De: Caroline Silva
Data:
Wednesday, July 30, 2003 7:17 PM
Assunto: Canal de Santos

Que seria das cidades se o valor simbólico das coisas se extinguisse???? Convivemos hoje, e desde muito tempo, com a tomada de decisões por parte do poder público nas cidades que ferem o sentimento daqueles que ali moram. Decisões, estas, quase sempre norteadas somente pelo fator econômico e seus "adjuntos" - corrupção, etc, etc... Santos também não foge 'a regra, e o que acontece é que vemos os bondes sumirem, os canais serem tapados, o jardim da orla ser "recortado" ... O interesse econômico deve ser um dos determinantes no processo de tomada de decisões acerca das intervenções urbanas, pois seria muito romântico dizer que o que vale é só a memória, etc, etc, porém o fator econômico deve dividir espaço e ser colocado em mesmo peso na balança juntamente com a memória, a beleza, a identidade. Lembro-me que pela ocasião da polêmica sobre os canais participei da mobilização promovida pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos - FAUS, na qual tive a oportunidade de ouvir o apelo da comunidade que sofre ao ver sua identidade e sua história serem apagadas desta maneira. A comunidade sente essa perda e isso tem de ser levado em conta, sempre. Não há dúvida do valor histórico - cultural dos canais de Saturnino de Brito para a cidade de Santos, assim como da Rua XVI de Novembro, da Bolsa do Café, do Bonde, do Jardim... e a melhor maneira de se barrar esse aculturamento promovido pelas intervenções arbitrárias que são realizadas na cidade é cada cidadão se conscientizar de que a mobilização, a união de forças de moradores, estudantes e profissionais que atuam no campo da Arquitetura e Urbanismo, entre outros, FAZ A FORÇA! Assim como fez no tocante aos canais, pois a obra absurda de tampar o canal foi suspensa. O perigo está nas ações pequenas, quando essas intervenções são feitas pouco a pouco, " no ritmo da formiga" e qdo nos damos conta a coisa já foi concretizada. Devemos estar atentos e denunciar esse tipo de postura. Cabe a nós, arquitetos e urbanistas, que trabalhamos com todas essas questões e temos condições de avaliar o impacto dessas intervenções alertarmos os cidadãos, promovendo a conscientização da importância da manutenção da história e da identidade dentro das cidades. Pois de nada adianta chorar em cima do leite derramado...

[Caroline Silva, estudante de arquitetura, Santos]