Menção
Honrosa – Projeto: PR 1016 – São Paulo SP
Equipe: Fábio Zeppelini, Adriana Rebello Cocchiarali, Isabela Jock Piva
e Patrícia Bertacchini
Projeto
Teia
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Implantação |
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1.
Adequação Regional / Local – o conceito referencial macro
Esse
projeto urbano se baseia nos campos disciplinares que, de alguma maneira,
estudam os processos formativos do espaço, enquanto construção humana.
Dentro
dos conhecimentos mais avançados sobre tais processos, entende-se que
a principal causa de estruturação do espaço está relacionada às suas
dinâmicas de aglomeração, dispersão, e inúmeras formas de relações entre
centralidades. Estas relações configuram o potencial de um determinado
espaço, em gerar trabalho e vivência.
O
potencial de gerar trabalho e vivência, do espaço, é uma relação que
ultrapassa os aspectos físicos do local, ou os aspectos meramente formais
do projeto. A referência para se determinar o valor de um espaço depende
dos significados que a sociedade atribui a este, em relação àquilo que,
nele, pode ser produzido, sentido, incorporado, visto – enfim, vivido.
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Intervenção
Macro – os 3 eixos funcionais |
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É
fundamental, assim, ressaltar que o projeto parte do entendimento da
dinâmica dos elementos vivos da área – que acontece em forma de camadas
de centralidades – e do mapeamento das concentrações, dispersões e fluxos
de veículos, de pessoas, de água, de infra-estrutura, de referências
da paisagem, de investimentos, de cargas, de resíduos, para que o projeto
de um novo organismo-bairro seja capaz de sustentar a vivacidade do
espaço, e proporcionar a melhoria dos espaços públicos e da qualidade
ambiental, a partir do espaço que incentiva o exercício da cidadania.
O
desenho urbano, a partir das propostas do arquiteto Jonathan Barnett,
em sua obra “Urban design as public policy”, editada em 1974,
já buscava incorporar o valor dos recursos “comoditizados” (valores
aparentemente imensuráveis a partir de referencial bidimensional de
propriedade da terra – o lote – como o valor da vista do Vale do Anhangabaú,
a partir do vão do MASP, ou o direito à insolação em áreas verticalizadas),
a partir de sua hipótese de que desenhar o espaço urbano, não implicava
em desenhar os edifícios que o compõem, mas verificar as condições sociais
que moldam boas qualidades de espaço, para estes edifícios, e entre
os mesmos.
Segundo
Pierre Georges (1), o bairro é a unidade de base da vida urbana. O morador
refere-se ao seu bairro quando quer situar-se na cidade; tem a impressão
de ultrapassar um limite quando vai à um outro bairro. É com base no
bairro que se desenvolve a vida pública e que se organiza a representação
popular. A vida de bairro, assim, é um misto das relações conjunturais
e estruturais que conferem forma ao espaço arquitetônico.
É
a noção de centralidade que constrói a cidade e os bairros. A centralidade
é a essência da cidade, e o bairro não pode ser pensado desvinculado
das centralidades da cidade. De acordo com Seabra (2), “a todos quantos
vivam a qualquer distância do centro mas se reconheçam nele”, pertencem
ao bairro. Assim, “o único procedimento científico para compreender
o bairro, para defini-lo, determinando seus limites e seu grau de realidade,
é o que se baseia na cidade como totalidade”.
A
Água Branca, local no qual a área de intervenção está inserida, “tem
um movimento histórico de suas espacialidades que não se restringe à
uma unidade de bairro. O Bairro e sua sociabilidade definidora – a vida
de bairro – pode ter existido no local, mas nem tal local surge como
bairro, nem persiste como tal no presente momento” (3).
A
relação sociedade-espaço da vida em bairro é “mutuamente determinada,
conflitiva e em movimento” (4). Com base nesta consideração, este projeto
tem três principais objetivos, em escala macro:
- primeiro, organizar
os principais elementos que demonstram como a informação transformou
a base produtiva, a forma de pensar a organização, a finalidade, a
mudança de interesses, e a estruturação do espaço de intervenção;
- o segundo objetivo
é identificar os elementos que demonstram, ao longo do tempo, como
as dinâmicas sociais e econômicas alteraram o potencial produtivo
do local, e como estas dinâmicas interferiram na maneira de se re-pensar
os interesses sobre o a área, que justificam a sua sub-utilização.
