3º
Lugar – Projeto: PR 1039 – São Paulo SP
Equipe: Francisco Spadoni, Lauresto Esher, Selma Bosquê e Tiago
Andrade
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Implantação |
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3º
lugar
Conceito:
recomposição e centralidade
Menos
que um bairro, o projeto para um dos últimos vazios remanescentes de
São Paulo – um antigo território marginal, hoje nodal –
se apresenta como uma oportunidade para a cidade enfrentar seu caráter
quase congênito de se refazer pela espontaneidade. A área tem de tudo
um pouco: o rio emparedado pela muralha das vias marginais; o velho
trem sulcando um solo ainda não recomposto; as grandes vias que a atravessam
impedindo sua identidade; os grandes equipamentos – industrias;
clubes; motéis – que se apropriam de um solo extenso ainda barato
e, por fim, o vazio.
A
existência de um grande vazio em área de densa urbanidade implica em
poder tomá-lo como um novo projeto de centro. Sua definição deve se
dar pela adoção de um programa complexo de atividades, envolvendo setores
distintos da vida cotidiana, mas também por um desenho ordenador que
assuma as estruturas existentes dando-lhes novos sentidos e as complemente
com novas matrizes de organização territorial.
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Fluxos,
Pontos Nodais e Caminho do Verde |
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Interessa-nos
pensar uma cidade possível, onde o desenho desejável possa conviver
com a utilização plena; onde o limite entre o público e o privado se
exponha sem ambigüidade ou conflito e onde a infra-estrutura se apresente
como suporte social, favorecendo a todos. Propomos a organização global
do espaço através da matriz pública, reiventando a rua como uma espécie
de burgo medieval, associado a um sistema de praças lineares. Optamos
por um traçado homogêneo, costurando o entorno informe de modo quase
anônimo, dotando-o de racionalidade; setores pulsantes, mesclando funções
e promovendo uma vida contínua dia e noite e uma nova organização fundiária,
suprimindo o lote em prol da seqüência urbana.
A
área foco
A
área foco é uma circunstancia. Definiu-se pela história como o território
da primeira industria: área de urbanidade rarefeita, comprimida por
duas das mais potentes barreiras artificiais da cidade: a via férrea
e o complexo marginais. Sua resultante atual como uma somatória de vazios,
ocupados ou não, reflete sua difícil condição geográfica, que hoje,
somado a sua posição deslocada face ao eixo de interesse de desenvolvimento
da cidade, com a desmobilização do setor industrial ao longo da ferrovia,
lhe confere o aspecto de vida inacabada no interior de uma região em
potencial transformação.
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Programa,
Hierarquia Viária e Espaços Publicos |
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Zona
de transição
Os
vazios predominantes, a baixa taxa de ocupação dos lotes – favorecido
pelas modalidades de ocupação – e a ausência de atividades sedimentadoras
como habitação ou comércio, impediram até hoje que a área superasse
sua imagem de transitoriedade. Ou a estamos cruzando ou acessando o
interior de seus equipamentos.
Fluxos
A
área é definida fundamentalmente pelo sistema de fluxos: corredores
marginal e ferrovia nos extremos e avenidas Marques de São Vicente e
Pompéia cruzando-se ao centro. O território hoje é um acessório dos
corredores de tráfego, mas ao mesmo tempo expões sua condição excepcional
de acessibilidade, indispensável a qualquer política de desenvolvimento
da região.
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Modelo
volumétrico sugerido |
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Fronteiras
A
via férrea: pela extensão e influência da ferrovia é o fator mais
determinante da conformação da área. Tendo servido em sua origem para
a organização do território e determinação de sua ocupação lindeira,
sua perda de importância no ciclo da economia e no sistema geral do
transporte, arrastou também sua zona periférica para o descaso, só recentemente
reativado pelo aquecimento do transporte urbano sobre trilhos. Sua condição
num novo conceito de cidade tão dependente de seus espaços centrais
não admite mais a exclusão. Pensá-la daqui em diante significa saber
incorporá-la.
