MG Brasil
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