Menção
Honrosa – Projeto: PR 1036 – São Paulo SP
Equipe: Bruno Roberto Padovano, Geraldo Gomes Serra, Maria Beatriz Ferreira
de Souza Oliveira, Jaques Suchodolski, Sidney S. Linhares, Elaine Salles
Biella, Ricardo Bianca de Mello, Luis Guilherme Bombana Nicoletti e
Eduardo Ribeiro Rocha
Um
Bairro Novo na Água Branca
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Perspectiva
aérea |
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O
projeto proposto para o Bairro Novo apresenta sete conceitos principais:
Requalificação
da Várzea do Rio Tietê. Recupera a função paisagística/ambiental
do rio e de sua várzea, com um novo parque urbano ao redor de um antigo
meandro que lá existiu.
Integração
da Água Branca com os bairros vizinhos. Integra os espaços urbanos
dos dois lados da ferrovia através de ocupação extensa sobre as linhas
férreas, na cota 730, que coincide com a Avenida Francisco Matarazzo.
Inovação
do Modelo de Desenvolvimento Imobiliário. Cria as Unidades de Desenvolvimento
(UDs) no lugar de lotes e quadras tradicionais, que se organizam de
maneira a permitir o controle e a previsibilidade do resultado final,
necessários para atrair e compromissar os investidores. Apresentando
características inusitadas, as UDs remetem contudo ao formato e dimensões
das peculiares quadras da Água Branca.
Desvinculação
dos cronogramas de implantação do Bairro Novo e das obras públicas de
benfeitorias. Organização das UDs e dos espaços afeitos de maneira
que a implantação física seja possível sem que nenhuma etapa sofra impedimento
por atrasos das obras a cargo do poder público. O “boulevard”
proposto vai sendo implantado conforme a incorporação das Uds, a partir
de qualquer de suas extremidades.
Reestruturação
do Sistema Viário. Além de um “boulevard” central que
organiza o conjunto urbano, promoção de alternativas de tráfego expresso,
paralelamente e transversalmente às Marginais e articulação das malhas
existentes a norte e a sul da proposta, permitindo a integração dos
corredores de ônibus.
Articulação
do Sistema Ferroviário com o tecido urbano. Transposição das vias
férreas e adequação ao projeto SP TREM, às linhas do metrô, do trem
expresso do aeroporto e aos importantes equipamentos culturais, comerciais
e esportivos existentes no entorno. Conexões entre as UDs a partir do
nível de transposição das linhas férreas.
Integração
do conjunto de HIS – Habitação de Interesse Social. Adoção
de uma localização e um desenho que permitem a convivência e a adequação
à proposta do bairro enquanto local de privilegiado convívio social.
Diretrizes
para a Água Branca
O
projeto aqui desenvolvido propõe soluções que podem ser estendidas para
toda a região de referência (Água Branca e Barra Funda), na medida em
que propõe:
- uma atenção
especial às questões de micro e macro drenagem, através da recuperação
do antigo leito do Rio Tietê, e da construção de um lago que receberá
todas as águas pluviais da região, funcionando como um reservatório
de acumulação - as águas assim recolhidas receberão tratamento primário,
de forma a manter sua qualidade paisagística;
- a retenção de
águas pluviais através de lajes ajardinadas, sobre garagens acima
do nível do terreno, que oferecerão também espaços de lazer aos moradores
do bairro, medida que poderá ser utilizada em situações semelhantes
em toda a região da Água Branca;
- a criação de
um parque que poderá ser articulado a outros parques e áreas verdes
a serem implantados na região em áreas públicas, como a gleba vizinha
ao Fórum Criminalista, e através de intensa arborização ao longo do
sistema viário existente e a ser qualificado em termos paisagísticos;
- a construção
de pistas elevadas para o tráfego de passagem, medida que poderá ser
aplicada para outros grandes eixos viários, de tráfego intenso, que
cruzam a região no sentido norte-sul;
- a implantação
de uma via estrutural ao longo dos trilhos da via férrea, que visa
aliviar o tráfego em toda a região, podendo ser estendida até Pirituba
e o Rodoanel no sentido Noroeste e até a Avenida dos Estados a leste;
- a valorização
das linhas férreas de acordo com as diretrizes do Projeto SPTrem,
que, ao ser implantado, fortalecerá os vínculos do transporte de massa
entre a região e toda a metrópole.
