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De: Edson Jorge Elito
Data: Sunday, November 12, 2000 9:10 PM
Assunto: Embaixada brasileira em Berlim
Gostaria de abordar
este tema de modo hetero...doxo já que o texto do arquiteto Pedro
Moreira, complementado pelos demais quase que esgotaram em quantidade
e qualidade os argumentos de que a embaixada deveria ser objeto de concurso
nacional.
O Brasil, apesar de
ter sido um país produtor de arquitetura de ponta reconhecida internacionalmente,
cujo auge foi a construção de Brasília, não
capitalizou esse potencial artístico, tecnológico e cultural
e ao contrário, devido à seqüência de políticas
equivocadas no plano habitacional, de desenvolvimento urbano e infra-estrutura
jogou pela janela nosso know how junto com a possibilidade de as
equipes de projeto se fortalecerem e sedimentarem. A falta de planos de
construção e principalmente a deterioração
e o empobrecimento dos programas das parcas intervenções
abrem passagem para a perda da qualidade da arquitetura. Ao invés
de criarmos e ampliarmos a cultura de arquitetura no país, e o
Instituto de Arquitetos do Brasil, com todas as dificuldades tem lutado
por essa construção, ela praticamente inexiste: o Brasil
não tem cultura de arquitetura, nem o povo (que é exímio
autoconstrutor), nem as elites (que adoram aberrações),
nem os governos que para aniquilar definitivamente com as possibilidades
de vida inteligente nas obras públicas, jogou a pá de cal
que é a Lei 8666 de licitações, que privilegia o
menor preço para escolha de projetos, a ponto de, salvo exceções
de concursos, ser a única forma de escolha.
Sofremos também
de uma estranha forma de xenofobia, que aceita a importação
de projetos prontos para grandes empreendimentos comerciais de qualidade
arquitetônica e ambiental mais do que duvidosa e grita contra a
possibilidade de termos construída uma obra de um arquiteto da
qualidade de Álvaro Siza em Porto Alegre. Num caso abrimos totalmente
todos os órgãos e membros à disposição
do mercado internacional, vendo a participação de escritórios
testa de ferro que "tropicalizam" o projeto importado e no outro
exigimos que troca tenha mão dupla.
Os concursos de arquitetura
são a melhor forma de se escolher o melhor projeto para edifícios
de representação, principalmente quando entra em jogo a
imagem da nação. O valor do simbólico na configuração
dos espaços nesses casos, deve ser considerado tanto quanto a funcionalidade
e a construtibilidade da edificação. O produto resultante
deve responder a essa exigência fundamental e por isso a oportunidade
do concurso de projetos, que tem o privilégio de comparar diferentes
idéias e escolher a mais adequada. O IAB, com sua longa tradição
de 80 anos tem todas as condições de organizar uma competição
irrepreensível e vale citar como exemplo o Plano Diretor de Brasília,
concurso organizado pelo IAB, vencido por Lucio Costa, cujo resultado
é hoje reconhecido como patrimônio da humanidade.
Claro que sempre se
corre o risco de soluções exageradas e esdrúxulas
no afã de se fazer uma arquitetura de imagem monumental que não
tem nada a ver com o simbólico, e que é um engano recorrente
nas obras de representação como as de Berlim e que parece
ser, salvo erro de interpretação da imagem mostrada no artigo
do Pedro Moreira, o caso dessa embaixada mexicana.
Com todos os riscos,
sem dúvida, o projeto de arquitetura para a embaixada brasileira
em Berlim, é claro, deveria ter sido escolhido a partir de um concurso
de projetos e assim teríamos uma obra que representasse a arquitetura
e portanto a cultura brasileira no lugar de maior visibilidade em termos
de arquitetura e urbanismo no mundo hoje.
[Arquiteto Edson Elito,
São Paulo SP]
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