2º
lugar (aex equo): Alexandre Brasil Garcia, André Luíz Prado, Bruno Santa
Cecília e Carlos Alberto Maciel
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Vista
da escadaria e da praça de entrada do edifício |
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No
Anteprojeto para a Nova Sede do Conselho Regional de Medicina de Minas
Gerais, buscamos equacionar todos os aspectos ainda não plenamente desenvolvidos
do estudo preliminar, desenvolvendo soluções técnicas, funcionais e
plásticas a partir do atento atendimento a todas as recomendações da
Comissão Julgadora. Para isso, foi necessário um amplo reestudo do projeto
em todos os seus aspectos, desde o aprimoramento das relações urbanas
e de sua inserção na cidade até os aspectos construtivos em pormenor,
aprofundando significativamente a compreensão dos dados pré-existentes,
especialmente as restrições programáticas e as especificidades do lugar
– e desenvolvendo as soluções técnicas e construtivas a fim de equacionar
de modo inequívoco as questões relacionadas ao uso, à qualificação dos
espaços e das ambiências internas e à lógica construtiva rigorosa de
grande força plástica.
A
inserção urbana e a valorização do caráter público da instituição
O
projeto busca reforçar o caráter público e aberto da instituição e a
demarcação enfática da presença do Conselho no espaço urbano através
do amplo espaço de transição demarcado pela presença da extensa escadaria
que promove a concordância entre o plano do terreno e o declive da rua.
Esta solução define uma plataforma que recebe o pedestre e o conduz
ao pilotis, funcionando como um acolhimento único que orienta e distribui
os fluxos às diversas atividades com clareza e simplicidade. Como uma
pequena praça, permite a configuração de um intervalo que demarca a
transição entre o espaço urbano e o edifício, com o mínimo de obstáculos.
Reforça a abertura do edifício a utilização de um único material das
calçadas até o espaço interno – a pedra portuguesa – com sutis variações
de acabamento conforme as demandas específicas de uso – bruta nas calçadas,
semi polida na plataforma, polida nos espaços internos.
Com
total abertura e uso público, a plataforma de entrada dá acesso ao hall
principal do edifício, com pé-direito elevado e ampla abertura para
o vale e a paisagem, e ao foyer do centro de convenções. Nestes acessos,
as portas são tratadas como elementos monumentais, com altura total
do pavimento, a reforçar a abertura da instituição ao público. Para
o pilotis, converge também o acesso desde os estacionamentos no subsolo,
permitindo segregação dos fluxos e maior controle e segurança no funcionamento
do Conselho.
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Vista
geral da praça de entrada e do jardim sobre o auditório |
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Foi
integralmente preservada a estratégia de implantação adotada na primeira
etapa, por definir qualidades no espaço urbano que diferenciam o edifício
na paisagem. A grande abertura de visada promovida pela implantação
recuada do edifício e o ocultamento de grande parte da massa edificada
por sob o jardim frontal evitam a caracterização de base e corpo principal,
reforçando a unidade do conjunto. Ao evitar a dicotomia entre centro
de convenções e Conselho, o edifício representa de modo inequívoco a
instituição que abriga, assegurando a diferenciação hierárquica entre
as partes e o protagonismo do volume que abriga a atividade fim como
principal definidor da imagem da instituição na cena urbana.
A
valorização do vazio na esquina principal contribui ainda para individualizar
o prédio no espaço urbano através da definição de um forte contraste
com as grandes massas edificadas imediatamente adjacentes. Ao evitar
a lógica de ocupação extensiva, densa e maciça da região, pouco generosa,
o edifício cria o intervalo que viabiliza sua fruição à distância por
quem desce pela rua Pacífico Mascarenhas. Com a abertura da visada,
o volume, embora menor do que os demais, se separa da seqüência construída
e ganha visibilidade. Seu partido horizontalizado e de tratamento contínuo
com único material estabelece um contraponto à variedade formal e à
verticalidade dominante nos edifícios do entorno, reforçando sua singularidade
no contexto urbano. Reforça ainda esta singularidade sua caracterização
noturna, como uma grande lanterna iluminada contraposta à multiplicidade
de janelas dos apartamentos e escritórios vizinhos, quando visto da
avenida dos Andradas.