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Implantação |
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No
mapa acima, ilustramos esquematicamente, as diretrizes citadas para
a região de referência. A seguir tais diretrizes são apresentadas e
ilustradas através de nossas propostas de desenho urbano para a Área
de Intervenção.
Principais
propostas de Desenho Urbano
1.
Áreas Verdes
A
partir do braço antigo do Rio Tietê, identificado através de cartografias
do final do século XIX, estende-se um espelho d’água que organiza
os espaços e opera como elemento de ligação paisagística entre a Marginal
e o novo bairro.
Um
grande parque urbano foi proposto na área pertencente ao poder público
municipal, ao norte, o que permite estabelecer uma relação de aproximadamente
12 m2 de área verde por morador.
Uma
densa arborização e vigoroso tratamento paisagístico foram propostos
para toda área do bairro, caracterizando-o como um “bairro verde”,
auxiliando na retenção das águas pluviais e na permeabilidade do solo.
O
sistema de lagos e espelhos d’água propostos visa a eficiente
retenção temporária das águas, com tratamento primário e prevê a drenagem
e reutilização da água pluvial para irrigação de jardins, tanto nas
praças de lazer elevadas (privativas) como nas áreas públicas.
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Vista
do Parque a partir do passeio |
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Ganharam
novos acessos e foram preservados os edifícios e campos do Clube Nacional.
Os Centros de treinamento dos clubes de futebol deverão ter seus campos
ligeiramente adaptados para dar espaço a uma entrada pública com estacionamento
e equipamentos a serem incorporados ao Parque.
2.
Sistemas Viário e Ferroviário
Com
a elevação da Avenida Pompéia entre a transposição da ferrovia e a Ponte
Júlio Mesquita Neto do rio Tietê, o tráfego de passagem é separado do
tráfego local, aumentando seu fluxo e garantindo maior tranqüilidade
e segurança aos pedestres do bairro novo, bem como aos veículos que
buscam uma rota expressa.
As
avenidas situadas nas laterais da calha das linhas férreas serão estendidas
e alargadas dos dois lados da mesma, formando uma alternativa mais fluida
ao tráfego da Avenida Marquês de São Vicente e da Rua Guaicurus, servindo
ainda como sistema viário alternativo à Avenida Marginal do Rio Tietê
e devendo ser prolongada até a Av. Raimundo Pereira de Magalhães e,
com o advento de uma ponte, até Pirituba e o Rodoanel.
A
estação Água Branca foi deslocada para dentro do perímetro da área de
intervenção, fazendo parte do futuro projeto do SP Trem, com acesso
direto ao Aeroporto de Guarulhos, ou indireto via estação do Pari, conforme
plano da CPTM. A estação permitirá a conexão da malha viária entre os
dois lados do sistema ferroviário através da elevação das linhas férreas
e da plataforma, que estarão dentro do edifício da estação, que também
abrigará um centro comercial e equipamentos institucionais, caracterizando
essa UD como de uso predominantemente comercial e institucional. Dessa
forma, a estação no novo local proposto, sintoniza-se com o Projeto
SP TREM e integra eficazmente toda malha de transporte urbano, inclusive
ônibus, e esta aos importantes equipamentos culturais, comerciais e
esportivos existentes no entorno.
Um
boulevard de distribuição de tráfego local, ladeado por galerias
com lojas, bares e restaurantes constitui o centro das atividades do
bairro e oferece acesso às garagens das Unidades de Desenvolvimento.
O Boulevard servirá de espinha dorsal do bairro, como principal
e clara referência de circulação e ponto de encontro, gerando um espaço
urbano agradável e tranqüilo, ao mesmo tempo ativo e diversificado.
