| Urbanização
e tratamento paisagístico de medidas de controle de enchentes
na Bacia do Alto Iguaçu na região metropolitana
de Curitiba
[Letícia Peret Antunes Hardt / Curitiba PR]
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Perspectiva
da área selecionada para tipificação da tipologia 2 |
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Compondo o
conjunto de ações estabelecidas para drenagem da Bacia do Alto
Iguaçu na Região Metropolitana de Curitiba – Paraná, a presente
proposta tem a meta básica de garantir a integração de intervenções
articuladas de urbanização e tratamento paisagístico de locais
previstos para implantação de medidas de controle de enchentes,
representadas por lagoas de retenção hídrica.
A
partir de amplo estudo contextual (diagnóstico) e com base no
partido geral adotado, as várias áreas destinadas à contenção
de cheias foram classificadas, quanto ao seu grau de importância
para futuras intervenções paisagísticas, em quatro tipologias
projetuais, fundamentadas tanto nas vocações, memória e tradições
peculiares das regiões de estudo, quanto nas diretrizes de desenvolvimento
regional, calcadas em premissas básicas para seus subsistemas.
Tendo
por enfoques principais a redução dos impactos gerados pelas obras
civis e a intervenção na paisagem para valorização de seus contextos
visuais, paralelamente ao fortalecimento das características locais,
pretende-se favorecer a identificação de seus usuários com os
espaços projetados e garantir a sua apropriação pela comunidade,
tornando-a participante do processo de reestruturação da paisagem
e agente indutor da efetivação de suas funções. A adoção de uma
linguagem projetual única, inclusive nas obras arquitetônicas,
com formas orgânicas para maior vinculação às condições naturais,
objetiva garantir a unidade do conjunto e seu amplo reconhecimento.
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Carta
imagem dos subsistemas identificados na região de intervenção |
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Tipologia
1 – Área selecionada para tipificação: Bacia PADILHA (PA 01-13)
Esta
tipologia compreende locais de baixo potencial para intervenção
paisagística, destinados essencialmente à implantação de cobertura
vegetal. Ocasionalmente, podem ser implantados caminhos para circulação
de pedestres e/ou ciclovias, associados a reduzidas obras de infra-estrutura.
Com
estas características, a área referencial de intervenção é voltada
primordialmente à proteção ambiental, com recuperação e conservação
do fundo de vale. Para a garantia desta proteção, são incorporados
espaços com características funcionais específicas, selecionados
a partir da observação de que parte deles poderá estar total ou
parcialmente submersa por determinados períodos. Desta forma,
nos locais caracterizados por alagamento periódico, ocorrem espaços
com custos reduzidos de manutenção, eventualmente destinados a
usos compatíveis, a exemplo de algumas atividades esportivas.
O
objetivo precípuo da conservação de certos espaços existentes
consiste em preservar vínculos já estabelecidos com a população
local, sendo acrescidos de áreas com outras funções associadas.
Como
medida de minimização dos efeitos da alteração das características
da cobertura vegetal, é indicada a revegetação com espécies nativas,
tomando-se por base a composição florística de remanescentes de
Floresta Ombrófila Mista Aluvial na região. Esta medida também
é compensatória aos efeitos deletérios causados pelas interferências
ambientais na área, com elevados graus de eficiência quando da
consolidação do processo de recuperação. Além das espécies nativas
da formação ribeirinha, no tratamento da cobertura vegetal também
são utilizadas outras que se integrem à composição, valorizando
suas propriedades visuais.
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Implantação
da área selecionada para tipificação
da tipologia 1 |
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Assim,
além da conservação ambiental, à população local também são propiciadas
formas diferenciadas de lazer, acessadas por circulações de traçado
orgânico, onde são acentuadas sensações de expectativa pela distribuição
ritmada da vegetação no percurso.
Dado
o caráter previsto para a tipologia, sua implantação e manutenção
poderão ser viabilizadas em parceria com organizações não-governamentais
relacionadas às questões ambientais.
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Perspectiva
da área selecionada para tipificação
da tipologia 1 |
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Tipologia
2 – Área selecionada para tipificação: Bacia AVARIÚ (AV 01-01)
Envolvendo
locais de baixo a médio potencial para intervenção paisagística,
esta tipologia associa o tratamento com cobertura vegetal à alocação
de equipamentos de pequeno a médio porte.
Com
estas características, a área referencial de intervenção é direcionada
à associação da proteção ambiental com a arte paranaense. Assim,
a proposta se baseia no desenvolvimento de espaços que ofereçam
à região urbanizada próxima, o envolvimento com a questão ecológica,
permeados por áreas que conduzam à apreciação de obras artísticas
locais. A partir do conhecimento da arte específica de cada artista,
pretende-se o resguardo da cultura local, levando a população
a reconhecer suas raízes, crenças e tradições, propiciando novas
relações entre os moradores e a região onde habitam.
À
semelhança da tipologia 1, os equipamentos também são implantados
observando-se que parte destes locais poderá estar total ou parcialmente
submersa por alguns períodos. Como áreas principais, são propostas
praças de alimentação e esportivas, além de espaço cultural (praça
dos artistas), dentre outras com funções complementares. O tratamento
da cobertura vegetal também se pauta na revegetação com espécies
autóctones, na valorização de contextos visuais e no favorecimento
da identificação dos usuários com os locais projetados.
Dado
o caráter previsto para a tipologia, sua implantação e manutenção
poderão ser viabilizadas em parceria com entidades ligadas à produção
artística no Paraná.