Volumetria,
expressão plástica e rigor construtivo: a redução
da massa edifada e a questão da desmaterialização
Como
apontado, um fundamento conceitual desta proposta é a busca da singularidade
do edifício através da sua diferenciação volumétrica em relação ao entorno.
Esta diferenciação se efetiva pela redução das massas construídas visíveis,
através da implantação semi-enterrada dos auditórios e estacionamentos,
e pela desmaterialização do volume do bloco visível. Conforme a recomendação
da Comissão Julgadora, buscamos aprofundar as soluções técnicas e construtivas
que conduzissem a esta idéia de desmaterialização.
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Vista
geral da entrada do edifício |
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A
idéia de desmaterialização permeia os discursos contemporâneos acerca
da arquitetura. Inicialmente pode ser identificada no discurso da arquitetura
moderna, que entendia a evolução da arquitetura como a evolução da técnica.
Segundo os modernos, a evolução do conhecimento sobre os materiais e
técnicas teria permitido ao longo dos séculos a ampliação dos vazios
e a redução das massas, em um processo de progressiva redução da matéria
que vai das maciças mastabas e pirâmides, em que a massa era muito maior
do que os vazios internos, até a arquitetura do século XX que, com o
concreto armado e o aço, atingiu uma predominância absoluta do vazio
sobre a matéria que o conforma. Na arquitetura contemporânea uma busca
pela redução da expressão das massas e a valorização das peles de vedação
como elementos ativos de mediação entre o interior e o exterior vem
permitir um controle efetivo das relações entre o edifício e espaço
externo, tanto no que concerne à qualidade ambiental – sol, luz, ventos,
chuvas – como nas possibilidades de abertura visual e integração com
o exterior.
Neste
sentido, buscamos aprimorar as soluções da estrutura, das vedações e
da lógica formal que delas decorre na direção de uma maior complexidade
na caracterização das peles que encerram os espaços internos. Com isso,
não apenas se equacionam as questões formais que caracterizam o edifício
para quem de fora o aprecia, mas também se resolvem a qualificação ambiental
e o controle do ambiente construído.
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Vista
do edifício a partir do vale do Ribeirão Arrudas |
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A
desmaterialização da forma se opera através dos seguintes artifícios:
- a individualização
e separação dos diversos planos que fecham o edifício, evitando a
conformação de um grande bloco monolítico e permitindo maior variedade
no tratamento das diversas orientações, considerando de modo mais
efetivo as questões relativas ao clima e ao conforto dos ambientes
de trabalho;
- a extensão dos
planos da fachada em relação aos limites do pavimento, de modo a eliminar
a leitura das arestas do volume e a percepção da real dimensão da
massa construída, a reforçar a continuidade entre interior e exterior,
potencializar a fruição de visadas interessantes e funcionar como
proteções e atenuadores solares;
- o fracionamento
dos planos das fachadas, ora em faixas horizontais – fachadas norte
e sul –, ora na retícula (fachadas leste e oeste), criando um intervalo
vazio entre as peças de mármore, evitando a configuração da massa
e ao mesmo tempo permitindo a visualização através das peças entre
interior e exterior;
- a redução da
seção dos elementos estruturais, principalmente das lajes, no encontro
com a pele. Este encontro é mediado pela grelha em perfil metálico
que estrutura todos os elementos da fachada e elimina a visibilidade
dos topos dos elementos estruturais. Ao mesmo tempo em que resolve
as estruturas de modo técnico, econômico e lógico, esta solução, dialeticamente,
nega a existência da estrutura a fim de viabilizar a leveza e a aparente
ausência de matéria.
Luz,
clima e conforto ambiental
Em
relação à necessária resposta ao clima, as diferenças entre as estratégias
adotadas para cada uma das fachadas foram intensificadas. Além da correta
implantação do edifício em relação ao sol, da adoção do vazio interno
como elemento de atenuação da transmissão de calor na fachada norte
e da localização da grande maioria dos espaços de trabalho no quadrante
sul, adotou-se para cada orientação um conjunto de vedações que melhor
respondesse à necessidade de atenuação da incidência direta de sol,
da transmissão de calor e da ventilação.
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Vista
geral do hall de entrada |
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Na
fachada sul foi mantido na íntegra o sistema proposto no estudo preliminar.
