|
De: Francisco Spadoni
Data: Monday, April 02, 2001 12:13 PM
Assunto: São Paulo é São Paulo?
Caro Vladir, teu artigo
chega em boa hora. E se bem entendi todos os argumentos, vou comentar
alguns deles. São Paulo é necessariamente mundial. Pela extensão, pela
natureza de sua constituição, pela população, ela é parte importante do
mundo. Seu caráter é peculiar: nasce como terra de viajantes, forma-se
como território de passagem, consolida-se como o lugar do imigrante, mas
ninguém costuma deixá-la. É como se fosse uma parte de cada um. Por vezes
uma outra parte, mas sempre dentro de cada um. Sua lógica já é lógica.
Sempre foi assim, não nos estranha que continue a ser. Não é a cidade
do desenho. Ele é muito pouco pra ela. Nosso esforço deve ser para que
ela escape da moda, já que como sabe, agora todos a querem descobrir.
Um pouco como aquele exotismo que marcou nosso primeiro modernismo. Não
vejo problema nos exemplos forasteiros. Idéias são livres desde que não
se coloquem como modelos. E nem São Paulo deve pretender ser modelo. Entendo
que devemos apostar na força deste nosso cotidiano. Do conhecimento miúdo
que digere cada esquina e que sabe a língua com que devemos nos expressar.
Talvez o universal seja isso. Um abraço e parabéns pela abordagem sensível.
A propósito vale a pena ver a poesia que Blaise Cendrars escreveu sobre
São Paulo em 1923. Não consigo escrevê-la de memória mas a traduzimos
na revista do Cinquentenário da FAU Mackenzie.
[Francisco Spadoni é
arquiteto e professor de arquitetura do Mackenzie e da Belas Artes]
|