Os mapas de redução histórica demonstram como esta alteração no potencial
produtivo (da localidade rural dos arredores paulistanos à estrutura
industrial, e, atualmente, o contexto da Operação Urbana e o interesse
pelo aumento do coeficiente) provocou mudanças na concepção de apropriação
do solo;
- o terceiro objetivo
é demonstrar como os interesses atuais, que tentam acomodar o potencial
produtivo virtual, com a capacidade real de flexibilidade, interferem
nas relações de centralidade, valorização e apropriação do espaço,
e, a partir disto, detectar vocações e propor um modelo, de ocupação
condizente com o respeito à várzea urbana do Rio Tietê, às dinâmicas
do mercado imobiliário e à melhora da qualidade de vida dos habitantes
da Cidade de São Paulo.
De
acordo com Lefebvre, as bases que constituem, muitas vezes, um centro,
não desaparecem com o tempo, e sim, tornam-se residuais.
No
caso da Água Branca, segundo o geógrafo Aluísio Wellichan, em sua tese
sobre a área, não se pode afirmar que a grande quantidade de espaços
residuais é resultado da desconcentração industrial na área, e sim que
a área em estudo se encontra sem elementos estruturais e conjunturais
que a identifique como um bairro, principalmente em decorrência das
transformações na base produtiva das regiões da Pompéia, Perdizes e
Lapa. A região se tornou uma área residual da dinâmica imobiliária dos
bairros lindeiros.
Esta
dinâmica, fez com que equipamentos de lazer, comércio e cultura fossem
implantados em grande parte da área, servindo de áreas anexas aos bairros
lindeiros, e, coincidentemente, configurando regiões com usos predominantes.
Estes usos, entretanto, não foram aglutinados intencionalmente, tomando-se
como referencial a possível centralidade da região da Água Branca.
Este
projeto apresenta, como partido para a área referencial, a revisão da
base estrutural destes equipamentos existentes, reconfigurando-os de
maneira a assumir a dinâmica existente dos usos, e “costurando” os eixos
esportivo, cultural e comercial que se encontram desconexos entre si,
e desconexos das relações conjunturais da área: o tecido urbano, a paisagem,
o transporte público, entre outros.
A
área se situa na confluência de três eixos funcionais de transição inter-bairros.
O núcleo de encontro destes eixos acontece, como mostrado no mapa ao
lado, em áreas de grande especulação imobiliária. Ao mesmo tempo em
que esta conexão funcional atribui valores aos lotes, ela prejudica
o desenvolvimento da própria Operação Urbana, uma vez que limita a vocação
de transição das glebas que estão localizadas nestes eixos, quando se
considera que cada gleba tenha um proprietário diferente, e seja comercializada
separadamente. Como resultado, em glebas funcionalmente estruturadoras
da Operação Urbana, que, pela lógica, deveriam ser ocupadas por programas
que estruturassem a dinâmica da área, acabam se instalando propriedades
fechadas, escritórios, por onde o pedestre sequer tem o direito de passar.
A
proposta da área de referência, é responsável pela configuração estrutural
do novo bairro, que permitirá trabalhar as vocações do espaço, reconfigurando
os eixos estruturadores, e re-conectando-os à oeste, ao mercado da Lapa
(Estação Ciência e Tendal), e, à Leste, ao Memorial da América Latina.
Com esta proposta, busca-se a retomada do sentido de uso e permanência
na área.
2.
Projeto Teia
Conceito
/ Partido
As
intervenções propostas para a área-foco foram formuladas a partir da
relação entre a proposta conjuntural para a área referência e o potencial
de centralidade da área.
É
apenas através da relação locacional estratégica entre a diferenciação
de atividades e o potencial das centralidades, que o consórcio entre
agentes públicos e privados pode proporcionar uma composição de atividades
que viabilize a proposição de um modelo de ocupação capaz de solucionar
os problemas do zoneamento restritivo, de drenagem, a barreira da estrada
de ferro, e a as descontinuidades do sistema viário na área foco.
A
metodologia utilizada para propor a ocupação das glebas da área-foco
utiliza a análise dos diversos tipos de aglomeração, dispersão e fluxos,
demonstrando as centralidades da área, de maneira sobreposta – em camadas.