Ali, o aproveitamento da ventilação e iluminação naturais, ambientando
todos os espaços de permanência para generosas fachadas ventiladas se
faz através de venezianas reguláveis associadas às aletas de mármore.
Por apresentar-se em sombra durante a maior parte do ano, esta fachada
não apresenta incidência de sol direto sobre o mármore, o que minimiza
a transmissão de calor ao espaço interno por irradiação. Mesmo no verão,
as incidências verticais dos horários críticos são atenuadas pela própria
justaposição de elementos inclinados. Ao nível do observador, faixas
com vidro laminado com película estampada permitem a visão do jardim
inferior e do entorno, ao mesmo tempo em que a película reduz a incidência
de sol e confere ao vidro aparência esbranquiçada, aproximando-o ao
mármore.
Nas
fachadas leste e oeste, por apresentarem grande incidência de sol nas
primeiras horas da manhã e da tarde, respectivamente, o elemento de
mármore passou a ser associado a uma pele interna de vidro temperado,
montada sobre os mesmos perfis metálicos que estruturam o conjunto das
fachadas. As placas de mármore tornam-se, então, atenuadores solares,
filtrando a luz e ambientando os espaços internos ao mesmo tempo em
que evitam a incidência direta de sol no vidro, reduzindo o efeito estufa.
Por se disporem ligeiramente afastadas entre si e em relação à pele
interna de vidro, favorecem a ventilação permanente neste intervalo,
dissipando o calor resultante da radiação gerada pela incidência direta
de sol sobre o mármore.
Esta
mesma lógica comparece nas partes da fachada norte que delimitam espaços
de permanência, entretanto com ordenação diferenciada para a pele de
mármore. Nestes trechos, a configuração em aletas apresenta maior angulação
do que na fachada sul, ampliando a visualização do entorno e funcionando
aos modos de um brise. Assim como a leste e oeste, a configuração de
uma dupla pele viabiliza maior controle do ambiente interno ao mesmo
tempo em que preserva a caracterização da luz filtrada pelo mármore,
tanto para quem usa os espaços de trabalho quanto para quem observa
o edifício de longe.
Ainda
na fachada norte, no trecho central que corresponde ao vazio interno,
o fechamento é exclusivamente em mármore, cujas placas apresentam o
dobro da altura das faixas laterais de modo a demarcar sutilmente na
articulação formal esta importante diferenciação no espaço interno.
Neste trecho, a ausência de vidro favorece a ventilação permanente pela
configuração do mármore como brise, e seu maior fechamento não permite
a visualização da paisagem, direcionando a visão do usuário para a fruição
do espaço interno e da vegetação que ali toma lugar.
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Vista
do foyer do auditório olhando em direção à entrada do edifício |
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Com
essas diferentes estratégias, assegura-se a melhor ambientação para
cada espaço de trabalho, reforçada pela utilização do grande vazio interno
como elemento de controle ambiental por permitir a exaustão do ar quente
pela diferença de pressão entre as áreas sombreadas dos pavimentos inferiores
e as áreas mais altas. Reforça essa exaustão a sua associação a uma
extensa abertura na laje de cobertura, por sobre a circulação do último
pavimento, onde se eleva uma zenital linear aos moldes de uma chaminé,
cujo desenho foi aprimorado de modo a, além de induzir a tiragem do
ar mais quente através do efeito Venturi, permitir a incidência de luz
rebatida – em virtude de sua inclinação em direção a sul – na circulação
do pavimento da Presidência e dos Plenários.
Além
dessas medidas, foram mantidas as soluções relacionadas à eficiência
energética do edifício:
- a redução do
uso do ar condicionado, pela qualificação dos espaços internos em
relação ao clima, como apontado; foi previsto o uso de climatização
artificial apenas nos espaços mais nobres – pavimento da Presidência
e Plenário – e nos auditórios e salas de convenções, pelo seu necessário
fechamento e por se tratar de espaço com grande concentração de público.
Nos demais espaços, a ventilação natural foi privilegiada, e, com
a redução da transmissão de calor para os espaços internos pela utilização
da pele dupla nos quadrantes mais críticos, a sua demanda pode ser
controlada pelo mecanismo simples da abertura em guilhotina, viabilizando
pele em vidro temperado, a reduzir custos e a resultar em solução
plástica mais interessante pela ausência de esquadrias. A solução
em guilhotina equaciona ainda a estanqueidade à água na medida em
que permite a configuração de guias laterais e de trespasses horizontais
entre os vidros, eliminando problemas com as chuvas.
