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Mostra com 33 gravuras e a primeira exposição da edição das matrizes em metal feitas pelo artista em 65 anos de trabalho
Um dos mais importantes nomes da gravura e do desenho no Brasil, Marcello Grassmann (nascido em São Simão, interior de São Paulo, em 1925), é o criador de uma obra extraordinária, reconhecida internacionalmente, enaltecido como artista de singular capacidade de expressão e absolutamente “fiel às suas convicções artísticas”, como a ele se referiu a também imensa Renina Katz.
Matéria dos Sonhos é o título da exposição com 33 gravuras de Marcello Grassmann que o Espaço Cultural Citi apresenta a partir de 5 de dezembro, com curadoria do crítico Jacob Klintowitz. Além das gravuras, a mostra revelará pela primeira vez ao público a edição integral das matrizes em metal feitas pelo artista em 65 anos de trabalho. Para Klintowitz, “trata-se de uma edição histórica das matrizes em metal disponíveis e utilizáveis até 2011, somando 217 obras de arte. Um levantamento desse porte é uma raridade mundial”.
O Espaço Cultural Citi terá a primazia de expor essa edição histórica, que teve sua realização possível graças à dedicação de Roberto, o irmão impressor na preservação das matrizes ao longo do tempo e da ousadia e perseverança de Pedro Hiller, amigo do artista. O desejo de Marcello Grassmann é que os novos artistas vejam nessa realização um exemplo no cuidado com a preservação de suas próprias produções.
O Espaço Cultural Citi é a galeria pública visitada mensalmente por cerca de 50 mil pessoas que trafegam pela Avenida Paulista e região. O espaço mantém desde 2005 a sua vocação de mostrar obras de arte no centro vital de São Paulo. Passaram por ali as obras de nomes consagrados, como Rubens Gerchman, Luiz Paulo Baravelli, Gregório Gruber, Romero Britto, Newton Mesquita, Odetto Guersoni, Ivald Granato, Takashi Fukushima, Caciporé Torres, Sérgio Lucena, Antonio Peticov, Maurício de Sousa, Claudio Tozzi, Marcello Nitsche, Odilla Mestriner, Aldemir Martins e Shoko Suzuki, além de jovens que se firmam como Luciana Maas, Maurício Parra, Carola Trimano e Manu Maltez.
O Espaço Cultural Citi (Av. Paulista, 1111, térreo, fone 11.4009.3000) fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Acesso a pessoas com deficiência física pela Alameda Santos, 1146. A entrada é gratuita.
Mais informações sobre o CitiBrasil em www.citi.com.br / flickr.com/CitiBrasil / Twitter @CitiBrasil e no Foursquare
Uma breve biografia da artista
Marcelo Grassmann (São Simão, SP, 1925). Gravador, desenhista, ilustrador, professor. Estuda fundição, mecânica e entalhe em Madeira na Escola Profissional Masculina do Brás, em São Paulo, entre 1939 e 1942. Passa a realizar xilogravuras a partir de 1943. Atua como ilustrador do Suplemento Literário do Diário de São Paulo, entre 1947 e 1948, e do jornal O Estado de S. Paulo, em 1948. Reside no Rio de Janeiro a partir de 1949, atuando como ilustrador do Jornal do Estado da Guanabara. Freqüenta, no Liceu de Artes e Ofícios, os cursos de gravura em metal, com Henrique Oswald (1918 - 1965), e de litografia, com Poty (1924 - 1998). Em 1952, reside em Salvador, onde trabalha com Mario Cravo Júnior (1923). Recebe, em 1953, o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM, e viaja para Viena, onde estuda na Academia de Artes Aplicadas. Passa a dedicar-se
principalmente ao desenho, à litografia e à gravura em metal. Em 1969, sua obra completa é adquirida pelo governo do Estado de São Paulo, passando a integrar o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp. Em 1978, a casa em que nasceu, em São Simão, é transformada em museu, por iniciativa da Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo, e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat no mesmo ano. Entre 1991 e 1992, Grassmann é bolsista da Fundação Vitae, em São Paulo. Fonte: Itaú Cultural
Marcello Grassmann: matéria dos sonhos
por Jacob Klintowitz
Talvez nada seja mais belo, poético, revelador, profético e inspirador do que a “Tempestade”, de 1612, a última peça de Shakespeare (1564-1616). E, é provável, que este texto outonal seja o testamento do poeta, a derradeira mensagem, a sua síntese sobre a humanidade e a saga dos homens. Nele, Próspero, a sublime criatura sonhada por William Shakespeare, define a natureza do homem e da vida: “Somos feitos da matéria dos sonhos”.
Ao contemplar as formas criadas por Marcello Grassmann, a extraordinária qualidade do seu desenho, o aprofundamento do tema de maneira tão elevada e com tanta propriedade, resta em nós a convicção de que entramos num universo antes desconhecido e agora revelado pela lucidez do artista. Este mundo que ele nos descobre e do qual sentimos que dele habitava em nós certo reconhecimento, agora recuperado, esta enevoada e submersa realidade: a estranheza deste lugar de cavalheiros e armaduras, animais míticos, donzelas intangíveis e belas, e no qual o destino paira sobre todos. É o mundo feito da mesma matéria de que se fabricam os sonhos.
