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O arquiteto venceu o primeiro prêmio do Concurso Público de Concepção para a Elaboração do Projeto do Centro de Artes do Carnaval promovido pela Câmara Municipal de Torres Vedras
Situado junto a uma das vias de entrada em Torres Vedras, à ilharga do seu centro histórico, o sítio proposto para o Centro de Artes do Carnaval é marcado por dois elementos singulares: por um lado, o antigo Matadouro Municipal que, ao ser desativado, deixou de trazer vitalidade urbana ao pequeno e fragmentado bairro que o envolve e guarda unicamente a sua qualidade iconográfica, por outro lado, a cratera de uma pedreira abandonada. Esta cratera é constituída por uma extensa plataforma, atualmente inacessível, e uma escarpa, cuja dimensão e matéria – a pedra – conferem a todo o espaço um caráter onírico.
O edifício principal do antigo Matadouro, no qual se organizam os espaços do Centro de Artes mais diretamente relacionados com o exterior – o átrio, o auditório, o centro de documentação e a sala de exposições temporárias –, é reabilitado. Um novo corpo, suspenso sobre este edifício e a ele verticalmente ligado a partir da sua charola original, acolhe a exposição permanente que, pontuada por uma seqüência de vistas enquadradas para o exterior e para a cidade, se estende até ao espaço exterior esculpido pela pedreira. O corpo que contém as reservas do Museu prolonga-se até tocar na própria escarpa através de uma superfície pétrea que dela parece nascer. Esta superfície, cuja gênese formal – uma elipse – resulta da geometria que a cratera sugere, configura com a escarpa os limites de uma Praça sobre a plataforma existente. A esplanada coberta do bar do museu e a frente contínua dos grandes vãos das oficinas de animação artística asseguram a vida cívica desta nova Praça pública que, a pretexto da construção do Centro de Artes do Carnaval, se oferece ao pequeno bairro e à cidade.
José Neves
José Neves nasceu em Lisboa em 1963 e licenciou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa em 1986, ano em que integrou a representação nacional da 2ª Bienal de Jovens Artistas dos Países Mediterrânicos em Salónica, a convite da Secretaria de Estado da Cultura.
Entre 1986 e 1990 colaborou no atelier de Duarte Cabral de Mello e a partir de 1991 participou em diversos trabalhos com Vítor Figueiredo. Nesse mesmo ano abriu atelier próprio. A Casa do Moinho (obra nomeada para o Prêmio Secil 1998 e 1º Prêmio de Arquitetura da Câmara Municipal de Torres Vedras 1996-2001), o Edifício C6 e Alameda da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1º lugar em concurso público internacional e obra nomeada para o Prémio Secil 2004), a requalificação e ampliação da Escola Marquesa de Alorna e da Escola Francisco de Arruda, em Lisboa, ou a Gare Marítima da Madalena do Pico, nos Açores, encontram-se entre os projetos que realizou. Foi ainda premiado em diversos concursos como para a Reitoria da Universidade Técnica de Lisboa, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Minho, ou o Mercado de Levante de Almada.
Ensina na FA/Utl. desde 1989, onde prepara a sua tese de doutoramento.
Projeto
Arquitetura
José Neves
Colaboração
Rui Sousa Pinto, André Matos, Fernando Freire, Sara Brandão, Vitor Quaresma|Arquitectura Paisagista: Victor Beiramar Diniz (JLCG)| Engenharias: BETAR; SM&LM; Natural Works|Promotor: Câmara Municipal de Torres Vedras
Local
Torres Vedras, Portugal
Data
2011
Vista Geral do Projeto
Foto C&CC lda [dilvulgação]
Sala de Exposições
Foto C&CC lda [dilvulgação]
Praça
Foto C&CC lda [dilvulgação]