A sobreposição das centralidades possibilita a elaboração dos critérios
de conexão entre os diversos tipos de centralidades. O adequado desenho
das conexões, entre as diferentes lógicas de aglomeração, é responsável,
em grande parte, pelo sucesso ou insucesso da diferenciação de atividades.
Muitas
vezes, em sistemas urbanos, as conexões correspondem aos objetos tangíveis:
uma passarela entre edifícios, uma estrada, uma tubulação de distribuição
de água ou o cabeamento em uma rede de telefonia. Entretanto, freqüentemente,
as ligações podem ser funcionais.
Quando
as centralidades são funcionais, estas representam interações. O mundo
ao nosso redor, e em nosso interior, é composto por redes. A Teia é
uma espécie de rede – é a proposta de um conceito para uma forma de
acomodação da malha urbana entre as diferentes camadas de centralidades.
A
imagem de centralidade sempre foi, ao longo da história do espaço como
unidade de produção, uma referência física concreta para se calcular
esta capacidade de produção do espaço. Os teóricos do valor do espaço
acreditavam que as trocas e as teorias de valor do espaço se davam em
função daquilo que eles viam, mediam e conseguiam apreender concretamente.
A
revolução na informação trouxe, entretanto, a noção de virtualidade.
Trouxe, também a noção de valor para o que é virtual e dinâmico. Desde
o processo que se iniciou com a invenção da moeda (para representar
produtos, sem que precisassem ser carregados), é interessante observar,
como todos os teóricos (matemáticos, economistas, sociólogos, urbanistas,
entre muitos outros), que pensaram o espaço a partir de sua capacidade
de produção, colaboraram com o entendimento de como, atualmente, é pensado
o espaço urbano, em uma realidade complexa capitalista. Realidade que
se caracteriza pelo espaço fluido – como chama Manuel Castells – pela
nova geografia de conexões globais – que altera as relações mundiais
de centralidade, segundo uma lógica virtual – e pelo espaço gerado por
negócios, e por commodities – em que o empreendedor é definido como
o criativo vislumbrador de produtos – estes se tornam elementos concretos;
e o especulador é até entendido como um ser benéfico, por colaborar
com a sua liquidez e renovação do sistema.
A
organização lógica que produz o espaço urbano, hoje, acontece em rede:
em constante metamorfose, com núcleos de centralidade ad-hoc,
em constantes negociações e construções. Esta organização, influenciada
pela globalização, apresenta multiplicidades espaciais de funções, com
centralidades maleáveis, elementos arquitetônicos e urbanísticos vocacionados
por fluxos e escalas transpostas (espaço multidimensional) reguladas
pela lógica informacional.
Projetar
em uma realidade assim, significa, para esta equipe, entender a necessidade
de compreensão do espaço urbano como uma rede complexa, produto de vários
agentes, e de várias áreas do conhecimento. Significa compreender a
vocação, a velocidade e a força dos elementos dinâmicos, que produzem
o espaço virtual (que tem um valor que condiciona qualitativamente),
e defender a possibilidade de responder com um espaço concreto, mas
que tenha a integridade, a flexibilidade e suficiente força para interagir
com as mudanças de valor do espaço virtual de uma maneira benéfica e
de clara negociação: é a capacidade de gerar o Lugar Urbano.
A
área que compreende a proposta de intervenção, é caracterizada por apresentar
fácil acesso de automóveis, transporte de alta qualidade, e uma estrutura
fundiária da área foco caracterizada por grandes áreas de um mesmo proprietário.
Todas estas qualidades, entretanto, ainda não são suficientes para caracterizar
as relações de vivência, que configuram a identidade desta área como
um bairro – a força dos fluxos viário e ferroviário é tão grande na
região, que enfraquece qualquer rede não física – rede de interações
– e centralidades que exista na área. Como resultado, a área permanece
um “lugar fluido”, residual das dinâmicas dos bairros lindeiros, e sem
uma identidade que o confira a força de centralidade.
A
Teia é uma espécie de rede, porque possui as mesmas qualidades de adaptabilidade
e constante re-negociação dos nós. Entretanto, o que confere a singularidade
da teia, se comparada à todas as outras redes, é que esta mantém ou
recria a hierarquia das centralidades. A teia é o resultado físico da
sobreposição de várias tensões, vários núcleos, diversos interesses,
que se interpolam em diversas camadas, no espaço, produzindo infinitas
relações de localização e valorização. A teia é, possivelmente, o sentido
conceitual mais lógico e simples, de reconfiguração da centralidade
da área de intervenção.