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Boulevard
proposto |
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O
Boulevard mantém o fluxo veicular dentro do bairro exclusivamente local,
ao mesmo tempo que o interliga diretamente a vias expressas: pelas extremidades
à Av. Marques de São Vicente e pelo largo central ao atual viaduto Pompéia
que passará a atender exclusivamente ao bairro.
O
Boulevard estende-se lateralmente através de “Alamedas”
até um “Passeio” ajardinado ao longo de um corpo d’água
formado por uma seqüência de pequenas enseadas artificiais, espelhos
e fontes que se conectam e interligam o bairro ao Parque, ao norte,
por sob a Av. Marques de São Vicente.
3.
Parcelamento da Gleba
As
Unidades de Desenvolvimento (UDs), que apresentam uma inovação conceitual,
retomam o padrão da região industrial da Água Branca com quadras de
formato irregular de grandes dimensões. No seu interior localizam-se
as garagens (acima do solo) e nos seus contornos, galerias de bares/cafés
e comércio de rua. A área construída acima do solo constituída de estacionamento
não será computável, desde que dentro das normas propostas.
Renovam
os padrões de urbanização existentes, servindo de exemplo para futuros
empreendimentos na região e para a complementação da legislação urbanística
da Operação Urbana Água Branca. Ao mesmo tempo, faz-se atraente ao mercado
imobiliário, por meio da previsibilidade dos resultados e geração de
qualidade urbana que transcende à dos bairros mais cobiçados de São
Paulo.
Não
há parcelamento convencional em lotes. A compra de potencial construtivo
se faz por cotas, que correspondem a uma porcentagem, ou totalidade
de uma ou mais Unidades de Desenvolvimento e implicam na construção
proporcional de trechos dos logradouros públicos a ela correspondentes,
inclusive do complexo Passeio/Alamedas/Boulevard.
Cada
UD tem seu volume com desenho definido e usos regulamentados e é uma
unidade mínima, ou etapa mínima de implantação, que pode começar pela
ponta noroeste do Boulevard, junto à Av. Marquês de São Vicente e estender-se
até sua totalidade, junto à mesma avenida a oeste, independentemente
do cronograma das obras públicas, uma vez que o desenho do bairro prescinde
dessas benfeitorias para materializar-se.
4.
Edificações
Todos
os edifícios residenciais (volumes superiores) estão construídos sobre
a laje de cobertura das UDs. Isto permite colocar a laje no nível da
Avenida Francisco Matarazzo, passando por sobre a ferrovia. Dessa forma,
a integração visual e física entre os dois lados da ferrovia, hoje separados,
passa a ser total.
Uma
baixa taxa de ocupação é estimulada através do favorecimento da verticalização.
A projeção dos volumes superiores (edifícios) não deve ultrapassar 20%
da área de projeção da UD onde serão implantados. Isso favorece a percepção
panorâmica das paisagens do entorno e do bairro e aumenta a taxa de
retenção das águas pluviais (ver estudo de alternativas ao lado).
Os
dois pavimentos do estacionamento sobre o nível do terreno não são percebidos
como tais pelos transeuntes uma vez que toda a fachada do volume térreo
(inferior) da UD, com exceção dos acessos ao seu interior, está ocupada
por espaços comerciais. A área dos estacionamentos acima do solo dentro
dos padrões preconizados será tratada como não computável.
Dois
padrões de edifícios são propostos a título de exemplificação da possibilidade
de uso das UDs: Com 44 pavimentos e com 29 pavimentos. Esses edifícios
permitem construir o potencial total do coeficiente de aproveitamento
definido pelo edital (4,0). No entanto, caso as quadras sejam desenvolvidas
por diferentes agentes imobiliários, soluções alternativas para os edifícios
poderão ser adotadas (ver diagramas de aproveitamento ao lado e regulamentação
urbanística proposta para as Uds).
Os
edifícios propostos são compostos por 4 lajes interligadas pelo hall
da circulação vertical, em uma composição leve e transparente. Os apartamentos
duplex têm o seu acesso a cada dois ou três pavimentos, todos eles com
ampla insolação (orientação leste/oeste) , ventilação natural e generosas
vistas sobre a paisagem.
