Menção
Honrosa – Trabalho Número 17
"Estruturação urbana e ambiental das margens do rio Jaboatão"
Patricia Marques Cavalcanti / FAUPE
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| Vista
da área de convivência do Parque do Moreno |
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Leitura
da paisagem
O
trabalho trata da Estruturação Urbana e Ambiental das Margens do Rio
Jaboatão, que corta a área urbana do Município do Moreno. O objetivo
deste trabalho foi proporcionar a reversão gradual do estágio de degradação
do Rio Jaboatão e seu entorno, com foco na área central do Moreno, buscando
assegurar uma melhor acessibilidade e visibilidade do mesmo. O trabalho
teve como resultado uma proposta paisagística para o trecho central
do Distrito Sede do Moreno, correspondente ao Setor 02, que será melhor
explicado ao longo do texto.
O
Município do Moreno está situado à sudoeste da Região Metropolitana
do Recife, possuindo como característica ambiental marcante o fato de
em seu território concentrar grande quantidade de mananciais, tendo
por isto 70% do seu território dentro de áreas de proteção. Como a maioria
das cidades brasileiras de porte médio, sua ocupação urbana ocorreu
de forma desordenada pressionando um destes mananciais, o Rio Jaboatão
que cruza a sua área urbana.
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Duas situações do rio Jaboatão: à esquerda,
despejos domésticos lançados ao rio pelos moradores; à direita,
trecho de potencial paisagístico |
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O
trecho do Rio Jaboatão dentro da área urbana do Município do Moreno
possui uma extensão de 4 Km, funcionando como um elemento divisor do
Município, em uma porção norte, de ocupação mais antiga e sul, desenvolvida
mais recentemente. Por cortar toda a área urbana, o lançamento dos despejos
industriais, domésticos e do lixo urbano, no Rio Jaboatão, têm lhe causado
um alto grau de poluição.
O
Município em dados
- Município:
MORENO/ integrante da Região Metropolitana do Recife;
- Área
do Município: 191.30 km2;
- População
Total: 49.205 habitantes;
- População
Urbana: 38.294 habitantes;
- Formação
Histórica: Século XVII;
- Formação
da cidade do Moreno: instalação, em 1910, do Cotonifício "Societé
Cotonniere Belge-Brasiliense S.A.;
- Taxa
de urbanização do município: 77,03%;
- Vegetação
predominante: Mata Atlântica;
- 70%
do Município inserido na Àrea de Proteção de Mananciais.
Em
um estudo mais aprofundado o Rio Jaboatão foi dividido em 05 setores,
de acordo com suas características específicas. Destes, o Setor 02 destaca-se
estar paralelo ao núcleo do Município onde estão concentradas as atividades
administrativas municipais e o centro comercial. Por este motivo esta
área foi selecionada para a proposta de implantação de projeto paisagístico
piloto que estruture a as margens do Rio Jaboatão o Parque do Moreno.
O trecho correspondente a este setor é delimitado por duas pontes: a
Ponte Fina de uso exclusivo de pedestres e a Ponte Santa Maria que serve
também ao fluxo de veículos.
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Perspectiva
do Parque com vista para o palco e ao fundo a área de convivência |
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A
ocupação da margem esquerda está caracterizada por ser o trecho onde
se desenvolve o centro comercial e administrativo do Moreno, situado
na Av. Sofrônio Portela. A área rente à margem está completamente ocupada
por edificações, na sua maioria de uso habitacional e perfil econômico
de baixa renda. Na Av. Sofrônio Portela, estão localizados os principais
equipamentos públicos como: a Prefeitura do Município, o Mercado, o
Fórum e a Estação Ferroviária, símbolo para o Município do Moreno devido
a sua importância histórica, entre outros equipamentos que dão ao local
a característica de Centro Urbano. Neste trecho a visibilidade do Rio
é prejudicada devido à conturbação de edificações.
A
margem direita também se encontra ocupada por edificações. seu acesso
é realizado pela Rua Moacir Campelo que percorre, em paralelo todo o
curso do Rio neste setor, oferecendo uma vista privilegiada deste trecho
do Rio Jaboatão. Pode-se desfrutar da natureza, pois as poucas construções
não dificultam a visão, diferentemente das que são vistas na margem
esquerda do Rio.
