Menção
Honrosa – Projeto: PR 1046 – São Paulo SP
Equipe: Decio Tozzi, Jéssica Genaro Faro, Felipa Shahin, Marino Barros
Filho, Rodrigo Leopoldi, Rodrigo Affonso Scaletsky e Rodolfo Affonso
Scaletsky
Desígnio
paulistano
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Vista
aérea a partir da Casa Verde |
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A
implantação do complexo urbano na região Água Branca / Barra Funda implica
certamente uma visão global da cidade de São Paulo no contexto de sua
evolução.
O
cuidado com a preservação da paisagem das calhas dos rios Tietê e Pinheiros
passa a ser uma das principais tarefas do urbanismo paulistano visando
o planejamento do desenvolvimento e ocupação futura.
Se
observarmos o mapa de São Paulo verificaremos que um contínuo eixo importante
é já traçado desde a zona sul até as zonas norte e leste, contornando
o maciço do espigão central em cota protegida da área inundável dos
rios.
Na
banda sul constitui o eixo das avenidas Berrini – Faria Lima –
Pedroso de Morais – Fonseca Rodrigues, na região oeste a avenida
Dona Leopoldina e avenida Gastão Vidigal onde contornam o maciço e se
dirige para o lado norte através das Avenidas Ermano Marchetti e Marques
de São Vicente, daí ganhando o bairro do Pari e Parque D. Pedro de onde
se dirige ao ABC. Na bifurcação do Tamanduateí, outro braço toma a direção
da zona leste até o Tatuapé e Penha.
Uma
generosa faixa de terra entre esse eixo e os rios apresenta-se, em toda
sua extensão mais ou menos definida em termos de ocupação. Em sua maioria
é ocupada por usos em plena transformação urbana dada sua obsolescência.
A
importância dessa área nos indica a necessidade de preservação e recuperação
da paisagem das calhas dos rios Tietê e Pinheiros revertendo sua ocupação
e resgatando a paisagem das calhas desses rios para o território do
lazer metropolitano.
Áreas
livres, equipadas para o entretenimento, o esporte e a convivência urbana
e dotadas em alguns pontos, suficientemente espaçados, de alguns equipamentos
culturais de influência metropolitana como museus, espaços multiuso,
teatros, espaços para concertos significarão a nova realidade dos nossos
rios.
Espaços
como Parque Villa –Lobos, Parque do Povo, Piqueri, o campus da
USP, a área do Joquey Club, Vila Guilherme, Campo de Marte, Parque Anhembi,
já constituem exemplos desse saudável caminho para a ocupação física
dessas belas áreas dos vales dos rios que apontam para o pico do Jaraguá
onde o pôr do sol constitui o espetáculo culminante das jornadas paulistanas.
O
moderno dispositivo jurídico do "solo criado" possibilitará
o adensamento desse importante eixo linear e a rarefação progressiva
da faixa entre as avenidas e o leito dos rios, numa troca de coeficientes,
possibilitando assim a definição do espaço importante de convívio nas
áreas livres de beira-rios.
Diretrizes
A
visão macro indica as diretrizes de implantação do complexo urbano na
área do projeto:
1.
Preservação e Recuperação da área entre a Avenida Marques de São Vicente
e o rio Tietê destinando-a a área livre, verde, como parque urbano equipado
para o lazer da população.
2.
O novo complexo urbano constitui elemento de integração entre Pompéia
e Casa Verde superando os obstáculos da ferrovia e do rio Tietê.
3.
O desenho do bairro contém caráter modular como organização de ocupação
planejada do espaço urbano denotando claramente uma harmônica hierarquia
urbanística desde a escala coloquial até a escala gregária. Os "módulos
urbanos" conferem o grau de identidade, demarca o território da
vizinhança, evitando assim uma solução massificante ao conglomerado
de alta densidade.
4.
O projeto prevê a necessária superposição de funções urbanas, como habitação
, serviços, comércio e institucionais, que imprime aos equipamentos
uso permanente evitando áreas ociosas de anti-urbanismo.
5.
As glebas Telefônica e Pompéia são integradas por eixo linear que contém
, em si, o desenvolvimento dos equipamentos de comércio e serviços que
definem o Centro de Bairro.
