De: Silvio Podestà
Data: Friday, November 24, 2000 2:32 PM
Assunto: Embaixada de Berlim e as outras todas

Há bastante tempo venho dizendo que parte dos problemas da profissão ARQUITETO são causados por eles mesmos, ou seja, ninguém ou quase ninguém sabe para que serve a Arquitetura e seus autores, conhecidos mais comumente como 'desenhadores de fachadinhas, sub-produto da engenharia".

É óbvio que esta condição é resultado de um longo período de descaso em que nós, arquitetos, relegamos a informação sobre o porque de existirmos a uma ou duas revistas paulistas (e devemos fazer tudo para que continuem) e que circulam basicamente entre os da classe (se é que ela existe a não ser para chorar sobre leite derramado).

O resto, ou são revistas de decoração e interiores (acho que os arquitetos deveriam se espelhar na forma como as associações de decoradores se organizam, se divulgam, cobram e recebem sem choro, etc. etc.) ou são publicações de um hermetismo tão grande que sugerem estarem os arquitetos numa eterna defesa de tese.

Se existem em todos jornais do país cadernos especiais de informática, turismo, automóveis, política, polícia, julgamentos e causas jurídicas diversas, medicina, males físicos e tratamentos diversos, futebol, xadrez e mais eteceteras e eteceteras, porque a arquitetura só aparece não assinada (por vergonha é claro) nos cadernos de imóveis e em forma de edifícios de duvidoso valor arquitetônico ou casas de estilos colonizadores?

Então, se este profissional não existe para o resto das pessoas que não pertençam a sua classe, se não têm voz frente a sociedade que por desconhecê-lo não levanta bandeiras em sua defesa, ou na possibilidade de defender algo que julgue reprsentativo da sua cultura, não é esta minguada classe que vai sugestionar um outrora intelectual paulista, de "antiga" linhagem esquerdista, que nas veste de presidente desta colonizada república tupiniquim, esconder  na sua maleta Vuiton (é assim que escreve?) a vergonha de assumir parte da cultura brasileira representada por nós, arquitetos pós Brasilian Buildings (é assim que escreve?), e convocarnos para tão gloriosa tarefa.

Passa-se o bastão para um grupo de nomes cheio de consoantes e lava-se as mãos e não se olha para trás porque lá vem sal. Pelo menos podiam chamar o Niemeyer, nosso eterno calaboca oficial.

Parabéns ao colega Pedro Moreira e o site Vitruvius que convoca-nos na esperança de podermos formar trincheiras, panelaços, bandeira e, quem sabe um dia possamos fazer pelo menos um ou outro consuladinho num distante Timor ou coisa que o valha.

[Sylvio de Podestá, arquiteto e sócio/propietário da AP Cultural, pequeníssima editora de arquitetura]