As
águas do Rio Jaboatão, a partir deste trecho, encontra-se no ápice de
sua poluição, pois o rio vem sendo utilizado como depósito de resíduos
sólidos. Ainda assim a população utiliza a água para os mais variados
fins, como: banho, lavagem de roupa, preparação de alimentos, pesca,
lazer, etc. Mesmo com toda ocupação desordenada e apesar da poluição,
ainda encontramos beleza natural e construída no Setor 02.
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Vista
da rampa de descida para a área de convivência do Parque do Moreno.
Na área de convivência podem ser observados espaços como playground,
áreas de contemplação, área para exposição, mobiliários como bancos
e mesas de jogos, e também o projeto de duas pontes de pedestre
que ligam o lado norte e lado sul do Distrito Sede do Moreno |
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Neste
trecho do Rio ocorrem algumas constituições rochosas que embelezam a
paisagem natural, e uma pequena represa localizada próxima a Ponte Fina.
Por ser o Centro Comercial e, conseqüentemente onde se encontra a maior
diversidade de ocupações, mesclando o uso habitacional, em predomínio,
com o comercial, apresenta um dinamismo e efervescência das atividades
humanas, bastante interessante e necessária à cidade. A falta de planejamento
e de controle urbano permitiu uma ocupação desordenada, somado a isto
a concentração de serviços, comércio e equipamentos públicos, neste
trecho, ao longo do tempo sobrecarregaram a estrutura, fazendo com que
seja o trecho onde se concentra uma certa desordem urbana, característica
recorrente em cidades desse porte.
Potencialidades
- Rio Jaboatão,
grande potencial natural;
- Abundância de
espaços livres potenciais nas margens do Rio Jaboatão;
- Ambiente municipal
propício ao turismo ecológico.
- Importantes eixos
viários dando acessibilidade ao município e à área central.
- Presença de relevante
patrimônio histórico edificado, representado por sedes de engenhos,
Estação Ferroviária (1883), predominância de casario do início do
século passado.
- Beleza arquitetônica
do centro histórico, com edificações em estilo eclético.
- Diversos equipamentos
localizados na área central: Prefeitura, Mercado Público, etc.
Problemas
- Poluição pelo
lançamento direto de dejetos;
- Contaminação
hídrica pelo uso de agrotóxico, a jusante do rio;
- Ocupações irregulares
e desordenadas nas margens e áreas de várzea do rio;
- Comprometimento
da acessibilidade e visibilidade do Rio Jaboatão em função da ocupação;
- Assoreamento
do rio em função da retirada de matas ciliares;
- Baixo índice
de arborização na área central da cidade do Moreno;
- Carência de espaços
públicos de lazer;
- Falta de tratamento
paisagístico, no centro de Moreno, com déficit de áreas verdes;
- Espaço complexo
pela concentração de diversos usos e pela desorganização urbana encontrada;
Proposta
paisagística para o Parque do Moreno
Uma
análise mais aprofundada da área de estudo demonstrou ser necessário
alargar a área de intervenção, estendendo-se da margem até o centro
propriamente dito. A paisagem do centro é caótica e árida. Caótica -
pois a área central do Moreno encontra-se hoje desestruturada por uma
ocupação desordenada. O aspecto mais gritante desta problemática recai
no sistema viário que se encontra saturado. A via principal, a Av. Sofrônio
Portela possui apenas duas faixas de rolamento, com fluxo nos dois sentidos,
gerando um conflito entre ônibus e veículos particulares. As calçadas
estreitas, por sua vez, não dão conta do fluxo de pedestres. Árida -
pois a área central possui poucos espaços vegetados, restringindo-se
a praça da bandeira, ao entorno da catedral e a escassa arborização
urbana remanescente de uma intervenção do início do séc. XX.
A
partir do levantamento e análise da paisagem da área objeto de estudo
e da identificação das principais problemáticas e potencialidades foram
traçadas as diretrizes que funcionarão como eixos – guia da proposta:
- resgatar o Rio
Jaboatão para a paisagem do centro do Moreno;
- ordenar a ocupação
das margens do Rio Jaboatão;
- melhoria da qualidade
das águas;
- ampliar a oferta
de áreas de lazer;
- criar um espaço
de amenização urbana para o centro;
- ordenar a ocupação
das áreas livres do centro;
- reestruturar
o sistema viário.
A
proposta parte da consideração do espaço público como estruturador do
espaço urbano, como base projetual a partir do qual os demais espaços
se articulam. É através dele que se busca resgatar a identidade do cidadão
para com sua cidade.
