Menção
Honrosa – Projeto: PR 1004 – São Paulo SP
Equipe: Décio Amadio, Francisco de Assis Rosa, Regina M. F. Gouveia,
Renata Rabbat e Rodrigo Chust
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Proposta
geral. Parque Tietê em primeiro plano |
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A
explicação
Poucos
bairros de São Paulo garantem qualidade ao conjunto da vida de seus
moradores. Considerar o não-planejamento da cidade como responsável
por seus problemas é uma crítica comum, mas que não corresponde totalmente
à verdade.
Por
exemplo, alguns locais foram efetivamente planejados no início do século
20 – os bairros-jardim – e até os dias de hoje oferecem
os melhores padrões urbanísticos da cidade.
Mas
a grande maioria da população não tem acesso às mesmas condições e muitas
vezes se desloca para longe dos bairros centrais, isto porque neles
a moradia foi prejudicada por outras atividades ou não houve interesse
na recuperação dessas importantes áreas para mais pessoas morarem.
Esse
mecanismo de esvaziamento populacional dos espaços equipados da cidade
aumenta ciclicamente os gastos com infra-estrutura e provoca ociosidade,
deterioração do ambiente construído e sua pior conseqüência, o aumento
da exclusão social pela formação dos “guetos” urbanos, nos
mesmos bairros ou na periferia.
O
Bairro Novo deve proporcionar outros rumos para a cidade de São
Paulo e um plano urbano para o mesmo necessita indicar o que é fundamental
para sua formação: os elementos de identidade, de paisagem e da necessária
mistura de funções e ocupações como fundamentais ao equilíbrio da vida
urbana.
Além
disso, deve considerar que se trata de uma construção ao longo do tempo,
contando com os meios legais do Plano Diretor Estratégico da Cidade
de São Paulo e da Operação Urbana Água Branca, para sua efetivação
e garantia de moradia com qualidade para todas as faixas sociais com
beleza paisagística e arquitetônica. Isto se constitui, juntamente com
soluções favoráveis ao meio ambiente, acesso e usos amplos e não discriminatórios,
no paradigma procurado para esse e tantos outros espaços da cidade.
A
intenção
O
Plano considera as determinantes do lugar modeladoras de todo o seu
desenvolvimento:
- A situação da
área junto aos espaços conquistados da várzea do rio Tietê;
- As ferrovias
que percorrem longitudinalmente as glebas;
- O sistema viário
existente no setor urbano;
- A localização
do perímetro do Concurso vizinha à Zona Industrial em Reestruturação
–ZIR, do bairro da Lapa;
- Propõe uma religação
do tecido urbano através da integração dos elementos que hoje se constituem
em obstáculos: a ferrovia e o rio Tietê.
Adota
como estruturadores os seguintes componentes morfológicos:
- Os parques lineares;
- As vias de circulação
internas à área do plano;
- As quadras como
elementos de organização dos espaços edificados;
- Os canais de
drenagem, como elementos infra-estruturais e paisagísticos.
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Proposta
geral |
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O
Parque Linear e o Percurso Diagonal são os principais elementos paisagísticos
e da hierarquia da circulação, conectando as vias de pedestres, automóveis
e transportes ao sistema urbano existente, agregando também espaços
de lazer voltados ao uso do bairro e sua vizinhança.
As
vias de circulação interna à área do Plano, possibilitam a capilaridade
para as pessoas e veículos, o acesso às moradias, aos serviços e equipamentos,
devolvendo a primazia ao pedestre e articulando os espaços livres e
os construídos.
As
quadras modulam a área num parcelamento que não é o do lote, embora
aceitando sua subdivisão para fins legais. A lógica proposta se constitui
em considerá-las unidades de planejamento, desenho urbano e projeto,
vinculando às mesmas, critérios de adequação urbanísticas e paisagísticas.
Os
canais de drenagem incluem sistema de circulação das águas, com aeração
e filtração, através de circuito projetado e sistema de bombeamento.
Devem contribuir para a drenagem superficial, para a captação das águas
fluviais excedentes das edificações e ainda como elemento integrador
da paisagem.
O
detalhamento
1.