A
área situada sobre a grande laje de cobertura dos estacionamentos forma
uma área de lazer de uso exclusivo dos moradores dos edifícios, podendo
estar interligada ou separada, dependendo do desenvolvimento dos projetos
das UDs. As lajes dos edifícios poderão estar interligadas por passarelas
conforme ilustramos nas vistas e perspectivas.
Sobre
essa laje estarão também alguns dos equipamentos sociais e de lazer
ligados aos edifícios, tais como piscinas, quadras esportivas e salões.
Poderão também existir equipamentos complementares aos do Parque e da
Estação, tais como creches e espaços de cultura artística, que, se estiverem
sob a projeção dos edifícios, não constituirão área computável.
A
área referente à implantação do conjunto HIS – Habitação de Interesse
Social, foi localizada junto à Avenida Marquês de São Vicente, de forma
integrada ao Passeio e ao bairro como um todo.
A
concentração de edifícios de escritórios foi prevista nos terrenos à
noroeste, hoje ocupados por atividades atacadistas, e exemplificada
através da proposição de uma torre de escritórios no terreno de propriedade
da Prefeitura, atualmente vago, utilizando o coeficiente máximo, com
ocupação máxima de 20% do lote (utilizamos 10%). Neste local, outros
edifícios semelhantes poderão ser erguidos nos demais terrenos.
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Parâmetros
urbanísticos e arquitetônicos |
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5.
Infraestrutura Urbana
Energia
elétrica
O
sistema de alimentação de energia elétrica para todo o bairro deverá
ser discutido e definido com a concessionária AES Eletropaulo. Determinando
os pontos de origem das alimentações em média tensão, quais sejam, novas
subestações de distribuição ou existentes com disponibilidade de carga.
A
rede de alimentação deverá ser subterrânea e em configuração de anel,
proporcionando maior confiabilidade e flexibilidade às alimentações
dos futuros consumidores. A rede de alimentação principal deverá ser
prevista ao longo do Boulevard.
A
alimentação dos empreendimentos residenciais deverá ser feita em baixa
tensão a partir de câmaras transformadoras subterrâneas, dimensionadas
conforme as características de cada edificação. Os empreendimentos não
residenciais poderão ser alimentados em média tensão diretamente da
rede principal.
Telecomunicações
Para
atendimento do novo bairro deverá ser prevista central de telecomunicações,
onde as concessionárias de serviços de comunicações terão seus acessos
garantidos. A partir desta central, através de rede principal (fibra
óptica) subterrânea a ser prevista no Boulevard, todos os empreendimentos
residenciais serão alimentados. Este sistema garantirá o tráfego de
voz, dados e imagens para todos os usuários.
Abastecimento
de água
O
abastecimento de água deverá ser feito pela SABESP. Para tanto, deverá
ser discutida e definida a melhor forma junto à mesma.
Esgotos
sanitários
As
coletas internamente a cada empreendimento serão separadas da seguinte
forma:
- Ramais exclusivos
para coleta dos efluentes das bacias sanitárias, tendo seu destino
final a rede coletora principal a ser prevista no Boulevard de responsabilidade
da SABESP
- Ramais exclusivos
para coleta dos demais efluentes (lavatórios, pias, ralos, etc.),
tendo seu destino inicial uma estação de tratamento primário, a qual
possibilitará que as águas tratadas sejam reaproveitadas para o sistema
de irrigação e/ou sistema de bacias sanitárias de cada empreendimento.
Ficha
técnica
Autores
Bruno Roberto Padovano, Geraldo Gomes Serra, Maria Beatriz Ferreira
de Souza Oliveira, Jaques Suchodolski, Sidney S. Linhares, Elaine Salles
Biella, Ricardo Bianca de Mello, Luis Guilherme Bombana Nicoletti e
Eduardo Ribeiro Rocha
Colaboradores
Gabriel Mazorra Santos, Eduardo de Almeida Souza, Patrícia Zurano Biselli
e Marcos Machado
Consultorias
Aluízio Amaral Monteiro Leite e Edison Domingues Júnior
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