O
Projeto Teia é o desenho do espaço urbano, que tem como principal foco,
a reconstrução dos fluxos existentes na área – as passagens de pedestres,
o sistema viário, a água, o trem, o mercado imobiliário, entre outros
– para permitir a reconfiguração dos espaços de permanência, dos espaços
públicos, e da vivência.
Os
critérios de composição de atividades da Teia, constituem os elementos
responsáveis por facilitar a gestão do espaço e dos equipamentos públicos
que dela participam.
A
Teia também possui tal força de desenho, ligada ao imaginário, que a
normalmente a remete às centralidades, mesmo sem que esta centralidade
exista como elemento físico. Esta é a capacidade fractal da rede, que
permite a compatibilização entre as propostas conjunturais (para a área
– referência, no contexto da Operação Urbana e do sentido de ligação
entre bairros) e as estruturais (propostas da área).
As
propostas conjunturais, descritas anteriormente, permitem que a vocação
das áreas lindeiras ao projeto, sejam detectadas e, em maioria, restabelecidas
de acordo com os critérios da Operação Urbana.
A
equipe optou por investir boa parte do tempo trabalhando com modelos
volumétricos e a legislação, discutindo diferentes maneiras de exploração
do potencial que a situação fundiária inusitada – de poucos proprietários,
em São Paulo- poderia oferecer. Esta combinação de situações permite
uma nova oportunidade, em São Paulo, de se criar um uso do solo não
apenas misto, mas com critérios tridimensionais de apropriação volumétrica
do espaço. Os critérios de aproveitamento da terra, passam a ser regulamentados
por critérios de envelope, apresentando uma lógica prática – esquemática
de cálculo dos envelopes, e de fácil revisão da lei 11.774/95.
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Critérios
de incorporação – o envelope proposto |
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A
discussão dos critérios para o envelope, permitiu à equipe, trabalhar
a legislação de maneira a fortalecer o modelo de ocupação com critérios
que aportam qualidade de vida, melhoria na gestão dos espaços públicos,
pela iniciativa privada; uso racional e reciclagem / re-utilização dos
recursos naturais, e, em especial, da apropriação com aumento de coeficiente,
da área da várzea do Rio Tietê. O modelo proposto de apropriação do
envelope, ainda permiti aos proprietários atuais, desde que consorciados,
continuarem proprietários da área, de acordo com o Estatuto da Cidade.
3.
Projeto Teia – interações conceituais dinâmicas
A
teia de fluxos
A
Malha Urbana Projeto Teia é estruturada a partir da sobreposição de
cinco referências de deslocamento na área:
- o
deslocamento que ocorre pelo do sistema viário (camadas para automóveis
e transportes coletivos – existentes e proposto);
- o
deslocamento fluvial (aliado à proposta e uso misto e a necessidade
de traçar critérios para a contenção e re-uso e correta fluidez das
águas pluviais, formando uma outra camada de ruas navegáveis, que
centralizam na área esportiva, próxima ao Rio Tietê);
- o
deslocamento a pé (aliado às áreas verdes, geridas pela iniciativa
privada, como contrapartida das próprias incorporações com continuidade
para os eixos de intervenção conjuntural – eixos cultural / esportivo
/ comercial);
- o
deslocamento ferroviário (que participa da reestruturação da centralidade,
constituindo o núcleo da centralidade de deslocamentos).
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Proposta
de uso misto |
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A
Teia não é o resultado formal dos cinco fluxos, mas sim, uma trama que
constitui um elemento de conexão e conformação entre todos estes.
Os
espaços de vivência a partir da teia
O
desenho da Teia tem a função de acomodar a malha urbana entre as diferentes
camadas de centralidades – utilizado com as experimentações conceituais
de adensamento, e aplicando os condicionantes da legislação vigente
sobre a área foco, permitiram a criação de um modelo de adensamento
que tem como objetivo privilegiar as relações do homem com a terra e
a vida.
Os
espaços de vivência de bairro são verticais, porém, priorizando a ocupação
de partes da quadra, que faceiam um parque.