- a redução na
demanda de utilização de elevadores, devido à clara setorização que
reúne espaços cujas atividades são afins e à localização do Centro
de Convenções, maior atrator de público, ao nível da chegada;
- a busca por um
menor custo energético da construção, a evitar o uso de revestimentos
desnecessários e a propor uma solução construtiva que permite conciliar
a alta tecnologia com o emprego da mão de obra tradicional, experiente
no trato do concreto moldado in loco e na aplicação do vidro e do
mármore – materiais de aplicação recorrente na indústria da construção
civil local.
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Vista
geral do café |
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Articulações
funcionais e acessibilidade
As
articulações funcionais, no que concerne às grandes áreas – Conselho,
Centro de Convenções, Cafeteria e Estacionamentos – não se alteraram
em relação ao estudo preliminar. No entanto, no que concerne às necessárias
proximidades e ligações entre as partes de cada área, foram propostas
significativas alterações.
No
Conselho, as diversas atividades foram ordenadas ao longo dos pavimentos
a partir da sua relação com o público e a partir da hierarquia que apresentam
na Instituição. Assim, as áreas de atendimento ao público se localizam
nos dois primeiros pavimentos, enquanto as áreas privadas do Conselho
ocupam os dois últimos pavimentos. Além disso, foram concentradas no
último pavimento, que apresenta melhores visadas para o entorno imediato
e para o vazio central em virtude de sua altura, as atividades hierarquicamente
mais importantes: a Presidência, o Plenário e os Conselheiros. Antes
dispostos em pavimentos separados, sua reunião no mesmo pavimento melhora
as relações e proximidades entre estes espaços, como solicitado no programa
de necessidades e recomendado pela Comissão Julgadora.
Além
de usufruir de melhores visadas e da ambientação especial conferida
pela zenital linear sobre a circulação, estes espaços recebem tratamento
especial no que diz respeito às suas vedações. Pela necessidade de maior
isolamento acústico e por sua configuração demandar menos mobilidade
e flexibilidade, propõe-se a utilização de divisórias em mármore associado
ao vidro nos plenários e na sala da presidência. Esta solução reforça
nestes espaços a caracterização dos ambientes internos pela exploração
do aspecto translúcido do mármore, e viabiliza um tratamento do interior
que seja a um só tempo mais permanente e mais nobre, coerente com a
importância das atividades que abriga. Essa diferenciação aparece também
no elemento que reúne os apoios e sanitários, que apresenta forma mais
livre de modo a atender às demandas programáticas, flexibilizar o uso
dos sanitários do plenário, configurar acesso reservado e privativo
do presidente ao plenário e ainda preservar a leitura de continuidade
do espaço interno e da fachada em mármore.
Todos
os espaço de trabalho, à exceção daqueles que demandam maior isolamento
e controle, foram delimitados com divisórias translúcidas em policarbonato
alveolar, de modo a ampliar para todo o conjunto a luminosidade interna
gerada pelas extensas fachadas em mármore, associando maior integração
visual dos pavimentos à necessária privacidade das áreas de trabalho.
Nestes pavimentos, as áreas de trabalho têm o teto rebaixado de modo
a permitir a distribuição flexível das instalações, localizadas em calha
visitável disposta na extremidade do rebaixo, junto às circulações.
Com isso, eventuais modificações nos arranjos de cada pavimento podem
acontecer com maior simplicidade e sem grandes transtornos para a vida
cotidiana. Essa solução reduz custos e diferencia ainda a ambientação
das circulações e halls, que apresentam maior pé-direito e têm reforçado
seu caráter público e aberto para o grande vazio central, articulador
do conjunto.
Na
cafeteria, os acessos foram integralmente revistos, conforme recomendação
da Comissão Julgadora. A conexão entre o Conselho e a cafeteria continua
ocorrendo a partir do núcleo de elevadores que acede a um hall cujo
acesso pode ser controlado pelo uso de cartões magnéticos de identificação
pelos funcionários. Foi criada a possibilidade de acesso direto desde
o hall para o salão reservado aos jantares do Conselho, o que viabiliza
seu uso simultâneo a qualquer evento no Centro de Convenções. O acesso
para os usuários do Centro de Convenções foi revisto: a rampa externa
foi eliminada, e a escada que se localizava no hall foi transferida
para dentro do foyer e apresenta dimensões mais generosas, a viabilizar
uma acesso rápido à cafeteria e a atender satisfatoriamente ao grande
afluxo de pessoas que o auditório e as salas de eventos produzirão.
