2º
Lugar – Trabalho Número 18
"Urbanização e paisagem na bacia do rio Cotia"
Alexandre Hepner, Bruna Benvenga, Denis Cossia, Júlia França / FAU-USP
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Foto
aérea |
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Introdução
O
município de Cotia se localiza dentro da região metropolitana de São
Paulo, no eixo da Rodovia Raposo Tavares, à oeste da capital. A intensificação
de sua ocupação ocorreu em meados do século XX, a partir do aparecimento
de loteamentos residenciais destinados à classe média, e da instalação
de indústrias nas zonas adjacentes à rodovia.Paralelamente, observou-se
a expansão da habitação para a população de baixa e média-baixa renda
que se fixou em terrenos, muitas vezes, desprovidos da devida infra-estrutura,
ou em áreas inadequadas ao assentamento, que em grande parte são irregulares.
Esses fatores são agravados pelas condições naturais do local, caracterizadas
por um relevo acidentado e pela presença da bacia do Rio Cotia. Nesse
quadro, existe uma questão ambiental e social a ser resolvida, que envolve
a ocupação de zonas de risco de desmoronamento, e a preservação da várzea
do rio e de suas nascentes.
Diagnóstico
Para
o desenvolvimento do estudo da área, foi escolhida uma região específica
do município, localizada na altura do quilômetro 30 da Rodovia Raposo
Tavares, que servirá de exemplo para o tratamento das questões abordadas.
Nessa região, encontra-se o maior trecho de várzea ainda não ocupada
do Rio Cotia.
Nos
meses de abril e maio de 2003, foram feitas algumas visitas para estudo
do campo, das quais resultou o mapa de manchas de ocupação abaixo. A
partir desse mapa, e com a ajuda da análise de fotos, foi possível fazer
um diagnóstico da área, do qual se pode identificar três cenários principais.
O primeiro é o centro urbano de Cotia, que se situa numa área de relevo
escarpado e que abriga densidades populacionais mais altas. É um pólo
atrativo de indústrias e serviços devido à sua oferta de infra-estrutura.
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À esquerda, várzea do rio Cotia, com indústrias
ocupando áreas adjacentes ao rio; à direita, várzea
do rio Cotia, com áreas não edificadas, utilizada
por pesqueiros |
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Apresenta
ainda um sistema viário precário, e poucas áreas livres destinadas para
o lazer e para a drenagem das águas.
O
segundo cenário encontrado é a grande várzea do rio que ainda não foi
totalmente ocupada, e que poderia se tornar uma boa opção de lazer para
a população. Porém, esse espaço é inacessível e sofre com o processo
de poluição e assoreamento da bacia, que se encontra em estágio inicial.
A habitação de baixa renda, que já ocupa as áreas acidentadas próximas
à várzea, agora está começando a se dirigir para os terrenos planos
adjacentes ao rio, sufocando-o.
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À esquerda, ocupações populares irregualares
em terrenos acidentados; à direita, cenário da várzea
ainda não ocupada |
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O
último cenário característico é composto pela Mata Atlântica nativa
e pela mata de reflorestamento. Elas se encontram mais afastadas das
principais vias de acesso e estão desconectadas do núcleo urbano do
município. Existem nesse cenário algumas manchas arborizadas preservadas,
circundadas por loteamentos de alto padrão destinados à chácaras de
lazer.
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À esquerda, condomínios de alto padrão próximos
à várzea; à direita, condomínio de alto
padrão próximo à zona de ocupação
popular |
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Esse
trecho de Cotia apresenta áreas em situação preocupante, já que os assentamentos
ameaçam ocupar a várzea e as encostas, fato que é perigoso tanto para
as populações residentes dessas regiões quanto para o meio ambiente,
sua fauna e flora. O aumento desorganizado desses assentamentos ao redor
das franjas das áreas preservadas atua como predador das espécies originais
diminuindo a sua variedade.
Quanto
ao rio e à sua bacia, pode-se prever questões ambientais comuns aos
rios das cidades brasileiras, que devido à poluição e à ocupação desordenada
de sua margem, sofrem com enchentes e com o processo de assoreamento.
A
situação ambiental conflitante e a falta de uma unidade paisagística
do trecho estudado são resultados de um crescimento urbano não planejado
e desvinculado da situação ambiental.
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Mapa
diagnóstico da região |
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A
partir dessa análise diagnóstica propõe-se um plano de intervenção paisagística
na área, exposto a seguir.
O
plano da paisagem
O
plano proposto parte de um projeto para a criação de um sistema de espaços
livres que é gerador do desenho da paisagem da região. Para isso, considerou-se
a potencialidade da área da várzea em transformar-se em um parque
de uso e administração pública. Esse parque abrange toda a área ainda
não-ocupada, seguindo a linha da várzea e das nascentes dos rios da
Bacia do Cotia (ver o esquema do partido do projeto ao lado). Através
dos limites do parque se delimita três situações distintas no plano.