A Implantação geral
A
cota de toda a área será aumentada de 1 a 2 metros para viabilizar dois
aspectos:
- os futuros estacionamentos
semi-enterrados dos edifícios, sem onerar os custos de construção
com escavações profundas em área de várzea;
- assim como foi
realizado na Vila Olímpica da cidade de Barcelona, o aumento de cota
possibilita também a transposição da ferrovia por uma laje de cobertura,
uma vez que o enterramento das linhas mostra-se inexeqüível, devido:
–
Aos gastos que essa obra representaria, desviando recursos que na
realidade necessitam ser destinados pelo poder público à melhoria
do sistema, instalações e do material rodante.
–
À infra-estrutura instalada, que imporia um sobre-valor elevado
à obra, devido a necessidade de desvio de toda a rede de macro e
micro drenagem, instalações de gás, energia, telefonia, etc.
2.
O Parque Linear
O
parque linear é o elemento principal da estrutura viária e do partido
paisagístico proposto:
- Interliga a área
do Plano com os equipamentos de transporte urbano e metropolitano:
estação ferroviária, edifício de acesso ao corredor de ônibus e estação
fluvial;
- Permite manter
área permeável do solo e maior oferta de espaços de lazer para a população;
- Agrega valor
estético ao conjunto urbano através do plantio de espécies nativas,
da utilização de pisos diferenciados e da instalação de mobiliário
e equipamentos urbanos com elevados padrões de design;
- Com 1.227 metros
de extensão e 51 metros de largura, cruza a gleba da Telefonica e
a área onde se encontram os atuais centros de treinamento de clubes
de futebol, até encontrar o rio Tietê e o Parque da Marginal;
- Transpõe o rio
através de edifício-ponte que anexa as instalações da futura estação
de transporte fluvial.
Em
sua extensão, agrega diferentes funções e temas, considerando uma modulação
em torno de 250 metros:
- Esportes:
no trecho junto da ferrovia e da Habitação de Interesse Social até
metade da gleba da Telefonica, com quadras poli-esportivas, equipamentos
para ginástica, skate, etc;
- Cultura:
da metade dessa gleba até a avenida Marquês de São Vicente, com feiras
de livros, teatro e anfiteatro para apresentações, etc;
- Estar:
do início da área dos atuais centros de treinamento até metade de
sua extensão. Propõe-se a utilização de elementos escultóricos dinâmicos,
espelhos e repuxos d’água, espaço para aquários, além de cafés,
lanchonetes, cinema, pergolado com quiosques, etc;
- Bosque:
do fim da área de Estar até a avenida Marginal, juntando-se à massa
arbórea proposta na extensão dessa via.
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O
Parque Linear com os usos propostos |
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3.
O Percurso Diagonal
É
outra componente do sistema viário e de circulação. Cruza a gleba Pompéia
até encontrar a rotatória da Marquês de São Vicente. Possui 583 metros
de extensão e 35 metros de largura, apresentando vegetação em todo seu
comprimento, equipamentos e mobiliário urbano. Prevê-se sua extensão
futura, como resultado da remodelação espacial que a Operação Urbana
Água Branca deverá provocar nos espaços vizinhos à área foco do Concurso
Bairro Novo.
4.
O Bulevar
Constitui-se
em uma grande laje de cobertura da linha férrea, implantada ao longo
da mesma e da avenida Francisco Matarazzo, com parte desse espaço na
área foco e parte na área referência (20 mil m² na primeira e cerca
de 29 mil m² na segunda).
Viabiliza,
para pedestres, a transposição das ferrovias sem o enterramento das
mesmas e possibilita a integração do Parque Linear e do Percurso Diagonal
com os espaços ao sul da área do Plano (avenida Francisco Matarazzo,
West Plaza, avenida Sumaré, etc.).
5.
As quadras
A
lógica proposta pelo Plano para o conjunto das quadras é a de considerá-las
um projeto unitário, com os coeficientes máximos (C.A= 4) fixados pela
Operação Urbana Água Branca, obtidos através de outorga onerosa.
Sua
superfície abrange em média uma modulação de 50 x 60 metros, não permitindo
densidades populacionais muito altas devido à relação entre superfície
de terreno e coeficiente de aproveitamento.
As
quadras terão uso predominante residencial, reservando-se o pavimento
térreo das edificações para as atividades de comércio e serviços adequados
ao apoio à população moradora. A mescla de usos é um partido adotado
por essa proposta, de acordo com o Plano Diretor Estratégico de São
Paulo.
Deverá
ser mantido um índice de 30% de área de solo permeável e a acessibilidade
e circulação geral entre as quadras priorizará os percursos de pedestres
e ciclovias.