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Vista
da circulação com plenário à direita |
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Ainda
na cafeteria, foi criada uma rampa reservada para acesso de serviço
e carga e descarga, oculta por um plano em mármore que delimita o jardim
frontal e define um pequeno pátio de serviço interligado aos apoios
do restaurante, imprescindível para o bom funcionamento do mesmo. Esta
rampa atende ainda à fuga em caso de emergência, viabilizando o escape
pela escada enclausurada neste pavimento. O plano em mármore dá continuidade
ao volume interno, que concentra os serviços da cafeteria, e oculta
a abertura de ventilação dos equipamentos de ar condicionado do auditório,
reduzindo o impacto, na área da praça, dos ruídos gerados por seu funcionamento.
Nesta área, a varanda originalmente proposta foi estendida através de
um grande deck que avança por sobre o jardim de forma a melhorar a relação
de uso e fruição deste espaço por quem circula pela cafeteria.
No
pavimento térreo foram revistas as articulações de entrada, buscando
assegurar maior independência entre os acessos ao Conselho e ao Centro
de Convenções, atendendo à recomendação da Comissão Julgadora. Para
isso, o espaço de acolhimento solicitado pelo programa foi definido
pelo pé-direito elevado do avarandado de transição, como já apontado.
Também
no térreo foi revista a localização dos sanitários na parte posterior
do foyer, melhorando a possibilidade de integração das salas de reuniões
com o foyer e concentrando as áreas molhadas na mesma projeção da torre
e da cafeteria, o que gera maior economia e racionalidade construtiva.
Uma zenital sobre o pé-direito duplo ilumina a área ao fundo do foyer
e os espaços de atendimento da cafeteria, melhorando a ambientação destes
espaços como solicitado pela Comissão Julgadora.
No
subsolo, foram implantados dois níveis de garagem, com pé-direito baixo
de modo a evitar interferências construídas abaixo do nível d’água.
O primeiro abriga além de estacionamento parte dos auditórios e suas
áreas técnicas e de apoio. O segundo apresenta a totalidade da área
destinada a estacionamentos. Foi reduzida a área do estacionamento do
segundo subsolo a fim de se limitar ao eqüacionamento do máximo de vagas
permitido pela legislação e a reduzir a área construída bruta do edifício.
Alternativamente, pode-se ampliar o segundo subsolo até o limite do
terreno, viabilizando uma futura ampliação dos estacionamentos através
do remanejamento de vagas. Nos estacionamentos, halls com acesso controlado
permitem o uso dos elevadores, e escadas amplas conduzem os usuários
diretamente ao acolhimento, permitindo a articulação direta com centro
de Convenções sem fragilizar o controle e sem comprometer o funcionamento
do Conselho. A opção por dois subsolos se justifica pela declividade
das bordas do terreno, que dispensa a construção de contenções na sua
maior extensão – todos os lados apresentam apenas arrimos parciais,
e somente a frente para a rua Professor Otaviano de Almeida demandará
a construção de arrimo na totalidade da altura escavada – e permite
a máxima exploração de estacionamentos, o que traz maior conforto, especialmente
considerando a demanda gerada pelo Centro de Convenções, e pode ainda
se converter em gerador de renda para a instituição. Com a alternativa
ampliada de estacionamentos com oferta generosa de vagas, o Conselho
estará preparado para as mais diversas e possíveis transformações futuras
tanto da própria instituição como do espaço urbano adjacente.
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Vista
do vazio central |
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O
paisagismo
Para
o paisagismo, foram definidas espécies ornamentais de portes variados
– gramíneas, forrações, pequenos arbustos – dispostos em maciços, definindo
faixas que reforçam a ordenação linear do edifício. Com larguras variadas,
as faixas de paisagismo definirão sutis variações cromáticas de verde,
cinza e branco, de modo a estabelecer forte relação com a arquitetura
proposta. Para isso, foram definidas as seguintes espécies:
Grama
azul – festuca glauca – herbácea de folhagem azul-prateada de grande
efeito decorativo, resolve forrações baixas (10 a 20cm de altura), inclusive
o maciço mais extenso da praça de transição de entrada.
