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Todas as quartas, às 20h, o público também poderá acompanhar uma programação especial com leituras, análises temáticas e apresentações musicais relacionados ao trágico
O mito é o nada que é tudo
Fernando Pessoa
O espetáculo Prometheus – a tragédia do fogo, que estreia dia 14 de outubro, no TUSP, marca os doze anos de atividades da Cia Teatro Balagan, dirigida por Maria Thaís, pesquisadora e pedagoga do Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP.
A trajetória de construção de Prometheus – a tragédia do fogo
Prometheus resulta de uma longa e profunda pesquisa artística de vários profissionais iniciada em janeiro de 2008, e que originou diversas versões do espetáculo até se chegar a sua forma atual. No primeiro semestre de 2010, uma primeira versão nomeada Prometheus Nostos (sendo nostos a expressão grega para retorno, nostalgia), em que o mito era apresentado por meio de uma narrativa linear, foi apresentada em várias cidades do interior do estado de São Paulo. A partir desta experiência, e instigada a abordar o mito prometéico sob uma perspectiva múltipla, no segundo semestre de 2010, a Cia Balagan começou a redefinir sua criação. Com o apoio da Lei Municipal de Fomento ao Teatro, a Cia deu início, então, a um processo criativo itinerante: de outubro de 2010 a junho de 2011, apresentou-se nas sedes de sete grupos teatrais[2] da cidade de São Paulo e construiu, a cada espaço visitado, uma nova versão para a encenação de Prometheus, tomando como eixo a divisão do público e a simultaneidade de cenas. Apresentou-se ainda nos Festivais de Ouro Preto e Presidente Prudente, fechando um ciclo em que o espectador foi parte fundamental nas transformações e escolhas que geraram espetáculo.
Prometheus – a tragédia do fogo, que agora estreia em sua versão finalizada, é fruto deste processo criativo itinerante e das diversas versões elaboradas ao longo dele.
Nesta trajetória, o trabalho foi construído a partir de princípios e modos de criação que permeiam a história da Balagan, como: as formas narrativas como base da encenação, o papel do coro como protagonista da ação cênica, a dança e o canto como matérias expressivas da escritura cênica e o trabalho com a palavra, matéria principal deste processo.
O mito de Prometeu é o mito fundador da humanidade no mundo grego
Na mitologia grega, Prometeu pertence aos mitos de fundação e origem da raça humana. Quando Zeus instaura seu novo reinado, incumbe seu aliado, o titã Prometeu (aquele que pensa antes) e seu irmão Epimeteu (aquele que pensa depois), da distribuição dos dons entre os seres vivos. Epimeteu o faz sozinho e esquece do homem. Prometeu rouba o fogo dos deuses e entrega aos humanos. Castigado, ele é preso ao Cáucaso onde uma águia, durante os dias devora-lhe o fígado, que se regenera durante as noites. Mais tarde, Prometeu é libertado por Héracles.
Prometheus – a tragédia do fogo faz uma arqueologia desse mito. As vozes dos atores-narradores, das personagens do mito e do coro se sobrepõem e se articulam no relato dos diversos acontecimentos que compõem a narrativa – a criação do homem, a separação dos deuses e dos homens, do homem e da natureza, dos irmãos Prometeu/Epimeteu, o roubo do fogo, a condenação do titã ao Cáucaso e sua libertação entre outros.
A encenação, ainda que tenha a palavra como principal meio expressivo, traça relações, paralelos e fricções com outras formas de expressão, como o canto e a dança – mais especificamente com os atos, gestos que compõem as danças dos orixás. Assim, ao lado das narrativas, por meio do espaço cênico, da sonoridade, dos cantos gregos e danças afro-brasileiras, o espetáculo estabelece um espaço de cruzamento entre mundos que, aparentemente, são apartados – o passado e o presente, o tempo mítico e o tempo cronológico, as mitologias grega e africana, etc.
A Dramaturgia
A dinâmica de construção das narrativas tradicionais iluminou a construção do espetáculo Prometheus – a tragédia do fogo. Assim, a dramaturgia inédita, construída por Leonardo Moreira, articula e fricciona, a partir dos Estudos Cênicos criados pelos atores, diversas fontes sobre o tema, tais como: Prometeu Cadeeiro (em grego arcaico e sua tradução para o português) e os fragmentos das duas outras tragédias da trilogia – Prometeu Portador de Fogo e Prometeu Liberto – de Ésquilo, A Libertação de Prometeu de H. Müller, além de poemas e trechos de obras de autores como Goethe, Franz Kafka, Pirandello, André Gide, Kazantzakis, entre outros, sobre o mito, bem como outras obras que com ele dialogam.
Não há etimologia precisa para a palavra grega μuθος (mythos), provavelmente surge da raiz sânscrita mu a qual dá origem também a palavra mudo. Portanto, cabe especular que o mito é palavra, mas atrás desta palavra esconde-se uma mudez, um silêncio intraduzível.
A Sonoridade
O Coro, como elemento mediador de toda ação cênica, é responsável por tecer as vozes e os sons do espetáculo. A sonoridade é uma voz narrativa e foi composta por Gregory Slivar, a partir da preparação vocal de Jean Pierre – que transmitiu aos atores cantos e trechos de textos em grego –, de frases musicais compostas como chamados, de instrumentos artesanais, de pedras, jarros de barro, etc.
O Espaço Cênico
A multiplicidade de perspectivas é favorecida pela cenografia, proposta por Márcio Medina, composta por cortinas/muros que, ao serem manipuladas pelo coro de atores, reconfiguram os espaços de atuação ao longo do espetáculo. Os figurinos, ao contrário, sugerem uma unidade no tratamento visual a partir da criação de um conjunto de figuras sem tempo ou lugar, saídas do barro, que adquirem singularidade somente a partir das narrativas que contam.
Equipe de Criação
Atores
Ana Chiesa Yokoyama;
Antonio Salvador;
Gisele Petty;
Gustavo Xella;
Jean Pierre Kaletrianos;
Leonardo Antunes; Natacha Dias;
Hilda Gil; Martha Travassos;
Vera Monteiro;
Vera Sampaio;
Wellington Campos
Encenação
Maria Thaís
Dramaturgia
Leonardo Moreira
Cenografia
Márcio Medina
Figurino
Marcio Medina e Carol Badra
Iluminação
Fábio Retti