Áreas
de comércio são previstas na base do edifício residencial, para que
as pessoas possam estar em contato com o parque, e o comércio assegure
movimento para a área.
A
Teia e os envelopes: a nova configuração urbana
A
proposta para o envelope tem como principal objetivo, liberar a superfície
do solo, e o horizonte abaixo da área verticalizada.
Os
envelopes permitem uma nova configuração da estrutura fundiária, que
tem como principal foco, a atenção aos casos de locais públicos. O poder
privado incorpora edifícios, e o limite do edifício passa a ser a água
(tudo o que se encontra nos limites da água, é de gestão privada, e
circulação pública)
- No
“Pavimento Terra” local onde se cultiva a vida: área predominantemente
aberta, para a fluidez urbana e parque – vida;
-
No “Pavimento Bairro”, comercial, área predominantemente elevada do
nível do parque – quem vive;
- No
“Pavimento Residencial” – quem mora;
- No
“Pavimento Edifícios” – quem transita.
A
Teia e as referências espaciais – as centralidades e as referências
da paisagem
A
Teia constitui a estrutura um de novo modelo para usos mistos e áreas
verdes.
São
referenciais visuais, de projeto, para a área, o Pico do Jaraguá, as
chaminés, o Espigão da Av. Heitor Penteado.
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Espaços
de circulação e áreas verdes |
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A
Teia foi inicialmente orienda para a centralidade natural dos fluxos
viários, em direção ao Teminal Barra Funda. Descobriu-se, mais tarde,
que a teia abre seus horizontes exatamente na direção do Pico do Jaraguá
– uma outra importante
A
Teia e as trocas energéticas e residuais
A
Teia constitui um organismo vivo, desenhada para realizar trocas com
o meio.
O
envelope dos edifícios dimensionado e locado também sob o aspecto técnico
da insolação e da ventilação.
Procurou-se
adensar assegurando uma insolação contínua e eficiente, em todos os
edifícios, através de ensaios da maquete com solarscópio. A partir deste
ensaio, foi possível estabelecer os critérios técnicos do envelope (ensolação
e ventilação), que limitariam o potencial de verticalização da área.
As
trocas residuais se dão por meio de reciclagem, que é movida na parte
interna da teia, através das esteiras localizadas no shaft técnico.
Na região, existem duas grandes empresas que reciclam matéria – a Latasa,
que recicla alumínio; e a Santa Marina, que recicla vidros.
A
troca de energia se dá por captadores eólicos, situados na canalização
de vento do Rio Tietê. “Cada um desses captadores produz 1MW de energia
por ano”. (MVRDV- Metacity, 010 Publishers, 2001.)
4.
Características projetuais
As
áreas de intervenção estruturadora
O
projeto da área de intervenção estruturadora se apresenta cinco em camadas:
três camadas são de intervenção direta do urbanista, porém, as outras
duas, dependem do projeto de cada setor.
- Camada
Água – a água, neste projeto, tem várias funções: como reservatório
de água e como renovador (reutilizador de águas pluviais). A água
permite a navegação interna, por barquinhos infláveis. Um pequeno
pontão pode ser anexado ao local para guardar os serviços e facilitar
o acesso à água –> ÁGUA (VIDA)
- Camada
Terra – A Terra é uma camada que precisa respirar. Nesse projeto,
é pela camada terra que as pessoas se locomovem, mantendo a amplitude
de um espaço urbano com características de um grande parque. A Camada
Terra está no nivel do solo atual da região –> TERRA (VIDA)
- Camada
Comércio (shopping aberto/coberto) – É a camada funcional do projeto.
Uma estrutura orgânica, leve, que se eleva e desce, acomodando-se
aos meios das quadras (entrada de pedestres), e organizando os fluxos.
