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Com as duas primeiras exposições do calendário de 2012, a Galeria Raquel Arnaud introduz novidades em sua programação, além de tirar partido da arquitetura de sua  nova sede na Vila Madalena, com mais espaços expositivos que possibilitam realizar mostras simultâneas. Pela primeira vez, a galeria apresenta uma mostra de fotografia, já trazendo a obra do importante fotógrafo português Jorge Molder, no andar térreo, e do pintor argentino Luis Tomasello, no piso superior. Além de exibir seu prestigiado elenco, com nomes como Waltercio Caldas, José Resende, Cruz-Diez, entre outros, a galeria passa a atuar também com jovens recém-chegados ao circuito. Neste ano ainda,  a programação será completada com uma série de coletivas – “A Revolução tem de ser feita pouco a pouco” –, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, dividida em quatro exposições ao longo do ano.

Para inaugurar o novo suporte, a galeria apresenta a série “Não tem que me contar / seja o que for”, composta de 42 fotografias de Jorge Molder (Lisboa, 1947), que virá a São Paulo para a abertura da exposição. Com a vida contemporânea tão invadida por imagens que se esvaem no instante seguinte, o artista que representou Portugal na 48º Bienal de Veneza vai na direção contrária e produz uma obra que captura imediatamente o olhar e recupera o tempo da contemplação. São imagens que pousam no entreato de gestos, objetos e narrativas, o instante poético provocador de devaneios. “Imagem entendida como fenda, intervalo diante do qual nos perguntamos sobre o antes e o depois. E a resposta em suspenso...”, escreve o poeta Fernando Paixão.

Nesta série, concebida entre 2006-2007, o fotógrafo premiado com o AICA/Portugal em 2006/7 trabalha sobre fotogramas de filmes, como Freaks, de Tod Browning, O Falso Culpado, de Alfred Hitchcock, O Último Ano em Marienbad, de Alain Resnais, entre outros. Homem da cultura, Jorge Molder, filósofo de formação, durante muitos anos dirigiu o Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, e sua fotografia quase sempre dialoga com filmes, livros e pinturas.

Conforme Paixão, nestas fotos reunidas na exposição há uma forte crença no silêncio interior. “Torna-se mesmo condição essencial para desfrutar desse chamado à introspecção, à conversa muda. Que, inclusive, pede a renúncia ao mundo das palavras para entender o que se vê. Qualquer que seja a narrativa atada às imagens, Molder avisa desde o título: ‘Não tem que me contar / seja o que for’. Eis um artista das perguntas, sem esperar pelas respostas”.

É comum na obra de Molder ele assumir-se como personagem e a interação com o universo onírico. Uma de suas séries mais conhecidas denomina-se A interpretação dos sonhos – título emprestado da obra de Freud. Entre as suas exposições recentes, destacam-se: participação na Artempo – Where Time Becomes Art (Veneza, 2007); A interpretação dos sonhos (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, out. 2009; Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, jan. 2010, e Fundación Luis Seoane, La Coruña, jul. 2010); Pinocchio (Galeria Oliva Arauna, Madri, abr. 2010, e Galerie Bernard Bouche, Paris, maio 2010); participação em Out of This World, Pfalzgalerie, Kaiserlautern, Alemanha, out. 2010; Operações Especiais, Castelo Branco, fev. 2011; e Exercícios de arrefecimento (instalação), Contentores P28/CCB, Lisboa, maio de 2011.

Já a individual de Luis Tomasello, no segundo piso da galeria, reúne um mural e sete obras bidimensionais que inspiraram poemas de Julio Cortázar e Catherine Topall. O artista nascido na Argentina (La Plata, 1915), de origem italiana e radicado em Paris desde 1957, destaca-se no cenário da arte cinética e está representado pela Galerie Denise René na capital francesa desde 1958.

Egresso da abstração geométrica, Tomasello assim que chegou à terra de Mondrian, em 1957, realizou a sua primeira experiência cinética sobre o plano e, em seguida, produziu  os primeiros relevos que, de forma pioneira, refletiam sobre os efeitos das cores. A partir daí notabilizou-se por sua obra que investiga também os fenômenos da luz. Criou, em parceria com arquitetos, murais cromoplásticos, lumino-acústicos e também  esculturas móveis, obras públicas realizadas em várias cidades da França e em outros países, como México, Estados Unidos e Argentina.

Jorge Molder na galeria Raquel Arnaud

happens
from 13/02/2012
to 10/03/2012

opening
11 de fevereiro, às 11h

where

Galeria Raquel Arnaud
Rua Fidalga, 125 - Vila Madalena
05432-070 São Paulo SP Brasil
segunda a sexta - 10h às 19h sábado - 12h às 16h
11 3083 6322

source
Martim Pelisson - Pool de Comunicação
São Paulo SP Brasil

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