6.
O desenho prevê a separação adequada de pedestres e veículos, privilegiando
os pedestres nas quadras e pátios sem retirar os veículos particulares
e coletivos do Centro do Bairro.
7.
O projeto cria um micro sistema de circulação, independente das Avenidas
Marquês de São Vicente, Willi Borghoff e Pompéia.
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Implantação |
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8.
O carregamento de tráfego (pólo gerador) na área de referência influirá
algumas alterações tais como: locação da estação CPTM na Esplanada de
Acesso, transposição da linha férrea na Av. Santa Marina e a oeste ligação
da Av. Marquês de São Vicente com a Av. Dr. Gastão Vidigal.
9.
A ligação de Pompéia à Casa Verde através do novo bairro, está prevista
para pedestres, ciclovia e transporte coletivo por monotrilho aéreo
completando o trânsito por veículos existente através das pontes e viadutos.
10.
A alta densidade e a conseqüente verticalização gera pequena ocupação
da área propiciando grande área de solo permeável. (60% da área total)
11.
Essa ocupação mínima implanta os "módulos urbanos" no interior
de uma área verde bosqueada e equipada de aproximadamente 833.000,00
m². (77% da área total)
12.
O acesso às habitações se faz por um sistema seletivo de elevadores
de alta velocidade através das torres de circulação vertical (nós do
sistema espacial proposto).
13.
Na área do Parque Urbano entre a Marquês de São Vicente e o rio Tietê,
além dos equipamentos esportivos sugerimos um Espaço Multiuso acoplado
a um complexo de ensino profissionalizante e superior.
14.
Os módulos urbanos constituem verdadeiras "quadras paulistas"
(120x120) com espaço intersticial arborizado contendo pequenos estares,
playgrounds e creche circundado pelas unidades residenciais bem
como pelo bloco de escritórios.
Acessibilidade
Macro
Acessibilidade
A
região da Água Branca encravada entre o Rio Tietê e a Linha de Ferro
da CPTM no sentido Norte-Sul tem seu elo de ligação nas transposições
do Rio Tietê pelas Pontes Julio de Mesquita Neto, Freguesia do Ó e Piqueri.
O
bairro espalha-se no sentido Leste-Oeste tendo a Marginal esquerda do
Rio Tietê e as Av. Marquês de São Vicente/ Hermano Marchetti como vias
de acesso principais.
Estas
avenidas são a continuidade da ligação desde o ABC na Região Sudeste
da RMSP e que poderiam interligar também, a Região Sul, até Santo Amaro,
bastando dar prosseguimento a este eixo entre a Ponte do Piqueri e a
Av. Gastão Vidigal com a construção de uma avenida unindo estes extremos.
Essa medida é de fundamental importância para servir como alternativa
de circulação diametral do sistema viário da Capital e proporcionar
melhores condições de acessibilidade à região da Água Branca, considerando
o enorme potencial de desenvolvimento de moradias e serviços já existentes
e propostos, minimizando também, o impacto do tráfego a ser gerado nos
eixos radiais do tecido urbano da cidade.
Micro
acessibilidade
O
empreendimento proposto composto por 8 módulos urbanos deverá abrigar
em torno de 12 mil pessoas por módulo, totalizando cerca de 100 mil
habitantes; complexos comerciais atraindo 25 mil pessoas e um complexo
multiuso para 40 mil pessoas.
Para
que seja garantido condições de conforto e acessibilidade aos usuários
é preciso reestruturar a circulação do sistema alimentador propondo
nova travessia em desnível dos trilhos da CPTM interligando a Av. Santa
Marina com a Av. Carlos Vicari formando o eixo Pompéia – Zona
Norte pela Ponte da Freguesia do Ó.
Todo
sistema viário local será composto por vias com largura não inferior
a 10,5m e será adequado ao sistema viário existente.
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Vista
aérea a partir da Pompéia |
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A
circulação dos veículos será em forma de binário no sentido horário
e todos os estacionamentos serão subterrâneos, sendo que o acesso dos
moradores aos mesmos são independentes, perimetrais sem carregar a avenida
central do bairro. Os estacionamentos dos veículos que demandam a área
comercial estão previstos junto a avenida do centro de bairro.