Se
necessário, para fins legais, será aplicada ao modelo de quadras a subdivisão
de lotes regular da cidade, dentro do processo de reedificação.
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Proposta
das quadras – gabaritos máximos: dez pavimentos junto às vias
coletoras e seis pavimentos junto aos canais |
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5.
A Habitação
Propõe-se
uma ocupação que respeite a modulação e os alinhamentos de quadra, com
densidade nunca superior a 300 habitantes/hectare.
O
desenho urbano das quadras deverá contemplar os pátios internos às mesmas,
as orientações voltadas aos canais de drenagem e vias de penetração,
com o acesso local com mudança de piso para redução da velocidade dos
veículos.
Os
pátios internos deverão agregar áreas permeáveis, servindo também para
a insolação das unidades habitacionais, convivência e lazer.
As
águas pluviais das edificações deverão ser captadas para o reuso e os
canais de drenagem, além de sua finalidade precípua, poderão receber
o excedente nas grandes precipitações.
6.
A Habitação Social
Mesclada
ao conjunto urbano proposto, a Habitação de Interesse Social, HIS, deverá
constituir um exemplo de inclusão tanto para o bairro, quanto para a
cidade.
Rejeitando
a constituição de gueto, a implantação dos condomínios de HIS permite
aos mesmos usufruírem todos os elementos urbanos: Parque Linear, Percurso
Diagonal, canais de drenagem, etc.
Os
edifícios projetados terão três junções de unidades, resultando em construções
com quatro, seis e oito apartamentos por andar-tipo.
Cada
conjunto possui cinco pavimentos a partir do térreo, com disposições
que condicionam a existência de térreo livre ou ocupado: possuem o pavimento
térreo livre, quando o edifício se encontrar junto a vias de acesso
e comunicação e com unidades habitacionais, quando a construção se encontrar
implantada sem essas características. Essas unidades térreas deverão
ser destinadas prioritariamente para portadores de limitações de locomoção
e/ou cidadãos da terceira idade.
Foram
definidas quatro plantas-tipo, com as respectivas áreas e quantidades:
| Tipologia |
Área
(m²) |
Quantidade |
| A |
55 |
212 |
| B |
56 |
248 |
| C |
57 |
106 |
| D |
63 |
70 |
| Total |
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636 |
A
HIS deverá contar ainda com equipamentos de uso coletivo, distribuídos
entre os condomínios de edifícios, tais como creches, oficinas e centros
de aprendizagem:
| N°
de unidades |
Área
de equipamento (m²) |
| 90 |
263 |
| 85 |
300 |
| 155 |
300 |
| 100 |
209 |
| 160 |
221 |
| Total |
1.293 |
| |
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A
proposta para o HIS, desenhos e perspectiva geral |
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7.
O Setor de Serviços
Devido
à oferta de meios de transporte público de massa, o setor de serviços
do Bairro Novo poderá se tornar um centro de empregos e referência
para a cidade, apoiando os espaços já existentes voltados ao turismo
de negócios.
Na
Marquês de São Vicente, duas faixas lindeiras de 70 metros foram destinadas
aos edifícios de escritórios, hotéis e centros de convenções. Nesse
espaço esses elementos serão implantados com maior concentração e no
restante do conjunto urbanístico, de forma mais dispersa.
De
acordo com a Operação Urbana Água Branca, os empreendimentos deverão
utilizar os coeficientes de aproveitamento permitidos para a área (C.A=4),
através de outorga onerosa, obtendo maior aproveitamento vertical a
partir da relação com a base fundiária ou comprando esse coeficiente
de outras áreas da cidade em que esse mecanismo é permitido por lei.
Devem
ser considerados os critérios urbanísticos para a aglomeração excessiva
dos volumes, impedindo as visuais e a permeabilidade de toda a área.
Da mesma forma, deve ser incentivada a existência de espaços livres
ligados aos edifícios, assim como as áreas de uso público e semi-público.
8.
Nova Estação Água Branca
Um
dos principais equipamentos para a conexão da área em que o Bairro
Novo se inclui com o transporte de alta capacidade
Propõe-se
sua implantação junto ao Parque Linear, para a integração com outros
elementos da malha viária e de transportes.