A primeira situação é o cenário próximo à Raposo, mais adensado com
ocupações já consolidadas e/ou ocupações irregulares, que recebe um
plano de reconfiguração de espaços sem alteração significativa de uso
e densidade. A segunda situação é representada por uma zona de transição,
que está passando por um processo acelerado de ocupação, e que portanto,
recebe um zoneamento que direciona a configuração dessa ocupação e restringe
o adensamento. A última situação é um cenário pouco ocupado que deve
receber um plano de adensamento controlado para ocupar manchas próximas
ao parque sem interferir nas áreas com presença de mata nativa (ver
o estudo de densidades ao lado).
Para
o parque foram determinadas áreas de conservação da vegetação com uso
de lazer e contemplação e áreas de preservação da mata nativa e de reflorestamento.
Sua gestão foi pensada como pública partilhada entre a Prefeitura de
Cotia e o Governo do Estado de São Paulo. Algumas partes das áreas de
conservação do parque devem ter sua cobertura vegetal reconstituída,
para possibilitar a integração com as partes mais preservadas.
Como
forma de viabilizar o acesso ao parque da várzea e integrar as zonas
urbanizadas, estudou-se a remodelação do sistema viário existente. Essa
remodelação cria vias hierarquizadas e redesenha algumas vias já existentes
como a avenida principal da cidade, na qual se localiza a sede da prefeitura.
As vias criadas circundam toda a extensão do parque, e o conectam diretamente
com a rodovia. Para essa conexão direta sugere-se a passagem em desnível
com relação à avenida principal, aproveitando o relevo acidentado (na
perspectiva são representados modelos dessa passagem em desnível). Esse
mesmo sistema de vias com passagem em desnível é utilizado para favorecer
a travessia de tráfego pela várzea.
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Estudo
de densidades |
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O
estudo de densidade acima é uma projeção das densidades que deverão
ser alcançadas, ou mantidas, com a implantação do plano proposto. Elas
se baseiam nos valores já encontrados atualmente na região e visam criar
manchas populacionais que justifiquem o enriquecimento da infra-estrutura
do local, e não provoquem a superutilização da mesma.
Para
tal, foram estabelecidas zonas de ocupação relativamente mais densas,
próximas às maiores vias de acesso; zonas de ocupação com densidades
medianas, que se localizam numa área de transição; e zonas com densidades
baixas, inseridas nas áreas de maior preservação da várzea e da mata
nativa.
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Partido
do projeto |
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O
partido do projeto tem a linha do parque da várzea como ordenadora do
espaço urbano. Ela determina a inserção de áreas verdes na zona mais
urbanizada do município; e a consolidação de manchas de ocupação bem
definidas num cenário predominantemente natural (áreas verdes mais preservadas).
Dessa forma, o projeto pretende criar um modelo de urbanização que garanta
a sustentabilidade ambiental da expansão urbana na várzea do Rio Cotia.
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Perspectiva do projeto |
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Projeto
de ocupação |
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Tipologias
de Ocupação
As
tipologias escolhidas para a ocupação da região são variadas, ajustando-se
às tipologias encontradas no município, ou propondo novas formas de
ocupação do solo.
As
formas de ocupação foram distribuídas respeitando as faixas de densidades
pré-estabelecidas, as características sociais dos diferentes trechos
e a sua topografia.
As
novas tipologias propostas prevêem a verticalização que, mantendo as
densidades desejadas, possibilita a liberação de solo invertendo o seu
processo de impermeabilização, e preservando os canais de drenagem do
solo. A determinação do número de andares dos prédios, bem como a quantidade
de torres implantadas no lote foram os meios utilizados para induzir
um certo tipo de ocupação desejada. Esses fatores também se relacionam
com padrão social de ocupação e uso dos diferentes cenários de Cotia,
possibilitando que grupos sociais variados usufruam do parque e das
mudanças proporcionadas pelo plano.
Acima,
pode-se ver a planta com as manchas de ocupação e de espaços livres,
e com o traçado viário básico proposto. As legendas em números e cores
explicitam os padrões de ocupação que podem ser vistos ao lado. Abaixo,
uma perspectiva da previsão do projeto ocupação no trecho de legenda
8.
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Exemplo
de ocupação de um trecho de várzea |
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Ficha
técnica
Nome
do projeto
Urbanização e Paisagem na Bacia do Rio Cotia
Autores
Alexandre Hepner, Bruna Benvenga, Denis Cossia, Júlia França
Orientador
Prof. Dr. Silvio Soares Macedo
Escola
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
– FAUUSP
Local
do projeto
Município de Cotia SP
Data
do projeto
1º semestre de 2004
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