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Sob o título “A iminência das poéticas”, a 30ª Bienal de São Paulo acontece de 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012
A 30ª Bienal de São Paulo tem como centro curatorial os temas da multiplicidade, transicionalidade, recorrência e permanente mutabilidade das poéticas artísticas.
Por poéticas entende-se o repertório instrumental que permite que um indivíduo, uma coletividade, um campo disciplinar ou uma tradição estabeleça, de forma intuitiva, intencional ou inconsciente, as estratégias ou plataformas discursivas que tornam possíveis atos expressivos de caráter artístico.
A iminência representa,como traduz o curador Luis Perez‐Oramas, “o que está a ponto de acontecer, a palavra na ponta da língua, o silêncio imprevisto que antecede a decisão de falar ou de não falar, a arte como estratégia discursiva e a poética em sua pluralidade e multiplicidade”.
Procurando instaurar‐se como uma plataforma de encontro para a diversidade das poéticas, o instrumento de trabalho fundamental na 30ª Bienal será a ideia de Constelação – e seu leitmotiv a noção de articulação. Mais do que uma Bienal de obras individuais e de artistas singulares, a 30ª Bienal pretende ser um evento capaz de produzir constelações de obras e artistas que conversam entre si: uma base para que essas relações sejam dispositivos eficazes de renovação e de produção de sentido e significação.
Componentes expositivos
Tomandocomobaseconceitualoentendimentodeque as poéticas sobrepoem‐se, desagregam‐se, assimilam‐se, parasitam‐se e condensam-se, a 30ª Bienal ‐ A iminência das poéticas define‐se por quatro zonas curatoriais distintas: Sobrevivências, Alterformas, Derivas, Vozes e, uma zona transversal, Reverso. As zonas atuam como forma de articular, de maneira constelar e polifônica, os artistas e temas que irão compor o quadro geral da mostra.
Sobrevivências
A noção de sobrevivência permite realizar analogias entre a seleção de artistas contemporâneos e obras referenciais, fazendo com que dialoguem em um campo histórico comum. Para a 30ª Bienal, a sobrevivência atua fundamentalmente através da inscrição de formas e práticas constituídas em âmbitos de vida e de temporalidades distantes no tempo e/ou no espaço, tornando possível a transição entre elas e a experiência humana do presente.
Alterformas
Uma segunda zona curatorial complementa as questões conceituais propostas em Sobrevivências e Norteia a seleção de artistas e práticas mais contemporâneas. Esta zona será trabalhada a partir da pista oferecida pela manifestação de alterformas ou deformações – isto é, a interpretação de obras como lugares da “transformação seletiva”, que, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, os artistas realizam dentro do campo instituído em suas próprias práticas. Um segmento a ser desenhado dentro de Alterformas consistirá em traçar o estado atual das releituras deformantes da modernidade na América Latina. Outro segmento deverá ser instituído a partir de uma interrogação sobre “o estado dos meios artísticos”: os sobejos da pintura, gravura, poesia, teoria, cinema, literatura, teatro e fotografia em um tempo caracterizado pelo monopólio da imagem como meio e arte-meio.
Derivas
A ideia de deriva configura‐se como uma noção‐chave dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal de São Paulo. Conjugado com Sobrevivências e Alterformas, a curadoria parte de certas derivações da modernidade encarnadas, sobretudo, nos artistas referenciais presentes na mostra e propõe um conjunto de formas alteradas, restos, deformações, nas quais a residualidade dos meios, sua hibridez e sua marginalidade possam ser entendidos como desvio, como deriva das formas, das linguagens e das imagens, tanto no campo da arte como na constelação de novos espaços que as tecnologias da informação e a digitalização tornam possíveis.
Vozes
Considerada uma zona entre zonas dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal, Vozes manifesta‐se explicitamente através de obras em que a voz prevalece em suas vinculações com a dimensão performativa da arte e com o material fônico – som, rádio, música etc. Pretende levantar interrogações acerca das maneiras pelas quais se dão as relações entre poéticas visuais e poéticas discursivas ou verbais atualmente.
Pensando a voz como matéria plástica e artística em todas suas vertentes e possibilidades, Vozes atravessa Sobrevivências, Alterformas e Derivas e deverá configurar‐se como a principal extensão da mostra na cidade de São Paulo.
Esta zona curatorial estabelece uma ponte entre a noção de voz e as mais variadas dimensões performativas da arte contemporânea e permite pensar e organizar um momento participativo dos espectadores (ou interlocutores) por meio da ativação de dispositivos de diálogo presentes na mostra ou nas plataformas virtuais da Bienal.
Reverso
Tratada conceitualmente como uma zona transversal aos componentes expositivos da mostra, Reverso é espécie de plataforma nômade que abraça, desde sua elaboração, todos os elementos curatoriais do projeto da 30ª Bienal de São
Paulo ‐ A iminência das poéticas e os estende para a cidade. São intervenções urbanas, mostras em parceria com outras instituições da cidade de São Paulo, exibições de filmes, apresentações teatrais e musicais encomendadas a artistas locais e/ou internacionais. Instaurando-se como uma forma de estender e potencializar o evento realizado no pavilhão localizado no Parque do Ibirapuera, Reverso pretende constituir‐se como uma possibilidade de desenvolver um diálogo aberto entre a 30ª Bienal, o público, as instituições e os demais agentes culturais e sociais atuantes na cidade. Farão parte desta rede a Casa Modernista, a Capela do Morumbi, a Casa do Bandeirante e outras instituições.
Componente educativo
O componente educativo da 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas, coordenado por Stela Barbieri, está em total sintonia com a curadoria-geral da mostra. O trabalho educativo, conduzido a partir dos conceitos apresentados pela curadoria, vê a possibilidade de criar diálogos que se iniciaram antes mesmo da mostra tomar forma definitiva, através de cursos, oficinas e ações que promovem reflexão sobre a vida e a arte contemporânea em suas diversas manifestações.
Encontros
Pensado como um ciclo de seminários capaz de possibilitar ao grande público o contato com renomados artistas e intelectuais da atualidade, A iminência das poéticas propõe realizar um debate sobre o presente da atividade artística por meio de uma série de encontros em que a própria Bienal e os aspectos gerais de seus conteúdos se ofereçam como centro de discussão.
O ciclo se dará sob a forma uma série simpósios realizados ao longo de 2012 na cidade de São Paulo; e um encontro de caráter poético/teórico, a ser organizado em duas ocasiões diferentes (fora e dentro do Brasil), como um diálogo transterritorial e transpoético entre duas cidades, Ciudad Abierta, Valparaíso, no Chile, e a cidade de São Paulo, no Brasil.
Programação
Data
7 de setembro a 9 de dezembro de 2012
Abertura para imprensa
3 de setembro de 2012
Abertura para convidados
4 de setembro de 2012
Local
Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, São Paulo
Ficha Técnica
Curador
Luis Pérez-Oramas
Curadores associados
André Severo
Tobi Maier
Curadora assistente
Isabela Villanueva