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Com curadoria de Anat Falbel, mostra traz projetos, fotografias, mapas, vídeos e artigos que mostram a influência dos arquitetos estrangeiros na construção da cidade
Em novembro, o Centro da Cultura Judaica abre uma nova exposição. O primeiro andar do prédio apresenta a rica arquitetura da cidade de São Paulo e todo o legado deixado por profissionais imigrantes para o espaço urbano. Intitulada “O Espaço e o Estrangeiro na Cidade de São Paulo - Exílio e Modernidade”, a mostra tem curadoria da professora e pesquisadora Anat Falbel e propõe identificar a contribuição dos arquitetos imigrantes no processo de modernização da paisagem cultural da capital paulista.
A exposição apresenta inúmeros materiais entre projetos, fotografias, mapas, documentos, relatos em vídeo e artigos históricos, além de gravuras e mobiliário Para a curadora, os (esses) profissionais estrangeiros são compreendidos como agentes intermediários na circulação, transferência e consolidação de uma cultura arquitetônica moderna associada a outras expressões como a fotografia, o design e as artes plásticas.
Segundo a diretora executiva do Centro da Cultura Judaica, Yael Steiner, a mostra pretende trazer para o público paulistano uma parte da história da capital, a partir do papel fundamental que profissionais imigrantes muitos dos quais judeus, tiveram na formação arquitetônica e urbana da cidade de São Paulo. “A exposição representa muito bem esta característica cosmopolita da cidade de São Paulo e, por meio de uma pesquisa histórica, mostra como a cultura e a identidade da capital, em seus mais variados aspectos, permeiam uma definição plural, com influência dos mais variados países”, explica.
Repleta de histórias particulares, mas sem perseguir trajetórias individuais, O Espaço e o Estrangeiro na Cidade de São Paulo problematiza a produção brasileira do profissional imigrante maturado no corpo de uma cultura européia moderna, eminentemente internacional e cosmopolita, assim como esta se manifestou na arquitetura e suas expressões afins e complementares. Do mesmo modo, a exposição aponta para o diálogo que envolveu arquitetos estrangeiros e nacionais durante o período de intensa fermentação cultural entre as décadas de 1930 e 1960.
Quem for ao Centro da Cultura Judaica poderá reconhecer personagens incidentes na construção da modernidade paulista, como os arquitetos Jacques Pilon, Lina Bo Bardi, Gregori Warchavchik, Lucjan Korngold, Franz Adolf Heep e Giancarlo Palanti, os designers John Graz, Jorge Zalszupin, Joaquim Tenreiro, bem como os fotógrafos Hans Gunter Flieg e Peter Scheier, que entre muitos outros registraram as transformações urbanas durante o período em foco. A exposição reserva surpresas como cartas e desenhos de Lina Bo Bardi e Bruno Zevi, revistas, cadeiras de Tenreiro, G. Warchavchik, aquarelas de Flavio de Carvalho e Yolanda Mohalyi, projetos de Daniele Calabi, além de fotografias e gravuras de Lasar Segall, entre outros.
A pesquisa da curadora
Nos últimos anos intensificaram-se os estudos sobre a atuação dos imigrantes como agentes no processo de construção da modernidade dos países latino americanos nos mais diversos campos da expressão artística, das artes até a arquitetura, incluindo a literatura bem como a sua atuação no empresariado industrial e na política. .
Associados a investidores nacionais e estrangeiros, particularmente entre as décadas de 1930 e 1960, os arquitetos imigrantes no Brasil foram elementos chave na transformação da paisagem cultural dos grandes centros urbanos do país, incidindo sobre pelo menos duas gerações de arquitetos a através de suas atividades didáticas nas principais escolas do país, bem como nos seus escritórios de projeto.
Projeto do Centro Comercial do Bom Retiro, São Paulo, Arquiteto Lucjan Korngold, 1955
Foto Gabriel Kaufman, 2007