De: Jorge Eduardo Rubies
Data: Monday, July 09, 2001 9:36 PM
Assunto:
A Modernização da Estação da Luz

Simplesmente não consigo compreender a indignação do autor do artigo com o projeto escolhido para a modernização da Estação da Luz. Este projeto, como ele próprio reconhece, é o que menos agride o projeto original. Sobre a segunda proposta escreve ele: "Mas como é sabido, não é possível fazer omelete sem quebrar os ovos. Esta solução impunha a eliminação das duas passarelas laterais, componentes originais do edifício. " E se formos comparar o número de ovos quebrados, o projeto vencedor parece bem mais razoável. Vejamos as críticas que ele faz à proposta vencedora: diz ele que tal proposta implica maiores custos de construção e de manutenção. Ora, economia de custos foi o mesmo argumento utilizado pelo Sr. Paulo Maluf para a construção do Minhocão no lugar de um túnel. O povo tem direito à qualidade, mesmo que signifique um pretenso maior custo final. Estamos cansados de soluções precárias que em nome da economia sacrificam a qualidade de um projeto. Estas são as soluções que acabam se revelando as mais dispendiosas, num longo prazo. A última investida do autor do artigo contra o projeto diz respeito a uma suposta separação entre o público e o bem preservado. Lendo-se o artigo até temos a impressão de que o acesso à antiga Estação fica vedado ao público, tal como ocorre atualmente com o antigo saguão da Estação Júlio Prestes, o que não corresponde à realidade. Apenas o acesso aos trens passa a ser subterrâneo, o que é até salutar em termos de preservação da Estação, que não foi projetada para comportar um fluxo de 35.000 passageiros/hora. Por fim aguardo apenas que os responsáveis pelo projeto vencedor se manifestem e respondam às críticas feitas, para que todos os cidadãos, usuários da Estação e contribuintes (que são os que afinal irão pagar a reforma) tenham a oportunidade de conhecer todos os lados da polêmica, que por enquanto, tem ficado restrita ao governo e a alguns arquitetos e desconhecida dos verdadeiros interessados - o povo. Atenciosamente

[Jorge Eduardo Rubies, cidadão e não-arquiteto]