Piteira
do caribe – Agave angustifolia – configura maciço de proteção
na primeira faixa de vegetação, configurando uma barreira de proteção
que impede o acesso ao jardim desde a rua. Por suas folhas longas, com
pequenos espinhos e ponta aguçada, em maciços é praticamente intransponível.
Lírio
branco – Lilium longiflorum – cultivada em agrupamentos, apresenta floração
com aroma bastante característico. Por apresentar média altura (entre
40 e 120cm), pode ser aplicada alternadamente às forrações mais baixas,
gerando variedade de altura, forma e textura dos maciços.
Cinerária
– Senecio douglasii – herbácea de ramagem e folhagem branca,
forma maciços bastante homogêneos, mais baixos (de 40 a 70cm), definindo
altura média entre a grama e o lírio.
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Vista
da maquete |
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Estrutura
e sistema construtivo: economia, rigor, permanência e durabilidade da
edificação
A
proposição do sistema construtivo aprimora as soluções apresentadas
no estudo preliminar. Para sua definição, na primeira etapa, e para
o seu desenvolvimento, no anteprojeto, foram fundamentais as seguintes
premissas:
- a definição de
um partido estrutural que diferencia o elemento regular – torre, com
estrutura modular – do elemento excepcional – o auditório, que demanda
grandes vãos. Essa diferenciação permite a adoção de um sistema modular
com pilares em concreto armado de seção circular e lajes nervuradas
na torre, e a adoção de um sistema misto, com grelha em perfis metálicos
tipo “I” eletrosoldados – Usilight 350x35 – solidária à laje nervurada
com mesmo dimensionamento das lajes convencionais. A opção pela estrutura
mista permite a submodulação do grande vão do auditório através do
elemento metálico que, trabalhando de modo integrado à laje, reduz
a altura do conjunto e gera grande economia pela redução significativa
no consumo de material. Sua inclinação, além de corresponder à variação
da platéia no auditório, permite maior continuidade do jardim com
o espaço urbano e favorece a drenagem do jardim, reduzindo a sobrecarga
sobre a laje;
- a busca por soluções
econômicas, com uma forte lógica construtiva modular, a equacionar
vãos econômicos para a estrutura, para os estacionamentos e para as
divisões internas modulares. Para isso, foram ajustados os módulos
da estrutura principal em vãos com espaçamentos de 7,20m e 9,60m,
múltiplos de 1,20m, módulo de ordenação da estrutura secundária da
pele externa e do padrão comercial de divisórias. As peles internas
em vidro temperado também permitem o máximo aproveitamento das placas
de vidro (placas com 2,40m de largura, gerando dois módulos de 1,20
sem perda), e ainda geram grande aproveitamento do mármore, cujas
placas são moduladas em 2,40, permitindo sua fixação em dois montantes
com balanços laterais de meio módulo;
- a opção por sistema
de construtivo com lajes planas, por reduzir significativamente o
custo de formas e o tempo de montagem do conjunto. Para isso, foram
ensaiados dois sistemas, o primeiro com laje em concreto protendido
e o segundo com laje nervurada. A primeira hipótese apresenta a vantagem
da melhor performance do material que, comprimido pela protensão,
apresenta menor fissuração e melhor qualidade. Sua desvantagem reside
no maior consumo de concreto, que, em um pré-dimensionamento, exigiria
a espessura de 26cm de concreto maciço para os vãos definidos, resultando
em um consumo de aproximadamente 0,26 metros cúbicos de concreto por
metro quadrado de laje. A segunda hipótese, adotada como padrão para
o projeto, faz uso da laje nervurada que, para a modulação de pilares
proposta, demanda espessura de 29,5cm. Embora maior, a forma ativa
que o conjunto de nervuras define reduz o consumo de concreto a aproximadamente
0,134 metros cúbicos de concreto por metro quadrado de laje, ou seja,
à metade da solução maciça. Essa significativa redução implica, além
do menor custo decorrente do menor consumo de concreto, em menor carga
final que o conjunto estrutural deve suportar. Assim, a solução gera
economia por permitir redução nos dimensionamentos de todos os elementos
da estrutura, inclusive fundações. Permite também, conforme a solução
técnica, a configuração de lajes lisas com acabamento em pintura branca,
caso se utilizem moldes em isopor, mais leves, ou o acabamento em
concreto aparente, como nas lajes maciças, para o que se aplicam economizadores
plásticos que configuram caixões perdidos.