O
sistema rio/marginais: uma das mais determinantes fronteiras geográficas
naturais da cidade, o Rio Tietê foi sublimado pelas vias expressas que
o contornam. A densidade física das vias e o volume de tráfego estabeleceram
um novo parâmentro para essa fronteira, que, tal qual a ferrovia, deixou
de ser periférica pela localização urbana, mas manteve esse espírito
por uma várzea que não conseguiu se requalificar.
Território
industrial
Outra
característica determinante da área, a configuração fundiária de grandes
lotes servindo originalmente a fins industrias, foi uma das responsáveis
pela imagem desagregadora que apresenta o tecido urbano na região. Traçados
descontínuos, ocupações precárias ou transitórias, são o fruto de um
processo que dentro de uma nova perspectiva de ocupação da região deverá
ser confrontado. O caráter industrial contudo, seja dentro da lógica
histórica da ocupação, seja pela facilidade de acesso e infra-estrutura,
intui a que pensemos numa atualização dessa ocupação dentro de um potencial
produtivo, ainda urbano, que deve ser repensado, seja em relação a plantas
industriais mais otimizadas, seja em função de novas orientações tecnológicas.
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Modelo
volumétrico proposto |
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Diretrizes
para a área foco
Definir
e conectar os pontos nodais
A
área foco é uma somatória de três vazios que conectam fronteiras distintas.
Deve-se localizar seus pontos significativos de contato com as bordas
e interligá-los, permitindo a continuidade de espaços e fluxos, internamente
à área e da área com o entorno. Na gleba Pompéia esses pontos são dados
pela transposição da ferrovia junto ao terreno da Ricci e pela conexão
ao traçado viário existente. Na gleba da Telefônica a transposição da
ferrovia se radicaliza por um amplo projeto de deslocamento da Estação
Água Branca gerando uma grande área pública nos dois lados da via férrea.
Na Gleba junto á Marginal, buscaremos o ponto de contato com a Marginal
para dar continuidade ao verde e pavimentar um grande eixo público.
Traçado
ordenador
Contrapondo-se
ao traçado circunstancial do entorno, definido por grandes quadras de
geometrias diversas, adotamos um traçado viário regulador de inspiração
ortogonal, que organizasse os fluxos e definisse uma geometria precisa
para as quadras. A malha criada, que se estende às tres glebas é rasgada
tanto no eixo norte-sul, quanto no leste-oeste pelas praças lineares,
condensadoras do espaço público e sedimentadoras do traçado.
Enfrentando
o espaço público
Os
espaços públicos devem acontecer para a cidade sem ambigüidade ou conflito
de gestão. A evolução das cidades e das nossas em particular, tem nos
mostrado uma intolerância com as áreas de uso coletivo ou público, reflexo,
quem sabe, da própria crise de relação com o poder.
Adotemos
uma regra simples: por privado definimos as áreas de posse individual
ou coletiva, por público aquelas que pertencem a ninguém. Não temos
dúvida, público será sempre a rua e sua área de influência.
Propomos
a retomada do espaço da rua como instante privilegiado da convivência
urbana, uma recuperação do velho burgo medieval: espaço de troca,
de relacionamentos, de exposição. À rua levaremos toda a atividade que
não cabe em nossa vida privada. Será preciso ajustar a escala. Teremos
dois tipos de espaços: nos grandes eixos das praças lineares serão elas
que condensam o espaço de convivência. Nas quadras convencionais trabalharemos
com largas calçadas, de 8 metros de largura, incorporando o tradicional
recuo obrigatório como extensão do passeio.
A
quadra modelo: liberação do lote
O
modelo que adotamos para as quadras é o da supressão dos lotes. Adotamos
o princípio da quadra única, que relaciona todos os edifícios em estruturas
condominiais, reservando o centro da gleba para o espaço coletivo. Ao
mesmo tempo eliminamos o recuo frontal, locando os edifícios no alinhamento,
transferindo esse espaço para a continuidade da calçada.A relação com
a rua será sempre intermediada por funções ou barreiras de projeto,
como um setor de comercio no térreo elevado ou estacionamentos, conforme
desenho tipo. As quadras de uso predominantemente habitacional serão
de uso coletivo privado, as quadras de uso de serviços, com as do setor
corporativo junto à rotatória permitirão a fruição pública.
