Menção
Honrosa – Trabalho Número 7
"O reTRATO do fundo de vale – da erosão ao caos, do caos
à grama"
Fernanda Maria Gasperazzo Turini, Fernada Nascimento Corghi, Fernando
Arrivabene, Gabriel Cilense Zuanon, Juliana Moraes Pereira, Letícia
Azevedo Junqueira, Phâmela de Freitas Dadamo, Tenecy Torres, Vinícius
Camargo Martins – UNESP
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Maquete
eletrônica de estudo |
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Destacando
a Microbacia do Córrego da Grama
A
cidade de Bauru originou-se com a expansão cafeeira em direção ao oeste
do estado de São Paulo, em fins do século XIX. As linhas férreas que
acompanharam o café, Noroeste, Paulista e Sorocabana, foram de extrema
importância para a consolidação da cidade. O encontro dessas três linhas
transformou Bauru num importante ponto de passagem, adquirindo grande
importância política e econômica no contexto regional.
Mesmo
após o declínio do transporte ferroviário, Bauru ainda se destaca como
pólo de serviços, devido às Universidades, Centros de Pesquisas e infra-estrutura
médica e odontológica, mantendo-se a cidade mais importante do centro-oeste
paulista.
Implantada
na cabeceira do rio Bauru e rio Batalha, a cidade se desenvolveu a partir
do contorno das linhas férreas, eixos esses, responsáveis pelo surgimento
dos primeiros bairros e consolidação do centro da cidade no entroncamento
das três linhas. No entanto, tal implantação não respeitou a vegetação
original, devastando-a ao longo do seu trajeto.Hoje estas áreas são
resíduos urbanos que sofrem com a forte degradação ambiental, e com
a ociosidade do transportes férreos, utilizados somente para carga,
com freqüência de três vagões por semana.
O
crescimento acelerado e desordenado de Bauru desrespeitou características
físicas e ambientais de fundamental importância. A construção de grandes
avenidas e loteamentos em áreas de fundo de vale, como a avenida Nações
Unidas e Nuno de Assis, sofrem constantemente com enchentes causando
danos estruturais à cidade, e prejuízos à população.
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Mapa do Estado de São Paulo com estradas de ferro |
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Bacia
do Córrego da Grama
A
Bacia do córrego da Grama ocupa aproximadamente 20% da área urbana da
cidade com população estimada em 60.000 habitantes e características
sócio econômicas diversas, englobando desde a classe média até classes
menos favorecidas.
É
uma área que apresenta degradação da vegetação de origem, áreas assoreadas
e vários focos de erosão.
A
proposta para a microbacia do Córrego da Grama
Soluções
para o sistema de drenagem da Bacia
A
solução para os problemas ambientais e sociais da Bacia do Córrego da
Grama vincula-se a aspectos políticos, legais e econômicos. A Adoção
da Bacia Hidrográfica como unidade do Planejamento Urbano, possibilita
o gerenciamento de um Plano de Drenagem específico para a mesma, com
medidas de atuação emergencial e a médio e longo prazo, de acordo com
as limitações do meio físico, já adensado em sua maior parte.
As
medidas em longo prazo prevêem a execução de obras de infra-estrutura
(galerias de água pluvial e pavimentação das ruas), tanto nos empreendimentos
urbanos já implantados, quanto nos que virão a ser executados, a implantação
de novos loteamentos condizentes às limitações do meio físico, paralelamente
à realização de amplo trabalho de conscientização ambiental na população.
Para
a contenção do alagamento na região central, próximo à Av: Nuno de Assis
há proposta de construção de duas barragens de contenção de água pluvial
ao longo do leito do córrego da Grama. Esse projeto, e o tratamento
dado em seu entorno, poderia estar sendo repetido nos outros córregos
que apresentassem a mesma problemática, e também contribuíssem no alagamento
dessas e de outras vias afetadas pelo mesmo problema. Além de conter
a água pluvial, as barragens seriam usadas para ligação viária dos bairros
no sentido norte sul, cortando a barreira ociosa deixada pela linha
férrea.
Soluções
emergenciais para o sistema de drenagem
- Contenção de
água à montante da bacia, através de reservas de área verde em lotes
ociosos;
- Revegetação das
linhas de drenagem natural e dos fundos de vale;
- Implantação de
pavimentação, galerias de água pluvial e dissipadores de energia nas
ruas principais;
- Execução de um
plano de contenção de erosões.
