Há bastante tempo
venho dizendo que parte dos problemas da profissão ARQUITETO são causados
por eles mesmos, ou seja, ninguém ou quase ninguém sabe para que serve
a Arquitetura e seus autores, conhecidos mais comumente como 'desenhadores
de fachadinhas, sub-produto da engenharia".
É óbvio que esta condição
é resultado de um longo período de descaso em que nós, arquitetos, relegamos
a informação sobre o porque de existirmos a uma ou duas revistas paulistas
(e devemos fazer tudo para que continuem) e que circulam basicamente
entre os da classe (se é que ela existe a não ser para chorar sobre
leite derramado).
O resto, ou são revistas
de decoração e interiores (acho que os arquitetos deveriam se espelhar
na forma como as associações de decoradores se organizam, se divulgam,
cobram e recebem sem choro, etc. etc.) ou são publicações de um hermetismo
tão grande que sugerem estarem os arquitetos numa eterna defesa de tese.
Se existem em todos
jornais do país cadernos especiais de informática, turismo, automóveis,
política, polícia, julgamentos e causas jurídicas diversas, medicina,
males físicos e tratamentos diversos, futebol, xadrez e mais eteceteras
e eteceteras, porque a arquitetura só aparece não assinada (por vergonha
é claro) nos cadernos de imóveis e em forma de edifícios de duvidoso
valor arquitetônico ou casas de estilos colonizadores?
Então, se este profissional
não existe para o resto das pessoas que não pertençam a sua classe,
se não têm voz frente a sociedade que por desconhecê-lo não levanta
bandeiras em sua defesa, ou na possibilidade de defender algo que julgue
reprsentativo da sua cultura, não é esta minguada classe que vai sugestionar
um outrora intelectual paulista, de "antiga" linhagem esquerdista, que
nas veste de presidente desta colonizada república tupiniquim,
esconder na sua maleta Vuiton (é assim que escreve?) a vergonha
de assumir parte da cultura brasileira representada por nós, arquitetos
pós Brasilian Buildings (é assim que escreve?), e convocarnos para tão
gloriosa tarefa.
Passa-se o bastão
para um grupo de nomes cheio de consoantes e lava-se as mãos e não se
olha para trás porque lá vem sal. Pelo
menos podiam chamar o Niemeyer, nosso eterno calaboca oficial.
Parabéns ao colega
Pedro Moreira e o site Vitruvius que convoca-nos na esperança de podermos
formar trincheiras, panelaços, bandeira e, quem sabe um dia possamos
fazer pelo menos um ou outro consuladinho num distante Timor ou coisa
que o valha.
[Sylvio de Podestá,
arquiteto e sócio/propietário da AP Cultural, pequeníssima editora de
arquitetura]