Menção
Honrosa – Projeto: PR 1041 – Rio de Janeiro RJ
Equipe: Ana Paula Gonçalves Pontes, Christian de Portzamparc, Alexis
Lorch, Bárbara Bottel, Benoit Vlauviller, Burckhardt Schiller, Christopher
Eschapasse, Clóvis Cunha, Michael Kaplan, Nanda Eskes e Rex Bombardelli
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Volumetria
e vista geral da área |
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Um
bairro: Água Branca
Fazer
um bairro novo para a cidade, uma parte de São Paulo que se integre
em sua retícula urbana. Não uma outra cidade, não um condomínio.
São
Paulo é uma cidade fascinante. Ela parece selvagem, com sua lógica fortemente
paradoxal, e nasceu da associação de duas características opostas: a
cidade horizontal e a cidade vertical. A cidade horizontal, narrativa,
com suas casas e lojas, dita a vida infinitamente diversa dos indivíduos.
Essa camada horizontal alinhada às ruas é atravessada pela trama irregular
da cidade vertical, feita com torres que brotam como plantas. É nessa
floresta urbana que podemos encontrar uma regra de liberdade, de densidade,
de luz e de coesão. A quadra paulistana apresenta, assim, um caráter
próprio e único, que cria a paisagem singular das ruas.
Entrar
na malha da cidade, em suas ruas, observando seu ritmo e seu desenvolvimento
para imaginar um bairro novo, é procurar um método que, a partir dos
ensinamentos dessa quadra, se abra ao aleatório, ao desconhecido do
amanhã, e que possa apresentar uma perspectiva no espaço e no tempo.
É preciso evitar o plano de massas que não permita a evolução. Ao invés
dele, nós propomos uma regra de jogo volumétrica para uma nova quadra
aberta com forte dinâmica de alturas.
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Perspectiva
de rua e calçada |
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A
quadra paulistana
"Vivemos
no esquecimento de nossas metamorfoses"
A
grande diversidade volumétrica de São Paulo nasceu do parcelamento do
solo em ruas reticuladas, das regras numéricas das leis de zoneamento
e do movimento aleatório das oportunidades imobiliárias, que geraram
um crescimento da cidade lote a lote. Foi com essa evolução dinâmica
e diversa, de associação entre o grande e o pequeno, que se produziu
a densidade, a luminosidade e a vida urbana paulistana. A estratificação
de edifícios justapostos parece acelerar a história, produzindo uma
paisagem extremamente rápida e contrastada. Afirmar essa cultura existente
de São Paulo como regra urbana não equivale, porém, a reabilitar quaisquer
fórmulas do passado. Encontramos nesta cidade um exemplo vivo daquilo
que todo o urbanismo moderno procura intensamente. Aqui estão as respostas
aos anseios de nossa época:
- a liberdade e
a diversidade que permitem o aleatório;
- a integração
dos contrastes, que possibilitam a mistura programática;
- a riqueza da
vida que se passa nas ruas, como uma história que se conta;
Por
isso é preciso inventar um método, uma nova forma de agir e pensar sobre
a cidade, criando uma densidade que privilegie a luminosidade e as vistas.
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Tipologias
de edifícios e combinações dentro de quadras
múltipla e singular |
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A
regra
"Com
uma idéia cívica, quase moral da cidade, nós surpreendemos a máquina
física, contábil que a produz, sempre controlada pela técnica do mercado."
A
regra da quadra leva em conta a tipologia extremamente variada da cidade.
Cada quadra é objeto de um parcelamento espacial, e deve integrar componentes
tipológicos obrigatórios, jogando com eles de forma livre. A regra assegura
ainda que a periferia da quadra seja constituída por 70% de fachada
alinhada à rua e 30% de áreas abertas para o interior, reservando 50%
do solo aos jardins. Nenhum plano rígido existe, pois infinitas configurações
são possíveis.
Compreendemos
a música feita do acaso e da regra. À simplicidade do desenho das ruas,
da vida púbica, se opõe a diversidade das fachadas individuais, dos
interiores das quadras privadas, dos programas diversos. As configurações
resultantes são infinitas, a evolução progressiva, flexível e natural.
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Esquema
volumétrico das quadras |
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A
área foco
Relacionar
o bairro à cidade com as ruas e pontes, a marginal, a estação, o Tietê.
A
água do Tietê apresenta-se como um tema paisagístico apropriado ao novo
bairro. Apesar das construções ao longo do rio, não há em São Paulo
um diálogo com a água. Este parque aquático, configurado como espaço
público, identifica a paisagem do Bairro Novo. Ele proporciona uma grande
luminosidade e um novo panorama, animado ainda por árvores plantadas
em pequenas ilhas. Preferimos essa opção ao invés de um parque vegetal
- sempre problemático em termos de segurança e manutenção -, e descartamos
também a idéia de um parque residencial privado. As quadras se reúnem
em conjuntos semelhantes a ilhas, unidas por um boulevard. A
grande flexibilidade da configuração construtiva das quadras permite
que a evolução do bairro se dê por unidades vivas, que podem variar
ao longo do tempo.
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Implantação
das quadras |
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Ficha
técnica
Autores
Arquitetos Christian de Portzamparc, Alexis Lorch, Ana Paula Gonçalves
Pontes, Bárbara Bottel, Benoit Vlauviller, Burckhardt Schiller, Christophe
Eschapasse, Clóvis Cunha, Michael Kaplan, Nanda Eskes e Rex Bombardelli
Estagiários
Anouar Elmoussaoui, Cyril e Wei Wang
Consultores
Engenheiros Francisco Salles e Henrique Aragão |