Fica então o país
novamente sem uma política cultural e a arquitetura reflete a pobreza
deste "status-quo". A arquitetura brasileira, na maioria das vezes,
é um instrumento de barganha imobiliária e deixa uma das suas mais
sagradas e importantes funções: a de ser um instrumento para
valorizar as instituições de uma civilização.
Temos então o tragicômico
quadro: a última Bienal de Arquitetura de São Paulo mostra a nossa
dura e triste realidade. 70% da exposição da atual arquitetura brasieira
é descartável e comprometedora com valores de ética questionáveis.
Essa visão é refletida nos nossos políticos que compreendem a arquitetura
como uma mera negociata imobiliária. Como resultado, podemos relembrar
o malfadado concurso para o Pavilhão do Brasil na feira de Sevilha,
na época da República das Alagoas, o gasto inexplicável no nosso
"stand" em Hannover, e aí até a nossa atual embaixada em Berlim e
outros fatos que esperamos não ocorram.
Na última Bienal
em Veneza, houve alguns comentários da inteligência primeiro-mundista
aos trabalhos de nossos representantes brasileiros: Paulo Mendes da
Rocha e Lelé. Alegaram ser "arquiteturas de boa qualidade representantes
do Brasil, mas refletem os anos 60, sem uma inovação contemporânea".
Fica então aqui
a reflexão. Nos anos 60, fomos felizes e não sabíamos. Será que a
nossa atual produção, dividida entre o brilho de gosto globalizado
à la Miami, ou à selvática e exótica arquitetura de madeiras e sapés
à la Curumim, é o nosso autêntico vocabulário? Para os políticos e
profissionais sem escrúpulos, talvez valha mais o óbvio. Para outros,
menos óbvios, fica o convite a procurar novos caminhos em continuidade
ao trabalho dos nossos dois ilustres representantes em Veneza. O caminho
e a evolução é sempre a redescoberta de nossa cultura.