O
partido adotado para o projeto do Parque do Moreno foi resgatar a visibilidade
do Rio Jaboatão para o centro da cidade, criando uma área de amenidade
paisagística e ambiental para o caos urbano atual. O projeto foi organizado
em duas áreas complementares, marcadas pela diferença de cota de nível
de 1,5m (um metro e meio).
A
primeira, cota zero, é mais voltada para o centro e tem por objetivo
estruturar o sistema viário e as diversas formas de apropriação do espaço
público identificados na análise (estacionamento, barracas de comida,
palco para apresentação).
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Esquema
ilustrativo das barragens de concreto, intercaladas por vegetação
para retenção e depuração dos resíduos encontrados nas águas do
Rio Jaboatão |
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Mostrou-se
ser necessário estender a área de projeto à Av. Sofrônio Portela, que
se encontra atualmente saturada em sua capacidade viária e suas estreitas
calçadas geram conflitos entre pedestre e veículos. Outro problema observado
foi em relação às área livres existentes, que são ocupadas desordenadamente
por estacionamento e barracas de comercio. O novo desenho viário visa
ordenar o fluxo de veículos dividindo-o em duas calhas de sentidos opostos.
Na área central foi proposto um ordenamento do estacionamento, agora
com local para ônibus, divididos em dois bolsões.
No
trecho escolhido o fluxo de pessoas aumenta à medida que de aproxima
do centro da área e o partido paisagístico adotado refletiu esta dinâmica.
As bordas receberam um tratamento que contempla espaços mais ajardinados
e mais relacionados com as edificações do entorno imediato, de um lado
o palco do Espaço Cultural Zazart Gomes e do outro lado uma área de
jardim e quiosque para os comerciantes se encontrarem e/ou descansarem.
À
medida que se aproxima do centro, passam a predominar os espaços pavimentados.
O uso do Piso Intertravado está caracterizado em toda as calçadas, nas
áreas de convívio, nas rampas, em uma parte do playground e nas escadas.
A escolha do piso utilizado visou manter a permeabilidade do solo. Neste
trecho, a vegetação fica limitada ao extrato arbóreo, onde buscou-se
características como adaptabilidade às condições físicas e ambientais,
resistência e pouca necessidade de manutenção.
A
Estação Ferroviária foi tratada com um espaço foco do complexo do parque,
concentrando um ponto para informações e distribuição do fluxo turístico
bem como um memorial da história do moreno.
A
segunda área, cota -1,5m, corresponde a margem do rio propriamente dita.
Onde predominam os espaços vegetados, o solo foi deixado no natural
e a vegetação escolhida foi locada a partir dos pontos de visada do
Rio Jaboatão. A área corresponde a antigos quintais onde já existem
algumas vegetações, por essa condição o extrato arbóreo foi mantido,
se inserindo vegetações complementares. Na vegetação adicionada estão
incluídas predominantemente espécies florísticas, marcando a nova vegetação
a partir da cor.
O
acesso a esta área de convivência é feita por duas rampas, duas escadarias
e duas pontes, que ligam o lado norte e o sul do Distrito do Moreno.
O desnível foi tratado através de um taludamento feito com material
que permite a drenagem natural do solo (gabião) e a colonização por
espécies vegetais. Nas margens do Rio que constituem as bordas da área
de convivência foram colocadas barreiras vegetais com plantas aquáticas
em uma cota mais baixa, dentro do leito do rio, e um taludamento com
material semelhante recebeu o tratamento do desnível entre a cota zero
e a cota –1,5m.
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Detalhe
da baia projetada para ônibus e do estacionamento de carro e ônibus.
O piso da calçada é intertravado, especificado ao lado e como pode
ser observado o detalhe ao lado da baia, rasgos de cobograma com
20cm fazendo o desenho de um X e palmeiras imperiais em seus encontros |
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Próximo
a uma das pontes, que ligam o Parque do Moreno ao lado sul do Distrito,
foi implantado um sistema de filtragem das águas através de barragem
com plantas depuradoras. Essa barragem impede que os resíduos sólidos
se espalhem pelo Rio Jaboatão, e por sua vez permite que estes possam
ser coletados. As plantas processam através de suas raízes a maior parte
dos resíduos químicos, diminuindo a fertilidade da água e controlando
a proliferação de algas nocivas. Esta ponte passa dentro do jardim aquático
resultante da configuração do filtro e se articula com o sistema viário
da margem sul.