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Vista
Interna da Quadra |
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Diretrizes
para uma arquitetura urbana: o desenho do embasamento
Além
da estruturação do chão, o projeto define também a postura arquitetônica
a ser adotada pelas construções em sua relação com o espaço da rua,
sejam elas desenhadas por qualquer arquiteto. Pensamos o sistema de
estacionamentos privados para o nível – 1.50 da cota da rua (meio
nível), reservando ao térreo elevado a cota de + 1.50. Os térreos de
todos os edifícios da quadra serão interligados gerando uma passagem
coletiva suspensa protegendo o interior da quadra.
Incorporação
da ferrovia: transposições animadas
A
ferrovia murou uma cidade, que no seu nascedouro conformou-se com a
nova fronteira. A cidade cresceu de seus dois lados, mas nunca se aproximou.
Um pouco como o rio, de tão poucas pontes, que jamais pode se unir ao
seu redor para transformá-lo em cidade.A cidade que hoje revê a ferrovia
busca uma nova história. Reconhece sua importância num tecido que carece
da continuidade que talvez só o trem ainda possa lhe dar. Por isso precisa
envolvê-la, transpô-la, transformá-la num real instrumento de articulação
urbana, por que já está lá.
Floresta
na marginal
A
marginal do rio Tietê é o sucedâneo moderno do trem. Eixo de articulação
regional, mais que urbano, de densidade física incomparável a qualquer
outra estrutura da cidade, é a outra fronteira da área, a que proporciona
os mais importantes acessos e a que causa o maior impacto de tráfego.
Traz em sua ocupação uma herança bem própria da área do trabalho: grandes
espaços lindeiros de ocupação irregular e esparsa. Para a marginal Tietê
propomos uma diretriz mais abrangente que deve ser observada em toda
sua extensão: a supressão dos resíduos espaciais resultantes da retaliação
das vias expressas, através da implantação de uma densa cobertura vegetal,
alinhavando todo seu trajeto e adentrando para a cidade nos vazios oportunos.
A grande praça corredor que propomos nasce dessa estrutura verde, encaminhando
o verde para o bairro. Para a sucesso do projeto propomos também a retificação
do traçado da via local em setores que possam gerar maior área de contato
com a cidade.
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Grande
Praça Linear |
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Verticalizar
a várzea
A
verticalização da Barra Funda, dada às condições infra-estruturais excepcionais
da região é condição necessária para qualquer estratégia de reestruturação
do bairro. Aliás, o adensamento de áreas bem desservidas por sistemas
de transporte e redes básicas, deveria merecer prioridade na escala
de investimentos públicos. A verticalização, contudo, deve andar junto
com programas que a suportem: como a mescla de usos e, sobretudo, um
embasamento que a vincule ao uso do chão: como setores comerciais.
Os
setores funcionais mistos
A
experiência mostra que a vitalidade de setores urbanos vincula-se a
sua capacidade de se renovar ao longo do dia. É o que temos com a fusão
de usos, sobretudo com a habitação. O forte apelo de uso habitacional
do programa, necessário a uma região que se adensa, induz a que pensemos
em atividades complementares, que representem não apenas a vitalização
alternativa do espaço, mas também uma política de investimentos mais
consistentes.
O
projeto da área foco
As
praças corredores
Propusemos
um sistema de tres praças lineares, entendidas como os espaços públicos
primários da intervenção, que concentram a missão de disciplinar o traçado
viário e organizar o formato quadras. Essas praças, além de concentradoras
das atividades do estar público: convivência; lazer; esporte; têm a
função de estabelecerem os pontos de contato com a as extremidades da
gleba, alimentando o outro lado pela esfera pública.
A
praça principal, com 60 metros de largura e 800 metros de extensão divide-se
por duas glebas e visa conectar a Marginal – requalificada com
novo projeto paisagístico – e a linha férrea, onde propusemos
uma grande praça de chegada da estação Água Branca a ser relocada pelo
projeto. Essa praça de inspiração clássica pela conformação axial e
o limite lateral definido pelas fachadas dos edifícios residenciais
com térreos comerciais, busca reaver a dimensão de uso dos espaços públicos
pela vinculação às áreas habitadas e pela possibilidade de animação
periférica gerada pelo entorno comercial. As outras duas praças de largura
de 20 metros e extensão menores, buscam igualmente o contato com pontos
notáveis de conexão e guardam o mesmo espírito de uso.