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Implantação
da área selecionada para tipificação
da tipologia 2 |
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Tipologia
3 – Área selecionada para tipificação: Bacia BARIGUI (BA 04-01)
Relacionada
a locais de médio a alto potencial para intervenção paisagística,
esta tipologia associa o tratamento com cobertura vegetal à implantação
de equipamentos de médio a grande porte.
Com
estas características, a área referencial de intervenção é vinculada
à associação da proteção ambiental com a música brasileira. Assim,
a proposta destaca equipamentos com funções comunitárias, servindo
de elemento de integração e melhoria da qualidade de vida das
populações envolvidas. Os espaços projetados oferecem à vizinhança,
opções de lazer e cultura, assentadas em princípios de educação
ambiental. Desta maneira, por meio de oficinas estabelecidas num
centro cultural, podem ser oferecidos cursos que auxiliem na qualificação
dos moradores do entorno, no sentido de lhes oferecer alternativas
de trabalho, relacionadas às questões ambientais, que complementem
sua renda e elevem seu nível de conscientização.
Outro
espaço principal está relacionado ao caminho da música, que objetiva
viabilizar a conexão entre as composições musical e paisagística,
com percepção da dinâmica local por meio do ritmo da vegetação,
da articulação da pavimentação e da sucessão de sensações ao longo
do percurso. Desta forma, a música constitui ferramenta de propagação
da cultura nacional. Além de outros, a praça de alimentação e
a área de esportes complementam os locais principais previstos.
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Implantação
da área selecionada para tipificação da tipologia 3 |
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Como
nas tipologias anteriores, os equipamentos são implantados conforme
áreas atingidas ou não por alagamentos periódicos, sendo relacionados
a necessidades urbanísticas e sociais específicas, permitindo
uma estruturação mais complexa de composição da paisagem, tanto
em termos qualitativos quanto quantitativos.
Para
o tratamento com cobertura vegetal, são válidos os mesmos princípios
enunciados para as tipologias anteriores.
Dado
o caráter previsto para a tipologia, sua implantação e manutenção
poderão ser viabilizadas em parceria com entidades ligadas à produção
musical no Brasil.
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Perspectiva
da área selecionada para tipificação da tipologia 3 |
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Tipologia
4 – Área selecionada para tipificação: Bacia IRAÍ (IR 02-02 /
05-01 / 05-02)
Integrando
locais de alto potencial para intervenção paisagística, esta tipologia
associa o tratamento com cobertura vegetal à alocação de equipamentos
de grande porte, sendo um deles diferenciado, identificando, inclusive,
a linha projetual da proposição básica do subsistema regional
envolvido.
Com
estas características, a área referencial de intervenção é relacionada
à associação da proteção ambiental com o turismo. Assim, é constituído
um centro de referência para os demais locais considerados na
sua área de abrangência, contendo um programa mais amplo, com
aspectos diferenciados voltados à educação ambiental e integração
social, de modo a garantir a efetiva apropriação do local pela
comunidade envolvida.
O
percurso desenvolvido para o local representa a vida, cujo início
é marcado por fontes d'água, relógio solar e playground, revelando
o despertar do desenvolvimento. À medida que o usuário avança,
passa a outro estágio – o lúdico, período das conquistas e descobertas,
representadas pela experimentação e liberdade. O calor da juventude
é expresso em áreas de esportes. Adiante, tem-se a fase adulta,
evidenciada pela constatação dos acontecimentos, a partir da visualização,
no mirante, de toda a área tratada. Os lugares com usos voltados
à terapia insinuam o fim do caminho, com experiências de hidroponia
e horticultura terapêutica. A proximidade da água também conduz
ao silêncio e contemplação, necessários à reflexão.
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Implantação
da área selecionada para tipificação da tipologia 4 |
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O
caminho leva tanto ao centro de educação ambiental, com atividades
também relacionadas à orientação sanitária, cultural e artística,
quanto ao setor de experimentação tecnológica, localizado junto
à passarela sobre a rodovia, definindo o portal dos mananciais
hídricos da Região Metropolitana de Curitiba. O centro de educação
ambiental conta com espaços destinados a exposições, lazer e alimentação.
Um prolongamento da via férrea possibilita o acesso por outro
modal de transporte, além do rodoviário. Os princípios estabelecidos
nas tipologias anteriores para tratamento de cobertura vegetal
e arranjo de equipamentos também são válidos para esta área.
Dado
o caráter previsto para a tipologia, sua implantação e manutenção
poderão ser viabilizadas em parceria com entidades relacionadas
ao turismo, sustentabilidade ambiental e inovação tecnológica.
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Perspectiva
da área selecionada para tipificação da tipologia 4 |
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Ficha
Técnica
Projeto
Urbanização e Tratamento Paisagístico de Medidas de Controle de
Enchentes na Bacia do Alto Iguaçu na Região Metropolitana de Curitiba
Inscrição
P CH 1903
Titular
Arquiteta Letícia Peret Antunes Hardt (Curitiba PR)
HARDT Planejamento
Autores
Arquitetos Letícia Peret Antunes Hardt (coordenação),
Maria Estér Contin de Oliveira Kloss e Vinícius
Trevisan
Colaboradores
Arquitetos Ana Carolina Pagliuso de Andrade, Carlos Hardt, João
Henrique Bonametti, Marlos Hardt e Sulamitha Cabral de Lima; Designer
Carlon Hardt
Contratante
CH2M HILL do Brasil |