O
transporte público de passageiros deverá ser compatibilizado com o previsto
no PITU 2020 e nos planos da SP-Trans, necessitando de readequar as
atuais paradas nas Av. Hermano Marchetti e Marquês de São Vicente. A
Nova Estação Água Branca, nos planos da CPTM, deverá assumir uma posição
estratégica próximo ao Viaduto Pompéia para atender à demanda de pessoas
tanto dos empreendimentos já existentes como aos novos a serem implantados.
Para
acesso às moradias aos escritórios e ao complexo desportivo, prevê-se
um investimento de baixo custo que atenda à demanda de passageiros por
meio de um sistema suspenso de trens em monovigas, ligando os sistemas
troncais da CPTM e da SP-Trans.
Os
pedestres terão vias exclusivas entre o complexos residenciais, comerciais
e escritórios e todo sistema viário será atendido por ciclovias.
O
projeto
Um
espaço concebido segundo eixo linear leste-oeste que integra as glebas
Pompéia e Telefonica constitui o território de implantação do complexo
de edificações do novo bairro da cidade na faixa de terra entre a Av.
Marquês de São Vicente e a ferrovia (CPTM).
Com
a intenção de evitar uma solução de escala massificante propusemos o
desenho de 8 "módulos urbanos" caracterizados como uma quadra
de 120 por 120 metros conferindo a cada módulo a desejada agregação
comunitária de vizinhança.
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Eixo
Pompéia – Casa Verde |
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Assim
a população de cada módulo construirá, através da prática urbana, sua
identidade no contexto global do novo bairro.
O
espaço intersticial de cada módulo dotado de tratamento paisagístico
adequado e equipado com creche e estares coletivos constitui, na escala
coloquial, o espaço propício ao encontro e convívio dos moradores.
O
estacionamento de veículos de moradores de cada módulo localiza-se em
sua exata projeção em quatro níveis de subsolo e seu acesso é lateral
de modo a não carregar a avenida do Centro de Bairro nas horas de pico.
Os
oito módulos se organizam em ambos os lados da avenida, em toda a extensão
do eixo central, cujo desenho, propõe a animação e vitalidade urbanística
de um Centro de Bairro, pois abriga toda a diversidade programática
do comércio e dos serviços locais.
Seu
desenho abrigará galerias com lojas em dois andares: um no nível das
quadras residenciais (nível +6,00) e outro no nível da avenida servida
por veículos e bolsões de estacionamentos (nível 0,00). O acesso dos
pedestres se faz naturalmente através dos pilotis dos edifícios residenciais.
As
lojas deverão ser organizadas em "ilhas" o que além de aumentar
a superfície expositiva, confere a necessária fluidez espacial ao comércio.
A
continuidade desse eixo comercial e de serviços entre as glebas Telefônica
e Pompéia é definida por passagem de nível sob a Av. Nicolas Boer por
onde pedestres, ciclistas e veículos percorrerão a total extensão do
Centro de Bairro.
Além
disso, o veículo aéreo (monotrilho) prevê estações de embarque e desembarque
ao longo do eixo do Centro de Bairro.
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Centro
de Bairro |
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Assim,
esse eixo diagonal que estrutura o desenho do bairro constituirá um
fato urbanístico novo na região.
A
comercialização inicial das áreas comerciais alavancará o processo de
implantação da infra-estrutura necessária. Ao mesmo tempo que os módulos
urbanos iniciarão seu processo de configuração.
A
cidade, então, verá surgir um novo bairro, que, através da imagem multicolorida
das unidades residenciais conferirá presença singular na paisagem paulistana.
Ficha
técnica
Autor
Arquiteto Decio Tozzi
Colaboradores
Arquitetos Jéssica Genaro Faro, Felipa Shahin, Marino Barros Filho,
Rodrigo Leopoldi, Rodrigo Affonso Scaletsky e Rodolfo Affonso Scaletsky
Sistema
viário
Engenheiro Humberto Pullin, Arquiteta Juliana Rosa Colombo
Paisagismo
Paisagista Caio Guimarães Machado
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