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Vista
da Grande Praça |
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As
praças da ferrovia
Como
sistema de espaços públicos complementar às praças corredores, definimos
dois conjuntos de praças públicas envolvendo a ferrovia. Uma delas,
aproveitando-se da liberação da ilha ferroviária, transforma-se na praça
da nova estação Água Branca. Do outro lado da linha propomos uma praça
de saída da estação e chegada do eixo verde da grande praça corredor.
A essa praça conecta-se também o conjunto de edifícios institucionais:
escola; teatro; biblioteca, favorecidos pela clara acessibilidade e
indutores da transposição animada da ferrovia.
O
outro conjunto de praças de transposição se dará no terreno da Ricci,
junto à Casa das Caldeiras, que no lado sul da linha coincide com a
chegada de outro eixo verde – a pequena praça corredor –
que interliga a Marques de São Vicente. A transposição sobre os trilhos
dá-se através de uma grande superfície, praça suspensa, onde se prevê
serviços e áreas de lazer.
Sistema
viário
O
sistema viário projetado partiu da orientação quase ortogonal das praças,
mantendo a trama como conceito geral. Dentro das glebas as vias projetadas
são divididas em duas categorias: vias coletoras no alinhamento das
três praças lineares em sistema binário e vias locais no miolo de quadras.
Esse sistema atua como complementar ao sistema existente definido pelo
eixo marginal, pela nova via criada lateral à ferrovia – recuperando
projeto da Operação Urbana Água Branca – e pelas vias arteriais
que o cruzam.
Organização
espacial do programa
O
programa de funções distribui-se em quadras especializadas, e quadras
mistas com predominância de usos, assim organizadas:
- Quadras exclusivamente
residenciais, predominantente de uso HIS (Habitação de interesse social).
- Quadras exclusivamente
residenciais.
- Quadras de uso
misto: residencial com comercio no embasamento junto à via..
- Quadras de edifícios
corporativos, junto ao entroncamento viário, com comercio no embasamento.
- Quadras institucionais:
localizadas junto às praças criadas na borda da via férrea, destinadas
ao uso cultural e educação.
- Quadras de domínio
da Marginal Tietê, destinadas ao grande ecomércio.
Ações
para a ferrovia
Arborização
das faixas lindeiras. Aproveitamo-nos da extensa faixa lindeira
aos trilhos para a criação de uma faixa verde de 20 metros de largura,
humanizando a relação com o trem.
Nova
Estação Água Branca na ilha ferroviária. Como parte do projeto de
modernização das ferrovias, a CPTM propõe em seu Projeto Funcional a
construção de uma nova estação Água Branca em área próxima à existente
(CPTM: Projeto Funcional p. 62). Aproveitando-nos da liberação da ilha
ferroviária com a eliminação do trilho sul propomos a criação de uma
grande praça na ilha, que receberia a nova estação em parceria com empreendimentos
imobiliários. Do lado norte – na área foco – propomos uma
praça equivalente, que serviria tanto à estação como à conexão com a
grande praça.
Reorganização
das áreas cedidas aos clubes
Propomos
a abertura de uma rua ao fundo da gleba dos clubes, em área da Emurb,
onde se daria o novo acesso. Para a implantação da grande praça, retificamos
a divisa lateral do CT do Palmeiras, criando uma faixa de 30 metros
para a construção de edifícios residenciais frontais à praça. Para a
avenida Marques de São Vicente adotamos o mesmo critério, para potencializar
a verticalização lindeira.