O
local escolhido para a situação procurou favorecer, entre outros fatores,
a visualização da pequena represa existente no local, que testemunha
a origem industrial do município.
Área
objeto de estudo
Área
Objeto - Setor 02 (aproximadamente 1.800 m2);
Características
gerais da área objeto - trecho urbano, integrante da área central do
Moreno.
Proposta
paisagística – o Parque do Moreno
- Estruturação
urbana, onde se insere a proposta paisagística com implantação do
Parque do Moreno, com tratamento paisagístico nas margens do Rio Jaboatão;
- Introdução de
várias espécies de vegetação, intercaladas por caminhos de pedestres,
de forma ordenada, permitindo desenhos harmoniosos;
- Áreas para exposições
e outras destinadas ao lazer contemplativo;
- Estruturação
urbana e viária, do trecho entre o Espaço Cultural Zazart Gomes e
a Praça da Bandeira com criação de binário viário;
- Sistema viário
ampliado, com abertura de vias, disciplinamento de tráfego, programação
de retornos e re-direcionamento de vias existentes;
- Oferta de estacionamentos,
próximos aos equipamentos existentes, de forma ordenada;
- Estacionamentos
para ônibus permitindo interações com as ofertas de excursões;
- Ampliação da
calha das Pontes Santa Maria e Ponte Fina, esta passando de pedestre
a veículos;
- Relocação de
edificações existentes nas margens do Rio Jaboatão, permitindo acessibilidade
e visibilidade, para melhor uso.
Piso
e vegetação propostos
01
- CATHARANTHUS ROSEUS - "Boa Noite": Arbusto semi - herbáceo
de 30 a 50 cm de altura e com flores róseas, brancas e brancas com o
centro rosa. Utilizado nos canteiros em formato de escadaria, na descida
próxima para a área de convívio.
02
- TECOMA STANS - "Ipê de Jardim": Árvore pequena ou arbusto
muito variável, de 3 a 6 m de altura. Utilizada nos canteiros próximos
a Estação Ferroviária.
03
- DURANTA REPENS LINN AUREA - "Pingo de Ouro": Arbusto lenhoso,
de 1 a 1,5 m de altura, de ramagem densa e ornamental. Vegetação utilizada
para a ornamentação dos canteiros próximos a Estação Ferroviária.
04
- CAESALPINIA PULCHERRIMA - "Flamboyanzinho": Arbusto lenhoso
com 3 a 4 m de latura. É empregado na arborização de parques, jardins
e ruas, no caso do Parque do Moreno corresponde a arborização de todas
as calçadas.
05
- PASPALUM NOTATUM - "Grama - mato - grosso": Herbácea perene,
nativa do Brasil e de 15 a 30 cm de altura, bastante cultivda para gramados
por sua resistência ao pisoteio. Grama utilizada como forração para
todos os canteiros do Parque do Moreno.
06
- IRIS PSEUDACORUS - "Flor de Lis - amarelo": Herbácea de
1 a 1,3 m de altura, deve ser cultivado em locais com alta como margens
de pequenos rios. Utilizada na extremidade da margem, em pequenos trechos
entre as pontes de pedestre projetadas para o Parque.
07
- IPOMOEA ALBA - "Boa Noite": Trepadeira semi-herbácea, nativa
da beira de rios e apropriadas para utilização em parques e jardins.
Foi colocada nos muros lateraias das casas que limitem a área de convivência
do Parque.
08
- MONTRICHARDIA LINIFER SCHOTT - "Aninga Açu": Arbusto de
textura semi - herbáceo, aquático e nativo da Região Amazônica, de 1
a 3 m de altura. Trecho das margens do Rio Jaboatão entre as pontes
de pedestres projetadas.
09
- PERISTROPHE ANGUSTIFOLIA NEES - "Pingo de Ouro": Herbácea
perene com 20 a 40 cm de altura e de folhagem densa e decorativa. Utilizada
nos 2 canteiros próximos ao Rio Jaboatão, localizados da área de convívio.
Ficha
técnica
Escola
FAUPE – Faculdade da Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco
Local
Recife
Orientadora
Luziana Medeiros
Autora
Patricia Marques Cavalcanti
Título
Estruturação Urbana e Ambiental das Margens do Rio Jaboatão
Período
10º período / junho de 2004
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