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O SescTV exibe a produção, dirigida por André Costa,que apresenta diferentes projetos artísticos inseridos no cenário urbano como projeções, cinema ao ar livre, intervenções artísticas e até aplicativos para celular
O documentário discute a relação entre o cinema e o espaço urbano frente à disposição de novas tecnologias da imagem em movimento. Com a participação do cineasta Alemão Wim Wenders e de artistas como Regina Silveira e dos coletivos StudioIntro, VJ Spetto e Giselle Beiguelman, a produção passeia por intervenções em Servilla, Nova York, São Paulo e na periferia da capital paulista.
Giselle Beiguelman, artista multimídia e professora do programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC/SP, começou a captar imagens, por celular, de grandes cidades como São Paulo, Nova York e Berlim, a partir dos meios de transportes que dialogam com a identidade do lugar e da população. Em Berlim, por exemplo, o seu trajeto foi captado do trem. Em Nova York, de um taxi e na Grécia, em um barco.
Eric Messa, professor do curso de Comunicação e Marketing da Faap/SP, passou a registrar a cidade por um celular, de dentro de seu carro. Quem o acompanha pelas redes sociais confere vídeos que registram seus caminhos feitos pela cidade de São Paulo e tem a oportunidade de testemunhar momentos únicos da paisagem. Ele acha fascinante a relação das pessoas com as novas mídias. Só elas são capazes de fazer com que o indivíduo interaja com algo diferente e subjetivo que está sendo representado na tela.
Em Cinecidades – Paisagens em Movimento, o alemão Wim Wender dá depoimentos sobre a relação de suas obras com a sua paixão pelo registro do urbano. Em Identidade de Nós Mesmos (A Notebook on Clothes and Cities), filme de 1989, o cineasta aborda a complexidade da personalidade das cidades e afirma: “Não existe positivo ou negativo. A própria ideia de original ficou obsoleta, tudo é copia”. Ele ainda esclarece que o homem aprendeu a confiar na fotografia e questiona se já conseguimos confiar na linguagem digital a ponto de sentirmos representados pela mesma.
A professora e artista plástica Regina Silveira estabeleceu uma relação muito íntima entre as mídias tecnológicas e sua arte. Ela é uma das principais responsáveis por aproximar as artes plásticas do trabalho científico. “Qualquer intervenção exige muito mais do que a inspiração e o simples desejo de realizar. É necessário um grande processo de elaboração e pesquisa para que a arte tenha algum sentido e finalidade”, comenta.
Em seu projeto Passeio Selvagem, de 2009, Regina passou por grandes cidades como São Paulo e Sevilha projetando no cenário urbano (prédios, monumentos e fachadas) uma sequência de pegadas de animais que dialogam com a subjetividade e diversidade de valores. “Todo o meu trabalho tem se dado nesta vertente de relação com a arquitetura, procurando uma ideia de sobreposição, de animação, de resignificação do lugar”, explica. Em Passeio Selvagem as pessoas tem apenas uma fração de segundos para perceber que a projeção refere-se a uma arrancada de animais, que existem vários tipos de animais e que eles se chocam e atropelam em determinado momento.
Com tantas opções e recursos, o cenário urbano esbanja inspiração para todos os que observam a sua evolução e poesia. Sérgio Vaz realiza na periferia de São Paulo o projeto Cinema na Laje, que consiste em sessões de cinema para a comunidade a céu aberto. O seu trabalho reflete sobre a acessibilidade do cinema e cultural à população da periferia. “As pessoas tem dinheiro para ir ao cinema, mas não vão por não se sentirem representadas”, esclarece.
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