Plano
de contenção de erosões
- Disciplinamento
das águas superficiais e subterrâneas;
- Locação de dissipadores
de energia na saída dos emissários;
- Retaludeamento
do solo erodido;
- Terraceamento
e revegetação das linhas de drenagem natural;
- Monitoramento
periódico das áreas atingidas.
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Microbacia do Córrego da Grama |
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Equipamentos
Públicos
A
carência de equipamentos públicos na região apresenta a área do fundo
de vale como um espaço propício para receber atividades de esporte e
lazer, tirando-se proveito de suas características ambientais, estéticas
e de seu relevo acidentado para a implantação de parques, barragens,
áreas de preservação, e de contenção de erosões, tornando esta, uma
área permeável e integrada à cidade.
Solução
viária
A
transposição interbairros, hoje dificultada pelo espaço ocioso entre
as ferrovias, que divide a bacia em duas grandes áreas, seria facilitado
pelo uso das barragens como vias, em sentido transversal ao percurso
dos trilhos; e o acesso aos parques, seria viabilizado para pedestres
e pessoas com necessidades especiais, através de caminhos tratados,
rampas com inclinação adequada e diferenciação de pisos.
A
reativação dos trens ainda deixaria grande parte dos trilhos ociosos,
por isso optou-se pela retirada de um deles, que daria lugar a uma grande
avenida. Esta ordenaria o trânsito local, ligando o centro aos bairros
(leste-oeste) e à rodovia Bauru-Marília, estruturando o acesso aos parques
e criando condições para a implementação de novas atividades econômicas.
Isso otimizaria seu potencial articulador do trânsito da cidade, que
atualmente tem seu centro saturado pelo sistema de linhas de ônibus
bairro-centro-bairro.
Plano
de revegetação
A
revegetação da mata ciliar implementaria diferentes espécies arbóreas,
arbustivas e rasteiras, através de mudas e sementes, à vegetação de
cerrado, que seria recuperada com espécies adequadas. A grande diversidade
florística priorizaria diferentes maneiras de revegetação, adensando
alguns locais, e em outros, aplicando espécies de forração.
As
espécies a serem implantadas foram selecionadas de acordo com suas características
climáticas e geológicas, sendo a grande maioria produzida no Viveiro
Municipal de Bauru.
A
consolidação dessa vegetação evitaria o assoreamento do córrego, melhoraria
a qualidade e vazão da água, e evitaria a formação de novas erosões,
além de atrair espécies da fauna local devido à formação de microclima
e habitat necessário ao abrigo e reprodução.
Programa
dos parques
Os
parques elaborados possuem infra-estrutura (banheiro, lanchonete e comércio)
e espaço suficientes para atender à população local. São equipadas com
playgrounds, quadras poli-esportivas, áreas de contemplação e caminhadas.
Possuem também áreas para a prática de esportes radicais, bem como uma
ciclovia que acessa diferentes pontos do bairro, proporcionando assim,
diferentes formas de lazer público para diferentes faixas etárias.
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Mapa da área de intervenção |
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Em
resumo, o projeto busca a incorporação de uma área de fundo de vale
à dinâmica da cidade, relevando seus aspectos sócio-econômicos, físicos
e históricos, para a proposição de resoluções condizentes aos problemas
específicos da bacia estudada. A implantação racional e viável de elementos
urbanísticos e paisagísticos multifuncionais, trabalhados esteticamente,
permite a apropriação do espaço de diferentes formas, visando o suprimento
gradual das carências observadas na área (transporte urbano, áreas de
lazer, mata ciliar, infra-estrutura básica, assistência social e tantas
outras) e um correto gerenciamento da mesma. Permite também a adoção
da microbacia como unidade do Planejamento urbano da cidade, para que
haja a devida relevância de problemas específicos que a atingem em diferentes
escalas e a proposição de medidas necessárias e viáveis, de acordo com
o planejamento regional.
Ficha
técnica
Nome
do projeto
O reTRATO do Fundo de vale, da erosão ao caos do caos a grama
Autores
Fernanda Maria Gasperazzo Turini, Fernanda Nascimento Corghi, Fernando
Arrivabene, Gabriel Cilense Zuanon, Juliana Moraes Pereira, Letícia
Azevedo Junqueira, Phâmela de Freitas Dadamo, Tanecy Torres, Vinícius
Camargo Martins
Orientador
Profa. Dra. Marta Enokibara
Instituição
Universidade Estadual Paulista, Júlio de Mesquita Filho (UNESP)
Unidade
Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação
Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo
Local
Bauru SP
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