- a exploração
do potencial da associação de diferentes elementos, sistemas e materiais
a fim de gerar soluções a um só tempo mais econômicas, ágeis e adequadas
às demandas programáticas. Assim, além da estrutura mista de cobertura
do auditório, as grandes colunas que atravessam o vazio interno e
sustentam a estrutura secundária das peles externas são resolvidas
rigorosamente com a mesma seção das demais, e o problema da flambagem
que decorreria de sua grande esbeltez se resolve pelo uso de um tubo
metálico de seção circular que encamisa o núcleo em concreto armado.
Essa solução, além de melhorar o desempenho em relação à flambagem,
simplifica a fixação das mãos francesas metálicas que sustentam a
estrutura em mármore, que podem ser soldadas diretamente na coluna.
Essa unificação de diferentes sistemas aparece também nos subsolos:
ali, as cortinas em concreto armado das contenções, com 20cm de espessura,
recebem as lajes nervuradas diretamente, reduzindo significativamente
a quantidade de pilares e suas fundações. Para estas, propõe-se a
utilização de estacas tipo hélice contínua, com diâmetro variável
entre 50 e 80cm, conforme as cargas, com profundidade entre 12 e 14
metros. Este tipo de estaca permite a perfuração rápida e econômica
sem conflito com o nível d’água elevado, e com custo inferior a uma
solução convencional equivalente, tipo Franki.
- a necessidade
de permanência e durabilidade do edifício, tanto sob o ponto de vista
pragmático, da economia e da redução dos custos de manutenção e conservação,
como sob o ponto de vista simbólico, da representação da instituição,
buscando conferir ao edifício um caráter atemporal. Nesse sentido,
a busca por uma solução simples, que resolve a um só tempo as questões
de uso, da lógica construtiva, do conforto ambiental e da caracterização
plástica do edifício, recorrendo a poucos materiais, de grande durabilidade
e permanência, como o concreto, o vidro e o mármore, vem responder
à necessidade de permanência do edifício no cenário urbano com a qualidade
necessária para representar o Conselho Regional de Medicina ao longo
dos tempos, sem perder a dignidade e o caráter de invenção com o passar
dos anos.
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Plantas |
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Conclusão
Buscamos,
nesta segunda etapa, aprimorar as soluções inicialmente imaginadas de
modo a reforçar as qualidades das ambientações internas, das soluções
técnicas e construtivas, da relação do edifício com a cidade e, especialmente,
da importante representação que o edifício oferece da Instituição que
abriga, enfatizando didaticamente a austeridade e credibilidade da instituição,
sua função pública e aberta e seu caráter de modernidade, ligada às
tradições e muito bem preparada para as demandas contemporâneas.
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Cortes |
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Ficha
técnica
Arquitetos
Alexandre Brasil Garcia, André Luíz Prado, Bruno Santa Cecília e
Carlos Alberto Maciel / BPMS Arquitetura S/C Ltda
Colaboradores
Bruno Berg e Rafael Borges / Estudantes de arquitetura
Consultoria
de estrutura
Eng. Raul neuenschwander
Consultoria
de Instalações
Engenheiro Carlos Alberto de Oliveira / Projeta
Consultoria
de Fundações
Engenheiro Jarbas Valadão Cardoso / EGF Engenharia, Geotecnia e
Fundações Ltda
Consultoria
de Vedações
Engenheiro Guilherme Cerqueira / Glaverbel (vidros)
Eng. José Renato Coelho de Almeida / Embrapedras (mármores)
Consultoria
de ar condicionado e ventilação mecânica
Engenheiro Sandra Botrell / Protherm
Consultoria
de Prevenção e Combate a Incêndio
Engenheiro Adriana / Segurança Engenharia
Orçamento
Engenheiro Antônio Eduardo
Maquete
Leandro Marcus Ferreira e Henrique de Souza / Base Maquetes
Perspectivas
e Vídeo
Mídiapontocom
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