Inclui
novos usos para incorporar uma dinâmica não restrita apenas aos fluxos
de passageiros: estacionamento no subsolo; centro comercial; escritórios
para alugar, passarelas de acesso ao conjunto urbanístico.
Deverá
incorporar o check-in da linha que acessará o Aeroporto Internacional
de Cumbica.
9.
O Edifício-ponte
Realiza
a transposição para pedestres sobre o rio Tietê
É
o elemento de ligação do Parque Linear com a outra margem do rio, configurando
uma continuidade da ocupação e da proposta do Plano para o Bairro Novo.
Reabilita
um uso que foi suprimido da cidade, o transporte fluvial, uma vez que
a despoluição do rio Tietê deverá possibilitar a adoção desse modo para
finalidades diversas, entre elas a de ligação entre as novas centralidades
do terciário avançado.
Incorpora
outras funções para o uso da população: comércio, serviços, lazer e
atividades institucionais.
Cria
uma importante referência paisagística para a cidade como um todo.
10.
Parque da Marginal do rio Tietê
Deverá
integrar o conjunto de vegetação proposto para o Bairro Novo, a partir
da ligação do projeto de recuperação das margens do rio, em implantação,
com o parque urbano definido por este Plano.
Para
o aumento da área arborizada, propõe-se ainda o desvio das pistas locais
da marginal para junto da via expressa. Esse deslocamento permitirá
também novas configurações para as faces de quadra ao longo da via e
poderá ocorrer em outros trechos, quando for definido por outros projetos.
11.
Utilização dos instrumentos urbanísticos
Esta
proposta incorpora as normas urbanísticas previstas na Lei Municipal
n° 13.430/02, do Plano Diretor Estratégico de São Paulo e da Lei Municipal
n° 11.774/95, da Operação urbana Água Branca.
Com
relação aos usos atuais, tais como o existente nos centros de treinamento
do S.E. Palmeiras e São Paulo F.C., o Plano para o Bairro Novo considerou
necessária a utilização dessas áreas para a integração das propostas,
visando sempre a maior utilização pública dos espaços.
Esses
clubes poderão integrar a Sociedade de Propósito Específico –
SPE e obter do poder público municipal, mediante contrapartida, uma
permuta de área para instalação de seus C.Ts, como já ocorre com a S.E.
Palmeiras, que possui área junto ao Parque Ecológico do Tietê.
Juntamente
com os órgãos públicos e a SPE, deverão ser fixados os parâmetros paisagísticos
para as faixas de construção de edifícios ou sua implantação no interior
do conjunto urbanístico, como forma de se evitar a mono-funcionalidade
ou uma predominância volumétrico-tipológica empobrecedora da paisagem
urbana.
12.
Fases de Implantação
- 1ª fase: Encargos
do poder público
Prazo
estimado: dois anos
Definida
pela implantação do Parque Linear na gleba Telefônica e a preparação
de sua continuidade até a marginal do rio Tietê.
Planejamento
para a implantação do Percurso Diagonal na gleba Pompéia.
Ambos
os eixos são estruturadores da grelha viária e do parcelamento proposto
pelas quadras
Estudos
para a implantação de infra-estrutura e equipamentos
Definição
do parcelamento através da relação entre os proprietários e o poder
público
Planejamento
para implantação da Habitação de Interesse Social.
Construção
dos edifícios da HIS
- 2ª fase: Implantação
das intervenções e equipamentos
Prazo
estimado: quatro anos
Implica
na parceria público-privada para a viabilização da construção de grandes
equipamentos, tais como a Nova Estação Ferroviária Água Branca, o bulevar,
os edifícios-ponte sobre a avenida Marquês de São Vicente e sobre o
rio Tietê.
Ampliação
das parcerias nas áreas públicas e recebimento de outorga onerosa para
reinvestimentos em infra-estrutura.
Ficha
técnica
Autores
Arquitetos Décio Amadio, Francisco de Assis Rosa, Regina M. F. Gouveia,
Renata Rabbat e Rodrigo Chust
Colaboradores
Arquitetos Alfredo Faljana e Caio Rafael Verniers; Jorge Luiz Teixeira
(desenhista cadista)
Consultores
Engenheiros José Roberto Baptista (sistema viário e transportes), Luis
Carlos Chade (orçamento) e Rogério Tadao Noguti (saneamento e drenagem)
Apoio
técnico
Vetec Engenharia
Maquete
Grádua Projetos e Design
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