Plano
de massa da quadra típica: o ponto e a linha
A
partir do conceito da liberação do lote, propomos a organização dos
conjuntos edificados dentro de um conceito combinatório, que favoreça
a composição espacial e a possibilidade de se ocupar as divisas e liberar
o centro das quadras. O sistema de desenho é o que chamamos de ponto
e linha, composto de edifícios lineares – lâminas – e
edifícios torre. A orientação será indistintamente norte-sul, com
as fachadas a leste e a oeste, à excessão de alguns conjuntos frontais
à praça média, que terão a fchada principal orientada à norte. Os gabaritos
variam de térreo mais oito seis ou oito andares para as lâminas e doze
andares para as torres. Os lâminas mais altas estarão volatadas às praças.
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Quadra
Residencial Tipo (ponto e linha) |
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Diretrizes
urbanísticas
O
desenho indutor
O
projeto urbano deve nascer com o desenho e se realizar através das ações
reguladoras de seu desenvolvimento. É o desenho quem irá dominar o território,
induzir as ocupações, delimitar fronteiras, organizar os fluxos. É através
do desenho que podemos pensar nas regras que devem regulamentá-lo e
não o contrário.
A
história urbana de São Paulo tem sido narrada pelo avesso. Pouco desenho,
muita circunstancia, alguma lei. Desde a cidade geográfica portuguesa,
em que os obstáculos naturais construíam a circunstancia urbana, São
Paulo sempre cresceu distendo ao acaso suas fronteiras. Pouco se planejou,
ou melhor, pouco se construiu com o que se planejou. É a história de
desenhos isolados, ilhas localizadas de urbanidade num universo compressor
desarticulado. É a história do empreendimento que usa o chão como moeda,
da várzea que se transforma em passagens artificiais, ou da periferia
sem fim, que logo se transforma em lugar nenhum. A carência de desenho
é um pouco a somatória de tudo. Não é a visão simplista de um traço,
mas a idéia de que uma cidade se faz através do exercício do controle
social do território. Desenhá-la é exercer esse controle, é definir
a esfera pública como construtora da sociabilidade. Desenhar a cidade
é faze-la nascer do espaço público.
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Corte
Leste-Oeste |
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Sistema
de transportes
Além
da rede viária de grande acessibilidade, a região é desservida por um
consistente sistema de transportes coletivos, envolvendo todas os modos:
ônibus, trem e metrô. Duas linhas do passa-rápido estão cruzando a área:
no interior pela Av. Marquês de São Vicente e na fronteira sul, pela
avenida Francisco Matarazo. O sistema de trilhos, tradicionalmente vinculado
à região, é, contudo, o sistema prioritário, conforme demonstram as
projeções da CPTM. No projeto consideramos os sistemas instalados, ao
qual sobrepusemos duas escalas de intervenções no viário: uma de veículos,
para cruzar a região ou acessar o interior de suas quadras e outra,
de pedestres, articulando os vários modos coletivos. Assim a conexão
pedestre entre o sistema ferrovia e o passa-rápido, na Avenida Marques
de São Vicente poderá se dar pelo sistema de praças corredores.
Filosofia
da Macro-drenagem
Para
a macro-drenagem entendemos que as recomendações devam se concentrar
no âmbito do conceito. Toda e qualquer intervenção construída, que roube
área permeável passa a ser um contribuinte ao sistema existente de drenagem
urbana. Entendemos que pouco sentido faz propormos projetos específicos
para segmento de um bairro se esses não estiverem integrados a sistemas
mais abrangentes. O que propusemos a esse respeito foi trabalhar com
quantidades significativas de áreas de solo permeável, desde os espaços
de uso público até as quadras de uso privado, buscando reduzir o impacto
do volume de água no sistema existente. Cabem ainda recomendações complementares
como a conservação e manutenção do sistema e um plano de educação da
população sobre a importância do destino do lixo.
Ficha
técnica
Arquitetos
Francisco Spadoni, Lauresto Esher, Selma Bosquê e Tiago Andrade
Estagiários
Marina Vizini, Silviane Bussolaro e Priscila Gusukuma
Colaboradores
Arq.Fernanda Spinicci, Paula Pardo, Nerino Caldo Jr. e Luis W. Pina
Consultores
Angélica T. Alvim, Paulo Giaquinto e Raymundo de Paschoal
Custos
Aluisio Leite
Fotografo
Nelson Kon
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