Esta estrutura eleva o sistema viário de automóveis, e libera a lâmina
do térreo para as pessoas caminharem –> QUEM VIVE
- Camada
Residências – as residências são baixas, de acordo com nosso envelope,
no máximo 4 pavimentos de apartamentos. Essa escala apresenta a possibilidade
de vivência maior do bairro por estarem situadas em volumes mais próximos
da camada TERRA e logo acima da camada COMÉRCIO –> QUEM VIVE
- Camada
Transitória (escritórios, consultórios, etc) – Usos incorporados,
até 50 pavimentos (vide análise do tráfego aéreo da região). Atualmente,
com coeficiente 3, podendo chegar à 4 de acordo com o envelope proposto
–> QUEM TRANSITA
As
áreas de intervenção conjuntural
Na
área da centralidade, edifícios altos e distanciados determinam a melhor
possibilidade de localização. Para esta área, traçamos um programa com
a finalidade de apontar uma coerência de desenho urbano privilegiando
assim a insolação e ventilação. O intuito desse projeto urbano é organizar
uma forma coerente e humana de verticalização, mantendo-se uma alta
qualidade de vida com enfoque nas inter-relações pessoais entre os moradores
e trabalhadores que vivenciarão esse novo espaço: um novo estilo de
vida. Os edifícios serão incorporados por setores, não existe lote.
Os setores serão incorporados por empresas privadas diversas, que contratarão
arquitetos através de concursos ou concorrências pagas organizados pelo
IAB, retomando assim a responsabilidade da formação da cidade contemporânea,
na sua forma e organização, para o profissional arquiteto. Com isso
o “bairro novo” terá uma diversidade de soluções arquitetônicas, buscadas
pelo anseio dos profissionais em encontrar soluções inovadoras para
as necessidades dos clientes e incorporadores e, conseqüentemente a
cidade e os cidadãos ganham com isso.
5.
Fases de implantação
Para
a implantação do organismo vivo, os setores serão incorporados em grupo.
Iniciativa Privada e Poder Público trabalhando juntos e ao mesmo tempo
na mesma fase. As fases apresentadas nessa prancha não tem ordem para
acontecer, são independentes uma das outras e o poder da centralidade
do Projeto Teia formará um conjunto assim que cada fase é finalizada.
O que sustenta a divisão em fases são acessos independentes de cada
uma delas e sua acomodação e ligação com o sistema viário existente.
6.
Comunicação visual
A
Comunicação visual é inspirada nas imagens da teia / vento / construído.
Todos os equipamentos são desenhados em camadas, em vidro jateado, o
que permite que a pessoa se referencie no grid em que se encontra.
Coberturas
modulares
Inspiradas
na teia, foram desenhadas para os equipamentos urbanos: pontos de ônibus,
bancas de jornal, bicicletário, cabines telefônicas, cabines de acesso
à internet, espaço com cobertura modular para usos diversos, etc...
A grande flexibilidade desse sistema modular, que remete ao conceito
da Teia, é que permite várias possibilidades de aberturas, conseqüentemente,
composições diversas dinamizando os espaços públicos.
Escultura
Escultura
cirurgicamente implantada no nó da Av. Marquês de São Vicente, espaço
público de imensa dimensão, cercado agora com o Projeto Teia por edifícios
altos visualmente horizontais, que configuram a sensação de aconchego
a uma cidade dinamica e de rapido movimento. Movimento esse que é traduzido
a uma estrutura leve que se move com o vento transmitindo um momento
de paz e reflexão ao cidadão quando vivencia esse novo espaço. Um conceito
atrelado às idéias apresentadas até então, que seria transmitido a um
artista plástico para que este fizesse a sua criação.
Notas
GEORGE,
Pierre. Geografia urbana, trad. Pelo Grupo de Estudos Franceses
de Interpretação e Tradução. São Paulo, DIFEL, 1983, p. 76.
SEABRA,
Odete Carvalho de Lima. Memória, cidade e paisagem. São Paulo,
s/d. 5p (mimeógrafo), p. 2.
RAMOS,
Aluísio Wellichan. Fragmentação do espaço da/na cidade de São Paulo
– espacialidades diversas do bairro da Água Branca em questão. São
Paulo, 2001.
LEFEBVRE,
Henri, Writing of cities. Oxford / Cambridge. Blackwell publishers,
1996, p. 9-10.
Ficha técnica
Autores
Arquitetos Fábio Zeppelini, Adriana Rebello Cocchiarali, Isabela Jock
Piva, Patrícia Bertacchini
Comunicação
visual
Lars Diederichsen
Consultoria
/ aeronáutica
Piloto Gustavo Avelino Corrêa
Colaboração
Eduardo Zeppelini Iannicelli e Maria Carolina Duva
Estagiários
Débora Zeppelini e Rafael Serradura
Apoio
Eliana M. S. Bertacchini, Mauro Bertachinni, Spy, Marc e Yuri
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