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De: Barbara I. Wasinski
Prado
Data: Monday, December 18, 2000 2:44 PM
Assunto: Edifício Luciano Costa: Nós somos as gerações
futuras?
A
cidade é entre outras definições, o resultado da
ação e do pensamento do homem . Desta forma tanto a arquitetura
original, quanto a intervenção modernista do Edifício
Luciano Costa, representam momentos históricos da cidade do Recife
e as formas do pensamento de seus atores sociais em suas respectivas épocas.
O modelo
modernista foi aplicado em todo o Brasil numa tentativa de promover uma
ruptura dos modelos tradicionais de sociedade principalmente nos anos
50 e 60 . A arquitetura modernista sintetizava esse paradigma.
Holston
(1993) analisa esse paradigma e o descreve como ... " a idéia de
que governos nacionais podem mudar a sociedade e manobrar o social através
do imaginário de um futuro alternativo." Neste período,
embora se acreditasse que as novas cidades ou mesmo as modernizadas poderiam
criar uma nova sociedade, o dilema de alguns interventores em abrir mão
dos valores simbólicos, manifestou-se inúmeras vezes pelo
país.
Esse
paradigma de modernidade foi responsável por muitas descaracterizações
tanto do tecido urbano, quanto da arquitetura ou mesmo da paisagem urbana
e natural. Em São Luís do Maranhão intervenções
drásticas mais "a La Hausmann" do que "a La Radiosa" , destruíram
áreas e edificações importantes, como as situadas
à Rua do Egito e hoje Av. Magalhães de Almeida, ou a substituição
baluarte indicado na gravura de Barleus, por uma via sobre o mar , onde
hoje encontra-se a cabeceira da Ponte José Sarney, no lado São
Francisco.
Esse
exemplo, o Edifício Luciano Costa representa para nós, também
um sentimento: a angústia pela opção.
De um
lado, o valor simbólico questionado pela corrente modernista e
de outro o valor estético representativo de uma época, que
é também passado e herança de nossa história
e um marco de nossas vidas, que não deveria ser apagado ou destruído.
Especulando
um pouco, diria que Delfim Amorim deve ter sentido as pressões
da corrente modernista, e talvez por isso decidiu envolver o passado e
resguardar o bem arquitetônico. Considero que Delfim Amorim era
um homem de visão, uma visão além de seu tempo e
parece que ele previu, que hoje estaríamos debatendo por uma solução
ao impasse criado.
De certa
maneira, delegou-nos o dever e o direito de decidir.
É
a hora de pensar a questão, por um lado a arquitetura eclética
deve ser descortinada de seu envoltório modernista, pois os exemplos
arquitetônicos deste período tendem, apesar dos processos
de conservação, a desfazerem-se no decorrer do tempo, de
forma factual, visto que nada é eterno. Mas esse descortinar, poderia
preservar também trechos da solução modernista. Não
se trata de uma posição apenas conciliatória, embora
acredite que até poderia ser, mas considero que, a manutenção
dos dois momentos, apresentariam à cidade os pensamentos de várias
épocas e os discursos que os encerram, revelariam também,
para alguns de nós a angústia da opção.
Resguardar
as duas arquiteturas, seria a forma de conciliar o tempo e o espaço
que esta edificação representa para a cidade, bem como,
registrar que a arquitetura e a cidade também são feitas
de sentimentos e vez por outra tensos e dramáticos.
[Barbara
I. Wasinski Prado, aluna do Mestrado de Desenvolvimento Urbano da UFPE,
profª da
Universidade Estadual do Maranhão no Curso de Arquitetura e Urbanismo]
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