Marcello Grassmann elabora com a matéria sutil e a sua revelação é a de uma estrutura metafísica e ideal, densa e soberana, mas, e aqui uma das marcas do artista, construída na atmosfera da energia delicada e inapreensível, aquela feita de mitos e fábulas, que somente se acende quando a consciência adormece. Este universo manifesto é fatal e impassível, e só nos contempla como personagens.
Muitos poderão acreditar que se trata do resultado de uma vida inteira de trabalho e do aprimoramento de um artista que, afinal de contas, é hoje, aos 86 anos, um dos nossos decanos, patriarca e santo protetor da arte brasileira. E também teria razão. Ou certa razão, o que é menos do que a razão. Pois Marcello Grassmann desde o seu início sempre se destacou devido a sua originalidade e extrema consciência de sua individualidade. Entretanto, o artista, com o tempo a favor para elaborar a própria identidade artística, afirmou de maneira esplêndida a singularidade de sua iconografia. Marcello Grassmann, um dos artistas destacados dos séculos XX e XXI, é referência seminal da arte brasileira.
Sobre a Edição Final com a obra completa de Marcello Grassmann
Descrição: total de 217 obras de arte - cada gravura assinada pelo artista
140 obras em 1/4 de folha - 77 obras em 1/2 de folha
divididas em 4 volumes: 2 volumes de 56 cm X 43 cm - 2 volumes de 82 cm X 57 cm
Com obras INÉDITAS exclusivas para essa EDIÇÃO FINAL.
Esta coleção é uma edição histórica reunindo a totalidade das matrizes em metal de Marcello Grassmann, gravadas pelo artista ao longo de sua vida, disponíveis e utilizáveis até 2011.
Em 2007 foi feita uma tiragem de oito cópias de todas as matrizes do artista. Das oito, sete foram encadernadas em grandes volumes para evitar dispersão e tornar agradável o manuseio. O objetivo de reunir estes trabalhos em uma edição é estabelecer um padrão para futuras edições. A gravura é uma forma cuja qualidade depende de vários fatores: a conservação das matrizes originais, a perícia e fidelidade do impressor e o número de impressões de cada matriz - normalmente, a qualidade é inversamente proporcional à quantidade de edições, daí a raridade de certas gravuras. Sempre levando em consideração os fatores técnicos, é possível fazer cópias séculos após a criação das obras. Para museus, a apresentação em folhas avulsas favorece a montagem de exposições. Com isso nasceu a idéia de fazer uma nova tiragem de doze cópias com as gravuras em folhas soltas colecionadas em quatro pastas. Dois anos depois estava finalizada a nova edição.
Marcello sempre gravou as placas pessoalmente. A presente tiragem foi feita por Roberto Grassmann, irmão e, há quarenta anos, impressor das obras de Marcello. A impressão foi feita em papel alemão Hahnemuehle de gramatura 300 com uma tinta preparada com óxido de ferro (Pó Xadrez) e azul da Prússia da marca Charbonnel.
A ordem de apresentação das gravuras é a mesma da edição de 2007, com os acréscimos colocados em sequência. Não é possível datar exatamente as gravuras do artista, pois muitas placas foram trabalhadas e retrabalhadas durante anos. Raramente as cópias eram datadas. As imagens foram agrupadas por grupos de assunto e colocadas em ordem aproximada de produção. Temos agora a coleção da obra gráfica em metal de Marcello Grassmann. É uma forma de preservar sua obra e homenagear o artista, que em 2011 completou oitenta e seis anos.
Sobre o artista
Ferreira Gullar, poeta e crítico “Marcello Grassmann é da estirpe dos predestinados. Mal surgiu, foi reconhecido. Não havia dúvida. Desde suas primeiras manifestações já todos admitiam que um novo artista despontava”.
Olívio Tavares de Araújo, crítico de arte “Grassmann pertence a uma família espiritual de artistas que sempre existiram em diversos momentos da história e sempre deram expressão ao lado escuro e misterioso da alma humana”.
Rubem Braga, escritor "(...) ele adquiriu uma completa autoridade para fazer o que bem entender, e pode ter a audácia de cometer isso que qualquer sujeito comum apontará amanhã na parede, dizendo ´bonito quadro` (...)”.
Roberto Pontual, crítico de arte “Grassmann encontrou, desde cedo, no desenho e na gravura os meios de linguagem capazes de melhor definí-lo (...). Sua obra se inclui hoje entre as mais proeminentes no panorama brasileiro”.
Renina Katz, artista plástica “Seu imaginário, seu universo iconográfico, escapa a classificações apressadas. Ele é um artista que cumpre seu destino, recusando as pressões das equivocadas modernidades. Marcello entendeu que a única forma de impor e preservar o seu trabalho e não corromper sua sensibilidade foi manter fidelidade às suas convicções artísticas”.